questões cinematográficas
Jul 2011 13h56
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O espectador desavisado precisará deixar transcorrer algum tempo de projeção do primeiro filme dirigido pela atriz Christiane Jatahy – “A falta que nos move” – antes de conseguir se situar em relação ao que está assistindo, e mesmo assim, continuará a ter inquietante sentimento de estranheza até o final.
Esse efeito algo perturbador é uma das virtudes do filme, mesmo reconhecendo que poderá causar rejeições violentas, como a de Barbara Heliodora, em 2005, quando o texto original foi encenado no teatro.
Por contraditório que pareça, a transposição da peça de Christiane Jatahy parece ter favorecido o espetáculo que, segundo Barbara Heliodora, tinha a originalidade de ser “movido pela total falta de ideias”. No cinema, a ausência de grandes acontecimentos está longe de ser uma deficiência – ao contrário, a banalidade dos eventos é uma qualidade que diferencia o filme da pompa e circunstância dominantes em boa parte da produção atual. E quem se dispuser a compartilhar a experiência de “A falta que nos move”, além de testemunhar, poderá quase participar de um bem encenado psicodrama.
O grau de excelência das atrizes e atores – com destaque para Pedro Brício, da fotografia e câmera(s), da montagem etc. contribuem para dar certa consistência ao roteiro de “A falta que nos move” que, sem perder a marca de sua origem teatral, falha, porém, ao se ater a um dispositivo dramático intrigante, sem construir personagens de substância, havendo ainda nítido desequilíbrio entre os dois homens e as três mulheres.
Escrito a quatorze mãos – além da diretora, os cinco integrantes do elenco e uma sétima colaboradora, o roteiro de “A falta que nos move” peca por falta de autoria e o filme acaba sendo um caso exemplar de complacência com seu próprio método.
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Na sessão das 17h de sábado, no Unibanco Arteplex, no Rio, duas senhoras, primeiro se surpreenderam ao descobrir que “A falta que nos move” é um filme brasileiro; depois custaram uns cinco minutos para perceber que o filme já tinha começado! O que dizer de espectadores assim, que ainda por cima conversam em voz alta durante a projeção?