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“NÃO É UMA COISA DE QUE A GENTE SE ORGULHA”

Em entrevista ao podcast O berro do boi, Wesley Batista fala pela primeira vez sobre a prisão e a delação na operação Lava Jato
Imagem “Não é uma coisa de que a gente se orgulha”

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O empresário Wesley Batista, de 56 anos, lembra do dia em que se tornou público o acordo de delação premiada que ele e seu irmão mais novo, Joesley Batista, fecharam com o Ministério Público Federal. Era 2017, e a J&F, empresa da família, estava enrolada até o pescoço nas investigações da operação Lava Jato. “Eu estava aqui no escritório, vi na televisão e falei: ‘Meu Deus...’ É super impactante, né? Ninguém na empresa sabia”, ele disse. “Você imagina meus netos na escola. Os filhos das minhas irmãs na escola. Aquilo criou um rebuliço tremendo. Todo mundo ligando em casa. Quando cheguei, meus filhos perguntaram: ‘Pai, o que é isso?’ [Eu respondi:] ‘É o que você tá aí vendo na televisão.’ Foi um turbilhão.”

Wesley, até hoje, nunca havia falado sobre os acontecimentos daquele tempo – quando, por pouco, ele e seu irmão não derrubaram o então presidente da República, Michel Temer. O empresário tampouco havia falado sobre os momentos que passou na prisão. Agora, em entrevista concedida à repórter da piauí Consuelo Dieguez na sede da JBS, em São Paulo, Wesley rememorou tudo isso – e falou também do atual momento da empresa. A conversa está no quarto episódio do podcast O berro do boi, que acaba de ser publicado nos tocadores e no site da piauí. O podcast é uma parceria da revista com a Trovão Mídia.

“Logicamente, tudo aquilo que aconteceu não foi uma coisa de que a gente se orgulha. Aquilo trouxe muito sofrimento, muito”, disse Wesley, ao ser indagado sobre o momento em que ele e seu irmão foram presos por insider trading (uso de informação privilegiada) e manipulação de mercado, em 2017. Mais tarde, eles foram absolvidos da acusação. “As pessoas, a família, meus irmãos, meus pais, sentiram junto conosco, sofreram junto toda aquela tempestade. Olhando hoje, a gente percebe: ‘Apesar do sofrimento, e apesar de não nos orgulharmos daquilo, de algumas coisas temos orgulho.’ Nossa família, que a vida inteira foi unida, ficou ainda mais unida.”

Depois do desgaste público, a JBS ficou fora dos holofotes durante anos. Mas seguiu operando e crescendo, discretamente. Os negócios da empresa não só sobreviveram à Lava Jato e à prisão de seus donos como triplicaram o valor de mercado. Em 2024, enfim, os irmãos Batista saíram da toca. Começaram a aparecer em festas, eventos e a dar entrevistas. Fizeram até perfil no LinkedIn para falar de seus empreendimentos no Brasil e ao redor do mundo. Antes arruinados moralmente, eles estavam de volta, mais ricos, poderosos e influentes do que nunca, com envolvimento até em questões diplomáticas. 

Essa reviravolta é o tema do podcast O berro do boi. Neste quarto episódio (de um total de seis), Wesley comenta também o crescimento recente da empresa e rechaça a ideia de que ela tenha sido ajudada por políticos como Lula. “Que ajuda? Me mostra que ajuda eu tive. Ele [Lula] ir numa inauguração [de uma fábrica da JBS]? Ele está fazendo o papel dele, de político. É o contrário. Ele tá indo em Campo Grande, no território do agro, onde ele apanha.”

Em 2015, Consuelo Dieguez publicou na piauí a reportagem O estouro da boiada, que conta como a Friboi virou a maior empresa de carnes do mundo. Agora, para produzir o podcast, ela percorreu 5 mil km de estrada, conversou com dezenas de pessoas próximas aos irmãos Batista e visitou unidades de negócios da família. Entre Minas Gerais, Goiás, São Paulo e Paraná, ela conta como a dupla sumiu do mapa e depois voltou fortalecida. 

Ouça O berro do boi no site da piauí ou em seu tocador de podcasts preferido. Toda terça-feira sai um novo episódio. Assinantes da revista têm acesso um dia antes, pelo Spotify.


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