carta das américas
Out 2023 05h50
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Com sua ênfase em sindicatos, política industrial, tributação das grandes fortunas e uso dos mecanismos do governo federal para direcionar setores-chave da economia, Joe Biden é, provavelmente, o presidente mais “petista” dos Estados Unidos em pelo menos meio século. As semelhanças entre ele e Lula são reais e chegam a um ponto que teria sido inimaginável na política americana há alguns anos, escreve Brian Winter na piauí deste mês.
Desde que assumiu o cargo, em janeiro de 2021, Biden virou as costas para décadas de dogma neoliberal, evitando seguir os acordos de livre-comércio e a relativa austeridade defendida por seus predecessores democratas, Bill Clinton e Barack Obama. Suas maiores conquistas legislativas deram ao governo vastos poderes para direcionar a indústria de semicondutores, promover energia limpa e negociar preços mais baixos para medicamentos. O recente orçamento de Biden propõe uma expansão ainda mais ambiciosa do poder federal, aumentando os gastos anuais, com a diferença financiada por aumentos sem precedentes nos impostos de empresas e dos mais ricos.
Nem tudo são rosas. O governo Lula já teve inúmeras discordâncias e tensões com Biden. Mas, em agosto passado, depois de uma conversa telefônica entre os dois líderes, Lula proclamou: “É a primeira vez que trato com um presidente [americano] interessado nos trabalhadores. Suas políticas e seus discursos sobre o mundo do trabalho soam como música para os meus ouvidos.”
No dia 26 de setembro, Biden tornou-se o primeiro presidente americano a comparecer a um piquete de grevistas, em Bellville, no estado do Michigan, berço da indústria automotiva. No dia seguinte, Lula tuitou: “Ontem eu tive um momento de muita felicidade. Eu vi o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, com o megafone durante uma greve dos trabalhadores.”
Os assinantes da piauí podem ler a íntegra do ensaio neste link.