AS MENTIRAS DE FLÁVIO, O RESPIRO DE LULA E A VOLTA DE MESSIAS

Imagem As mentiras de Flávio, o respiro de Lula e a volta de Messias

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Semanalmente, os apresentadores mencionam as principais leituras que fundamentaram suas análises. Confira:

Conteúdos citados neste episódio:

"O tribunal e a fraude bilionária", reportagem de Breno Pires e Arthur Guimarães para a piauí.

"Flávio visitou Vorcaro na véspera de ser anunciado presidenciável", reportagem de Igor Gadelha para o Metrópoles.

 Momento Cabeção


No “Momento Cabeção”, quadro em que os apresentadores indicam livros, filmes e podcasts, as sugestões desta semana foram as seguintes:

Celso: Parcelado: dinâmicas de consumo na periferia, livro de Kauê Lopes dos Santos.

Ctrl+Fake,  série documental do Aos Fatos.

Ana: Pão dos anjos: A história da minha vida, livro de Patti Smith.

Fernando: Veneno remédio: O futebol e o Brasil, livro de José Miguel Wisnik.

Footballmania. Uma Historia Social Do Futebol No Rio De Janeiro. 1902-1938, livro de Leonardo Affonso de Miranda Pereira.

TRANSCRIÇÃO DE ÁUDIO:


Sonora: Rádio piauí.

Fernando de Barros e Silva: Olá, sejam muito bem-vindos ao Foro de Teresina, o podcast de política da Revista piauí.

Sonora: Só te agradecer meu irmão, vamos mexer com o coração de muita gente. Vai ser muito importante para o nosso país, tá?

Fernando de Barros e Silva: Eu, Fernando de Barros e Silva, da minha casa em São Paulo, tenho a alegria de conversar com os meus amigos Ana Clara Costa e Celso Rocha de Barros, no Estúdio Rastro, no Rio de Janeiro. Olá Ana, bem-vinda!

Ana Clara Costa: Oi, Fernando! Oi, pessoal!

Sonora: Eu estive com ele mais uma vez após esse evento, quando ele teve a... Passou a usar o monitoramento eletrônico. Ele não podia sair da cidade de São Paulo. Eu fui sim ao encontro dele para botar um ponto final nessa história.

Fernando de Barros e Silva: Diga lá, Celso Casca de Bala.

Celso Rocha de Barros: Fala aí, Fernando. Estamos aí mais uma sexta-feira.

Sonora: Que nós vamos ainda hoje, eu e o presidente Hugo, os líderes do governo, organizar rapidamente uma sessão do Congresso Nacional para que a gente possa analisar esses vetos, derrubar esses vetos.

Fernando de Barros e Silva: Mais uma sexta feira. E eles, Ana e Celso, estarão em São Paulo, junto comigo, no sábado, dia 30 de maio, na Feira do Livro, na Praça Charles Miller, no Pacaembu, às 18h00, seis da tarde. A gente espera vocês por lá. Vamos então, sem mais delongas, aos assuntos da semana. A gente abre o programa com a sangria desatada na candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, depois das revelações de suas relações comprometedoras com Daniel Vorcaro, que está preso e cuja delação premiada acaba de ser recusada pela Polícia Federal. Há um lado divertido neste pastelão de quinta protagonizado pela família Bolsonaro, Dark Horse desafia Ed Wood, conhecido como o pior diretor de todos os tempos, e que foi objeto de um filme com seu nome dirigido por Tim Burton, em 1994. As produções de Ed Wood, dos anos 50, do século passado, ficaram famosas por defeitos técnicos gritantes, roteiros esdrúxulos e presença de astros do cinema decadentes. Dark Horse chega para desbancar isso daí. O Celso vai nos contar tudo do roteiro. Fora das telas, Flávio teve que admitir que se encontrou com o Vorcaro pessoalmente depois da primeira prisão do banqueiro. Disse que era para "botar um ponto final" na relação. Muito comovente, muito convincente. Mário Frias, o Ed Wood dos atores nacionais, também apareceu em um áudio agradecendo a Vorcaro, por apoiar a obra. Alguns dias antes, ele havia jurado não haver um único centavo do ex-banqueiro no projeto do azarão. A direita está dividida sobre a viabilidade de Flávio depois desse escândalo. O 01 trocou de marqueteiro, foi a Faria Lima dar explicações e se reuniu com seu partido para reduzir danos. Silas Malafaia mandou avisar que se houver mais coisa, vai complicar. Michelle se esquivou de defender o enteado e Romeu Zema fala em traição. O centrão fareja o sangue e refaz suas contas. Enquanto a obra não estreia, a gente fica com a chanchada da vida real. No segundo bloco, seguimos com a política. A primeira pesquisa realizada após o escândalo do Vorcarão foi da Atlas. Divulgada na última terça, ela mostra Lula com 48,9%, contra 41,8 de Flávio na simulação de segundo turno. No mês anterior eles estavam empatados. A gente vai comentar alguns detalhes deste novo quadro. Lula, por ora, voltou a ser favorito na disputa presidencial, mas ainda é muito cedo para arriscar prognósticos num ambiente político tão conflagrado. Terceiro bloco, por fim, a volta de Messias. Não do Jair, mas do Jorge. Ele parecia enterrado até Lula dizer a aliados que pode reenviar o nome do advogado geral da União para o Supremo. A derrota no Senado, diz Lula, não foi uma rejeição pessoal a Messias, mas uma afronta a uma prerrogativa do presidente por razões políticas. Há uma discussão sobre normas internas do Senado que impediriam a reavaliação do mesmo nome que foi rejeitado ainda neste ano. Lula pode ou não estar blefando, mas tira a temperatura do ambiente, mede a reação dos senadores e devolve a Davi Alcolumbre parte do constrangimento que lhe foi causado. Alcolumbre está mais frágil e Lula mais forte do que estavam no dia da derrota de Messias. É isso. Vem com a gente.

Fernando de Barros e Silva: Muito bem. Ana Clara, vamos começar, então, com você. Diante dessa confusão de coisas das últimas semanas envolvendo Flávio Bolsonaro, o que a gente quer saber é se ele vai continuar sendo candidato ou não.

Ana Clara Costa: Bom, para essa resposta, 1 milhão na minha conta, né? Tô brincando.

Fernando de Barros e Silva: Liga pro Vorcaro.

Ana Clara Costa: Então, não se sabe, né? Acho que ainda nem eles sabem o que vai acontecer. Eles estão fazendo umas novas primárias ali nesse momento. Primárias involuntárias.

Fernando de Barros e Silva: Primárias forçadas.

Ana Clara Costa: Forçadas. Mas o fato é que tá tudo rachado e eu quero mapear um pouco isso para vocês. Bom, começando pelo fato de que o Rodrigo Constantino foi demitido da rádio Auriverde porque criticou o Flávio por ter pedido dinheiro para o Vorcaro.

Celso Rocha de Barros: Olha só! Eu tinha tanta confiança na rádio Auriverde, cara... Pois é.

Ana Clara Costa: Não, mas isso é um emblema do racha, entendeu?

Fernando de Barros e Silva: Eu vi ele falando isso. Eu falei "O que ele tá querendo?". Qual é a jogada por trás disso, né?

Ana Clara Costa: Não, independente do que está por trás disso, de fato, existe um rompimento de narrativa, né? Porque a narrativa que eles vinham construindo de forma até irresponsável, porque o Flávio sabia o que ele tinha com o Vorcaro e não compartilhou isso com a campanha, era de que o Master não iria pegá-los, que eles não tinham nada com o Master. Era essa a narrativa, a despeito de tudo que o Celso dizia aqui semanalmente.

Celso Rocha de Barros: Esses caras de direita acreditam no Flávio ao invés de acreditar em mim.

Fernando de Barros e Silva: Tá vendo? É...

Ana Clara Costa: Então, houve uma quebra enorme de narrativa e aí eles tentaram engambelar a própria base, falando da questão de não ser dinheiro público, etc. Para alguns colou como o pessoal da AuriVerde e para outros não é, até porque o Zema se colocou ali naquela posição de alternativa. Então, quando eu falo do Rodrigo Constantino e a AuriVerde, não é que eles sejam importantes, mas é um emblema do que é esse racha que está acontecendo lá.

Celso Rocha de Barros: E isso é importante nessa bolha, né?

Ana Clara Costa: É sim, sem dúvida. E aí, em paralelo do racha que coloca o Zema como alternativa, existe a Michelle. Só que aí tem um problema um pouco mais complexo, porque o Bolsonaro, embora ele esteja em casa em prisão domiciliar, há a possibilidade dele se comunicar com os filhos por meio de visitas autorizadas e tudo mais, então ele não está incomunicável. A questão é que o Bolsonaro não está apitando tanto quanto ele gostaria nessas últimas decisões, né? Eu não estou dizendo que ele decidiu pela Michelle, não é isso. Mas os filhos querem muito que o Flávio continue. Tanto o Eduardo quanto o Flávio, eles acham que é melhor o Flávio perder mantendo o bolsonarismo no núcleo familiar do que a Michelle ganhar. É isso que eles têm falado. É melhor a gente perder do que a Michelle ser candidata a ganhar, porque eles não têm confiança nela. Enfim, ela não vai ser parte do esquema que eles acham que é conveniente.

Fernando de Barros e Silva: Uma família unida.

Ana Clara Costa: É claro. Bom, vocês viram, ela mesma quando foi questionada sobre o Flávio essa semana, falou: "Vocês tem que perguntar para ele", né? Ela não fez nenhuma questão de defender.

Celso Rocha de Barros: Se divertindo imensamente enquanto respondia.

Ana Clara Costa: Sem dúvidas. Mas aí vocês também já vêem o Silas Malafaia já começou a dizer que tá difícil carregar o peso do Flávio, não com essas palavras, mas as frases dele tem sugerido isso. E o Silas Malafaia é muito próximo da Michelle, então você tem uma certa parcela do bolsonarismo ali, do núcleo duro do Bolsonaro, que até gostaria que a Michelle fosse escolhida para substituir o Flávio, mas os filhos não querem. E o Bolsonaro, num exemplo de que ele não está sendo ouvido ou definindo as coisas como antes, eu quero citar o exemplo da candidatura do André do Prado para o Senado em São Paulo, que a gente já falou aqui alguns programas atrás. O Bolsonaro não queria o André do Prado, ele queria o coronel Melo Araújo, que é o vice-prefeito de São Paulo. Ele considera o Melo Araújo um cara dele, que se ganhasse seria ele no Senado, é o cara que ele queria. Os filhos não quiseram o Melo Araújo e queriam o André do Prado por inúmeras razões, por razões políticas e também partidárias.

Fernando de Barros e Silva: André do Prado, presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, certo? Do PL.

Ana Clara Costa: Isso. Deputado estadual pelo PL. No caso do André do Prado, há razões políticas, porque ele, enfim, é próximo da família, dos filhos e também é o cara de confiança do Tarcísio. O Tarcísio, se fosse se candidatar à Presidência lá atrás, deixaria o André do Prado como sucessor dele no governo de São Paulo. Era quem ele queria. Não sei se era o que aconteceria, mas era em quem ele confiava. Como o Tarcísio e o Flávio não são melhores amigos, longe disso. Você costurar o André do Prado para essa vaga, você obriga o Tarcísio a fazer campanha para o Flávio. Então, isso era uma das razões políticas. Razões partidárias: o Eduardo tinha combinado com Valdemar Costa Neto que se ele desse a benção dele para o nome do André do Prado, o Valdemar ia dar uma grana para ele, tipo uma mesada assim sabe, para ele ver nos Estados Unidos, já que ele não teria cargo, né? Esse foi o acerto. E aí, ele deu a bênção dele para o André do Prado ser o candidato ao Senado. E o cara que o Bolsonaro queria de fato, que era o Melo Araújo, não foi. Isso é um exemplo só de que as coisas não estão tão claras e também na mão do Bolsonaro nesse momento, entendeu? E os filhos querem muito continuar comandando essa candidatura, mesmo que seja para cair do precipício no final. E no caso do Zema, ele está saindo na frente nessa corrida se a gente pegar em relação a Caiado, por exemplo, que aguardou ali os desdobramentos para começar a centrar fogo no Flávio, o Zema já fez isso muito mais rapidamente. Então ele tá tentando ser alternativa para ver se no fim consegue tirar o Flávio do segundo turno. Todo mundo com quem eu conversei acha isso muito pouco provável, mas é o cara que hoje tá se colocando mais forte nesse lugar. Dito isso, o Flávio se viu obrigado a trocar todo o núcleo duro da campanha dele, que está personificado na figura do Marcelo Lopes, que é o marqueteiro. O Marcelo, na campanha do Flávio, ele não ocupava necessariamente essa função que o João Santana já ocupou na campanha do Lula que o Sidônio ocupa hoje. Dessa coisa do cara que manda em tudo, né? O Marcelo Lopes ele era mais o estrategista da comunicação ali, mas não era ele que concebia tudo. Mas enfim, ele era o cara que mais mandava. E aí aconteceu o que aconteceu. Primeiro ele se mostrou envolvido nos pagamentos que o Master fez para influenciadores para dinamitar a reputação do Banco Central. O Marcelo Lopes estava envolvido nesses pagamentos. E aí, veio o pós-crise Vorcaro para o Flávio. O Flávio foi na GloboNews, foi destruído lá pelos jornalistas da GloboNews durante uma entrevista, e tentou jogar o fato de que a Globo também tinha recebido o dinheiro do Master em anúncio, em publicidade. Então, assim, eles formularam aquela ida na GloboNews para tentar emplacar essa ideia para, obviamente, abastecer as próprias redes. Só que não deu certo. Flávio foi destruído ali pelos jornalistas. E o fato do Marcelo Lopes estar envolvido nessa estratégia da Globo News também foi uma questão ruim dentro da campanha. Primeiro, se ele tem alguma coisa contra a Globo, fazer uma estratégia dessa que te expõe tanto ao vivo não é a estratégia mais sensata. E o Flávio fez. E, segundo eu ouvi, não houve resistência por parte do marqueteiro. Então, isso prejudicou ele também. E aí, no fim de semana, enquanto ainda eles estavam recolhendo os cacos do que aconteceu, o Marcelo Lopes estava viajando, nem tava junto com o Flávio. E aí, enfim, a situação ficou meio insustentável. O próprio Marcelo Lopes pediu para sair e agora o Flávio contratou um outro, que é o publicitário Eduardo Fischer, que não é um cara do meio político, das campanhas políticas. Foi dono de agência em São Paulo por muito tempo, mas não tinha políticos como principais clientes... É, para ver se ele consegue reajustar aquilo. Mas a situação ainda é muito difícil para ele nesse momento. E as pesquisas já mostram, né?

Fernando de Barros e Silva: O Eduardo Fischer que fez a campanha do Álvaro Dias a presidência em 2018, quando estava no Podemos. Muito bom, Ana. Celso, você que nas suas horas vagas, que não são muitas, conseguiu dar uma espiada no roteiro do filme do Jair, né?

Celso Rocha de Barros: Sim, eu sou um cinéfilo reconhecido...

Ana Clara Costa: Essa era a crítica que eu queria ouvir.

Fernando de Barros e Silva: Tem o Aurélio Barba no lugar do Adélio Bispo, né?

Celso Rocha de Barros: Isso é o menos bizarro que tem ali, cara.

Fernando de Barros e Silva: Isso é o menos bizarro? Eu confesso que eu não tive essa oportunidade ainda, Celso, de de afundar no roteiro.

Celso Rocha de Barros: Assim, é um negócio que não pode ter custado mais que 30 reais para fazer aquilo, cara. É muito tosco, é muito tosco, porque não é só propaganda do Bolsonaro. Isso a gente esperava que fosse, enfim, obviamente vai ser muito favorável ao Bolsonaro. Enfim, normal. Cara, mas é um negócio que roteirista de quinta divisão dos Estados Unidos, que não sabe nada sobre o Brasil, só tem assim umas noções muito vagas de América Latina, baseado em um ou outro filme sobre o cartel mexicano que ele viu na vida. E ele tem aquele roteiro dele de ação, de crime, de não sei o que lá pronto na cabeça dele, e falaram "o mocinho é o Bolsonaro". Ele falou: "tá bom". Alerta de spoiler para quem estiver muito interessado em assistir.

Fernando de Barros e Silva: Os nossos ouvintes vão ficar muito bravos.

Celso Rocha de Barros: Exato. O vilão do filme é um chefe do tráfico de drogas chamado Cicatriz, pessoal vai dizer "Pô, mas não existe". Não, não existe. Começa a se acostumar porque quase nada aqui tem a ver com os fatos. O Cicatriz teria sido preso pelo Jair Bolsonaro quando Bolsonaro era do Exército. Porque o roteirista, obviamente não sabe que o Exército brasileiro não participa de operação de repressão ao tráfico de drogas. Então, o Bolsonaro foi lá, prendeu esse traficante, o Cicatriz, e aí o Cicatriz quer se vingar. E aí o Cicatriz, ele que organiza o atentado, a facada lá de Juiz de Fora, ele recruta o Adélio Bispo, que aqui se chama Adélio Barba.

Fernando de Barros e Silva: Aurélio Barba.

Celso Rocha de Barros: É, Aurélio Barba, uma insinuação muito sutil de que seria o Lula. O Aurélio Barba. conversando com os caras, diz que ele é um militante de esquerda radical, que faria qualquer coisa pela revolução, mas que se desinteressou de atuar junto com os caras da extrema-esquerda que ele conhecia, porque os caras usavam droga demais, entendeu? E aí, ele topa entrar nesse negócio aí. Nesse meio tempo, tem uma velha que parece ser a Damares, a Dolores.

Ana Clara Costa: Ah! Claro.

Celso Rocha de Barros: Que encontra o Bolsonaro num restaurante, num jantar, dá um remédio artesanal que ela faz.

Ana Clara Costa: Ah, meio místico?

Celso Rocha de Barros: Meio místico. Para ele tomar, porque obviamente o roteirista não sabe porra nenhuma, não sabe o que a Damares é evangélica, ele já pensou é uma Índia da Amazônia, porque sei que no Brasil tem a Amazônia, então a Amazônia. E aí esse remédio, inclusive, vai ajudar a salvar o Bolsonaro.

Fernando de Barros e Silva: Que coisa linda! Ed Wood realmente está, está desbancado.

Celso Rocha de Barros: Aí o Bolsonaro diz que saiu do Exército por denunciar a corrupção entre os militares, o que obviamente tem nada a ver com o que aconteceu na vida real e não sei se os militares vão gostar disso. A jornalista que faz uma cobertura um pouco mais crítica do Jair é ligada ao Cicatriz. Ela é ligada ao crime organizado também, porque a esquerda e o crime organizado são a mesma coisa exatamente aqui. Mas ao mesmo tempo, ela vai tendo umas crises de consciência ao longo do filme, que tem toda a cara que também vai ser uma atuação muito merda. Aí o Cicatriz, toda hora que ele aparece, você vê que o modelo dele é um daqueles chefes de cartel mexicano, de seriado americano. É obviamente aquilo. Ele viu Narcos, sobre a Colômbia, viu um daqueles filmes de México e mandou o Cicatriz. E aí, ele tenta matar o Bolsonaro em Juiz de Fora. Não consegue. Faz outras tentativas, então alguém foi lá no hospital matar o Bolsonaro, entendeu? Nessa versão aqui. Também não consegue. E aí, no final, vou dar spoiler para vocês.

Ana Clara Costa: Pô, sério que você vai dar spoiler?

Celso Rocha de Barros: Pois é, cara, eu sou...

Ana Clara Costa: Eu tava esperando só para poder assistir.

Celso Rocha de Barros: E aí, evidentemente, o plano todo é um fracasso e o Bolsonaro toma posse. Mas aí o filme termina com o Cicatriz, acho que é o Cicatriz ou algum cara dele lá, bolando essa nova fase do seu plano, contratando o Alexandre de Moraes. Antes dos créditos, aparece um texto dizendo que o Bolsonaro perdeu por pequena margem uma eleição com fortes denúncias de fraude e depois foi preso por tentativa de golpe após uma série de protestos, em geral, pacíficos.

Fernando de Barros e Silva: Coisa linda!

Celso Rocha de Barros: É isso aí, o filme é isso aí.

Fernando de Barros e Silva: Mas o Alexandre de Moraes aparece com nome próprio? Não?

Sonora: Não, ele não aparece assim. No roteiro diz assim: um cara com uma cara severa, careca, e que poderia muito bem ser um ministro do Supremo Tribunal Federal.

Fernando de Barros e Silva: Kojak, tipo Kojak.

Celso Rocha de Barros: Pode ser o Fux sem peruca também, né? Mas não sei. E assim, parece fake news demais até para o grupo de zap do seu tio burro, né? Mas assim, foi feito para impressionar os militantes de extrema-direita americano que não sabe nada de Brasil e é capaz de acreditarem num negócio desses. Sei lá. Porque esse cara aí, o diretor do filme, que é o autor do roteiro, ele só faz filme para esse mercado, ele faz filme de extrema-direita, entende?

Ana Clara Costa: Ele tá acostumado, então.

Celso Rocha de Barros: Ele sabe, ele fala para aqueles cara maluco ali que usa aquele chapeuzinho de papel alumínio, sabe? Para se proteger.

Ana Clara Costa: Os delulus.

Celso Rocha de Barros: Os delulus, delulus total, entendeu? Então, esse é um filme para delulu total. Exatamente.

Fernando de Barros e Silva: É, mas isso é sintoma de uma demência social mesmo. Impressionante. Porque ia ter público esse negócio ou vai ter público.

Celso Rocha de Barros: Ah, vai, entendeu? Aí não tem nem dúvida. Agora, o fato óbvio é que assim isso aqui não custa, assim, já não digo nem 130 milhões, mas sequer algo perto dos 65 milhões que a produtora diz que gastou. Onde é que estão os outros 65 milhões? Sabe Deus. O que a gente sabe é que o Mário Frias, por exemplo, tinha dito que não tinha nada a ver com isso, mas agora já tem áudio dele agradecendo o Vorcaro. Ah, o Eduardo Bolsonaro tinha dito que não tinha nada a ver com isso, mas já tem o nome dele num contrato como produtor-executivo, se não me engano.

Fernando de Barros e Silva: Mário Frias, que também está no filme, ele é o médico que salva o Bolsonaro depois da facada.

Celso Rocha de Barros: Olha, nem tinha visto isso.

Fernando de Barros e Silva: No filme, ele é um tal de Dr. Álvaro que é inspirado no médico Henrique Busato.

Celso Rocha de Barros: Caraca, a última coisa que o médico... O médico tá lá anos, salvando a vida das pessoas para depois ser apresentado pelo Mário Frias no cinema, né cara? Que sacanagem! Puta que pariu! Bom, e aí a gente não pode deixar de notar que essa semana também a gente descobriu que o Flávio se encontrou com o Vorcaro pessoalmente, teve um delivery de Bolsonaro na casa do Vorcaro, e aí o Flávio já não tinha como desmentir porque, aparentemente, todo mundo já tinha descoberto. Ele inventou o papo que, cara, comparado a essa desculpa que ele deu agora, esse roteiro desse filme aqui é um clássico da dramaturgia. Ele disse que foi lá para encerrar o assunto, entendeu? Para dizer para o Vorcaro: "Olha, nós não temos mais nada a ver um com o outro. Se eu soubesse que você era enrolado, eu não tinha mexido com você". O que muita gente na internet falou "que caso interessante de responsabilidade emocional", né cara? Em vez de terminar pelo telefone, ele foi lá falar pessoalmente. O Flávio foi na casa do Vorcaro, pouco tempo depois do Vorcaro voltar para casa com a tornozeleira eletrônica e, um dia antes, segundo o jornalista Igor Gadelha, do Metrópoles, do Flávio ser anunciado candidato a presidente. Então, eu tenho todo o direito de supor que essa conversa foi para propor um acordão em que o Flávio pedia para o Vorcaro não abrir o bico sobre a relação dele com a família Bolsonaro e o Flávio se comprometia a, caso fosse eleito presidente, livrar a barra do Vorcaro. Quem tem que me provar que isso não aconteceu é o seu Flávio Bolsonaro, porque essa é a única interpretação que não ofende a inteligência das pessoas, baseado nos fatos que nós temos aqui disponíveis. E eu não posso deixar de fazer uma menção desonrosa aos senhores Sérgio Moro, Deltan Dallagnol, que estão aí passando o pano para o Flávio, feliz da vida. O Moro estava do lado do Flávio enquanto ele contava a historinha de que foi lá terminar o relacionamento lá, não sei o quê. Tem um vídeo na internet que é sensacional, se vocês quiserem ver a cara de bunda com cãimbra que o Moro faz lá enquanto está lá ouvindo o Flávio dar a desculpa dele.

Fernando de Barros e Silva: O Moro não para de bater seus próprios recordes, né?

Celso Rocha de Barros: É, assim que termina a história desses dois caras. Eles eram liderava a Lava Jato e agora eles estão aí passando pano para ladroagem do Banco Master. Viraram dois advogados de porta de cadeia que estão ali dando justificativa furada de político sem-vergonha.

Ana Clara Costa: É, com interesses muito particulares no caso do Moro, porque ele quer esse apoio para virar governador.

Celso Rocha de Barros: Exatamente. Moro, que aliás, também tem na chapa o senhor Felipe Barros, que fez aquele projeto de lei para salvar o Master.

Fernando de Barros e Silva: Depois dessa intervenção do Celso, que inaugura a seção Cine Foro.

Celso Rocha de Barros: Exatamente.

Fernando de Barros e Silva: Dentro do nosso programa, né diretora?

Celso Rocha de Barros: Momento cabeção!

Ana Clara Costa: Quantas estrelinhas ele deu?

Fernando de Barros e Silva: E você, Celso, você me contava antes de começar aqui, que você assistiu ao filme que é sempre mencionado, do Ed Wood, que é o pior filme de todos os tempos. Como é que chama?

Celso Rocha de Barros: O Plano 9 do Espaço Sideral. O pior filme de todos os tempos. Clássico dos clássicos.

Fernando de Barros e Silva: Que corre sério risco agora.

Celso Rocha de Barros: Ah, não! Coitado do Plano 9! Plano 9 é Cidadão Kane comparado a esse negócio, porque o Plano 9 vai perder a única coisa que fazia ele ser especial, entendeu?

Fernando de Barros e Silva: É, muito bom. Ana, para arrematar, vamos falar um pouco aí da delação do Vorcaro, que foi recusada pela Polícia Federal.

Ana Clara Costa: Bom, o que está acontecendo? O Vorcaro queria sair dessa sem delatar ninguém, nenhum amigo, nenhum brother. Resumindo bem, tá? E, na delação que ele iria propor, não ia ter nada disso. Não ia ter Ciro, não ia ter Flávio, não ia ter nada. Obviamente, o André Mendonça não achou aquela delação interessante. O Juca, que é o advogado do Vorcaro, sinalizou que, caso o André Mendonça não concordasse com aquela proposta, ele poderia tentar levar essa decisão para a Segunda Turma. E nessa estratégia jurídica, ele poderia pleitear um empate, sendo que o Fux possivelmente votaria junto com o André Mendonça pela rejeição à delação. Mas o Gilmar e o Kássio, possivelmente, votariam a favor da delação. Essa era a estratégia do Juca. O André Mendonça achou isso uma ofensa, né? A defesa do Vorcaro querer empurrar uma delação não validada pelo relator, que ele vai passar, o relator jogando o assunto para a segunda turma.

Fernando de Barros e Silva: É uma provocação. Um eufemismo, chamar de provocação.

Ana Clara Costa: Juridicamente, é uma coisa que dá para fazer. Mas assim, você acaba queimando pontes com a pessoa ali que tá no caso, né? E foi o que aconteceu. E aí, o Juca deve sair do caso do Vorcaro, em razão da impossibilidade hoje de uma relação dele com o André Mendonça. Numa demonstração de como o André Mendonça recebeu mal essa estratégia é o fato do Vorcaro ter tomado um downgrade de cela, né? A PF, oficialmente soltou uma nota, recusando a delação, possivelmente para pressionar a PGR a recusar também porque, não sei se vocês se lembram, a premissa dessa delação era que fosse uma delação conjunta com a PF, com a PGR. A PGR ainda não recusou. A conclusão disso, que eu acho, assim, menos que a troca de advogado ou qualquer coisa do género, é como que o Daniel Vorcaro, diante do fato de a polícia ter os celulares dele, ter feito várias operações e tal, o pai dele preso com o celular apreendido, como é que ele pode conceber ser possível ele entregar uma delação sem colocar em risco as amizades? Vamos colocar, entre muitas aspas, que ele construiu nesse mundo do centrão e da direita? Para o cara realmente acreditar que seria possível, ele realmente ainda acha, no fundo, que ele tem o controle de alguma coisa assim.

Celso Rocha de Barros: Tem uma blindagem.

Ana Clara Costa: Que ele tem uma blindagem e por N coisas que ele fez ao longo desse tempo todo, eu acho muito plausível que ele ainda ache que ele tem uma blindagem.

Celso Rocha de Barros: Faz todo sentido. E ele não está levando em conta a possibilidade dele ser o bode-expiatório, dos caras, justamente, se blindarem e largarem ele.

Fernando de Barros e Silva: Muito bem. A gente vai encerrando, então, o primeiro bloco do programa. Fazemos um rápido intervalo. Na volta, nós vamos continuar falando de política, da campanha eleitoral, da situação do governo. Já voltamos.

Fernando de Barros e Silva: Muito bem. Estamos de volta. Celso, vou começar com você. Eu mencionei a pesquisa Atlas, que mostra o Lula na frente do Flávio Bolsonaro, muito provavelmente como reflexo já desse revés da campanha bolsonarista, certo?

Celso Rocha de Barros: É isso mesmo, Fernando. Bom, primeiro, assim, a gente sempre faz esse, esse aviso, né? A Atlas Intel faz uma pesquisa por uma metodologia bastante diferente dos outros institutos, eles fazem pesquisa pela internet. A grande questão de fazer pesquisa pela internet é: como é que você corrige os vários riscos de viés que aparecem em pesquisas na internet e eles dizem que eles têm um algoritmo que corrige essas coisas, mas é proprietário, é segredo comercial deles, é o que eles têm para vender. Então, eles não dizem qual é o algoritmo. Então assim, não tem como a gente checar sem ter uma metodologia se isso aqui faz sentido ou não, o que a gente pode fazer é ir acompanhando a Atlas ao longo do tempo e vendo se os resultados são bons. E os resultados são, pelo menos, assim, justificam você tratar da pesquisa como uma pesquisa séria a princípio. Mas é sempre bom saber que se tiver uma diferença entre ela e outras, é provavelmente por causa dessa metodologia diferente. Bom, nessa nova pesquisa da Atlas, o Flávio cai cinco pontos comparado a abril. No episódio passado a gente falou de uma pesquisa que era cheia de coisas na margem de erro ou pouca coisa para um lado ou para o outro da margem de erro, entendeu? Diferenças muito sutis. Aqui é uma diferença, de fato, substantiva. E aí, a diferença que estava no primeiro turno, o Lula tinha sete pontos de diferença, ele passa a ter 13, que é bem mais substantivo e é mais ou menos o resultado de janeiro. Ali, pouco depois que a Malu Gaspar descobriu o contrato do Alexandre de Moraes com o Banco Master. Então, assim, como a gente já tava suspeitando um pouco daquele efeito escândalo do Xandão tá sendo desfeito pelo efeito escândalo do Flávio. O pessoal que tinha passado para o Flávio que pensava "os bolsonaristas tinham razão, o STF é um bando de safado". Agora estão pensando: "puta merda. O bolsonarismo também é um bando de safado".

Ana Clara Costa: Já tinha alguns elementos.

Celso Rocha de Barros: Já tinha. Já era pra ter suspeitado, hein, amigão? Mas vamos lá. Antes tarde do que nunca.

Fernando de Barros e Silva: Flávio Bolsonaro foi da rachadinha ao Vorcarão.

Celso Rocha de Barros: Exato. Exatamente. Não é a primeira dança de Flávio Bolsonaro. Essa pesquisa também foi a primeira que eu vi até agora que testou a Michelle Bolsonaro. Nesse caso, o que acontece é que o Lula bota 24 pontos de vantagem sobre a Michelle no primeiro turno, porque alguns pontos do Flávio Bolsonaro são distribuídos quase que igualmente entre os outros candidatos de direita menorzinho. Entre o Caiado, o Renan e o Zema, cada um ganha ali dois ou três pontos. E o que é importante mesmo aqui é que no segundo turno, que estava empate técnico entre o Lula e o Flávio, o Lula agora bota sete pontos de vantagem, que é inclusive melhor do que era em janeiro. Se a eleição fosse amanhã e a pesquisa fosse essa, você podia cravar que o Lula ia ser reeleito. Saiu do quadro de empate técnico, basicamente. Agora o Lula está na frente com uma liderança que não é gigante, é, obviamente, reversível, dependendo do que acontecer no resto da campanha, mas o jogo deu uma virada a favor do Lula. E, se você pensar que o Lula só vinha meio que piorando, ou na melhor das hipóteses, parando de piorar ou piorando mais devagar, essa melhora grande aqui é um negócio que o governo tem que comemorar mesmo. E você vê que não foi só nas intenções de voto que o áudio do Flávio com o Vorcaro explodiu como uma bomba. A Atlas tem uma pergunta que é: "na sua percepção, qual grupo político está mais envolvido no esquema de fraudes financeira do Banco Master?". Se você olhar em março, a maioria das pessoas dizia que eram aliados do Lula, certamente pensando no Xandão, certo? Isso virou completamente. Praticamente trocou de número. Os números de um lado para o outro, e, agora, com boa vantagem, está na frente "aliados do Bolsonaro". Isso eu acho que pode ser mais importante para o desenrolar da campanha até do que os números de intenção de voto. Se o Master cola no campo bolsonarista, aí as consequências são mais de médio prazo. Assim, é mais difícil dos caras virarem isso nos meses que faltam até a eleição, né? Também tem um efeito interessante que, assim como você pode esperar, os eleitores do Lula tendem a jogar mais a culpa no Flávio. Os eleitores do Flávio tendem a jogar menos a culpa no Flávio, então isso tudo é previsível. Mas se você for olhar pelo recorte de renda, o que acontece é interessante, porque ali na Lulândia, do 0 a dois mil reais de renda mensal, 47% das pessoas acham que é mais aliado do Bolsonaro. Quando você passa por 2000 a 3000 já cai para 41. Quando você passa para 3000 a 5000, cai para 38,6. Vai caindo com a renda. Então você vai pensando normal, tem mais Lullista na baixa renda? Tem mais bolsonarista na alta renda, enfim. Só que quando você começa a subir de renda acima dos 5000, começa a subir de novo o número de pessoas que acha que tem mais gente do Bolsonaro nos 5000 a 10000, já passa para 42, e acima de 10.000 já vai para 48,4, que é mais do que lá na Lulândia, que é, justamente, assim: provavelmente o pessoal que tem mais acesso a meios de comunicação, tem mais acesso a mídia, etc e tal. O pessoal da alta renda já sacou que essa bomba é no colo do Bolsonaro. Enfim, você vai vendo que o golpe é imenso. Assim, se você pensar que passou uma semana... Por exemplo, se você pegar a revelação do contrato do Xandão com o Vorcaro que a Malu Gaspar dá em dezembro, você começa a piorar logo na pesquisa seguinte a coisa para o Lula, mas demora um tempo assim para isso bater, para ser processado pelo público, para todo mundo entender a dimensão do negócio. Tem um prazo para você ver qual é a resposta do cara também. O pessoal fica meio em dúvida e a resposta não convence. E, assim, em cinco dias o negócio já despencou, entendeu? Essa pesquisa é muito ruim para o Flávio, tanto que o Flávio está tentando impugnar a pesquisa. Entrou na Justiça para tentar derrubar a pesquisa, dizendo que essas perguntas sobre Banco Master acabam ressaltando na memória das pessoas esse episódio e criam uma percepção mais negativa do Flávio. Bom, primeiro nunca vi alguém impugnar a pesquisa porque tem um ou outro pergunta mais enviesada. Se impugnarem essa, é a primeira que eu vejo na vida. Mesmo assim, acho que não é o caso. Quer dizer, a pesquisa é justamente para saber se o caso Master teve efeito na eleição. Então eu acho mais ou menos razoável, até porque mais de 90% das pessoas dizem que ouviram o áudio inteiro. Então assim não é uma coisa assim que a pessoa não sabia que existia. E aí, quando o pesquisador mostrou para ele, falou "caramba, que merda!".

Ana Clara Costa: E agora o bolsonarismo está usando inclusive esse ponto de mostrar o áudio como uma espécie de indução para tentar descredibilizar a pesquisa. O que não...

Celso Rocha de Barros: Pelo amor de Deus! Os bolsonaristas deviam saber bem o que que é um áudio comprometedor no WhatsApp. Qual é o poder que rede social tem que o poder de grupo de WhatsApp tem.

Fernando de Barros e Silva: Muito bem. Ana, o que você apurou aí do lado do governo?

Ana Clara Costa: Bom, para vocês verem como as nuvens se movem rapidamente no mundo político, eu estava comentando no episódio passado sobre Davi Alcolumbre, sobre como as coisas tinham piorado para ele depois da rejeição ao nome do Messias em que ele rifou o governo, né? Pois bem, duas semanas, três semanas se passaram e, hoje, o Davi Alcolumbre está desesperadamente tentando se reaproximar do governo. Então, eu acho que o termômetro da mudança de ventos é essa. Davi Alcolumbre falou com José Múcio, falou com Randolfe Rodrigues, falou com Zé Guimarães falou com o senador Jordano, do Podemos, pessoas que ele julgou que poderiam ajudá-lo a reatar laços com o Lula. Coincidentemente, essas investidas do Davi Alcolumbre vieram depois que saiu a pesquisa Atlas.

Celso Rocha de Barros: Opa!

Ana Clara Costa: Porque será, né? A resposta do Lula, segundo interlocutores com quem eu conversei, foi "A política tem seu tempo". A típica frase do Lula.

Celso Rocha de Barros: É, lá vai ele.

Fernando de Barros e Silva: "Olha, Ana Clara, a política tem seu tempo. Tem que deixar madurar. É que nem uma plantinha." Pode continuar.

Ana Clara Costa: Enfim, essa frase do Lula, ela indica que neste momento ele não tá afim de papo. Inclusive o deputado Odair José, que é do PT, tomou posse como ministro do TCU e o Lula foi na cerimônia de posse dele e na cerimônia de posse estava o ministro Vital do Rêgo. Fez uma petit comitê ali no gabinete dele no TCU e para receber o presidente Lula, que foi. E aí, obviamente, o Davi Alcolumbre também foi nessa posse, evento que ele não poderia perder. E Hugo Motta também. Mas mesmo indo até o evento, mesmo sendo o evento de petit comitê ali no gabinete, não conseguiu aproximação com o Lula. Eu acho que o termômetro da situação do governo hoje, por meio das movimentações do Davi Alcolumbre, acho que já significa muita coisa, né? E eu acho que uma outra coisa que também significa muito é o Flávio hoje já considerar que ele prefere perder com os votos do pai do que outra pessoa da direita ganhar, até mesmo se for a Michelle. Então, o objetivo do Flávio nessa eleição é a manutenção do patrimônio eleitoral do pai e não necessariamente ganhar, né? Isso para o Lula é o melhor cenário. Desde o princípio, o Lula queria o Flávio como oponente. Não era o Tarcísio que ele queria. Conforme o castelo de cartas do Flávio começa a cair, e eu volto a dizer que essa questão do filme é só a ponta do iceberg, a gente vai ver até que ponto o bolsonarismo é resiliente a essas notícias, né? Nessa primeira pesquisa, eles não se mostraram tão resilientes assim, né? Houve uma queda muito rápida, quase imediata, respondendo ao noticiário. Mas isso tende a se acomodar também, né? A campanha nem começou ainda tem muita água para rolar. E até por saber que tem muita água para rolar, o governo não está contando com a coisa já resolvida, né? Ninguém ali é novato nessa história, mas o que eles acreditam é que se a diferença se ampliar para dez pontos entre os dois, já é uma sinalização ali para o governo, de uma situação mais tranquila, porque a gente falou aqui, inclusive, que era situação de emergência duas semanas atrás.

Celso Rocha de Barros: Exato. E dez pontos no quadro de polarização atual é uma enormidade. É um negócio gigante.

Ana Clara Costa: E conversando com alguns auxiliares do presidente essa semana, eles avaliam que a CPI do INSS, que era um foco de embate forte ali, em que o governo estava fragilizado em vários pontos, não conseguiu produzir o que ela prometia. As investigações não conseguiram colocar o Fábio Luiz, o Lulinha, no centro do escândalo, como muita gente prometia que ia acontecer, a ponto de a defesa dele ter pedido essa semana o arquivamento do inquérito. A gente não sabe se a PF vai arquivar ou não, mas eles veem espaço para um pedido de arquivamento do inquérito porque não encontram materialidade ali no envolvimento. Então assim, depois de toda uma montanha russa, é uma semana, digamos, de celebração para eles. Pode ser momentânea, mas enfim.

Fernando de Barros e Silva: Sim. E tem também, conforme a gente disse na semana passada e vem dizendo, os programas do governo e as políticas públicas que estão surtindo efeito. A manchete do Globo de hoje, por exemplo, quinta-feira é: "Lula acelera gastos e lança uma medida a cada três dias e meio". Daí, diz O Globo, que subsídios e programas do governo vão injetar 190 bi na economia. E, diz O Globo, obviamente, pressionar inflação e contas públicas, que é o mantra deles. Mas enfim, o Lula agora começa a se beneficiar dessas medidas que ele está tomando. Por exemplo, como subsidiar carro para motorista de aplicativo, para pegar essa faixa aí que o Celso identificou como ainda não totalmente influenciada ou afetada nessa pesquisa da Atlas.

Ana Clara Costa: Agora, gente, vamos lá. Se fosse o Bolsonaro falando que ia fazer o Desenrola e ainda dar mais dinheiro para as pessoas se endividarem, a gente ia falar que...

Celso Rocha de Barros: Era coisa de populismo eleitoral.

Ana Clara Costa: Essas medidas de crédito e de inadimplência, elas são claramente para conversão de voto emergencial, né?

Fernando de Barros e Silva: Óbvio. Muito bem. Com isso, a gente vai encerrando o segundo bloco do programa. Na volta, nós vamos falar do retorno provável ou possível de Messias e The Second Coming, como diria o Yates. Já voltamos.

Fernando de Barros e Silva: Muito bem, estamos de volta. Ana Clara, sem mais delongas, é a volta de Messias? Ana Clara, isso é pra valer?

Ana Clara Costa: É uma possibilidade, Fernando. Conforme eu falei no bloco anterior, há uma sinalização do Davi Alcolumbre de querer recompor, reatar laços com o governo e isso abre espaço para a reapresentação do nome do Messias. Existe um ato da Mesa do Senado que, em tese, repele esse tipo de repetição. Porém, na avaliação do governo, como não é lei, como é um ato da Mesa do Senado, o governo acha que existe pactuação possível, sobretudo agora que o Davi Alcolumbre está disposto. E tem uma questão também. O Lula, quando houve a rejeição, ele chegou à conclusão de que o problema não era o indicado. O problema era político. Então, a solução, segundo Lula, não viria com o novo indicado e sim com a solução do problema político. E eu sei que há uma grande movimentação no mundo do Direito para que haja uma ministra mulher e, sobretudo, para que haja uma mulher negra no Supremo.

Fernando de Barros e Silva: É, não é nem no mundo do direito, essa demanda eu acho que atravessa...

Ana Clara Costa: A sociedade sim. Eu falei mais porque eu tenho falado mais com as pessoas desse mundo sobre isso, mas realmente é uma pauta da sociedade, com certeza. Só que o que que o Lula, especificamente, está pensando sobre isso? Sobre uma mulher negra no Supremo. Que ao apresentar esse nome, o Senado possivelmente não teria como negá-lo, seria uma decisão altamente impopular, uma segunda rejeição e, ainda, a uma mulher negra. Então, assim, há grande possibilidade de passar. Porém, seria uma vitória do Senado também. Seria uma vitória, digamos, da sociedade, que o Senado e o senhor Davi Alcolumbre colocaria na sua própria conta também de que nós aprovamos, de que nós sabatinamos, de que, enfim. E o governo também não quer dar isso para o Davi. Então, há essas duas coisas. O Lula acha que é um problema político e não um problema do indicado. E ele não quer dividir com Davi Alcolumbre o que quer que seja o benefício de imagem dessa indicação que, diga-se de passagem, está por demais atrasada, já deveria ter vindo há muito mais tempo. Daí a ideia de relançar o nome do Messias. Só que as negociações ainda estão preliminares, porque o governo está esperando para ver se ele consegue abrir uma distância maior do Flávio. Lembra que eu falei sobre dez pontos? Porque, a depender da distância entre Lula e Flávio nas próximas pesquisas, o preço disso diminui muito. Porque quando o governo indica o Messias, o governo tinha dado tudo que o Davi Alcolumbre queria, todos os cargos que ele queria, em estatais, em agências reguladoras, no banheiro e na cozinha de todos os órgãos públicos do país, entendeu? Porque o Davi é isso. Você sabe, né?

Celso Rocha de Barros: Ele quer esses micro.

Ana Clara Costa: Micro, esses micro cargos são dele. Então, ele entregou tudo e sofreu essa derrota acachapante, essa derrota humilhante. E, na verdade, não foi só uma derrota, foi uma articulação de traição mesmo. O Davi, em nenhum momento chegou para o governo e falou: "não manda porque não vai passar". O contrário disso. Então, ele não quer entregar nada para apresentar de novo, ele quer que seja... E eu acho que faz todo sentido, pensando estrategicamente, ele quer que seja um movimento do Senado entregar isso para ele. Por isso ainda não há uma movimentação ali definitiva sobre esse tema. Há uma espera pelas próximas pesquisas.

Fernando de Barros e Silva: Muito bom. De qualquer forma, as razões pouco republicanas do Alcolumbre para recusar e do Senado, de forma geral, para ter recusado o Messias não deve nos eximir de criticar também as escolhas do Lula. Tanto do ponto de vista da representatividade, que ele deixou tudo a desejar nessas indicações, como do pessoalismo mesmo, do perfil. Independentemente de eu admirar e achar o Flávio Dino uma pessoa com espírito público, um sujeito competente. Mas no conjunto, esses três nomes, se o Messias for aprovado, o Cristiano Zanin, Flávio Dino e o Messias não exprimem ou não formam uma situação boa para o Supremo, eu acho, ou boa para o país. É um pouco sintoma de um rebaixamento da política que a gente tem vivido nos últimos anos.

Sonora: É isso mesmo, Fernando. Assim, a gente tem que prestar atenção nessas movimentações políticas todas que a Ana descreveu aqui, mas não devia depender disso, né? A possibilidade de indicar uma mulher negra para o STF. Cara, quando indicaram a Zanin, me lembro de dizer assim "não, a primeira indicação vai ser um cara que tem absoluta confiança do Lula e tal. O STF está sob ataque. Ele quer botar um cara que vai fechar com ele nessas questões todas aí do combate ao golpe, etc". Tá bom, mas então, aí a expectativa era que as outras indicações que ele teria que a gente sabia que seria pelo menos duas, porque a gente não tinha essa discussão se o Barroso ia aposentar ou não. Então, a outra indicação vai ser uma mulher. Aí veio a segunda indicação, também não é uma mulher, outro marmanjo aí. E aí, o Barroso resolveu aposentar e você diz assim "Bom, então agora dá, né Lula? Pelo amor de Deus". Também não. Três marmanjos, basicamente. E, inclusive, um pouco desfazendo uma herança bacana do PT que foi ter indicado o primeiro ministro negro que é o Joaquim Barbosa. Se ele é o primeiro ministro negro é um troço meio controverso, porque se você for ver, ao longo da história teve vários ministros que certamente eram de ascendência africana, mas não necessariamente se identificavam como negros, porque tinha todo aquele. Bom, o Brasil já teve um presidente que provavelmente era negro, o Nilo Peçanha, mas também não se identificava como tal. As estratégias de racialização dentro da sociedade brasileira são muito peculiares. Mas enfim, indicou o Joaquim Barbosa, indicou a Cármen Lúcia. Quer dizer, tinha um legado interessante aqui que podia ter sido desenvolvido e parece ter sido revertido. Se você olhar agora o nível de representatividade no STF, o que tem? É mais ou menos o mesmo que tinha quando Lula assume em 2003. Tinha uma mulher, a Ellen Gracie, indicada por FHC, porque antes do FHC não tinha ninguém, tinha nenhuma mulher. Então, isso é um retrocesso mesmo assim. E eu acho o seguinte, inclusive, eu sou a favor de indicar uma ministra negra para o Supremo, mas só se for para valer. Só se for para gastar capital político mesmo, para ela ser aprovada no STF e assumir como ministra do STF, porque também usar como bucha de canhão na briga para o Senado para "Então eu vou usar isso para ter um negócio simbólico e pressionar o cara". Aí eu acho uma palhaçada, entendeu? Os grupos subrepresentados só entram na briga quando tem um racha entre as elites, e aí você precisa de alguém para fazer lá um negócio simbólico? Eu acho isso muito ruim. Se for para indicar uma ministra negra, tem que ser para bancar, para fazer a negociação de sempre que tem que fazer, como provavelmente vai ser feito no caso do Messias. Mas para ela ser a ministra não é para você comprar uma briga agora que daí depois o Alcolumbre baixa a bola e aprova quem você quiser, entendeu? Inclusive, para ser honesto, até pela questão da norma lá de 2010, que barra você submeter o mesmo nome, na mesma sessão, no mesmo ano. De repente, se fosse o caso de propor o Messias de novo, talvez fosse melhor propor uma próxima vaga. Não sei. Mas enfim, aí é o cálculo lá do Lula, agora que eu acho que é importante deixar claro, é o seguinte que o Lula não pode fazer de jeito nenhum, é fazer algum acordo com Alcolumbre, que envolva para o Alcolumbre ou para quem quer que seja, uma blindagem para o caso Master.

Fernando de Barros e Silva: Perfeito. É, seria a morte.

Celso Rocha de Barros: Porque ele acaba de assumir a liderança nas pesquisas. Não só porque isso é errado, obviamente, mas porque é politicamente desastroso, porque esses pontos que ele ganha na pesquisa agora foi porque ele tá limpo no caso Master. E o Flávio Bolsonaro tá enroladíssimo. Então, ele não pode de maneira nenhuma fazer alguma coisa, mesmo que pequena, que possa ser interpretada pela turma do que vai dizer "o Master não tem ideologia", como um negócio para equalizar os dois casos.

Fernando de Barros e Silva: É curioso isso, Celso. Tava vendo aqui as fotos da época do Nilo Peçanha, que foi presidente durante um ano e meio, só de 1909, quando Afonso Pena morreu. Até novembro de 1910, as fotos dele eram retocadas.

Celso Rocha de Barros: Exatamente.

Fernando de Barros e Silva: Para embranquecer ele, como precisasse disso para legitimá-lo no cargo de presidente da República.

Celso Rocha de Barros: É horrível, né?

Fernando de Barros e Silva: Ana, então, para arrematar, por favor.

Ana Clara Costa: Aproveitando que o Celso falou sobre essa hipótese de composição do governo com Alcolumbre que beneficie o Alcolumbre de alguma forma, eu acho pouco plausível, porque o Alcolumbre é insondável o tamanho do envolvimento dele com o Master, de tão grande. E, ele tem um outro ponto muito vulnerável, que é o esquema dos combustíveis no corredor do Amapá, que eu falei no programa passado. É uma outra investigação que não tem nada a ver com Master. E a operação que teve da Refit nesses últimos tempos, que pegou o Cláudio Castro, fez a busca e apreensão na casa do Cláudio Castro, pegou toda a Secretaria da Fazenda do Rio, o Ricardo Magro, maior sonegador do Brasil. Perfil dele está na piauí, feito pelo Breno Pires e pelo Arthur Guimarães. Esse esquema de sonegação e, enfim, envolvimento com crime e tudo mais que acontece com a Refit, no Rio de Janeiro, sobretudo. Ele tem um espelho em São Paulo, que é o esquema do Beto Louco, que são as empresas Aster e Copap.

Fernando de Barros e Silva: Ricardo Magro e Beto Loco, grande dupla de ataque da delinquência brasileira.

Celso Rocha de Barros: Exatamente.

Ana Clara Costa: Exato. Pede para o Ancelotti.

Celso Rocha de Barros: Exato.

Fernando de Barros e Silva: Exato.

Celso Rocha de Barros: Tá faltando lateral lá.

Fernando de Barros e Silva: Ricardo Magro, Neymar e Beto Louco, trio de ataque.

Ana Clara Costa: É o modus operandi desse setor. Então, se você tinha o bandido aqui do Rio de Janeiro, você tem o de São Paulo, que fazia exatamente o mesmo esquema em São Paulo e também para trazer o material de fora, via corredor do Amapá, e, por um acaso, vocês acham que esse esquema de São Paulo não tinha nada a ver com a Secretaria da Fazenda de São Paulo, do Governo do Estado de São Paulo?

Fernando de Barros e Silva: A gente não acha nada.

Celso Rocha de Barros: Eu estou quieto aqui.

Ana Clara Costa: Então, não existe composição possível que livre Davi do que o espera na próxima esquina. Assim, olha, se eu tiver equivocada, a gente volta aqui daqui um, dois meses, três meses. E aí, vocês podem dizer que... Eu não sei se eu quero me comprometer com isso, mas...

Celso Rocha de Barros: Eu acho que não vai ter que se retratar.

Fernando de Barros e Silva: Não, a realidade estava errada.

Celso Rocha de Barros: Acho que vai, tá... Acho que essa tá tranquila.

Fernando de Barros e Silva: A realidade se equivocou. Eu tive que refazer meus pontos de vista.

Ana Clara Costa: Dito isso, o governo fez uma essa semana que ele poderia ter passado sem essa. E que vai em direção a empoderar uma pessoa totalmente responsável, é uma das pessoas responsáveis pelo caso Master, que é o Otto Lobo, que foi a indicação do Otto Lobo, diretor da CVM, à presidência da CVM. O Lobo estava na CVM, enquanto todo o caso Master aconteceu. Então, enquanto o Master fraudava fundos, inflava fundos, fazia o que queria com os fundos, o Otto Lobo era o diretor. A CVM não condenou o Master por nada, não julgou o Master por nada, não fez nada, absolutamente nada. E, nas poucas vezes, em que se aventou a possibilidade de fazer, o Otto Lobo foi lá e defendeu o Daniel Vorcaro, como no caso da Ambipar, que era um caso em que o Master ajudou a inflar as ações dessa empresa Ambipae, comprando essas ações para colocar nos fundos inflados deles. Isso ajudou muito essa empresa. Isso ajudou muito o Nelson Tanure, que era ligado a essa empresa. E aí, descobriu-se que tudo isso era uma super operação para ajudar na maquiagem dos fundos do Master e ajudar o Tanure nos negócios dele. A própria área técnica da CVM fez um relatório expondo esses problemas e o Otto Lobo fez uma manobra totalmente atípica na CVM para fazer o voto dele valer duas vezes para tentar derrubar. E conseguiu, no caso, derrubar a condenação da Ambipar nesse caso. Então, foi um grande benefício para o Daniel Vorcaro o que o Otto Lobo fez.

Fernando de Barros e Silva: Que coisa! Otto lobo já entra para minha galeria de persona... Desculpa falar isso assim, mas já entra para minha galeria de nomes adequado ao personagem, que é que nem o Jacinto Lamas, tesoureiro do PL no mensalão.

Ana Clara Costa: O Otto Lobo, ele é de uma família do judiciário do Rio. A mãe, esposa, são desembargadoras. Ele foi indicado no governo Bolsonaro para CVM. Um dos padrinhos dele é o Luiz Fux, do Judiciário carioca também. A CVM, ela regula, fiscaliza o mercado de capitais. Então ele deveria estar cumprindo esse papel. E, curiosamente, na sabatina dele no Senado essa semana, ele fala que a função do diretor não é fiscalizar nada. Então, assim, por aí você já vê, né? E ele, além dessa manobra na Ambipar, que foi amplamente noticiada, ele também ajudou muito a JBS. A JBS estava com um processo de insider trading na CVM desde 2017, quando o Joesley foi preso. Esse processo foi julgado no final do ano passado. Era uma multa de mais ou menos 150 milhões de reais. E o Joesley, ele tá num ponto, eu acho, de poder, que não é mais dinheiro que importa, ele não pode perder. Ele é um tipo de pessoa que não pode perder. Então, se ele tiver um processo de 100 mil reais lá em Araçatuba, minha cidade, ele vai mover céus e terra para não perder esse processo de 100 mil reais. Ele faz isso com absolutamente tudo. No caso da CVM, curiosamente, depois de se reunir com o Joesley, o Otto Lobo foi lá e votou para o processo ser arquivado e a JBS não pagou nada.

Fernando de Barros e Silva: 150 milhões, é isso?

Ana Clara Costa: É.

Fernando de Barros e Silva: Daria para fazer um Dark Horse com sobras ainda, distribuindo e ainda jogando dinheiro de helicóptero no último dia da gravação, né Celso? Olha, perto da multa que o Toffoli anulou do grupo de dez bi, não é isso? Eu não estou diminuindo isso. Eu só estou falando, lembrando mais uma passagem edificante da história republicana.

Ana Clara Costa: Bom, o fato é que assim, o Otto Lobo, ele é uma figura tão embrenhada hoje no meio político que ele se tornou candidato do sistema, do Davi Alcolumbre, do Ciro Nogueira, do Guido Mantega, e se tornou candidato do Joesley. E todo mundo sabia disso. E quando aconteceu a rejeição ao Messias, o governo já tinha indicado o Otto Lobo para ser o presidente. E essa indicação ainda precisaria passar pelo Senado. E aí meio que o Otto Lobo ficou sem pai, porque aí o governo falou "Pô, eu vou continuar indicando esse cara, que é um cara que o Davi quer, depois dessa humilhação toda?". Então, tinha muita gente que achava que o governo ia retirar essa indicação do Otto Lobo, porque é um desgaste, você indicar para a presidência do órgão regulador um dos responsáveis pelo órgão regulador não fazer nada com o caso Master. E aí, achava-se que haveria a possibilidade de o Governo retirar essa indicação. Eis que o Renan Calheiros, senador que é presidente da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, pediu para o Eduardo Braga, também senador e relator desse caso, consultar o governo. "Olha, vocês querem retirar? Posso pautar? O que eu faço?". Governo mandou pautar. Governo votou a favor do Otto Lobo, governo e centrão e todo mundo, enfim, todo mundo que precisava votar, votou a favor dele. E aí, você pensa: por que o governo dá essa colher de chá para o Davi Alcolumbre diante de tudo isso que a gente está conversando aqui, né? O nome disso é Joesley Batista, porque para além de ser o enviado do Davi, o Otto Lobo é, sobretudo, o enviado do Joesley. O Joesley que marcou o encontro, ele ajudou pelo menos a marcar o encontro com Trump, a antecipar a visita de Estado do Lula ao Trump. Enfim. Joesley, que está mandando muito ultimamente, mandando demais ultimamente.

Fernando de Barros e Silva: Os irmãos Joesley, como se diz.

Ana Clara Costa: Porque a gente tinha anteriormente aquela política do incentivo às grandes empresas, né? Em algum outro momento.

Fernando de Barros e Silva: As campeãs nacionais.

Ana Clara Costa: Exato. Hoje você tem duas campeãs nacionais. Dois campeões. Na verdade, um é o Joesley Batista, o outro é o André Esteves. Eles estão conseguindo todos os leilões de energia, todas as licitações, de tudo que você imaginar, as indicações...

Fernando de Barros e Silva: Tô quase pensando no esquete aqui da falha da cobertura do Porta dos Fundos, o Ancelotti convocando Joesley e Esteves. Sai o Estevão, entra o Esteves, sai não sei quem, entra o Joesley. Assim a gente encerra o terceiro bloco do programa. Fazemos um rápido intervalo. Na volta, Kinder Ovo. Já voltamos.

Fernando de Barros e Silva: Muito bem, Estamos de volta. Mari Faria, pode soltar aí a maldade. Quero ganhar de novo.

Sonora: Independe de partido, porque ditadura não tem lado. E aqui, diferentemente.

Fernando de Barros e Silva: É o do PT.

Ana Clara Costa: Lindbergh!

Sonora: A ditadura convencional, que todos estão acostumados a debater e a criticar, ia falar tanque, armas.

Fernando de Barros e Silva: Não é o Lindbergh?

Ana Clara Costa: É um bolsonarista, mas...

Fernando de Barros e Silva: Ah, essa eu não ia acertar. Deputado federal, líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto Silva, do PL da Paraíba.

Celso Rocha de Barros: Eu sei quem é. Nossa, podia ter tentado.

Fernando de Barros e Silva: Em coletiva à imprensa sobre mais um pedido de impeachment contra Alexandre de Moraes.

Ana Clara Costa: Essa eu acho que nenhum ouvinte acertou. Ouvintes, mandem mensagem.

Fernando de Barros e Silva: Para mim, Gilberto Silva é o volante da seleção brasileira. Foi Gilberto Silva, aqui PL da Paraíba.

Celso Rocha de Barros: Foi campeão em 2002.

Fernando de Barros e Silva: Derrotados, encerramos o Kinder Ovo e hoje tem momento Cabeção.

Sonora: Cabeção.

Fernando de Barros e Silva: Com dicas de livros, filmes, que seja. Vamos começar com você, Celso.

Celso Rocha de Barros: Então, Fernando, queria recomendar duas coisas aqui rapidinho. Primeiro, é o livro "Parcelado: Dinâmicas de consumo na periferia", do Kauê Lopes dos Santos. É um trabalho sobre consumo na periferia, sobre o papel do crédito na mediação desse consumo que eu achei, realmente, achei muito interessante e recomendo para todo mundo. É a Editora Fósforo. E a outra coisa que eu queria indicar é a série Control mais fake, que é a primeira série documental do Aos Fatos, aquele site de checagem que é bem bacana e que conta a história dessa questão de desinformação, fake news e enfim, um tema que vai ser bastante atual esse ano.

Fernando de Barros e Silva: Muito bom! Ana Clara.

Ana Clara Costa: Bom, a minha indicação é o Pão dos Anjos da Patti Smith, que foi lançado pela Companhia das Letras e que é uma descrição da genialidade dela. Assim, ela faz uma autobiografia um pouco mais interna, assim, dos sentimentos dela, de como ela chega a imaginar o que ela imagina, a produzir o que ela produz, os caminhos mentais dela, assim, pela imaginação dela. É uma coisa que não é muito linear, mas você consegue entender. Por exemplo, para quem leu o Just Kids, você consegue entender melhor como ela consegue relatar e ter vivido aquela vida que ela viveu em Nova York naquele período, enxergando aquilo como ela enxergava. Na verdade, ela aponta os caminhos da imaginação dela para conseguir ser o que ela é. Para quem gosta da Patti Smith, eu recomendo.

Fernando de Barros e Silva: Muito bom. Bom, olha, eu vou em ritmo de Copa do Mundo e como eu estou me ocupando do assunto, vou escrever sobre futebol, vou me aventurar, eu vou indicar dois livros. Um é um clássico já do José Miguel Wisnik, professor da USP, ensaísta e músico que chama Veneno remédio: O futebol e o Brasil. O livro é de 2008. É um grande ensaio sobre o futebol e sobre todos os aspectos que envolvem o futebol e o jogo, inclusive, ele fala muito do jogo. Faz perfis maravilhosos de jogadores e faz uma discussão muito profunda e bacana do Brasil. Eu recomendo vivamente esse. E o outro é um livro de um ex-colega do Celso na Unicamp, que é o Leonardo Afonso de Miranda Pereira, que é professor da PUC do Rio de Janeiro, de história da PUC do Rio, que escreveu um livro que chama Footballmania: uma história social do futebol no Rio de Janeiro de 1902 a 1938. É muito bacana, é uma tese dele e foi reeditado pela Hucitec em 2022. O livro é do final dos anos 90 e é uma história social do futebol. Mesmo quem não gosta de futebol, especificamente, não está ligado no que acontece dentro das quatro linhas da Constituição, vai ter muito interesse em ler. São essas minhas dicas. Muito bem, encerrando o momento cabeção, vamos direto e reto para o melhor momento do programa. Correio Elegante. Momentos das cartinhas. Momento de vocês. E eu vou começar com a mensagem da Luana Ceni: "O tanto que eu gargalhei escutando esse episódio é brincadeira. Agora tenho um novo medo desbloqueado. Desejar um príncipe no cavalo branco e me aparecer Bolsonaro mutante no seu Dark Horse".

Celso Rocha de Barros: Porra! Esse pesadelo é bom.

Fernando de Barros e Silva: É pesadelo.

Celso Rocha de Barros: Profissional mesmo.

Fernando de Barros e Silva: É isso aí, Luana. Pesadelo compartilhado.

Ana Clara Costa: O filme do Bolsonaro rendeu comentários. O Fabrício Adriano Chaves postou: "O Jim Caviezel pode colocar em seu currículo os dois extremos. Encenou Jesus e o Tinhoso. Abraços.". E, Fernando, a Raquel Teixeira escreveu: "Coisas que só o domínio das artes pelo bolsonarismo pode proporcionar. O crossover do Foro de Teresina com Chico Raiz. Obrigada, Fernando. ".

Celso Rocha de Barros: O Chico Raiz já foi citado várias vezes aqui pelo Fernando.

Fernando de Barros e Silva: É, eu gosto.

Celso Rocha de Barros: A Tammy escreveu: "O Foro é minha companhia de faxina desde 2019, na pandemia foi meu alento a compartilhar a indignação com aquele pesadelo todo. Hoje faço 33 anos e me dei de presente a assinatura da revistapPiauí. Acho que mereço". Merece muito, Thammy. Fez muito bem e você merece muito. "Vida longa ao Foro. Venham para Curitiba! Juro que tem gente legal aqui". A gente sabe, Thammy. Qualquer hora a gente aparece aí.

Ana Clara Costa: É isso aí.

Fernando de Barros e Silva: Bom, então é isso. O que é bom dura pouco, o que não é tão bom também acaba. E a gente vai encerrando o programa de hoje por aqui. Se você gostou, não deixe de seguir, dar five stars pra gente no Spotify. Segue no Apple Podcast, na Amazon Music. Favorita na Deezer e se inscreva no YouTube. Você também encontra a transcrição do episódio no site da piauí. O Foro de Teresina é uma produção do estúdio Novelo para a revista piauí. A coordenação geral é da Barbara Rubira. A direção é da Mari Faria, com produção e distribuição da Maria Júlia Vieira. A checagem é da Ethel Rudnitzky. A edição é da Bárbara Rubira e da Mariana Leão. A identidade visual é da Amanda Lopes. A finalização e mixagem são do João Jabace e do Luís Rodrigues, da Pipoca Sound. Jabace e Rodrigues, que também são os intérpretes da nossa melodia tema. A coordenação digital é da Bia Ribeiro, da Emily Almeida e do Fábio Brisolla. O programa de hoje foi gravado aqui na minha Choupana, em São Paulo, e no Estúdio Rastro, do grande Danny Dee, no Rio de Janeiro. Eu me despeço dos meus amigos. Tchau, Ana.

Ana Clara Costa: Tchau, Fernando. Tchau, pessoal.

Fernando de Barros e Silva: Tchau, Celso.

Celso Rocha de Barros: Tchau, Fernando. Até semana que vem.

Fernando de Barros e Silva: É isso gente! Uma ótima semana a todos e até a semana que vem.


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