anais das tenebrosas transações
Ana Clara Costa Mai 2026 08h00
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No dia 28 de agosto do ano passado, as operações Quasar, Tank e Carbono Oculto, deflagradas pela Polícia Federal, mostraram que a gestora Reag movimentava ao menos dez fundos para lavar dinheiro de empresas do setor de combustíveis que faziam negócios com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Mais do que isso: João Carlos Falbo Mansur, dono da gestora, era também sócio de um dos principais fundos do esquema, o Mabruk II.
Além de ter abrigado operações sob suspeita de auxiliar o crime organizado, a Reag também usou sua estrutura para inflar ativos que permitiram ao Banco Master de Daniel Vorcaro expandir e alavancar seus negócios. Sem a Reag na retaguarda, criando ativos fictícios em fundos do Master, o banco não conseguiria irrigar o mercado com a cachoeira de certificados de depósito bancários (CDBs) mais rentáveis que a média, o que terminou causando o rombo de 50 bilhões de reais no Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o órgão que garante aplicações de até 250 mil reais para qualquer investidor.
Na piauí deste mês, uma reportagem mostra como o centro financeiro da Faria Lima, em São Paulo, silenciou sobre as crescentes suspeitas a respeito da Reag e do Master. Assim como o banco, a gestora vivia proliferando irregularidades, que agora vieram à tona. A Reag alocava ativos em fundos de forma indevida, reavaliava patrimônios sem critérios consistentes e deixava de divulgar demonstrações financeiras obrigatórias. Também usava terrenos para inflar artificialmente o patrimônio de fundos e criar ativos sem lastro, produzidos apenas para encorpar investimentos. Sabia-se também que a Anbima – que representa as empresas do mercado de capitais – frequentemente detectava situações fora das normas de mercado na gestora, que recebeu 23 autuações.
Apesar de todas as suspeitas, a Faria Lima convivia bem com a Reag, que em treze anos de existência, se tornara a maior gestora independente da Faria Lima, com mais de quinhentos fundos sob gestão e um patrimônio de 340 bilhões de reais. A Anbima, por exemplo, só retirou seu “selo” de boas práticas e excluiu a gestora de seu quadro de associados em 15 de janeiro deste ano, data em que a Reag foi liquidada pelo Banco Central. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que havia instaurado 77 processos contra a gestora, transformou apenas oito deles em acusação e até hoje não condenou ninguém.
Acima de todo esse emaranhado de empresas, Reag, Trustee, Banvox, Planner, havia uma estrutura em que Vorcaro depositava mais confiança: a Sefer Investimentos, de Benjamin Botelho, que atuou como braço direito do banqueiro, mas também de Maurício Quadrado [que foi sócio do Master] e do empresário Nelson Tanure, suspeito de ser o sócio oculto do Master. Vorcaro confiava tanto na Sefer de Botelho que lhe entregou a gestão dos fundos e empresas que controlavam seu patrimônio pessoal, incluindo seus imóveis milionários e até sua própria participação no Master. A relação é tão estreita que, segundo o jornal O Estado de S. Paulo, 48% do patrimônio da Sefer – o equivalente a 9,6 bilhões de reais – está ligado a Vorcaro e ao Master.
O dado mais incômodo é que todos esses operadores circulam na Faria Lima há décadas. São veteranos. Para um delegado da Polícia Federal que acompanha as investigações, Daniel Vorcaro, hoje com 42 anos, é a exceção, em termos etários, no grupo de operadores. “Quando você pega a Compliance Zero”, diz o delegado, referindo-se à operação que prendeu Vorcaro e levantou o véu sobre os crimes do colarinho branco, “essas figuras – Botelho, Quadrado, Tanure e Mansur – operam no mercado há mais de trinta anos.”
Leia aqui a reportagem completa.