questões cinematográficas

ALAIN CAVALIER – DESCOBERTA DE UM NOVO CINEASTA

Não conheço Alain Cavalier. Lembro de ter lido, há muitos anos, referências a ele no Cahiers du Cinéma, mas salvo falha de memória, não vi nenhum de seus filmes. Ou melhor, vi um, no sábado passado – um curtametragem de sete minutos, em forma de carta, feito para explicar sua ausência na retrospectiva dedicada a ele pelo festival de documentários É Tudo Verdade. 
Imagem Alain Cavalier – descoberta de um novo cineasta

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Não conheço Alain Cavalier. Lembro de ter lido, há muitos anos, referências a ele no Cahiers du Cinéma, mas salvo falha de memória, não vi nenhum de seus filmes. Ou melhor, vi um, no sábado passado – um curtametragem de sete minutos, em forma de carta, feito para explicar sua ausência na retrospectiva dedicada a ele pelo festival de documentários É Tudo Verdade. Por essa única amostra, fiquei encantado e espero poder ver seus filmes que serão exibidos, aqui no Rio, a partir de amanhã.

Depois da exibição da video-carta, Anna Glogowski, integrante do comitê de seleção do festival, e o crítico de cinema Luiz Carlos Merten, moderados por Patrícia Rebello, doutoranda especializada em cinema documentário, fizeram uma sedutora apresentação de Alain Cavalier. Entre muitas outras coisas,  aprendi com eles, e lendo o catálogo do É Tudo Verdade, que Alain Cavalier, prestes a completar 80 anos, fez seu primeiro filme em 1961, desvinculado da então nascente Nouvelle Vague. E que retomou a carreira a partir de 1976, depois de uma interrupção no final dos anos sessenta motivada por uma crise pessoal, vindo a se tornar, na definição dele, um “filmador”, não um documentarista. Filmador, no sentido, de que filma todos os dias, sem a preocupação de estar, necessariamente, fazendo um filme.

A video-carta, disponível no site do É Tudo Verdade  é um primor, verdadeira lição de como um documentário pode ser feito em casa, de maneira simples, sem aventuras amazônicas ou em outras terras distantes. Gravado pelo próprio Alain Cavalier, registra o que há na parede do escritório dele. Enquanto explica, ao mesmo tempo, por que não veio ao Brasil, comenta desenhos, fotos e reproduções que vai enquadrando com destreza. Quando mostra o mapa do metrô de Paris, diz que não precisa de mais exotismo do que o contido naquela área.

Conhecer bons diretores iniciantes acontece, mesmo não sendo muito comum. Mas descobrir um cineasta octogenário é uma raridade preciosa. Fico na expectativa de que os filmes não decepcionem. De terça a domingo, o festival É Tudo Verdade nos oferece a oportunidade de conferir.


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