Mai 2026 09h31
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Semanalmente, os apresentadores mencionam as principais leituras que fundamentaram suas análises. Confira:
Conteúdos citados neste episódio:
"Pai (e eu) acima de tudo", reportagem de João Batista Jr. para a piauí.
"O corredor da propina, ou da "muçarela"', reportagem de Arthur Guimarães e Breno Pires para a piauí.
"As conexões de Cláudio Castro com o maior sonegador do país", reportagem de Arthur Guimarães e Breno Pires para a piauí.
"Comida estragada, agressão e irregularidades: set do filme de Bolsonaro é marcado por denúncias", reportagem de Yuri Ferreira para a Revista Fórum.
"Inteligência artificial provoca terremoto em campanhas eleitorais de 2026", artigo de Patrícia Campos Mello para a Folha.
TRANSCRIÇÃO DE ÁUDIO:
Sonora: Rádio piauí.
Fernando de Barros e Silva: Olá, sejam muito bem-vindos ao Foro de Teresina, o podcast de política da Revista piauí.
Sonora: E apesar de você ter dado liberdade, Daniel, de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando, tá? Mas enfim, é porque tá num momento muito decisivo aqui do filme.
Fernando de Barros e Silva: Eu, Fernando de Barros e Silva, da minha casa em São Paulo, tenho a alegria de conversar com a minha amiga Ana Clara Costa, na Confraria de Sons e Charutos, aqui em São Paulo. Olá Ana, bem-vinda!
Fernando de Barros e Silva: Oi, Fernando! Oi, pessoal!
Sonora: Todas as compras até 50 dólares para pessoas físicas estão com tributos zerados, então é um avanço importante.
Fernando de Barros e Silva: E com Celso Rocha de Barros, que está no Estúdio Rastro, no Rio de Janeiro. Diga lá, Celso. Casca de bala.
Celso Rocha de Barros: Fala aí, Fernando! Estamos aí mais uma sexta-feira.
Celso Rocha de Barros: Declaro empossado no cargo de presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Sua Excelência o Senhor Ministro Nunes Marques.
Fernando de Barros e Silva: Mais uma sexta feira antes de a gente entrar nos assuntos da semana. Eu lembro aos ouvintes de São Paulo, ou que estarão em São Paulo, que no dia 30 de maio, sábado, a gente vai estar na Feira do Livro, na Praça Charles Miller, no Pacaembu, às 18h.Tem Foro ao vivo. A gente espera vocês por lá. A feira é muito legal.
Fernando de Barros e Silva: Agora sim, vamos aos assuntos da semana. E a gente abre o programa falando de chanchada, ou talvez de filme policial com pitadas de drama barato e humor involuntário. Flagrado no escurinho do cinema em tenebrosas transações com Daniel Vorcaro, o senador Flávio Bolsonaro está em apuros. Vamos recapitular os fatos um pouco. Quem revelou as conversas entre o filho de Jair, hoje pré-candidato à Presidência da República com o ex-banqueiro, foi o site Intercept Brasil. São várias conversas ocorridas entre dezembro de 2024 de novembro de 2025. Elas versam sobre dinheiro, indicam troca de favores e revelam uma relação de lealdade mafiosa entre as partes. Na última conversa deste lote, que foi extraído pela Polícia Federal de um celular de Vorcaro, Flávio diz ao então banqueiro: "Irmão, estou e estarei contigo sempre. Não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz. Abs". De abraço. Isso foi escrito por WhatsApp, enviado em 16 de novembro de 2025. Numa das mensagens, Flávio chama Vorcaro de "meu irmão" e Vorcaro responde, chamando o senador de "irmãozão". Vorcaro foi preso no dia seguinte, em São Paulo, enquanto tentava fugir do país. Um dia depois, 18 de novembro, o Master foi liquidado pelo Banco Central. Estávamos diante da maior fraude bancária da história do país. Entre todas as mensagens, a que mais viralizou foi um áudio de Flávio a Vorcaro, de 8 de setembro de 2025. Neste áudio, o senador cobra dinheiro do banqueiro. E justifica dizendo que as parcelas de pagamento do filme estão atrasadas. O filme em questão chama se Dark Horse, Azarão, e versa sobre a vida de Jair Messias. Está sendo feito nos Estados Unidos, com estreia prevista para setembro deste ano. A gente ficou sabendo pelo Intercept que desembolsou pelo menos 10,6 milhões de dólares, cerca de 61 milhões de reais pela cotação nos períodos das transferências, entre fevereiro e maio de 2025. Isso em seis operações. Havia ainda mais oito pagamentos previstos para financiar a geografia cinematográfica de Bolsonaro, totalizando 24 milhões de dólares, algo em torno de 134 milhões de reais que não se sabe se foram pagos. O valor total da parceria é próximo daquele que pagaria o escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, ao longo de três anos. Uma curiosidade meio sintomática, meio macabra dessa história toda. O Azarão teria, pois, um orçamento bastante superior ao de filmes como O Agente Secreto 28 milhões de reais e Ainda Estou Aqui, 45 milhões de reais. As coisas pioram porque o Google App Entertainment parece golpe do jeito que eles escrevem. O Google App que produz essa bagaça cultural negou, junto com o Mário Frias, ter recebido dinheiro de Vorcaro. Em nota, Mário Frias disse que não há um único centavo do senhor Daniel Vorcaro em Dark Horse. De tudo isso, se conclui que Flávio Bolsonaro virou protagonista de um outro filme. Podemos chamá-lo de "Já, já estou aí". Aí onde? Na Papudinha, com seu pai, se Jair voltar para lá, como se espera. A gente vai discutir no primeiro bloco as implicações políticas deste escândalo master. Parte da direita já procura outro candidato. Resta saber se há tempo viável para isso e condições políticas de fazer tal troca a menos de cinco meses da eleição. No segundo bloco, a gente fala do governo Lula, que mesmo antes do conhecimento da incursão de Flávio no reino das artes, já havia recuperado um pouco do terreno político depois da derrota de Jorge Messias no Senado. A mais recente pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta-feira, antes do vazamento do áudio de Flávio, mostra uma leve recuperação do presidente. Lula volta a aparecer numericamente à frente de Flávio em cenário de segundo turno, ainda que dentro da margem de erro. E a aprovação do governo foi de 43% para 46. Uma oscilação dentro da margem também. Nos últimos dias, o Planalto acelerou medidas com impacto direto no cotidiano da população. O Desenrola 2, a revogação da taxa das blusinhas, tentativas de conter a alta da gasolina e novos programas de crédito. A segurança pública segue como desafio. E este sempre foi um assunto com o qual a esquerda lida com dificuldade, enquanto a direita vai dobrando apostas na barbárie, o que agrada a parte da população. A Quaest mostra que a violência é hoje a principal preocupação do eleitor brasileiro, ainda na frente de corrupção e da economia. E o governo acaba de lançar o Programa Brasil Contra o Crime Organizado, um pacote de 11 bilhões de reais, dividido em quatro frentes, que são: asfixia financeira de organizações criminosas, reforço da segurança no sistema prisional, qualificação das investigações e do esclarecimento de homicídios e combate ao tráfico de armas. Tudo isso parece razoável, ainda que tardio. Mas se isso vai ter algum impacto político eleitoral, ninguém sabe. Por fim, no terceiro bloco, a gente fala da posse de Kássio Nunes Marques na presidência do Tribunal Superior Eleitoral e da nova composição do TSE, que vai comandar o processo político eleitoral deste ano. André Mendonça ocupa a vice-presidência e Dias Toffoli é o terceiro membro do Supremo entre os sete membros do TSE. É um tribunal diferente daquele de 2022, quando Alexandre de Moraes conduziu a eleição enfrentando tentativas de golpe e a desqualificação do processo político. No discurso de posse, Nunes Marques defendeu as urnas eletrônicas, falou de democracia, prometeu equilíbrio diante da inteligência artificial e disse que o tribunal deve evitar excessos. Mas é o mesmo Kássio Nunes que votou contra a inelegibilidade de Bolsonaro, entre outras coisas. Quando será, como se diz lá nas dunas de Genipabu, com emoção. É isso. vem com a gente.
Fernando de Barros e Silva: Muito bem, Celso. Vamos começar com você. Você que tinha cantado a bola, que a delação era menos importante do que o celular, mas nem você esperava tanto.
Celso Rocha de Barros: Pois é, rapaz. Ô Flavinho, pegaram você pedindo dinheiro do Master, hein? Que coisa desagradável! Tudo isso para um filme produzido pelo ex-ator da novela Mutantes. Porra, que escândalo imbecil, né? Mas é isso. Eu achei que foi o chá de revelação do escândalo Master como escândalo de direita, para quem tava todo mundo ali naquele papo "não tem lado. Não sei o que lá"... Cara, ta aqui o candidato da direita a presidente esse ano pedindo 134 milhões, dos quais ele recebeu 62, aparentemente, para o dono do Master, na véspera do dono do Master ser preso, dois dias antes do Master ser liquidado. Então, não tem a menor possibilidade de ele estar pedindo para o Vorcaro sem saber do que, o que é o escândalo Master, sem saber de nada disso. A essa altura, o partido dele, o PL, já assinou o requerimento de urgência para o projeto que permitiria ao Congresso demitir diretor do Banco Central. A essa altura, o governador bolsonarista do Distrito Federal já tentou salvar o Master, quebrando o Banco de Brasília. Basicamente, um negócio que as finanças do Distrito Federal vão demorar anos para se recuperar disso. A essa altura, o cara do partido dele, o Felipe Barros, já apresentou projeto para aumentar a cobertura do FGC. Mesma coisa que o Ciro Nogueira tinha feito. Então, enquanto o Flávio está falando com o Vorcaro, a turma dele já trabalhou pesado para o Vorcaro. E quando o Flávio diz para o Vorcaro "irmão, estarei contigo sempre. Não tem meia conversa entre a gente", na véspera do cara ser preso, o que ele está dando para o Vorcaro é garantia de que ele vai trabalhar pelo Vorcaro, que o bolsonarismo vai trabalhar pelo Banco Master. Então, não é só um cara pedindo dinheiro para fazer um filme. É um senador da República que estava prestes a se tornar presidenciável, prometendo apoio ao cara que está a um dia de ser preso pela maior fraude financeira da história do Brasil. Então, assim, para a turma que gosta de passar pano para o Flávio e para normalizar o Flávio, peça um aumento de salário aí, gente, seu trabalho ficou muito mais difícil, entendeu? Isso aqui é um flagrante. Isso aqui é um batom na cueca. Não tem muito o que você fazer depois que isso acontece com você para limpar sua barra. Só para vocês terem uma ideia, pelo cronograma que apareceu até agora, num dia o Vorcaro estava recebendo mensagem do Flávio oferecendo aqui apoio total a ele e no outro dia ele estava mandando mensagem para o Xandão, perguntando se deu para bloquear, que é a famosa mensagem que ele teria mandado no dia que foi preso. Se você ainda não entendeu que isso é um escândalo do pessoal da direita do qual o Alexandre de Moraes faz parte, o que parece estranho, mas é verdade. Essa cronologia aqui das conversas do Vorcaro nos dias em torno da prisão dele mostram isso claramente. Ele conversa com o Flávio num dia e conversa com o Xandão no outro e é tudo a mesma coisa. Nos dois casos ele tá pedindo apoio para se livrar da cadeia, apoio para livrar o banco dele de uma intervenção.
Fernando de Barros e Silva: Ele paga caro, né?
Celso Rocha de Barros: Exato. Até porque, assim, a essa altura o cara também já está desesperado e já tá oferecendo o dinheiro para quem for, né? "Quem me livrar disso aqui, eu tô topando".
Fernando de Barros e Silva: Com o dinheiro dos outros.
Celso Rocha de Barros: Exatamente. Porque aí vem o senhor Flávio Bolsonaro e aqueles puxa sacos dele dizer o seguinte: "não, é, eu to pedindo dinheiro privado para fazer um filme sobre meu pai". Dinheiro privado, mas não da pessoa que está te dando esse dinheiro, malandro. Esse dinheiro é dos correntistas do Master. Esse dinheiro é dos aposentados que tiveram o dinheiro da sua aposentadoria investido no Master por prefeitos e governadores corruptos.
Fernando de Barros e Silva: Como o Cláudio Castro, que investiu 1 bilhão.
Celso Rocha de Barros: Que também é do seu partido, Flávio. Você tá patrocinando o filme do seu pai com dinheiro roubado, com o dinheiro dos correntistas do Master, com dinheiro dos aposentados cuja aposentadoria foi investida no Master por governadores e prefeitos corruptos. Então, esse dinheiro não é privado no sentido que você está dizendo. Isso não é uma pessoa voluntariamente dando dinheiro, que ela ganhou com seu trabalho, para uma obra de arte que ela quer que seja financiada. E todos aqui fazendo esforço para não rir quando eu chamei de obra de arte. Entendeu? Isso é uma picaretagem feita com dinheiro de pessoas que não queriam investir no filme do seu pai, que queriam ganhar dinheiro honestamente aplicando num banco em que eles acreditaram e que perderam esse dinheiro porque o banqueiro é ladrão. E aí você chegar aqui e tentar tratar isso como se fosse... "Não, não é um sei lá"... Como se você tivesse pedindo dinheiro para um amigo para patrocinar um projeto que você acha culturalmente importante. É ridículo, filho, não vai dar certo esse negócio.
Fernando de Barros e Silva: E tudo isso com muito conhecimento de tudo.
Celso Rocha de Barros: Exatamente.
Fernando de Barros e Silva: Conhecimento e participação.
Celso Rocha de Barros: Conhecimento e participação. E tem uma outra coisa, a comparação óbvia aqui é o filme da Melania Trump. A Melania Trump teve os direitos da sua autobiografia vendidas para uma dessas big tech aí fazer um filme sobre ela. O dinheiro é absolutamente obsceno. Não faz o menor sentido como investimento de indústria cinematográfica você dar aquele dinheiro para fazer a cinebiografia da Melania Trump. O que todo mundo imediatamente identificou? Isso não é patrocínio de filmes. Isso é suborno. Os empresários querem dar grana para o Trump para pedir favores para ele e fazem isso sob a forma de patrocínio para o filme da mulher dele. Então, aqui a suspeita óbvia que surge nesse caso é que esse negócio de filme não é filme coisa nenhuma. Isso aí é um veículo para esses caras roubarem dinheiro, para esses caras estarem montando um caixa dois ou três ou quatro.
Fernando de Barros e Silva: O filme é para lavanderia, né? É para lavar dinheiro esse filme, porque o Otoni de Paula, deputado Otoni de Paula, falou isso na tribuna da Câmara ontem. Falou: "esse dinheiro, esse filme não está sendo usado para lavar dinheiro do Vorcaro, do Flávio Bolsonaro".
Celso Rocha de Barros: Então, pode ser para lavar dinheiro do Vorcaro, pode ser para sustentar o Eduardo nos Estados Unidos, é uma ou outra suspeita que as pessoas têm. Pode ser para fazer um caixa de campanha para o bolsonarismo.
Fernando de Barros e Silva: Pode ser tudo isso ao mesmo tempo.
Celso Rocha de Barros: Pode ser tudo isso ao mesmo tempo. O que ninguém está acreditando muito é que é para fazer uma super produção. Até porque o que seria super produção no filme sobre Bolsonaro? Tem efeito especial no filme do Bolsonaro, tem CGI, tem aquelas coisas de filme da Marvel? O Jim Caviezel, que é o ator principal que faz o Bolsonaro, ele ficou famoso pela paixão de Cristo. Depois ele fez um seriado de razoável sucesso. Mas ele não é nem de longe um ator de Hollywood de primeira linha. E, aparentemente, o único gasto caro aqui que você tem não é?
Ana Clara Costa: Se fosse, não teria topado.
Celso Rocha de Barros: Não teria topado. Exatamente. Cá entre nós, você já tá fazendo o filme do Bolsonaro que você tá muito fim da linha, né amigo? Entendeu? Você já fez a Mutantes na Record e agora você vai fazer o filme do Bolsonaro. Então, assim, essa história toda do filme é muito mal contada. Isso é um ralo de dinheiro que ninguém tá sabendo explicar até agora no campo bolsonarista. Até porque a produtora lá tá dizendo que não recebeu dinheiro. Mário Frias tá dizendo que não recebeu o dinheiro do Vorcaro, mas a gente tem prova que o Flávio pediu. Então esse dinheiro foi para onde?
Ana Clara Costa: Saiu numa reportagem da revista Fórum, uma entrevista com um figurante do filme que fala que nem os pagamentos eram feitos direito para os figurantes.
Celso Rocha de Barros: Pois é, olha que beleza!
Ana Clara Costa: Os pagamentos atrasavam. Nem a figuração era paga. Não tinha comida.
Celso Rocha de Barros: Oh! Que beleza! E se tivessem imposto mesmo 60 milhões aí, dava para pagar o figurante. Gente, pelo amor de Deus! Então esse dinheiro não foi para o filme, esse dinheiro foi para alguma outra sacanagem que a gente ainda vai ter que descobrir. A polícia precisa investigar. Agora é cedo para gente dizer, né? Tem pesquisa essa semana, mas a gente não sabe se já vai pegar isso porque a pesquisa o campo começou antes, mas o dano para a campanha do Flávio é potencialmente gigante, né? É bom a gente lembrar, o Flávio só empatou com o Lula na pesquisa quando estourou o escândalo do Master e atingiu o STF. Até então, o Lula estava liderando. Não era um negócio super confortável, mas também não era pouca coisa, não. Assim, o Lula era franco favorito até estourar o escândalo para cima do STF. Então como é que fica esse pessoal que estava querendo fazer voto de protesto votando no Flávio Bolsonaro, sabendo que o Flávio Bolsonaro está ganhando para o pai dele a mesma grana que a mulher do Xandão ganhava para o escritório dela? Porque se você supõe que o dinheiro para a mulher do Xandão era suborno, o que você está supondo que é esse dinheiro para o Bolsonaro? Vocês acham que é realmente apoio à cultura cinematográfica? Como é que vai ficar esse eleitorado que colocou o Flávio Bolsonaro no empate técnico com o Lula, que até outro dia estava inclusive em vantagem numérica? E eu suspeito seriamente que o Flávio Bolsonaro chegou a liderar a corrida presidencial. Como é que fica esse voto agora? Esse pessoal que tinha migrado para o Flávio Bolsonaro porque fala "não, cara, o STF é uma sacanagem, não sei o quê. Os bolsonaristas tinham razão". E agora você vê que os bolsonaristas estão no escândalo com o STF. Para o Flávio Bolsonaro se livrar dessa, ele vai ter que rebolar bastante e a turma do passa pano vai ter que passar muito pano. Agora, a situação da candidatura Flávio Bolsonaro fica difícil. E aí, surge naturalmente o pessoal discutindo se vale a pena trocar de candidato na direita. Já tem um pessoal lá trabalhando por Michelle. O Zema partiu para cima do Flávio, que sentiu o cheiro de sangue e falou "Opa, o cara que tá na minha frente está ferido. Eu vou para cima".
Fernando de Barros e Silva: Até o Caiado com seu cavalo branco ressuscitou.
Celso Rocha de Barros: É, mas o Caiado eu achei meio meio vacilante.
Fernando de Barros e Silva: Ele é figurante.
Celso Rocha de Barros: O Caiado, por enquanto, é o cara desse figurante aí que a Ana falou que não ganhou o cachê lá pelo filme do Bolsonaro.
Fernando de Barros e Silva: É, o Caiado vai vai emprestar o cavalo branco para o filme "Já, já estou aí".
Celso Rocha de Barros: Exatamente. Vai ter o Dark Horse e o White Horse.
Fernando de Barros e Silva: Como um parêntese rapidinho, o que talvez explique a saída abrupta e até hoje mal explicada do Ratinho da disputa presidencial na véspera, seja justamente o celular do Vorcaro.
Celso Rocha de Barros: Agora, a gente ainda não sabe se o Flávio vai sair. O que eu acho que vai acontecer é um cenário difícil para a direita, que é o Flávio cair o suficiente para ter um risco razoável de perder a eleição, mas não o suficiente para a substituição dele ser absolutamente inevitável. E aí a decisão dos caras vai ser difícil.
Fernando de Barros e Silva: É. Ana Clara, você está aqui pertinho, em São Paulo. Eu quero muito te ouvir sobre essa história, porque ontem você estava a toda. Opessoal nas redes sociais falando "eu queria muito estar no WhatsApp da piauí, do Foro, ouvindo agora que eles estão falando".
Celso Rocha de Barros: É, tem um pessoal falando: "Ana Clara, vaza pra gente o que você está apurando".
Ana Clara Costa: Bom, gente, eu queria começar falando desse formato para se financiar o filme do Bolsonaro, né? Enfim, o filme ele foi gravado no Brasil, o que justificaria você fazer um pagamento nos Estados Unidos? Você enviar esse dinheiro para lá, né? A não ser que você fosse pagar o diretor e o ator nos Estados Unidos, mas realmente o cachê do diretor e o ator iam corresponder a metade desse orçamento do filme, né? Já começa pelo envio do dinheiro para os Estados Unidos, que é injustificável. O valor que foi enviado, 10 milhões de dólares.
Fernando de Barros e Silva: Esse cachê nem o Marlon Brando no Poderoso Chefão deve ganhar.
Ana Clara Costa: Exato. Exato. Porque vamos supor que fosse uma super produção, entendeu? Porque você precisa enviar esse dinheiro para fora? Eu acho que daí já começa. A gente já começa a ter um pouco de noção do que pode estar acontecendo. E aí, eu queria recuperar aqui uma reportagem que o João Batista publicou na piauí no ano passado, em que ele acompanhou Eduardo durante alguns dias nesse périplo dele ali. Nessa reportagem, o João Batista já cita o Paulo Calixto, que foi o cara que montou o fundo para receber esse dinheiro. E esse Paulo Calixto é um advogado que tem um escritório de advocacia lá no Texas. E, em tese, a razão para o Eduardo ter ido para o Texas, morar no Texas e não na Flórida, por exemplo, se chama Paulo Calixto, porque ele era o cara que ia facilitar as coisas para o Eduardo ali, inclusive no âmbito da imigração. E foi o cara que constituiu esse fundo que foi usado para receber esse dinheiro do Daniel Vorcaro. Quando o João Batista esteve com o Eduardo, chamava muito a atenção as viagens constantes que ele fazia para Washington, de Dallas para Washington, porque, por um lado, ele não estava recebendo o salário dele da Câmara dos Deputados e o Bolsonaro ficava fazendo vaquinha de pix, dizendo que era para sustentar o Eduardo lá fora, que ele tava sem dinheiro, que não tinha dinheiro, etc. E as contas tinham sido bloqueadas no Brasil e tal. E no entanto, o Eduardo, tá na reportagem, circulava de classe executiva nos voos de Dallas para Washington e até o João Batista pergunta para ele: "Mas quem tá pagando a sua passagem de classe executiva?" Porque ele, muitas vezes ele viajava mais de uma vez por semana para Washington para ficar conspirando lá com os assessores do Departamento de Estado e com o Paulo Figueiredo. E aí, ele disse: "ah, um amigo do amigo do meu pai". Quem pagava as passagens dele. Numa alusão aquela frase do Marcelo Odebrecht sobre o Toffoli, né? Então, eu acho que a vida que o Eduardo levava no Texas, a vida que ele levava, a proximidade com o Paulo Calixto, o fato do Paulo Calixto ter constituído esse fundo no Texas para receber esse dinheiro. Eu acho que por aí a gente já pode ter uma noção de que alguém precisava sustentar o Eduardo. Alguém precisava sustentar a classe executiva dele. Ele não estava trabalhando e esse dinheiro foi para os Estados Unidos. Mas agora a gente imaginar que esse dinheiro não chegou no Eduardo... Seria... Enfim, acho que a investigação vai. Aliás, a investigação agora é essa, né? Saber se esse dinheiro sustentou redes sociais dos Bolsonaro, se esse dinheiro sustentou algum tipo de gasto do próprio Flávio. Pode ser que tenha...
Fernando de Barros e Silva: Até esses imóveis, né? Flávio Bolsonaro não comprou a casa lá? Uma mansão de 6 milhões de reais em Brasília. Isso é anterior. Mas enfim.
Ana Clara Costa: Aí foi o BRB que ajudou nesse caso.
Fernando de Barros e Silva: Que financiou.
Celso Rocha de Barros: Pessoal meio amigo também do Vorcaro, mas enfim.
Fernando de Barros e Silva: Que é o mesmo ecossistema.
Ana Clara Costa: Não, a questão é se o Flávio tinha essa intimidade para pedir esse dinheiro e ainda ficar cobrando esse dinheiro, por que ele não teria para convidar o Vorcaro para outros empreendimentos? Entendeu? Sei lá, um condomínio em Rio das Pedras, né? A área de atuação dele... A gente não sabe, entendeu? Acho que só a polícia provavelmente sabe, porque tá tendo acesso a esse material que tá no celular dele. Mas assim, esse foi um áudio e um bloco de mensagens que foram vazadas sobre esse tema. E diante até da forma como eles se tratam, é difícil a gente imaginar que tenha sido a única contribuição, entendeu? Não bastasse o envolvimento cinematográfico do Flávio com o Daniel Vorcaro, o Marcelo Lopes, que é o coordenador da comunicação da campanha do Flávio agora, recentemente escolhido, foi um dos estrategistas do plano de ataque do Daniel Vorcaro ao Banco Central e a servidores do Banco Central quando houve a liquidação do Master. Então, até nisso há uma uma intersecção. O principal homem da comunicação do Flávio era o homem da comunicação do Vorcaro, que fez esses ataques ao Banco Central. Além disso, o Flávio era figura constante em companhia do Vorcaro, em Brasília. Ia na casa do Vorcaro, em Brasília. O Vorcaro ia na casa dele.
Fernando de Barros e Silva: E mentiu. Falou que não conhecia, né?
Celso Rocha de Barros: Ah, isso foi espetacular.
Ana Clara Costa: A BBC fez um corte de todas as coisas que o Flávio falou sobre o Master nos últimos meses. E é realmente... Assim, para quem tem o nível de envolvimento que ele tem, você tem que ter muita cara de pau para falar tudo aquilo que ele falou sem pestanejar, né? E eu acho que o Intercept foi muito ágil e muito sagaz nesse ponto, que foi eles terem abordado o Flávio ao vivo para perguntar sobre o filme. E aí, a resposta do Flávio foi mentir, foi dizer que ele não tem nada a ver com isso e tal, né?
Celso Rocha de Barros: Gargalhando.
Ana Clara Costa: É. E aí, essa abordagem ao vivo ela é muito importante porque ela mostra a desfaçatez, a desfaçatez em mentir, em dizer que não tem nada a ver e tal.
Fernando de Barros e Silva: Chamar o jornalista de militante.
Ana Clara Costa: Exato. O que a gente tem que olhar é, se isso, esse é um dos pontos da relação entre eles. Assim, é muito difícil que seja o único. Isso leva a gente a uma situação que eu acho que é individual e coletiva, dessa candidatura da direita, que é se o Flávio vai continuar ou não. Ele disse à CNN que vai continuar e que a Michelle Bolsonaro não é uma opção. Porém, conversando com lideranças do PL hoje, que tá, a gente ainda tá no quente dos acontecimentos. O que eu ouvi foi outra coisa. Eu ouvi que a Michelle volta sim para a mesa de opções, que óbvio que o Flávio não vai falar isso agora, até agosto, né? É possível que haja uma mudança. A Michelle tá no páreo, ela volta para o páreo. Não só a Michelle, como outros nomes acabaram se assanhando com essa situação, como é o caso do Zema, que imediatamente já falou publicamente contra o Flávio e etc. Só que assim, é muito difícil você tentar colar agora uma imagem de que você bate nos dois lados, sendo que até ontem você estava tentando ser o vice do Flávio, como é o caso do Zema, né? Nem o Caiado está tão associado ao bolsonarismo quanto Zema, né? O Zema é o cara que apoiou o golpe, que apoiou a anistia, que apoiou todos os discursos do Flávio em todos os momentos. Então é muito difícil ele chegar agora e falar: "não, eu acho que eu sou a figura de centro ali". Mas o fato é que nessa semana, enquanto tudo isso acontecia, estava vendo um evento em Nova York, na Faria Lima, que é um evento maravilhoso, porque vai um monte de brasileiro da Faria Lima para Nova York para falar sobre o Brasil com os brasileiros, né? Você tem um gato pingado, outro ali que eles chamam de gestor de fundo americano para conversar e tal. Mas assim, 99% de brasileiros para falar sobre o Brasil em Nova York, veja que maravilha!
Celso Rocha de Barros: Aproveita e faz umas compras.
Ana Clara Costa: Exato.
Fernando de Barros e Silva: É que nem o Gilmarpalooza que em Portugal.
Ana Clara Costa: É, mas eu acho que lá tem o componente do lobby no Gilmarpalooza. Você vai para encontrar agente público, né? Nova York é mais cafona porque é meio que só para dizer que "estamos em Nova York falando do Brasil", mas é só o Brasil que está falando em Nova York do Brasil. Nova York, tipo, tá em outro, outra página, entendeu? Enfim, voltando ao assunto, tudo isso aconteceu enquanto a Faria Lima estava em Nova York. Então, foi aquela depressão total, porque eles estavam completamente comprados na ideia do Flávio para tirar o Lula. E agora essa turma começou a perguntar... O Felipe Nunes da Quaest estava em Nova York também nesse evento, nessa semana, e saiu a pesquisa da Quaest e tudo mais. E quando caiu a bomba Flávio na Quinta Avenida, no caso, a galera se prontificou ali se assanhou toda para perguntar para o Felipe Nunes "e a terceira via? E a terceira via? Será que tem espaço agora para a terceira via?". Tipo, já querendo enquadrar o Zema ou Caiado nesse espaço que ao que tudo indica, eles não pertencem, né?
Fernando de Barros e Silva: Ah, eles não pertencem, objetivamente, eles não pertencem. Eu já defendi aqui e já falei: a terceira via está incorporada ao governo Lula na vida real da política brasileira. A terceira via está dentro do governo Lula. É o Alckmin, a Simone Tebet.
Celso Rocha de Barros: Marina Silva foi candidato à terceira via.
Fernando de Barros e Silva: Marina Silva. Essa parte do PSD, do Kassab e do MDB, que está dentro do governo, isso é a terceira via.
Ana Clara Costa: Pois é, isso que vai acontecer a partir de agora. Não estou querendo fazer futurologia não, mas é para onde os caminhos estão, entendeu? O caminho vai ser um determinado stablishment passar a considerar o Zema e o Caiado como terceira via. Porque, já que o governo não é uma opção para eles e a oposição ao governo, que é o Flávio Bolsonaro, está tóxica. Eles vão tentar reenquadrar essa turma na terceira via. E se a gente pegar que havia o Ciro na semana passada, então assim, existe um combo tóxico agora de Ciro Nogueira, com Flávio Bolsonaro completamente envolvidos com master cooptados recebendo recursos do Master, de maneira que vai ser difícil explicar, né? Pouco republicana. Então, eu acho que isso é um novo momento para a candidatura de direita a partir de agora. Só que eu sou muito cética em relação ao impacto eleitoral dessa história ainda. Porque quando a gente pensa... Vamos pensar semana passada, quando não havia nem Ciro, nem Flávio, Ciro, todo mundo sabia, mas não se tinha...
Fernando de Barros e Silva: Ciro Nogueira.
Ana Clara Costa: Ciro Nogueira. Mas não se tinha o detalhamento do que havia acontecido de fato. Então, semana passada era um outro momento para a direita e além de tudo, havia o caso Messias e tudo mais. Tudo bem que não havia isso, mas você tinha um candidato que era o candidato do golpe, que é o candidato Flávio Bolsonaro, que é o candidato do Jair Bolsonaro, que foi condenado por ter articulado um golpe junto com uma quadrilha. Esse era o candidato que estava com metade das intenções de voto na semana passada. Então, assim, você colocar esse cara hoje como o cara que está envolvido com o Master. Assim, no nível de absurdo que um candidato pode ter, você ser partidário de uma operação de golpe que aconteceu em 2023 é pior do que você receber um dinheiro do Master. Você atentou contra a democracia.
Fernando de Barros e Silva: Não para a população, não para essas pessoas que votam no Bolsonaro.
Ana Clara Costa: É aí que eu quero chegar, entendeu? A gente tá numa numa situação em que o que havia contra o Flávio era muito pior do que um pagamento indevido.
Celso Rocha de Barros: Sim.
Ana Clara Costa: Não era só o Flávio. Um grupo político inteiro patrocinando uma candidatura que tenta um golpe. Então, assim, agora sabe se que além de tentar um golpe, eles também recebem dinheiro sujo de um banqueiro ladrão. A gente vai chegar num ponto em que, na verdade, o golpe, tudo bem, mas você receber o dinheiro do Vorcaro...
Celso Rocha de Barros: É triste, né?
Ana Clara Costa: No fim, assim, eu acho que essa calcificação ela é perene. É claro que o momento para o governo melhora e a gente vai falar disso no próximo bloco. Mas eu sou muito cética em achar que é isso que vai derrubar uma candidatura Bolsonaro, seja Flávio, seja Michelle. Porque se as pessoas estão apoiando uma candidatura que tentou cometer um golpe, o que que é um repasse do Vorcaro? Não sei.
Fernando de Barros e Silva: Eu discordo um pouco, mas é bom que a gente discorde nessa...
Ana Clara Costa: Sim, discorde, discorde.
Fernando de Barros e Silva: To mais, com a impressão mais parecida com a do Celso, achando que vai ter impacto. Não sei se o suficiente para derrubar a candidatura, mas vai ter um abalo sim, porque é muito compreensível. É tudo muito concreto. A coisa do filme permite uma série de memes, é tudo muito cinematográfico, é muito visível. O roubo é muito concreto assim, sabe? É uma coisa que as pessoas percebem e que seja no domínio das artes, é uma, vamo chamar assim, título de cortesia.
Celso Rocha de Barros: No sentido bem amplo.
Fernando de Barros e Silva: É uma ironia realmente saborosíssima nos dá direito a rir no meio dessa tragédia que é o bolsonarismo e que se tornou a política brasileira e mundial, de certa maneira, e tomara que o filme seja inviabilizado. Vai nos poupar de uma de uma aberração estética. Se o filme for inviabilizado, melhor ainda.
Celso Rocha de Barros: Ah não, vão fazer, vão fazer.
Fernando de Barros e Silva: Você quer ver, né?
Celso Rocha de Barros: Claro, uma porcaria dessa. Você acha que eu não vou ver?
Fernando de Barros e Silva: Como diz o Chico Raiz, Dark Horse, Azarão, para ti que não fala inglês. Chico Raiz. Bom, vamos encerrando o primeiro bloco do programa por aqui. Fazemos um rápido intervalo. Vamos falar da recuperação do governo Lula e da imagem de Lula no segundo bloco. Já voltamos.
Fernando de Barros e Silva: Muito bem. Estamos de volta. Celso, vou começar com você. Eu mencionei a pesquisa Quaest, tem bastante coisa nela. A gente pode começar sobre isso, sobre o aspecto que mais te chamou atenção. E eu também tenho umas observações, mas eu prefiro que você fale antes, porque o que eu vou falar é mais periférico, acredito.
Celso Rocha de Barros: Então, Fernando, essa pesquisa saiu antes do escândalo do Flávio com o Vorcaro, então, obviamente é uma fotografia de anteontem, né? Mais ou menos. Mas o que é interessante é justamente antes da história do Vorcaro você já vê uma pequena recuperação do Lula. A gente vinha falando na semana passada que depois daquela semana de terror que teve a rejeição do Messias, a queda do veto da dosimetria, um monte de derrota para o Lula.
Fernando de Barros e Silva: Em que se decretou o fim do governo mais uma vez, como tinham feito nos meados do ano passado também.
Celso Rocha de Barros: Agora a pesquisa da Quaest mostra uma pequena melhora do Lula. Não é uma melhora gigante, longe disso. Mas antes da história do Vorcaro com o Flávio. O que ela mostra? Primeiro, a gente teve uma semana de notícias positivas para o Lula. Lançou aí o Desenrola 2, o Lula lançou um pacote contra o crime organizado. O Lula revogou a famosa taxa das brusinhas, que tinha sido implementada no começo do governo e que era uma fonte de muita impopularidade para o governo. Foi uma coisa muito explorada pela oposição. Então, ele vem tomando um monte de medidas para melhorar a popularidade dele e parece que tá começando a fazer efeito. Se você pegar a diferença entre aprovação e desaprovação do Lula, ela continua negativa. Ele continua mais desaprovado do que aprovado. Mas antes a diferença era de nove pontos negativos e agora passou a -3 pontos, que na verdade é empate técnico. Então, caiu seis pontos essa diferença. Basicamente, agora, esse saldo de aprovação está mais ou menos onde estava em janeiro, fevereiro. Entre os eleitores que a Quaest classifica como independentes, a mudança parece ter sido bem maior. Aqui eu sugiro cuidado, porque até como o próprio Felipe Nunes falou na televisão quando ele estava comentando, a margem de erro nessa sub amostra, nesse grupo de independentes é maior porque é um grupo bem menor do que a amostra total da pesquisa, mas a diferença é substantiva e parece substantiva o suficiente para ter uma boa chance de refletir os fatos. A diferença era de 26 pontos contra o Lula e agora é de 15. O Lula melhorou 11 pontos nesse público. Pela primeira vez em algum tempo, a aprovação passou a ser maior que a desaprovação entre as mulheres, o que é importantíssimo para o Lula ter chance de ganhar. Na última eleição, as mulheres deram a vitória para o Lula. No ensino médio, caiu pela metade o déficit, era 20, foi para 11. E aqui tem uma coisa, cara, que a pesquisa pegou que vale a pena ficar a gente observar agora em diante se é um ponto, se é um momento ou se é uma tendência. Porque no público cativo do Lula, na Lulândia, ele teve uma piorazinha. No público até dois salários mínimos, ele tinha um superávit de popularidade, 20 pontos a mais a favor do governo dele e passou a ser só 14. Então, essa vantagem que o Lula tem na Lulâ ndia parece ter caído alguma coisa.
Fernando de Barros e Silva: É uma diferença significativa mesmo.
Celso Rocha de Barros: Exato. E, novamente, aqui tem o negócio da margem de erro, porque também é uma sub amostra.
Fernando de Barros e Silva: Aí você tem quase metade da população nessa faixa e que é.
Celso Rocha de Barros: Onde o Lula ganha a eleição.
Fernando de Barros e Silva: Onde o Lula ganha eleição. Exato. Para resumir.
Celso Rocha de Barros: Agora, curiosamente, nas outras faixas, melhorou. Em uma delas, que entre 2 a 5, era até de se esperar, porque teve a reforma do Imposto de Renda, tinha um déficit de 19. O déficit foi para nove, dez pontos de diferença. É um negócio significativo. E, acima de cinco, que aí já começa a entrar na anti-Lulândia, né? Foi de 27 negativo para 19 negativos. O Lula voltou a botar boa vantagem entre os católicos. Ele tava 49 a 46. Agora virou 55 a 42, 13 pontos. É uma vantagem significativa, de modo que se você olhar em basicamente todas essas categorias de avaliação, de pesquisa eleitoral e tal, o Lula melhorou nessa pesquisa.
Fernando de Barros e Silva: Sim, acho que o que você falou que é provável que o Flávio estivesse em vantagem no passado recente.
Celso Rocha de Barros: Exato. Exato. Eu tenho certeza que o Flávio deve ter liderado as preferências.
Fernando de Barros e Silva: Mas agora essa pesquisa está velha, né?
Celso Rocha de Barros: Tá. Mas eu acho interessante a gente ver uma dinâmica que já estava acontecendo antes, né?
Fernando de Barros e Silva: Sim, é importante isso, mas estou falando que tá velha à luz do que aconteceu anteontem. Para você que está nos ouvindo.
Celso Rocha de Barros: Exato. Porque, por exemplo, a gente vê os efeitos das boas notícias. Então, por exemplo, 60% dos entrevistados acharam que a reunião do Lula com o Trump foi boa para o Brasil. Num país totalmente polarizado, para o Lula ter 60% de aprovação em qualquer coisa, tem gente que simpatiza com o Bolsonaro, que achou que foi bom. Uma coisa que aconteceu de importante, que provavelmente é uma das causas dessa mudança é que aumentou o número das pessoas ali entre os dois salários e os cinco salários mínimos que sentiram algum efeito da isenção do Imposto de renda. Então, na última pesquisa, 53% das pessoas entre dois salários mínimos e cinco salários mínimos dizia que não tinha feito efeito nenhum para eles e agora isso caiu para 43. Caiu dez pontos. E subiu o número de pessoas que diz que aumentou ou que aumentou um pouco. Então começa a ter algum efeito essas políticas públicas. Então é plausível a gente supor que essa melhoria do Lula na Quaest que veio agora é políticas públicas, é coisas que ele fez como governo, seja visitar o Trump, seja fechar com o Trump, seja fazer desenrola, seja fazer reforma de imposto de renda. Então, é a vantagem de você ser governo. Naturalmente, quando está na oposição, você não pode implementar políticas públicas. Parece já haver uma tendência de melhora do quadro para o Lula antes do escândalo do Vorcaro, né? E se já tiver gente aqui, por exemplo, passando da rejeição para o tanto faz, do ruim para o razoável. Esse cara, já um pouco mais simpático ao Lula, pode ser mais propenso, por exemplo, a levar a sério a denúncia contra o Flávio.
Fernando de Barros e Silva: É, ele provavelmente ele pode ir para as outras candidaturas que não para do Lula.
Celso Rocha de Barros: Pode também, é claro.
Fernando de Barros e Silva: A gente vai ter alguma mexida, deve ter alguma mexida no Zema e no Caiado. Eu acredito que vá ter. Alguns aspectos que me incomodam nessa pesquisa, na maneira como o Felipe Nunes faz a pesquisa. Não tô pondo em dúvida a boa-fé, a competência, etc. Isso está fora de cogitação. Ele faz um cardápio ali que você tem esquerda lulista, esquerda não lulista, independentes, direita não bolsonarista, direita bolsonarista. É uma maneira de fazer esse recorte. O nome "Independentes" me incomoda bastante, porque dá uma ideia de que os outros são dependentes. Implicitamente você tá falando que os outros estão associados, Como você tivesse uma valoração quase político-moral desse grupo independente que vai decidir a eleição e tal. Isso me incomoda. Ponto. Vamos mudar de página agora. Me incomoda mais a pergunta, que você deve ter visto também, Celso, Flávio é mais ou menos, ou, Flávio é mais moderado que a família Bolsonaro? A pergunta é mal formulada porque ela dá a entender que Flávio não é da família Bolsonaro. Não faz muito sentido para mim. E o espelho dessa pergunta é: Lula é mais ou menos moderado que o PT. E daí, você tem a comparação entre uma família, o PT... Deve falar, "mas as pessoas veem assim a política", mas está comparando coisas muito diferentes.
Celso Rocha de Barros: É. Eu acho que a pergunta se o Flávio é mais moderado que o Bolsonaro eu acho relevante e inclusive o resultado é interessante.
Fernando de Barros e Silva: Não é mais moderado que o Bolsonaro. A pergunta é mais moderado que a família Bolsonaro. O que me incomoda nessa maneira de configurar as perguntas é que ela parece um paralelismo forçado entre dois radicalismos comparáveis. E nós não estamos diante de dois radicalismos comparáveis, no qual o centro, esse centro idealizado, esse centro chamado de independente, que tem uma superioridade moral, política que seja, tá órfão, né? Então, esse paralelismo forçado entre dois radicalismos não, não corresponde à realidade. Não são comparáveis. Um lado, a gente sabe, joga dentro da democracia, sempre jogou. Pode ter setores minoritários do PT que gostariam de fazer a revolução. Existe, mas isso está completamente fora de questão. Então você tem um partido que joga dentro da democracia e você tem um outro grupo do outro lado que não joga dentro da democracia, ou que joga dentro e fora ao mesmo tempo. Ana Clara neste pot pourri de coisinhas ou políticas públicas e visita ao Trump também é uma ação de governo, como disse o Celso. O que você destaca?
Ana Clara Costa: Não, foi totalmente uma ação de governo e a gente já falou isso até na semana passada, que o governo cavou esse encontro naquele momento para cavar uma agenda positiva, né? Assim, o governo está em modo agenda positiva, em modo "precisamos nós pautar os assuntos". E essa pauta econômica, que é uma pauta que o Lula encomendou, esse Desenrola foi encomendado pelo Lula numa reunião bastante tensa com a equipe econômica, com Sidônio. Isso foi anunciado e começa a ter os seus efeitos percebidos nas pesquisas, né? O Desenrola claramente é uma medida que tem um impacto na popularidade do Lula e do governo imediata. Mas o histórico tem mostrado que essas ações econômicas do governo, elas têm tido uma vida útil muito curta. Elas geram um aumento de popularidade quando são anunciadas ou quando as pessoas sentem o impacto e, em seguida, as pessoas esquecem. Então, também existe essa percepção no governo que o programa anunciado hoje e que vai ter um efeito na vida das pessoas nos próximos meses, talvez não tenha força suficiente para garantir uma popularidade mais alta até a data da eleição. Então, assim, por um lado, existe um novo modo de atuar do governo nesse momento mais, digamos, contundente. Também existe uma percepção de que há um limite e, a partir de determinado momento, o governo não vai poder mais anunciar plano nenhum, porque a lei eleitoral não permite, né? Então, agora é a janela possível, entendeu? E aí, nisso vem também, nesse pacote, vem o anúncio desse Ministério da Segurança Pública, que é um ministério que foi totalmente retórico esse anúncio, né? Assim, é óbvio que esse vai ser o assunto da eleição. Mas você anunciar o ministério em maio, você não vai colher frutos práticos disso até outubro. Foi um anúncio para eles poderem dizer na campanha: "Olha o que o governo fez no campo da segurança pública". E é um ministério que vem sendo discutido desde o dia um de 2023. Mas enfim, por inúmeras razões, inúmeras coisas que aconteceram no Ministério da Justiça e na disputa política interna não aconteceu, né?
Fernando de Barros e Silva: Acho que quando você fala do assunto da eleição, para mim parece mais ou menos claro que a gente vai ter três grandes assuntos que é segurança pública/violência, corrupção em torno do epicentro do escândalo do Vorcaro e economia, a situação da economia. Esses três assuntos vão ter relevância e, historicamente, o que está em jogo nessa eleição, mais uma vez, é a democracia, a sobrevivência da democracia brasileira. Embora esse não vá ser o discurso predominante nem dos democratas, porque isso não vai dar voto. Mas isso não pode estar fora do radar da gente, porque o que está em jogo, no fundo, é isso. Uma coisa é o que as pessoas vão debater o que vai motivar o voto da população, outra coisa é em termos históricos e no longo prazo, o que é decisivo nessa eleição. Para mim, é a manutenção ou a ameaça muito grande, e talvez maior ainda do que na eleição passada, à democracia brasileira.
Ana Clara Costa: Agora, é inegável que, assim, num período muito curto, a mudança de clima no governo também é impressionante, né? Assim, duas semanas atrás, era um clima de total desalento e agora mesmo antes do áudio do Flávio, já era um clima melhor. A viagem para os Estados Unidos acabou proporcionando isso. Antes, havia até uma discussão dentro do PT sobre um plano B para o Lula. Não que o Lula tivesse dado qualquer sinalização de que ele iria desistir de disputar, mas o PT queria se precaver porque a situação era tão dramática nas pesquisas que eles queriam se precaver e já estavam testando o Haddad, o Camilo Santana e o Alckmin internamente. Mas isso é um outro momento, né? Agora, talvez esses testes tenham ficado na gaveta. Agora o momento do PT está sendo de escalar quem vai ser a tropa de choque da campanha do Lula, né? E entre as últimas definições, na verdade ainda não definições, porque oficialmente ele não aceitou. Mas enfim, tudo indica que irá aceitar. É o Marco Aurélio de Carvalho na coordenação jurídica da campanha do Lula. Marco Aurélio, do Grupo Prerrogativas, é um posto importante porque, em meio à inteligência artificial, a tudo que vai ser feito, as notícias deturpadas e tudo o que a gente sabe que acontece em campanha, que esse ano vai atingir patamar exponencial em razão da inteligência artificial, é um posto que vai ser muito determinante. Então esses nomes já estão entrando no radar e já estão sendo definidos. Os peões ali estão sendo colocados nas suas posições para o segundo semestre.
Fernando de Barros e Silva: Muito bem. Assim a gente vai encerrando o segundo bloco do programa, fazemos um rápido intervalo. Na volta, nós vamos falar da nova configuração do Tribunal Superior Eleitoral da presidência de Kássio Nunes Marques. Já voltamos.
Fernando de Barros e Silva: Muito bem. Estamos de volta. Ana Clara, vamos começar com você. Tivemos a posse do glorioso Kássio Nunes Marques na presidência do TSE. Você acompanhou.
Celso Rocha de Barros: Acompanhei remotamente. Não estava lá. Infelizmente, não pude ir.
Fernando de Barros e Silva: Mas acompanhou. Viu, ouviu. Falou com as pessoas. Conta tudo aí.
Ana Clara Costa: Eu queria contar uma cena que aconteceu nessa posse que eu acho que ela permite que a gente faça algumas análises, né? O Lula foi a posse do ministro Kássio Nunes e antes de o evento começar de fato, eles se encontraram numa sala reservada às principais autoridades, os ministros do Supremo, presidente do Senado, da Câmara. E nessa sala o Lula cumprimentou todo mundo, cumprimentou inclusive o Davi Alcolumbre, que tinha feito o que fez no episódio do Messias. E o que aconteceu depois disso, né? O Lula ficou conversando com o André Mendonça e com o Kássio e com Cármen Lúcia conversando ali, enfim, animadamente, digamos, né? Os três estavam extremamente simpáticos e aquela conversa em que eles não dizem nada, nada muito relevante. Mas para quem consegue ler o subtexto, o subtexto acaba sendo muito relevante. Foi aquele tipo de conversa. E até sobre isso, as expectativas do governo em relação ao papel, aos papéis. Na verdade, do Kássio e do André, né? Queria contar um pouco para vocês e dizer que são expectativas do governo. Não, não quero dizer que eu concorde, mas é o que eles estão achando. Que assim o Kássio vai ser uma, digamos, uma operação do Flávio Bolsonaro no TSE, mas o André Mendonça há dúvidas. Porque há uma percepção de que o André Mendonça tem uma agenda muito própria naquela posição, no sentido de ele ter acabado com a relatoria desses dois casos, que são monumentais, no sentido de ele estar agora no TSE neste momento e de ele ter, de certa forma, uma visão ou uma concepção, de que ele é o escolhido, por ter sido sorteado para estar nessa posição nesse momento. Então, mais do que obedecer a um senhor, ele tem uma agenda própria, né? E aí, há uma visão ali no governo, de que essa agenda pode ser uma mistura de Joaquim Barbosa com Barroso, assim, sabe? De ele querer criar uma biografia para si. E isso pode distanciá-lo um pouco de ser apenas um operador do Flávio no Supremo. O que ele tem dado demonstrações que não é, até pela conduta, sobretudo, a mais recente dele. Então havia essa conversa lá e eles tavam se dando bem. E o Davi Alcolumbre num canto, sozinho. Até que o Hugo Motta ficou lá conversando com ele, mas totalmente isolado do contexto ali e totalmente diminuído diante da posição que ele ocupa, né? Ele estava longe do poder, digamos, naquele momento. E eu aproveito essa cena que eu ouvi do evento para falar do Davi Alcolumbre, que é o que eu quero falar nesse bloco. Na verdade um bloco que a gente vai falar do TSE, mas eu vou sequestrar o bloco nesse momento. Eu quero pegar essa cena dele isolado ali e falar de um novo momento do Davi Alcolumbre. Eu acho que a gente pode entender a rejeição ao Messias como um turning point assim dentro da narrativa política atual, né? Porque foi o ponto mais baixo do governo, foi o ponto mais alto do Davi Alcolumbre, talvez tenha sido o ponto mais alto do Flávio também. E a partir disso, o jogo começou a virar e começou a virar, inclusive para o Davi.
Fernando de Barros e Silva: Tem uma frase do Hegel, vocês me perdoem: O ponto mais alto que algo pode alcançar é aquele em que começa o seu declínio.
Ana Clara Costa: Pois é. Hegel já tinha antecipado.
Celso Rocha de Barros: Hegel já conhecia o Alcolumbre.
Ana Clara Costa: Exato.
Fernando de Barros e Silva: Eu faço citações escolares aqui e o Celso entra com a inteligência. Muito bom!
Celso Rocha de Barros: Não, só esculhambação, né?
Ana Clara Costa: Outra cena que aconteceu na posse do Kássio, que eu acho que ajuda a compor isso que eu quero contar, foram os aplausos ao Messias, que foi aplaudido durante um bom tempo e o Davi não aplaudiu. E aí, Messias ele não foi aplaudido porque as pessoas gostavam dele ou enfim, estavam sentindo pesar pelo fato dele ter sido rejeitado ou pela pessoa dele. Aquele aplauso não foi pessoal, mas houve um consenso naquele momento da rejeição de que o Senado foi longe demais. Davi Alcolumbre foi longe demais e esse consenso se revelou naquelas palmas, de certa forma, né? O Davi Alcolumbre é um vereador que, enfim, por uma coincidência, uma fatalidade do destino, está comandando o Congresso Nacional. Eu não tô querendo aqui fazer nenhuma alusão pejorativa aos vereadores, entendeu? Há ótimos vereadores no Brasil, mas ele é um cara da política paroquial, né? Dessa negociação, dos bastidores, desses acordos espúrios. Ele se preocupa até com indicar o porteiro do Senado. Então, vocês imaginem os grandes cargos. Mas ele não é o cara das grandes côrtes, né? Dessa encenação política que a gente já viu tantas vezes. Então, por isso esse comportamento dele durante a posse do Kássio, né? Daí ele não saber se colocar nessas situações de encenação, né?
Fernando de Barros e Silva: E acho que ele tava constrangido, não?
Ana Clara Costa: Eu não sei se existe constrangido no vocabulário dele, mas ele, acuado, ele com certeza tava.
Fernando de Barros e Silva: E acho que deve estar temendo pelo celular do Vorcaro também.
Ana Clara Costa: Exato. Exato. Porque olha o que ele fez, né? Ele rejeitou o Messias. Aí ele anunciou um rompimento com o governo em off, depois de ter jogado aquela bazuca que era a rejeição, depois de ter negado o convite para solenidade lá no Palácio. Ele desprezou, na verdade, o governo, como se o governo de fato tivesse acabado, né? E é um distanciamento político tão radical que ele fez, com todos esses atos encadeados, que você só faz se você realmente tiver certeza que você não vai mais precisar daquela turma nunca mais, entendeu? Então assim, ele se posicionou muito cedo no tabuleiro ali, muito cedo. E, assim, sete dias depois, a casa caiu. Primeiro o Ciro, que caiu na semana passada, que é um prenúncio do que pode acontecer com ele. Depois, esses aplausos que ele teve que engolir para o Messias. E agora, o que pode vir do celular do Vorcaro e o que pode vir de outra coisa que ele teme bastante também, que é a delação do Beto Louco, que é esse personagem que a gente fala aqui de vez em quando, que é o cara que pode delatar o centrão, né? O cara da máfia de combustíveis e tal. O Beto Louco, a piauí já fez várias reportagens sobre os negócios dele, né? Mas tem uma reportagem específica que o Breno Pires e o Arthur Guimarães fizeram, que mostra a atuação dessa turma no Amapá, estado que estava recebendo a entrada de produtos importados com menos imposto. E a percepção, digamos, generalizada, de que para você conseguir usar esse corredor do Amapá para importar seus produtos, você tem que pagar dinheiro para bastante gente, para ter esse benefício, que é você importar por meio do Amapá. E é o que o Beto Louco fazia com as empresas dele de insumos do petróleo. A piauí já publicou reportagens sobre isso, mostrando como que funcionava esse corredor do Amapá? Como o Antônio Rueda, que é o chefão do União Brasil, tá super enrolado nesse corredor no Amapá, tem mensagens trocadas pelo Rueda com o Beto Louco falando sobre pagamentos... E aí o Beto Louco queria delatar tudo isso que ele sabe no ano passado, logo depois que foi deflagrada a Operação Carbono Oculto. Ele queria delatar tudo o que ele sabia. Ele fugiu antes da operação ser deflagrada, o que demonstra que ele tinha informação privilegiada e começou o processo de delação. Um dos advogados dele era o Celso Villardi, que foi o advogado do Bolsonaro. Agora, o Celso Vilardi saiu da defesa dele. Bom, no ano passado, quando ele começou a negociar essa delação, a PGR não quis essa delação. E todo mundo se perguntou "por que a PGR não quer, se o cara tem tanto para dizer?". E aí, enfim, tem várias teses circulando por aí e uma delas é que ele não quer revelar o elo dele com o PCC na delação e a PGR não vai aceitar se ele não revelar. Outra tese e que ela encontra respaldo nos fatos do momento, que é o fato de o Gonet estar sendo reconduzido para PGR naquele momento, no final do ano passado, e precisar da aprovação do Senado para essa recondução. Então, como é que ele ia aceitar uma delação que dinamitava o Davi Alcolumbre e o União Brasil ao mesmo tempo que ele precisava do Senado para se reconduzir? Então, por isso ele rejeitou. Mas como ele foi reconduzido agora, as conversas voltaram a acontecer. Então, assim, o Davi Alcolumbre está numa situação delicadíssima no celular do Daniel Vorcaro e no corredor do Amapá. E é um cara que agora, diante dessa mudança de clima e diante do que aconteceu com Flávio, ele está numa posição muito diminuída dentro do Congresso, sendo que duas semanas atrás a gente chamou ele de Eduardo Cunha, que também acabou preso, né?
Fernando de Barros e Silva: Muito bem, muito bem. O Alcolumbrismo de resultados está em apuros. Celso Rocha de Barros, deixa eu te ouvir para gente dar sequência esse terceiro bloco.
Celso Rocha de Barros: Pois é, Fernando, a expectativa geral com relação ao Kássio Nunes no TSE esse ano, o pessoal vem formulando em termos dizer que seria uma atuação mais discreta do que a do Alexandre de Moraes, menos intervencionista, alguma coisa. Mas eu acho isso um jeito ruim de descrever as coisas, porque a questão do Alexandre de Moraes não é que ele fosse indiscreto ou excessivamente intervencionista. O problema é que tinha uns caras querendo dar golpe de Estado durante a última campanha eleitoral. Então aqueles caras lá que estavam na internet fazendo campanha contra as urnas eletrônicas, não era só umas pessoas dando sua opinião, eram umas pessoas tentando jogar a opinião pública para o lado que apoiasse um golpe de Estado. Então, assim, a questão da atitude pessoal do presidente do TSE na eleição não me parece um negócio muito relevante nesse caso, não. A questão é se os bolsonaristas vão se comportar dessa vez. E sejamos honestos, alguém tem expectativa que isso vai acontecer? Eu não tenho. Só para pra dar um exemplo, a Patrícia Campos Mello, que provavelmente a pessoa que mais entende dessas coisas de fake news e manipulação eleitoral com internet, esse tipo de coisa no Brasil, publicou na Folha, outro dia uma questão que na eleição argentina teve um problema dos deep fakes, desses vídeos feitos com inteligência artificial e coisa que o valha, contra candidatos, né? Então, por exemplo, uma delas mostrava o candidato peronista cheirando cocaína. A questão aqui é que essas imagens eram divulgadas por perfis, em tese, anônimos. Em tese, seriam cidadãos comuns, mas você nunca sabe se é ou se é uma conta fake criada por uma campanha que, obviamente essa campanha fizer, vai ter punição, vai ser suspensa. Mas o que você faz com uma conta anônima que sai divulgando um deep fake sobre os candidatos? Então, esse é o tipo de coisa que os bolsonaristas estão contando que o Kassio Nunes não vai intervir muito. Dizer "não, não, não, se é um carinha lá isolado fazendo eu não vou meter". Mesmo que o negócio tenha 6 milhões de compartilhamentos, então é um negócio bastante perigoso para se prestar atenção na eleição desse ano, porque o que os bolsonaristas estão querendo dizer com "eu quero só que o TSE seja imparcial, que o TSE não se meta tanto" é que "eu quero que o TSE me deixe cometer um monte de crime".
Ana Clara Costa: É, se você olhar o Nikolas, assim, o alcance que ele tem. Se o Nikolas cometer um crime eleitoral e o TSE fizer vista grossa, é um dano imensurável, né?
Celso Rocha de Barros: Com certeza, ou esses grandes influencers, né, enfim. Agora, o que a gente não pode deixar de comentar também é que se você for ver quem são os membros do Supremo nessa composição do TSE, você tem o relator do caso Master, que é o André Mendonça, você tem o Kássio, cujo filho foi contratado pelo ecossistema Master por uma grana preta, logo depois de tirar a OAB. E você tem o Toffoli, do Tayayá. Então, esse ano a gente não pode ter a menor expectativa que o TSE não vai ser assunto na eleição, porque a delação do Vorcaro, se sair, ou o acesso aos dados do celular do Vorcaro se sair, vai ser no meio da campanha. Então pode apostar que esse pessoal todo do TSE vai ser assunto durante a eleição.
Fernando de Barros e Silva: Exato.
Celso Rocha de Barros: E mais do que isso, pode ter conflitos pesados entre eles, por exemplo, entre o Mendonça e o Tofolli. Entre Mendonça e Kassio.
Fernando de Barros e Silva: É, exatamente, exatamente.
Celso Rocha de Barros: Assim, não tem a menor possibilidade de você não ouvir falar do TSE durante essa campanha, como algumas pessoas achavam que aconteceria.
Fernando de Barros e Silva: Muito bem, perfeito. A gente encerra então o terceiro bloco do programa. Fazemos um rápido intervalo. Na volta, momento em que a diretora tripudia sobre nosotros. Já voltamos.
Fernando de Barros e Silva: Muito bem, estamos de volta. A diretora já afiando aí os instrumentos. Pode soltar o Kinder Ovo, diretora.
Sonora: A palavra tem origem no latim senatus, conselho de sábios idosos, e às vezes há uma confusão em relação à responsabilidade de um senador, não é?
Fernando de Barros e Silva: Ai, meu Deus!
Ana Clara Costa: Parece até o Raul Gil assim.
Celso Rocha de Barros: Nossa, vou ficar com muita raiva quando vocês disserem. Eu não vou acertar.
Fernando de Barros e Silva: Álvaro Dias? Não. Acertei? Álvaro Dias. Uau! Não acredito. Eu tirei do Senatus essa.
Ana Clara Costa: Arrasou!
Celso Rocha de Barros: Porra!
Fernando de Barros e Silva: Caraca, não acredito! Gente, é tão raro ganhar que...
Ana Clara Costa: Você tá ganhando direto.
Fernando de Barros e Silva: Ganhando direto? Ganhei duas.
Ana Clara Costa: Você já ganhou vários.
Celso Rocha de Barros: É que esse ano teve muito que ninguém acertou.
Fernando de Barros e Silva: Álvaro Dias, pré-candidato ao Senado pelo MDB do Paraná em entrevista à Jovem Pan News, que eu ouço diuturnamente para ganhar o Kinder Ovo. Bom, depois deste momento glorioso, vamos para o melhor momento do programa. Agora sim, correio elegante, o momento das cartinhas, momento de vocês. E eu vou começar com uma mensagem que nos levou para um relatório impressionante. Vejam só. A mensagem foi do Vitor Mafra, ele diz o seguinte: "O Foro de Teresina é constante há oito anos no meu fone de ouvido e há algum tempo, todas as sextas feiras, me traziam a mesma dúvida quem é a pessoa campeã do momento Kinder Ovo. Esse fim de semana matei a minha curiosidade, que virou site daí e www.kinderovo.com". E nós entramos e o Victor contabilizou todos os momentos Kinder Ovo de todas as formações do Foro, com o link para os resultados. Você consegue pesquisar, inclusive, pelo político que é mencionado, que é a figura que a gente tem que adivinhar. Eu vou contestar esse negócio porque vários eu ganhei e deixei passar, mas tudo bem claro, era uma época que não tinha VAR no futebol brasileiro, os erros eram muito mais constantes e enfim. Então tudo bem, mas vale então esse www.kinderovo.com.
Celso Rocha de Barros: Victor, ficou muito bom e vale especialmente pelo gifs que tem em cima. Achei sensacional.
Fernando de Barros e Silva: Malu Gaspar, você que é a campeã do Kinder Ovo até agora. Um beijo para você, Malu Gaspar.
Ana Clara Costa: Eu nem vou olhar direito porque ainda bem que a minha autoestima não depende disso, porque olha. Ai, socorro! A Cacau nos agradeceu de um jeito muito particular: "Quero agradecer a vocês porque hoje, depois de ouvir esse episódio, minha crise de ansiedade passou. Percebi que meus motivos ansiosos eram pífios comparados com o que acabei de ouvir. Vocês são a minha sertralina". Cacau. Que bom! Eu não sei se devo dizer que bom como elogio, né?
Fernando de Barros e Silva: Sou a sertralina de alguém. Olha, isso aí é um baita elogio. O maior elogio que eu poderia. Coisa mais linda! A gente adora aqui os psicotrópicos, barbitúricos, todas essas substâncias.
Celso Rocha de Barros: Não sei do que se trata. Não sei o que são essas coisas. No Youtube, o @lercosta01 complementou um comentário do Fernando da semana passada: "Adorei a associação do Fernando sobre as pizzarias em homenagem a personagens. Então vamos lá, a CPI Casa de Pizzas Inacreditáveis apresenta um novo cardápio comemorativo. Pizza conservadora sabor mussarela, não pode ter muita coisa diferente para poder agradar seus avós, por isso não vai incriminar ninguém. Pizza Xandão Sabor alho frito com ovos cozidos inteiros, sonho do centrão que acusaria somente o ministro Alexandre de Moraes. Nogueira fedido, sabor gorgonzola com nozes e aquele que acusaria somente o Ciro, funcionário do Vorcaro. Pizza Master sabor X-Tudo, o que pegaria todo mundo envolvido. Um sonho de sabor duvidoso, mas que todo brasileiro de verdade gosta. É muito pouco provável de acontecer. Parabéns pelos programas maravilhosos e um grande abraço para vocês que são fonte de informação e um fio de esperança para a gente ler. LerCosta01, Valeu mesmo! Ficou muito bom.
Fernando de Barros e Silva: Muito bom!
Ana Clara Costa: Uma pizza de ovo do Alexandre de Moraes.
Fernando de Barros e Silva: Se der tudo errado, a gente vai abrir a Pizzaria do Foro. Já imaginaram o Celso de pizzaiolo? Coisa mais linda!
Celso Rocha de Barros: Po, muito bem, muito bem.
Fernando de Barros e Silva: Muito bem. O que é bom dura pouco, que não é tão bom, também acaba. E assim a gente vai encerrando o programa de hoje por aqui. Se você gostou, não deixe de seguir, dar Five Stars pra gente do Spotify. Segue no Apple Podcast, na Amazon Music. Favorita na Deezer e se inscreva no YouTube. Você também encontra a transcrição do episódio no site da piauí. O Foro de Teresina é uma produção do Estúdio Novelo para a revista piauí. A coordenação geral é da Bárbara Rubira. A direção é da Mari Faria, com produção e distribuição da Maria Júlia Vieira. A checagem é da Ethel Rudnitzky. A edição é da Barbara Rubira e da Mariana Leão. A identidade visual é da Amanda Lopes. A finalização e mixagem são do João Jabace e do Luís Rodrigues, da Pipoca Sound. Jabace e Rodrigues, que também são os intérpretes da nossa melodia tema. A coordenação digital é da Bia Ribeiro, da Emily Almeida e do Fábio Brisolla. O programa de hoje foi gravado aqui na minha choupana, em São Paulo, na Confraria de Sons e Charutos, do Guto Escobar, também em São Paulo, e no Estúdio Rastro do Danny Dee, no Rio de Janeiro. Eu despeço então dos meus amigos. Tchau, Ana.
Ana Clara Costa: Tchau, Fernando! Tchau, pessoal.
Fernando de Barros e Silva: Tchau Celso!
Celso Rocha de Barros: Tchau, Fernando. Tchau, pessoal. Até semana que vem.
Fernando de Barros e Silva: É isso gente! Uma ótima semana a todos e até semana que vem!