cartas
Out 2015 20h25
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HEITOR MAZZOCO_ SÃO JOSÉ DO RIO PRETO (SP)
Seria muito bom se não houvesse o tal vínculo político no Supremo Tribunal Federal. Duas causas, ganhas em instâncias inferiores, foram politicamente adiadas pelo STF. Enquanto isso, milhares de pessoas que trabalharam na maior e mais séria empresa de aviação do Brasil, que pagaram seus impostos, que tiveram suas contribuições recolhidas em folha, mas não repassadas para o Instituto Aerus, de previdência privada, passam sérias dificuldades de ordem física e emocional. Vergonhoso! Os ministros do Supremo, que em tantas causas menores já deram pareceres favoráveis, simplesmente viraram as costas para o drama que vivem esses outrora superqualificados trabalhadores da aviação civil brasileira. Um drama social que não termina, com solução adiada pelo Supremo, data venia, ad infinitum!
SERGIO BERMUDES_RIO DE JANEIRO/RJ
Durante a faculdade, eu lia a piauí. Agora, morando em Buenos Aires, graças ao Twitter recuperei o contato com a revista. Boa surpresa foi ver o The Piauí Herald no site de vocês, que vem a ser similar em formato e conteúdo à excelente Revista Barcelona (subtítulo: Una solución europea a los problemas de los argentinos) daqui. Recomendo que deem uma fuxicada na página web deles. Vou sugerir o mesmo a eles. De vez em quando, eles sofrem censura em alguma província porque o humor deles, algumas vezes, é bastante pesado. Mas o usam como meio pra fazer crítica social e política. Fico muito feliz de ver esse tipo de iniciativa tanto aqui como no Brasil!
JIMENA HARGUINDEGUY_BUENOS AIRES/AR
É tradicional em nossa cultura ocidental, infelizmente, situar o animal na sombra psicológica, contrariando assim as tendências ecológicas do mundo atual. Os cartuns de um coelho suicida (piauí_48, setembro 2010), nesse mesmo diapasão, primam em excelência pela morbidez e mau gosto.
NICOLAU GINEFRA_RIO DE JANEIRO/RJ
GABRIEL FORNAZARI_SÃO PAULO/SP
LUÍSA FERNANDES BOGEA NETTO_RIO DE JANEIRO.RJ
Foi forte o cheiro de queimado que pairou no ambiente durante a leitura da minuciosa defesa de Daniel Dantas, digo, da matéria “Protógenes e eu” (piauí_48, setembro 2010). Não tanto pela defesa, mas sim pela tentativa de fazer isso parecer uma crítica ao espalhafatoso delegado. Tomando em conta que os métodos de “relacionamento” com a imprensa praticados pelo banqueiro são amplamente conhecidos, piauí deveria prestar mais atenção a quem lhe põe a mão na cintura. Estamos de olho!CLEYTON DOMINGUES DE MOURA_BRASÍLIA/DF
A matéria intitulada “Protógenes e eu”, de Raimundo Rodrigues Pereira (piauí_48, setembro 2010), é impressionante. Apesar de considerar o delegado Protógenes Queiroz alguém que se expressa muito mal (e assim diminui as chances de ver suas investigações bem-sucedidas, dado que os crimes devem sempre ser descritos de maneira clara e lógica, e não apenas identificados) considerava-o uma pessoa íntegra e com foco investigativo correto, algo que a matéria coloca em questão. No entanto, há um ponto na reportagem que ficou obscuro: a manipulação da gravação de oferta de propina por possível emissário de Daniel Dantas foi de que natureza e extensão? Se a gravação foi editada para ser resumida (os “melhores momentos”, por assim dizer), é uma coisa. Se foi editada para falsear uma oferta de propina que, de fato, não ocorreu, é outra.
CAIO RODRIGUEZ_SÃO PAULO/SP
RESPOSTA DE RAIMUNDO RODRIGUES: Há nos autos uma gravação de quase duas horas do jantar de Braz, Chicaroni e o delegado Vitor Hugo (amigo de Protógenes). Em nenhum momento dela existe uma oferta de suborno.
Não concordo com a afirmação de Boris Schnaiderman de que “o que há de reflexão filosófica em Tolstói é muito fraco” (piauí_47, agosto 2010). Apesar de ser reconhecido mundialmente por suas obras literárias, sobretudo Guerra e Paz e Anna Kariênina, Tolstói foi autor de uma vasta lista de obras de caráter filosófico e reflexivo, pouco divulgadas, mas que monopolizou sua atenção a partir dos 50 anos de idade. Ele mesmo declarou que seus grandes romances lhe importavam menos.
Um exemplo do vigor das ideias e filosofias defendidas pelo escritor é a obra O Reino de Deus Está em Vós, escrito em 1893. É um livro extraordinário, que questiona o formalismo e a superficialidade das religiões hierarquizadas, que, segundo Tolstói, deturpavam a essência das palavras de Cristo. Também questiona a utilidade dos exércitos, os investimentos em armamentos, a obrigatoriedade do serviço militar, a truculência do Estado, a concentração de renda, isso tudo em 1893! Ele se tornou uma espécie de “livro de cabeceira” de Mohandas Gandhi, que o levava debaixo do braço para relê-lo todas as vezes em que era atirado no cárcere pelos soldados ingleses. Ambos se correspondiam, por sinal. O Reino de Deus Está em Vós foi editado no Brasil uma única vez, pela Rosa dos Tempos, em 1994. Estranhamente, nunca mais saiu nenhuma edição. Intuo que isso ocorra porque o livro questiona a hipocrisia de algumas igrejas. Não são poucas as evidências de que a vasta bibliografia deixada por Tolstói está alicerçada numa autêntica filosofia pacifista, humanista e cristã, embora muitas vezes os personagens de seus romances resvalem para uma desesperançosa amargura. Sua obra filosófica provavelmente ainda será reconhecida. Nesse sentido, estou de acordo com o que diz Rubens Figueiredo: Tolstói busca apenas encontrar um caminho para expressar as suas questões. “É?uma maneira própria dele.”
SIDNEY RUAS_LAGOA SANTA/MG
MOISÉS AGOSTINHO_PALOTINA/PR
As edições 47 e 48 provam que a revista, mesmo com o Gotlib, tem jeito. Particularmente, me alegrou o artigo sobre o recém-empossado prefeito de Reykjavík (Chegada, “Palhaço municipal”, piauí_48, setembro 2010). Quem sabe a Islândia, avançadíssima sociedade de cabelos loiros e olhos azuis, não tem algo a nos ensinar sobre a democracia? A voz do povo é a voz de Deus, ainda que cada povo tenha o Tiririca que pode (ou merece).
Com Jón Gnarr tenho certeza que o partido é uma festa.
DIOGO CARVALHO_BRASÍLIA/DF
Sempre gostei muito da revista pelos seus textos inteligentes sobre os mais variados temas, sem ênfase em temas políticos, sem se posicionar claramente a favor de A ou B. Essa característica me agradava, fazia de vocês um refúgio, uma fuga do veneno de Veja, Caros Amigos e outras. Mas foi só piauí aceitar a carona do Estadão, distinto jornal de extrema-direita, para acabar com meu refúgio e alegria. Mudou completamente de linha editorial, com viés fortemente político. Atacou de bazuca e metralhadora o senhor Protógenes Queiroz, gastou longas páginas com perfis adulatórios de candidatos (Figuras da vice), queimou estrelas internacionais (“Mahmoud Ahmadinejad, o cara”), apitou para Lula (Esquina “Retrato de Classe”). Nem o finado Vargas escapou da sanha enfurecida (piauí_48, setembro 2010).
Por favor, voltem ao que era antes, voltem a minha revistona gostosa. Sem política, vai?
LUIZ S. OLIVEIRA_CAMPINAS/SP
LUISA PESSOA_CAMPINAS/SP