31 Jul 2026
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Semanalmente, os apresentadores mencionam as principais leituras que fundamentaram suas análises. Confira:
Conteúdos citados neste episódio:
"A cavalo aliado não se olha o ente", reportagem de Felipe Aníbal para a piauí.
"Comissão controlada por Eduardo Bolsonaro dos EUA convoca ex-assessor de Trump", coluna de Malu Gaspar no Globo.
"Aliado dos Bolsonaro atuou para beneficiar Master e Vorcaro e pressionar BC e rivais", coluna de Malu Gaspar no Globo.
TRANSCRIÇÃO DE ÁUDIO:
Sonora: Rádio piauí.
Fernando de Barros e Silva: Olá, sejam muito bem-vindos ao Foro de Teresina, o podcast de política da revista piauí.
Sonora: La basura calva no me permitió visitar a mi amigo que está injustamente encarcelado, cuando sé que Lula se cansó de recibir dirigentes del exterior cuando estaba preso.
Fernando de Barros e Silva: Eu, Fernando de Barros e Silva, da minha casa, em São Paulo, tenho a alegria de conversar com meus amigos Ana Clara Costa e Celso Rocha de Barros, no Estúdio Rastro, no Rio de Janeiro. Olá Ana, bem-vinda!
Ana Clara Costa: Oi, Fernando! Oi, pessoal!
Sonora: Um monte de conversa fiada. Primeiro fala para mim, né? Olha, o Cleitinho está com medo de vir candidato porque se ele ganhar, o que ele prometer, ele não vai cumprir. Eu não sou você, seus canalhas. Vocês que prometem e não cumprem.
Fernando de Barros e Silva: Diga lá, Celso Casca de Bala.
Celso Rocha de Barros: Fala aí, Fernando! Estamos aí mais uma sexta-feira.
Sonora: E o Sandro Alex representa esse time da continuidade, a continuidade a esse bom momento que vive o Paraná.
Fernando de Barros e Silva: Mais uma sexta-feira e eu quero agradecer demais, em nome de todos nós do programa, pela acolhida na Flip na última sexta-feira. Agradecer a Rita Palmeira, curadora da Festa Literária de Paraty, e ao público que foi lá nos assistir. Nossa estreia na Flip foi bem emocionante.
Ana Clara Costa: É isso, Fernando, muito obrigado a todo mundo que foi. Tava lotado, assim, a gente nem acredita que tanta gente ouça e tanta gente vá nos ver. Então foi realmente assim, muito, muito especial.
Celso Rocha de Barros: A Flip foi realmente maravilhosa e como eu já disse para o Fernando, alguma coisa certa a gente deve estar fazendo, porque foi bem legal mesmo.
Fernando de Barros e Silva: Alguma coisa, não sabemos o quê.
Celso Rocha de Barros: Exato.
Fernando de Barros e Silva: Bom, nossa próxima parada ao vivo será no Teatro Unisinos, em Porto Alegre, no dia 23 de agosto, um domingo. Mais informações sobre os ingressos vocês podem acompanhar nas redes da piauí. Logo mais estaremos lá entre os gaúchos.
Fernando de Barros e Silva: Agora sim, sem mais delongas aos assuntos da semana. Javier Milei assinou na noite de quarta-feira um decreto que proíbe a entrada e autoriza a expulsão de estrangeiros que promovam ou incentivem discurso de ódio, discriminação ou violência contra a Argentina e seus cidadãos. O texto tem validade temporária e precisa ser aprovado pelo Congresso para se tornar lei permanente. A medida de inspiração meio fascista é o mais recente capítulo da crise deflagrada entre Brasil e Argentina nos últimos dias. No sábado da semana passada, durante a convenção do PL, que confirmou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, Milei, bastante histriônico e apatetado, chamou Lula de presidiário e Alexandre Moraes de lixo careca. Isso ao lado do filho de Jair. No meio da semana, ao ser perguntado sobre o comportamento do líder argentino, Lula reagiu: "Eu? Quem é esse cara?". No plano diplomático, as relações azedaram. O Itamaraty convocou o embaixador argentino no Brasil, Daniel Raimondi, para dar explicações e chamou o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Júlio Bitelli, para consulta, medida de praxe em situações de crise. Diante da reação brasileira, o porta-voz da Casa Rosada, Adrian Ravier, tentou contornar as coisas e disse, num pronunciamento que sempre houve insultos dos dois lados. A performance de Milei a serviço do PL mostra a articulação internacional da extrema direita sob a batuta de Donald Trump e expõe as fragilidades domésticas da candidatura de Flávio Bolsonaro. No segundo bloco, a gente vai tratar da indefinição política em Minas Gerais, onde o senador Cleitinho, do Republicanos, descartado pelo partido depois de muito tergiversar e faltar à convenção, veio a público para dizer que sim, vai ser candidato ao governo. Isso depois que o presidente do Republicanos, Marcos Pereira, disse que o partido iria apoiar Marcelo Aro do PP, nome ligado a Eduardo Cunha. Sim, aquele. A situação segue incerta e os partidos têm até o dia 5 de agosto, agora, para definir a sua chapa. Minas, onde o PT disputará com Patrus Ananias, é um estado decisivo para Lula e Flávio Bolsonaro. Por fim, em ritmo de campanha, a gente vai para o Paraná no terceiro bloco. Vamos tratar do Paradoxo de Ratinho, o Júnior. Muito popular entre os eleitores, o governador não conseguiu, até agora, transferir seu cacife político ao candidato do PSD, Sandro Alex, distante da liderança. Quem lidera no estado é Sérgio Moro. Sim, aquele. Que agora está no PL aliadíssimo de Flávio Bolsonaro e tem cerca de 40% das intenções de voto no primeiro turno. Requião Filho, do PDT, apoiado por Lula, é o principal nome da oposição. A gente vai mergulhar nos meandros da República do Paraná com as suas escusas, ouvinte. É isso. Vem com a gente.
Fernando de Barros e Silva: Muito bem. Ana Clara, vamos começar com você. Eu fiz aí um resumo do que aconteceu nessa semana, mas talvez a gente possa começar do início, né? Com a convenção do PL, aquela em que o IA de Jair compareceu e o Milei compareceu sem IA.
Ana Clara Costa: Mas poderia ter sido IA.
Fernando de Barros e Silva: O Milei sempre me parece aquele personagem do Laranja Mecânica.
Celso Rocha de Barros: Lembra né?
Fernando de Barros e Silva: Até hoje eu acho que ele copia aquele personagem. Não é exatamente um herói, né Celso?
Celso Rocha de Barros: Aquele não.
Fernando de Barros e Silva: Vamos lá, Ana.
Ana Clara Costa: Vamos lá. Bom, o Milei já se sabia que ele vinha. Os bolsonaristas estavam anunciando, o próprio Milei estava dizendo que vinha lá na Argentina. Eu confesso que passou batido para mim. Assim, me pareceu surpresa quando eu vi. Mas aí depois eu fui apurar e descobrii que que já se sabia, inclusive o governo brasileiro sabia. O governo de São Paulo sabia porque eles precisavam organizar a Polícia Federal para a chegada dele em São Paulo. A embaixada argentina tinha avisado.
Fernando de Barros e Silva: O Tarcísio de Freitas precisava treinar para ser engraxate, porque só faltou engraxar o sapato do Milei. Deu medalha, tudo.
Ana Clara Costa: Pois é, tava tudo pronto já, embora se soubesse, né? Da visita. Quando você olha no detalhe o que aconteceu realmente o patamar é muito mais lastimável do que se espera. Ele sempre consegue ir um pouco além, né? O Milei. Aquela dança, né? Tudo aquilo poderia ter sido IA e foi uma coisa inédita, porque até se a gente pegar os exemplos do próprio Jair Bolsonaro no governo dele. Ele apoiou alguns candidatos de direita enquanto ele era presidente do Brasil e isso causou alguns desconfortos diplomáticos. Por exemplo, no caso do Uruguai, estava tendo eleição no Uruguai e ele declarou apoio ao candidato Lacalle Pou. E aí, enfim, o Uruguai até chamou o embaixador para conversar e tudo mais. Outra coisa que Bolsonaro fez naquele governo, ele ofereceu asilo para aquela política boliviana, Jeanine Áñez, que tentou um golpe contra o Evo Morales e acabou presa. E o Bolsonaro ofereceu asilo. O Bolsonaro também xingou o Boric, não sei se vocês se lembram, que daí o Chile acabou convocando seu embaixador no Brasil naquela época e teve vários episódios de declaração de preferências do Bolsonaro enquanto ele era presidente. O Lula teve também que foi na eleição do Trump em que o Lula declarou preferência pela Kamala, né? Mas o Bolsonaro fez isso adoidado. Bom, o Trump faz isso com uma certa frequência, inclusive interferindo diretamente, mas nunca se deslocou para um país. Então assim, o Milei se deslocar para o Brasil, para uma convenção de um partido, e nessa convenção partidária ele falar publicamente contra o governo vigente. Isso, assim, é inédito em muitos níveis, né? O governo brasileiro enxergou uma certa influência dos Estados Unidos nessa atitude do Milei. E quando eu falo influência, não é que o Trump ligou para o Milei e falou "vai lá na convenção do PL e faz aquele show". Mas assim, o milênio tem se mostrado muito subordinado ao governo Trump e possivelmente foi para fazer um agrado ali ao chefe, né? Ele parece um ministro do Trump, não um presidente de um país. Então o governo brasileiro vê muito uma coordenação, digamos. Essa coordenação, ela não passa só pela vinda do Milei para cá. Ela passa também por outros acontecimentos que inclusive a gente relatou no programa passado, né? Aquele encontro com embaixadores, que foi um pouco antes, em que o Flávio, pela primeira vez publicamente como pré-candidato, descredibiliza as urnas. Bom, eu não vou nem falar aqui da live do Eduardo com Fernando Cerimedo, aquele marqueteiro argentino que também ajudou a divulgar as fake news sobre a não confiabilidade das urnas. E também teve o episódio em que dois servidores do Departamento de Estado queriam vir para o Brasil para conversar com o TSE e, na avaliação do governo, essa visita desses dois funcionários, que depois acabaram tendo visto negado, seria para produzir um relatório sobre as urnas. Esses funcionários do departamento Estado queriam vir justamente na semana da convenção. Então eles ligaram para o TSE e falaram assim: "A gente quer fazer uma visita oficial ao TSE na semana do dia tal", que é essa semana que a gente está agora, que começou com a convenção. E aí o TSE falou para eles: "Olha, a gente recebe vocês com o maior prazer, mas só na outra semana, porque nessa semana ainda há o recesso. Os ministros ainda não estão aqui, o tribunal volta em agosto, então a gente recebe vocês em agosto". O cara falou: "Ah, não, agosto não dá. Tem que ser essa semana".
Fernando de Barros e Silva: E o governo brasileiro negou o visto a esses sujeitos, né? Isso passou meio batido, mas....
Celso Rocha de Barros: Certíssimo.
Fernando de Barros e Silva: Certíssimo. Mas é sério, porque o governo americano mandando dois funcionários para vir tumultuar o processo político brasileiro. Claramente os caras vieram para sabotar, para fazer relatório de mentirada.
Ana Clara Costa: Já que a gente tá falando de negar visto, tem um outro fator que é relevante também, o governo americano designou um embaixador para os Estados Unidos no Brasil. Um embaixador, enfim, obviamente completamente alinhado ali com a turma do Steve Bannon. Só que eles fizeram de uma forma que é totalmente atípica. Quando você designa um embaixador para um país, primeiro, você oferece esse nome para aquele país, geralmente em sigilo. O país vai avaliar o nome que você submeteu, porque, afinal, vai ser uma pessoa que vai ficar ali representando uma nação dentro do seu país. Você precisa ver se o cara é criminoso, se o cara é pedófilo, o que ele fala sobre o Brasil, etc. Você faz uma triagem desse nome e aí, você aceita esse nome ou não. O que o governo americano fez, na verdade, foi subverter essa lógica, anunciando antes o nome do embaixador, meio que pressionando o governo brasileiro a aceitar. Porque você imagina que se esse embaixador já estivesse no Brasil nesse momento. Ele ainda não está, porque o nome dele ainda não foi aceito pelo governo e provavelmente não será antes da eleição. Então você teria um outro elemento aqui no Brasil, dentro dessa estratégia de interferência na eleição brasileira. Então eles sugerem o embaixador publicamente antes, antes de oferecer, inclusive para o governo brasileiro. Para depois, se o Brasil, vamos supor, negar, criar aquele factóide. "Governo brasileiro nega Embaixador". Você cria uma nova contenda diplomática, né? Então, assim, essa vinda do Milei, ela vem dentro desse caldo que o governo enxerga como conectado, que não foi uma coisa aleatória nessa vinda dele. Só que do mesmo jeito que ele veio, ele quase que imediatamente teve que voltar atrás alguns passos porque pegou muito mal para ele. E na Argentina não há pesquisas sobre isso, especificamente, para a gente saber os números de quanto a opinião pública concorda ou não. Mas nos jornais argentinos houve vários artigos de opinião sobre isso, todos os contrários. Nas redes sociais, vários políticos, não necessariamente peronistas, fizeram postagens criticando Milei por isso. O chanceler Mauro Vieira, ele foi embaixador em Buenos Aires por seis anos, então ele conhece muita gente lá, não só da diplomacia. Ele recebeu dezenas de mensagens de pessoas da Argentina, de setores produtivos, da diplomacia, da opinião pública, enfim, ele recebeu uma quantidade impossível de responder de mensagens de pessoas lamentando o episódio. E aí o que aconteceu foi que o chanceler argentino, no início dessa semana, veio a público dizer que: "Ah, olha, as diferenças ideológicas entre os nossos presidentes não significa diferenças dos governos, são dos presidentes. Não é uma diferença do governo. Então, isso não interfere em nada na relação entre os dois países". Do lado brasileiro, as exportações para a Argentina aumentaram muito, mesmo com o Milei, e o Brasil até poderia retaliar Argentina depois de um papelão desse, porque é uma interferência, como eu falei, inédita. Mas segundo as fontes que eu conversei do governo, eles não querem. Porque para você fazer uma retaliação, nesse caso, você precisa achar um setor em que você retaliar a Argentina não prejudique o Brasil.
Celso Rocha de Barros: Claro.
Ana Clara Costa: E tá difícil achar esse setor nesse momento, sobretudo com o que está acontecendo nos Estados Unidos, com tarifaço. Então, assim, a gente também precisa vender para Argentina muita coisa. E um outro ponto que aí tem mais a ver com o Lula, que é ele não quer dar pro Milei o gostinho de demonstrar o seu incômodo. Ele acha que é justamente isso que Milei quer, né? Ao afrontá-lo diretamente, ele acha que Milei quer uma resposta direta para.
Celso Rocha de Barros: Milei quer ser rival do Lula.
Ana Clara Costa: Exato. E o Lula não quer dar isso pra ele. Então parte da estratégia é, estou reproduzindo as palavras que eu ouvi, você deixálo do tamanho que ele tem e não aumentar o tamanho dele com um ataque direcionado a ele. Então o governo não vai fazer nada. Basicamente, é isso.
Fernando de Barros e Silva: Muito bom. Celso, eu quero te ouvir porque tem o plano do mundo real, dos negócios, das relações comerciais e etc, etc. E tem esse mundo simbólico da política. Que é onde as reações no primeiro momento acontecem. Do público e da gente, inclusive. Quando a gente estava lá na Flip e viu Milei fazendo... O que é isso? Inclusive o Flávio foi com uma tesourinha ridícula lá. O Milei era mais radical. Usava motosserra na campanha dele. O Flávio foi com a tesoura. Já podemos falar que o Flávio é mais moderado.
Celso Rocha de Barros: Quer fazer um ajuste fiscal mais, mais moderado.
Fernando de Barros e Silva: Exato. Exato. Vamos lá.
Celso Rocha de Barros: Então, Fernando, é simples. Quanto menos gente no Brasil apoia o Flávio Bolsonaro, mais ele vai buscar apoio fora. Se você viu a convenção do PL, os grandes partidos de direita brasileiros não apareceram. A gente falou aqui no programa passado, o PP, União Brasil vão ficar neutro na eleição. O Republicano provavelmente também. Então ele não tinha muito apoio brasileiro para apresentar ali. Nem o Carluxo foi. Ele foi visitar o Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e a Michelle mandou um vídeo que parecia mais feito por inteligência artificial do que o vídeo do Bolsonaro, que era tecnicamente inteligência artificial.
Ana Clara Costa: Era com bastante convicção.
Celso Rocha de Barros: A inteligência artificial do Bolsonaro estava mais entusiasmada do que a Michelle gravando aquele vídeo ali. Então, na falta de brasileiros para mostrar, ele mostra os estrangeiros. Então todo dia tá passeando por aí com seu papai Trump. Na convenção também apareceu o titio Netanyahu, que é aquele tio fascista que vai no almoço de domingo elogiar a ditadura. Mas a estrela do show mesmo foi o cunhado picareta que é o Milei, né, cara? Que é aquele cunhado sem-vergonha, que todo mundo tem alguém na família, que perdeu tudo num esquema de criptomoeda e agora tá endividado com agiota, né? Então o Milei tá aí fazendo essa palhaçada porque o agiota em questão é a Casa Branca. É bom lembrar que antes da última eleição na Argentina, a Casa Branca liberou 20 bilhões de ajuda para Argentina para ajudar o Milei a segurar a economia argentina até as eleições. Então ele tá devendo para o Trump. Ele tá devendo para o Marco Rubio. Como ele não vai pagar isso nunca, né cara? Então, a maneira dele entregar alguma coisa é ficar rodando o continente e apoiando essa Internacional de extrema direita aí que o Trump lidera. E aí que é o aspecto preocupante, porque essa coisa de, por exemplo, a direita ganhar um monte de países na América Latina, em si, isso não tem nada demais. Já teve fase em que a esquerda ganhou um monte de país na América Latina e assim essas ondas de opinião são normais. A alternância de poder é normal. Não tem nada de errado. As pessoas que ficaram um tempo sendo governado pela esquerda trocarem pela direita e vice-versa. Isso já aconteceu algumas vezes para a gente saber que essas coisas nunca são para sempre, né? Então vai ter agora uma onda de governo de direita, depois vai trocar de novo. Enfim, sempre é assim. O problema é que tem um aspecto que essa aliança com a Casa Branca enfatiza nesses vários movimentos de direita que ganharam a eleição na América do Sul, que é o seu aspecto autoritário, né? Até para aderir ao discurso trumpista, esses caras estão embarcando em discursos mais radicais. Alguns já eram radicais de saída. O Bukele é o caso mais clássico, né? El Salvador já virou uma ditadura mesmo. A Argentina não virou uma ditadura, mas é um caso evidente de entreguismo, no sentido antigo do termo, né, cara? O Milei, de fato, topa absolutamente qualquer coisa que a Casa Branca mandar e já topava antes de darem dinheiro para ele, inclusive.
Fernando de Barros e Silva: E o Milei é o mais histriônico, inclusive, tem um aspecto estético nesse negócio de extrema direita que lembra o Mussolini um pouco.
Celso Rocha de Barros: Não, é um cara com evidentes problemas psiquiátricos, né cara? Antes dele ser uma falha do sistema político argentino, ele é uma falha do sistema de saúde pública argentina, né, cara? Entendeu? Se você for ali na Cracolândia, acha uns três Milei ali gritando uns troços pela rua, entendeu? Porra. Não sei nem se vale a pena criticar esse cara. Os outros candidatos argentinos deviam ser muito ruins, né cara? Para os argentinos terem escolhido essa porcaria. Mas ele é isso aí. Não adianta muito brigar. Agora, o outro lado dessa performance aí do Milei é que ele tá mal de popularidade na Argentina, ele tá com 60% de rejeição. Aquele programa econômico todo dele, que tem gente razoável que defende uma abordagem liberal, enfim, tem muita gente razoável que critica a política econômica dos peronistas, etc. Eu, pessoalmente, não acho que o Milei seja capaz de implementar qualquer programa econômico. Se o programa econômico for bom, vai ser desperdiçado na mão do Milei, na minha opinião. Mas as pessoas têm o direito de discordar. Agora, o fato é que não está gerando os resultados que ele esperava, entendeu? Pelo menos a tempo dele costurar um apoio político né, essas coisas. Então, tem bastante números ruins vindo da Argentina. E aí ele tá tentando ganhar uma popularidade lá explorando xenofobia, explorando essa rivalidade contra o Brasil, essa nova lei aí que diz que ele vai poder expulsar da Argentina quem fala mal da Argentina não sei o quê. Isso é bizarro, né, cara? Eu morava em Copacabana em 2014. A final da Copa foi no Rio. O chão da minha rua era basicamente argentino deitado no chão. Eles passaram todos aqueles dias sacaneando o Brasil que a gente tomou de 7 a 1. E tá certo, gente, é isso mesmo. Futebol é assim mesmo. Todo mundo tem uma rivalidade, não tem nada demais. Basicamente, se tivesse uma lei do Milei aqui, tinha todo mundo ir para Bangu, tinha todo mundo sendo preso, o que seria ridículo, certo? E assim ele tá tentando também explorar um pouco um certo choque que a Argentina teve com a reação dos outros países com o racismo dos torcedores argentinos na Copa, né?
Fernando de Barros e Silva: Sim.
Celso Rocha de Barros: A gente aqui no Brasil sabe que eles fazem isso em Libertadores, essas coisas, mas o pessoal lá de fora ainda não tinha visto. Então, se você ver os ataques que eles fizeram ao influencer americano IShowSpeed, que é um influencer negro que ia em todos os jogos da Copa, aparecia muito entusiasmado, ia lá cobrir, filmar e tal, não sei o que lá, e os argentinos passavam o jogo fazendo gestos racistas para ele, entendeu? Então assim, cara, o que tem que ter uma campanha de educação da torcida na Argentina, né cara? Porque isso aí é absolutamente inaceitável. Ao invés disso, Milei resolveu entrar na teoria da conspiração maluca de que o governo brasileiro patrocinou uma campanha de difamação da Argentina. E ele diz que tem pesquisas que provam isso. A pesquisa que ele está citando já foi checada lá pelos fact checkers da Argentina e não diz, obviamente, nada disso. Só diz que boa parte dos tweets reclamando da Argentina era em português. Bom, cara, não precisa nem ter instituto para descobrir isso, né cara, se você me perguntar eu já te aviso. É óbvio. A grande rivalidade da Argentina no futebol do Brasil. É óbvio que o brasileiro e argentino vai se xingar quando tiver futebol mesmo e tá tudo em casa. Não tem problema nenhum. Mas não, ele chegou a conclusão que foi o Lula e o Partido Democrata. Olha só que bonito. O Partido Democrata, obviamente, não tem nada mais para se preocupar na vida, então pode ir lá fazer campanha contra o time da Argentina na Copa do Mundo. Enfim, ele tá já partindo para teoria da conspiração. Completamente trelelé mesmo, entendeu?
Ana Clara Costa: Cara, mas pensa o tanto que ele não deve ter projetado aquele momento de estar nos Estados Unidos, ganhando a Copa, dividindo a taça com o Trump, entregando a taça, Trump falando, falando assim: "pega a taça, leva pra sua casa".
Celso Rocha de Barros: "Pode levar pra você, é sua". Entendeu? "O povo da Argentina quer dar de presente pra você, pode levar".
Ana Clara Costa: Ele deve ter sonhado muito com aquele momento.
Celso Rocha de Barros: Aí você matou a charada. Bom, eu tava falando do Milei como o cunhado picareta, outro lado do cunhado picareta é que, enfim, enquanto a nossa irmã argentina estiver casada com ele, a gente tem que pelo menos fingir que tolera esse negócio, né cara? Porque o Brasil e Argentina são economias inseparáveis. O nível de entrelaçamento das duas economias é gigante. O nível de entrelaçamento estratégico dos dois países é gigante. Então não tem como a gente ter uma briga, um rompimento com a Argentina e eles terem um rompimento com a gente. A gente pode brigar no futebol, mas assim, é triste que em um país que tem esse nível de relação com a gente, enfim, tem uma liderança que se sujeita a botar tudo isso em risco para puxar o saco de uma superpotência.
Ana Clara Costa: Quando Celso fala que ele é o cunhado picareta, ele é picareta mas ele é espertalhão também porque o que acontece? No acordo de livre comércio que ele fechou com os Estados Unidos, fala sobre não fazer mais comércio com a China, que é isso que os Estados Unidos querem no fim, que os países aliados não façam comércio com a China. E o Milei assinou esse bilhete, né? Só que na prática aconteceu o contrário, porque com essa ultraliberalização da economia, a China aumentou a participação dela na economia argentina. E aí para o Milei maquiar esse fato, ele intensifica também o discurso anti-Lula, anti-Brasil para mostrar que ele está junto. Porque, na prática, se algum americano for pegar a balança comercial da Argentina e ver os números, vai se dar conta que o acordo não está sendo cumprido à risca, conforme prometido.
Celso Rocha de Barros: Que beleza! Quem diria que o Milei ia passar alguém para trás?
Ana Clara Costa: Pois é. E aí o Lula fez uma ligação para o XI Jinping nesse fim de semana, exatamente no dia seguinte à vinda de Milei na convenção do PL. Essa ligação que o Lula fez já estava combinada desde quinta-feira e é uma ligação que para o XI era segunda-feira de manhã, né? Por isso que foi domingo à noite. Obviamente, no âmbito dos ataques das novas tarifas dos Estados Unidos, obviamente, foi uma tentativa do Lula de demonstrar força. Ao conversar com o XI. Só que veio a calhar essa ligação também no domingo, porque foi no dia seguinte a palhaçada do Milei, sendo que o Milei está até o pescoço comprometido com a China, né? Então tem a variável China também para o recuo do governo Miley depois dessa visitinha. Então assim, a gente não pode esquecer que tem esse probleminha que ele precisa resolver ali com a gente.
Fernando de Barros e Silva: Problemita e tanto. Muito bom! Com isso, encerramos o primeiro bloco do programa. Fazemos um rápido intervalo e na volta vamos falar do Cleitinho. Vamos falar na eleição em alguns estados.
Celso Rocha de Barros: Cleitito!
Fernando de Barros e Silva: Cleitito. Inacreditavelmente não se sabe ainda quem serão os candidatos em Minas Gerais. Já voltamos.
Fernando de Barros e Silva: Muito bem, estamos de volta. Celso, vamos começar com você. A gente antecipou que em Minas a coisa tava complexa, né? Mas não imaginei que o negócio fosse chegar a esses patamares sucupirianos. Não sabemos nada. Não sabemos nem se o favorito nas pesquisas será candidato ao governo. Tudo pode acontecer.
Celso Rocha de Barros: É isso mesmo, Fernando. Eu pessoalmente nunca tinha visto isso. O que o Cleitinho está fazendo nessa eleição, eu nunca tinha visto. Já teve vários casos, por exemplo, desses candidatos de fôlego curto, tipo Russomanno ou Datena, que aparecem liderando pesquisas e depois, desiste.
Celso Rocha de Barros: Sim.
Celso Rocha de Barros: Mas o Cleitinho á estava num estágio bem mais avançado que isso para ser candidato. Já estava com uma vantagem nas pesquisas muito boas. Era o candidato favorito para apoiar o Flávio. Quer dizer, e a coisa realmente parece ter desandado. Nessa semana, a direção do partido dele, o Republicanos, soltou um comunicado dizendo que, olha só, não dá mais para esperar, o Cleitinho nem foi na convenção do partido. Fica enrolando os caras com esse papo de vou ser, não vou ser, vou ser, não vou ser. Então eles resolveram que não vão apoiar o Cleitinho para candidato. Aí você vai dizer Bom, então é isso. Não, não é isso. Porque o Cleitinho que não dizia se era candidato ou não direito antes de dizerem que ele não é. Se você está confuso, ouvinte, você tem razão de estar confusa. É assim mesmo.
Ana Clara Costa: É para ficar.
Celso Rocha de Barros: Né? Então, enquanto todo mundo queria que ele fosse, ele não dizia que era. Agora que disseram que ele não pode, ele resolveu que é. E declarou que vai tentar sensibilizar o partido a voltar atrás e apoiar ele na sua candidatura ao governo do Estado, que agora que ele descobriu.
Fernando de Barros e Silva: Quarta-feira, né? Ele convocou uma coletiva de improviso com correligionários ali, fez um discurso todo emocionado e indignado, etc. Fez um teatro ali para dizer que é candidato, para desautorizar a decisão do partido de ter rifado ele.
Celso Rocha de Barros: O pessoal de Minas diz que ele já mudou de opinião algumas vezes ao longo de um mesmo dia que. De manhã ele falou para um cara que era depois de tarde, falou que não era. Depois de noite, voltou a ser. Então o negócio parece ter sido meio estranho mesmo.
Fernando de Barros e Silva: Perto dele, o Jânio Quadros é sólido. É uma espécie de Parmênides da política. O ser e o não ser não é.
Celso Rocha de Barros: Todo mundo lembrou do Jânio. Exatamente. E assim, não é só uma questão de temperamento. Tem vários aspectos que as pessoas estão especulando que poderiam estar levando ele a essa dúvida. Uma delas é o seguinte, apesar da reputação do Zema de grande gestor, bla bla bla bla bla bla. Minas Gerais tem uma dívida muito grande, então o próximo governador vai ter que fazer ajustes impopulares e aí se o Cleitinho entra para fazer isso, ele perde a sua posição de atiradeira e passa a ser vidraça. Ele perde esse charme que ele tem, que é o que elege ele de ser o cara franco atirador, o cara anti-sistema, essa coisa toda. Então ele tá na dúvida se já é hora dele virar vidraça, entendeu? Um pouco como o Nikolas também. Por enquanto, só quer ser atiradeira. Então eu tenho essa dúvida se ele tá afim de assumir essa bronca que é suceder o Zema no governo de Minas Gerais. A outra possibilidade que todo mundo acha, e aí que a comparação com o Jânio era que todo mundo acha que o Jânio fez aquela palhaçada toda de renúncia, achando que ia voltar nos braços do povo, né? "Não, não, não renuncia não. A gente faz o que você quiser", e ninguém fez nada que ele queria. E parece estar acontecendo agora também parece que ele queria atrasar o negócio todo para as pessoas fazerem o que ele queria, né? E aí uma hora o pessoal encheu o saco e fez suas próprias articulações lá. Ainda é possível que o Cleitinho seja candidato, até o dia que fecha as candidaturas pode ser que ele que ele ainda seja candidato. Ninguém sabe. Agora, por enquanto, o partido dele está próximo do candidato Marcelo Aro, do PP. O Marcelo Aro estava mais cotado para ser candidato ao Senado. Quem é o Marcelo Aro? O Marcelo é um Cunha boy. É um daqueles caras formados pelo Eduardo Cunha quando era presidente do Congresso, daqueles caras formado, não apenas no sentido de ser um aliado dele, mas de um cara que aprendeu política com o Eduardo Cunha e foi, inclusive, o patrono da mudança do Cunha para Minas Gerais. Inclusive, em nome do estado do Rio de Janeiro, quero deixar aqui meu pedido de desculpa para o pessoal de Minas Gerais por ter mandado esse negócio para vocês. Então por aí você já vai vendo que o Marcelo Aro, digamos assim, dificilmente tem chance de se projetar como um ícone da ética na política, certo? Não estou dizendo que seja impossível. Quem sou eu para acusar alguém? Mas haveriam alguns problemas de credibilidade se ele tentasse basear sua campanha como "jamais me envolvi com nada". O Aro também é famoso, que ele já apoiou o Kalil já apoiou o Zema, já apoiou todo mundo que ele arrumasse uma boquinha também, mostrando fidelidade ao seu professor Eduardo Cunha, e traiu todo mundo, novamente, mostrando fidelidade ao seu professor Eduardo Cunha. Então, assim, a situação atual da eleição de Minas Gerais, por incrível que pareça, está mais confusa do que estava quando a gente fez o nosso bloco sobre Minas Gerais aqui, que já deixou um monte de gente assustada.
Fernando de Barros e Silva: Exatamente.
Celso Rocha de Barros: Por outro lado, é provável que agora se consolide, porque a grande dúvida era realmente se o Cleitinho ia ser candidato. E aí ficava aquela incerteza toda se ele de fato sair. O mais provável é que esses outros candidatos gravitam para alianças mais ou menos consistentes ideologicamente. Então alguns vão para o lado do Kalil ou do lado Patrus Ananias. Atualmente a direita está com dois, que seria o Marcelo Aro e o Matheus Simões, o atual governador, que era o vice do Zema.
Fernando de Barros e Silva: Que é do partido do Kassab.
Celso Rocha de Barros: Exato. O Simões é aquele que o Flávio Bolsonaro foi pego anotando um papelzinho que o Mateus Simões puxava ele para baixo, né?
Fernando de Barros e Silva: Exatamente.
Celso Rocha de Barros: Mas aqui, assim, bem ou mal, como em toda eleição para governador, a gente tem que lembrar disso, o Matheus Simões tem a máquina, né? Então, enfim, alguma capacidade de competir ele deve demonstrar ao longo dessa campanha, mas ele o Aro agora começaram uma guerra. Matheus Simões já deu depoimento aí criticando o Marcelo Aro dizendo "pô, o Zema que recebeu esse cara? Ele tinha perdido a eleição, tava super mal, a gente acolheu o cara, o cara ficou aqui parasitando e agora sai com esse negócio xingando a gente". Olha só, Matheus Simões, que surpresa! Você pegou o aluno do Eduardo Cunha e ficou chocado que o cara para você, olha só. Ficou mais confuso, mas ao mesmo tempo, as perspectivas disso ficar mais claro nas próximas semanas são maiores, porque deve reduzir esse número de candidaturas. Deve ter um jogo de coalizões daqui em diante.
Fernando de Barros e Silva: Muito bem. Ana Clara, você está olhando para o seu computador, tomando notas. Eu sei que você tem um monte de apuração sobre essa esse furdunço mineiro. Explica para a gente.
Ana Clara Costa: Bom, o Cleitinho é um cara que, enfim, a gente já sabe, né? Não é um político tradicional, é um outsider. Ou seja, a lealdade dele ao Republicanos era mínima, né?
Fernando de Barros e Silva: Esse perfil de político já tá virando tradicional também, né? O outsider já está incorporado à política brasileira, né?
Ana Clara Costa: Exato.
Celso Rocha de Barros: É meio paradoxal isso, né? O outsider ser uma coisa...
Fernando de Barros e Silva: É, mas está acontecendo isso.
Ana Clara Costa: E aí, ele queria postergar a decisão dele sobre ser candidato ou não para o último minuto, justamente para conseguir capitalizar melhor essa candidatura sem ter que ceder tanto para o PL, sem ter que ceder tanto para o PP, sem ter que ceder para os partidos que possivelmente o apoiariam, né? E até para o próprio Republicanos, um partido com o qual ele não tem afinidade partidária. E o Marcos Pereira, que é presidente do Republicanos, é um político ultra tradicional, um dos mais hábeis ali do centrão. Então era esse o retrato. Só que daí o Cleitinho tomou uma rasteira, porque os Republicanos queriam uma solução para Minas. E aí a solução se deu pelo Marcelo Aro. Quem, supor, que talvez tenha sido o Eduardo Cunha que costurou essa solução, não vai estar errando muito, né? O Marcelo Aro soa como uma solução viável, porque, diferente do Cleitinho, ele é um político tradicional, tradicionalíssimo inclusive no que há de pior, no cumprimento de acordos, sejam eles quais forem. Ele é um cara de bastidor, não é um cara popular não é o cara carismático, mas é um cara que funciona muito no bastidor. E houve essa costura que deu uma rasteira no Matheus Simões, que era chefe do Marcelo Aro no governo, né? Era o governador em exercício e o Marcelo era secretário dele. Então eles fizeram essa articulação por trás. O PL tem dito que só ficou sabendo depois que preferia o Cleitinho. Mas até aí o que o Valdemar disse, escreve? Não sei.
Fernando de Barros e Silva: Não, eu sei. Não se escreve não.
Ana Clara Costa: Pois é. Agora o Marcelo tem um telhado de vidro considerável para a pouca idade que ele tem, né? Na imprensa mineira saíram notas, reportagens de ontem para hoje, falando de envolvimento dele com Master, de envolvimento dele em operações espúrias na Cemig, que foi a operação que o Zema inclusive conduziu ali para vender a estatal. Então os candidatos vão ter ali muito material para trabalhar contra esse Marcelo Aro. A questão é que nenhum candidato de Minas se sobressai muito. Você vai ver o Kalil, ele tem algum eleitorado fiel, mas ele também tem muita gente que não gosta dele. O Patrus é do PT, que tem uma rejeição em Minas, exceto Lula, né? O partido tem essa rejeição. O Matheus Simões é um governador sem nenhum tipo de carisma, nem brilho, nem fez um governo que marcou em nada. O Gabriel Azevedo, que está pelo MDB, que a gente falou alguns programas atrás, é o mais neutro, digamos, de todos, mas nunca teve um cargo majoritário, né? Ele foi vereador, então Minas está complicado. O direcionamento em Minas, para onde a coisa está indo ainda não dá para ver. E isso é preocupante tanto para o Lula quanto para o Flávio, porque Minas vai ser fundamental, até mais fundamental nessa eleição do que foi na eleição passada, principalmente para o Lula, porque há problemas em São Paulo. Há problemas na Bahia, há problemas no Nordeste de uma forma geral. Segundo as últimas pesquisas que têm saído, o Lula, obviamente nos estados do Nordeste, vai ter uma vitória. Não vai perder em nenhum estado, muito pelo contrário. Mas o percentual vem diminuindo ao longo das eleições e, sobretudo na Bahia. Pela última Quaest, é possível que ele perca mais de 1%, se a Quaest estiver correta. São Paulo, o PT conta muito com a Simone Tebet e a Marina, além do Haddad, claro, mas sobretudo a Simone Tebet e a Marina, com o voto feminino para trazer voto para o Lula, sobretudo no interior de São Paulo, em que o bolsonarismo é muito forte. Mas a gente não sabe ainda até que ponto a Região Metropolitana de São Paulo, que foi tão importante para a vitória do Lula em 2022, está fechada com ele de novo nessa eleição, porque muita coisa aconteceu em São Paulo nos últimos quatro anos. E uma dessas coisas que aconteceram em São Paulo tem o nome de Pablo Marçal, que justamente teve uma votação expressiva na região metropolitana, que votou no Lula. Então isso é uma incógnita. Então Minas e Rio de Janeiro, que são colégios eleitorais importantes, vão ter um papel fundamental nesse aspecto. E a gente já falou isso milhares de vezes, você ter um palanque em Minas, é importantíssimo para o Lula nesse momento. Pela Quaest, a situação para o Lula estaria melhor hoje do que em 2022. Em Minas, ele teria uma vantagem maior. E eu ouvi isso também conversando com políticos e com outras pessoas, que a expectativa é de que Minas funcione melhor para ele nesse governo. E Rio de Janeiro, com o palanque do Eduardo Paes também a perspectiva é de que ele melhore consideravelmente no Estado. Tanto que a Quaest prevê 48% dos votos para o Lula hoje, na pesquisa dessa semana, contra 43,5 na eleição de 2022. Ou seja, é um crescimento expressivo. E como Minas é o cenário mais confuso e também um dos mais importantes, todas as atenções estão naquele momento para Minas. No caso de São Paulo, a campanha do Lula, a campanha do Haddad, eles estão contando com Tarcísio não tão alinhado com o Flávio. E se o Tarcísio ganhar no primeiro turno em São Paulo, a expectativa é que ele não faça uma campanha tão, digamos, animada para o Flávio no segundo turno.
Celso Rocha de Barros: Até porque, se o Flávio ganhar, o Tarcísio não é candidato em 2030.
Ana Clara Costa: Exato. Tem isso. Então, o papel do Tarcísio ali vai ser meio coringa nessa eleição, independentemente do Haddad, né? Agora, um dos estados que vai ser interessante a gente observar é Pernambuco, que tem a Raquel Lyra e o João Campos bem divididos ali, com a Raquel Lyra, recentemente, ultrapassando ele na pesquisa de intenção de votos. O Lula foi para lá para a convenção do PSB para apoiar o João Campos. Lembrando que o Lula teve uma amizade histórica com o pai dele, Eduardo Campos foi um dos governadores com quem ele mais se entendeu quando ele foi presidente e o Eduardo Campos foi extremamente leal a ele na época do mensalão e as crises daquela época. Então, assim, o apoio do Lula para o João Campos, ele é mais do que um apoio pragmático. Ele realmente quer e vai ser complicado ali uma briga entre os dois, porque o João Campos vai ter que modular as críticas a Raquel, que é uma governadora mulher e querida no Estado. Ela não é detestada no Estado. E a Raquel vai ter que modular as críticas ao adversário João Campos, porque ele tem o apoio do Lula e muitos eleitores dela votam no Lula. Então vai ser uma campanha que vai ter que ser um pouco mais civilizada do que a média. Então eu acho que isso vai ser interessante observar.
Fernando de Barros e Silva: Raquel Lyra, que era tucana e foi para o partido do Kassab também.
Ana Clara Costa: Exato. Lembra quando a gente falou nos programas passados do fator constrangimento? O fator constrangimento de Pernambuco é que o Luciano Bivar, que presidia o PSL quando o Bolsonaro se filiou em 2018, vai ser suplente do Humberto Costa para o Senado na eleição desse ano.
Celso Rocha de Barros: Esse é um constrangimento.
Ana Clara Costa: Ele tá coligado e defendendo o Lula. Luciano Bivar é parte da coalizão petista em Pernambuco. Durmam com essa.
Celso Rocha de Barros: Esse é violento.
Fernando de Barros e Silva: Quando se fala naquele clichê da geleia geral brasileira, está aí materializada a geleia geral brasileira. Não é fácil, não. Bom, nós encerramos então o segundo bloco do programa. Vamos para um rápido intervalo. Na volta, nós vamos falar do Paradoxo de Ratinho, é isso, vamos falar do Paraná. Tem notícia lá. Já voltamos.
Fernando de Barros e Silva: Muito bem, estamos de volta. Vamos falar do Paraná. Ratinho Junior, aquele que seria o candidato à Presidência da República, que desertou em cima da hora por razões ainda a serem esclarecidas, continua sendo um governador com uma alta aprovação. A pesquisa da Quaest mostra que mais de 60% dos eleitores acha que ele merece fazer o sucessor. No entanto, o candidato dele, o Sandro Alex, se fosse um cavalinho do Fantástico, estaria lá atrás, lutando para não cair, né, Celso?
Celso Rocha de Barros: Exatamente.
Fernando de Barros e Silva: Quem está liderando a pesquisa é o Marreco, que agora está no PL, Sérgio Moro. 40% no primeiro turno, né? Requião Filho, do ex-governador Roberto Requião, que está no PDT, é o líder da oposição apoiado pelo Lula e o Rafael Greca, que está no MDB. Enfim. Ana, você tem apuração sobre a situação do Paraná. O Moro segue como franco favorito a virar governador, certo?
Ana Clara Costa: Sim. Franco favorito. Bom, o que acontece no Paraná é um problema de soberba do Ratinho Jr. Ratinho também sofre de soberba.
Fernando de Barros e Silva: Queria pedir escusa.
Celso Rocha de Barros: Nomezinho tão humilde.
Ana Clara Costa: Porque o Ratinho Júnior, dada a alta popularidade dele, ele achava que qualquer um que ele colocasse ali ele ia resolver. E lembrando que ele chegou a ser convidado pelo Rogério Marinho para ser vice do Flávio em dado momento da pré-campanha e não aceitou porque ou ele seria ele o candidato ou ou nada. Então ele não topou.
Fernando de Barros e Silva: É, isso seria amarrar o Kassab à candidatura do Flávio, né?
Ana Clara Costa: Exato. Mas nunca isso se mostrou algo vantajoso para o Kassab em nenhum momento.
Fernando de Barros e Silva: Exato.
Ana Clara Costa: Até por isso não aconteceu. Mas enfim, foi naquele momento em que o Rogério Marinho filiou o Moro. O problema é que quando o Ratinho Júnior decide não concorrer por razões ainda que não são de nosso conhecimento a Presidência da República, ele não tinha um candidato para colocar no seu lugar. Ele não fez uma sucessão. O Ratinho queria alguém um pouco mais dele do que o Greca, né? Ele não queria fazer parte de uma coligação do Greca. Ele não tinha um nome. Ele não fez sucessor. E o Sandro Alex é um cara que não anima nem jogo de ping pong, entendeu? Ainda mesmo a história do Matheus Simões em Minas não é um cara carismático, as pessoas não conhecem ele. Ele sempre foi um cara meio da máquina, né? Mas o Ratinho ele tá jurando que ele vai conseguir burlar essa falta de carisma do Sandro Alex com os acordos com os prefeitos, porque os prefeitos estão todos na mão dele. Ocorre que Sérgio Moro é muito popular no interior do Paraná. Então, ainda que os prefeitos fechem com o Ratinho, isso não significa que a população vai fechar, ainda mais diante de um cidadão como Sandro Alex, que não consegue empolgar. E o que mais me impressiona do paranaense é que ele é capaz de coisas inimagináveis, né? O repórter Felipe Aníbal escreveu para piauí uma reportagem no início desse mês, acompanhando o Moro na pré-campanha dele lá dentro do Paraná. E ele flagrou uma situação que até teve uma certa repercussão local, mas eu, por exemplo, não tinha visto até ler essa matéria do Felipe Aníbal, que é o seguinte o Moro foi fazer campanha em Paranaguá, a cidade do Porto de Paranaguá, e ele foi questionado por uma repórter sobre os Paranaguaras. Quem são os Paranaguaras? Os habitantes de Paranaguá são chamados de Paranaguaras e a repórter local fez a pergunta óbvia: "E o que o senhor tem a dizer para os Paranaguaras e tal?". O Moro não sabia o que era Paranaguara e perguntou para ela se Paranaguara era uma população indígena de lá.
Fernando de Barros e Silva: Eita!
Ana Clara Costa: Na verdade, ele indagou: "ah Paranaguaras, a população indígena?". E disse: "Ora, tem que preservar os direitos da população indígena, mas preservar esses direitos não deve ser empecilho também ao crescimento econômico".
Celso Rocha de Barros: Olha só!
Ana Clara Costa: Ele ouviu da repórter que Paranaguara era era nome do habitante.
Fernando de Barros e Silva: Nossa senhora.
Ana Clara Costa: Então, assim, ele não sabia o gentílico de Paranaguá, que é uma das maiores cidades do Estado que ele pleiteia governar. Eu achei muito emblemática essa cena que o Felipe Aníbal descreve, porque ela é o Moro, né?
Fernando de Barros e Silva: Ela É o Moro. Isso é um pouco a diferença entre o Moro e o Bolsonaro também. O Bolsonaro "não sabe quem são nossos irmãos paranaguaras, né?". Que tristeza! O Moro é aquele fascismo casmurro, né? Daria uma boa dupla cômica. Ele e o Milei. Ele é um pouco avesso do Milei. Dois patetas, um histriônico e outro melancólico. Daria uma boa dupla de de ficção.
Celso Rocha de Barros: É foda.
Ana Clara Costa: E ele foi juiz, ele nasceu no interior do Paraná, ele morou em vários lugares do Paraná e assim, você não sabe uma informação básica como essa. Você fica imaginando esse cara no governo, né? O Moro é um cara que tem se mostrado fiel a algumas coisas. Uma delas é ao Bolsonaro, né? Assim, eu acho que do momento em que ele aceitou ir para o governo Bolsonaro, ainda em 2018, até hoje ocupando essa posição, depois de ter sido humilhado e bypassado e atacado pelo Bolsonaro e pelo bolsonarismo, ele se mostra um cara dos mais bolsonaristas fiéis hoje.
Fernando de Barros e Silva: Sim, eu achava estranho sempre o Moro, até pela sua falta de qualidade, que não sobrasse alguma coisa dessa debacle brasileira para ele, porque ele só levou rasteira desde que ele virou ministro. Ele só empilhou vexames. Ele, realmente, ele é um caso triste e eu acho que ele representa algo realmente nessa nova economia política brasileira. Assim, ele na minha opinião, e não com meu voto, se eu fosse do Paraná, é claro, mas ele vai virar governador. É muito difícil que ele não vire governador. Eu não pensei que ele fosse tão ruim de serviço. Na verdade, como ele acabou se mostrando ao longo do tempo.
Ana Clara Costa: Eu acho que só a gente não pode desconsiderar a capacidade do Paraná de fazer loucuras. Quando a gente lembra que em 2024, a Cristina Graeml, que é uma jornalista que eu não sei se eu falei o nome dela corretamente, vocês me perdoem, que era comentarista da Jovem Pan, concorreu à Prefeitura de Curitiba e quase ganhou, né? Então, assim.
Celso Rocha de Barros: Eu lembro que só a Ana dizia que isso era possível. Eu lembro disso.
Fernando de Barros e Silva: Eu não estou subestimando a capacidade do Paraná de fazer loucuras. Isso não é exclusivo do Paraná, está espalhado pelo Brasil inteiro. O Moro já foi considerado um grande enxadrista da política brasileira.
Celso Rocha de Barros: Cara, eu moro no Rio. Quem sou eu para falar dos outros? Exato.
Fernando de Barros e Silva: São Paulo, Pablo Marçal, Jânio Quadros, temos aqui. Enfim, Isso para não falar daquela direita convencional, Maluf e tal da direita sólida. Vamos lá, Celso, vamos falar um pouco do Paraná, continuar falando do Paraná.
Celso Rocha de Barros: Então, essa chapa da direita no Paraná esse ano, para mim é a síntese de tudo que tem de errado com a direita brasileira, que ela é cheia de golpe, cheia de banco Master, com um cara metido a paladino da ética, passando pano para todo mundo.
Fernando de Barros e Silva: Uhum.
Celso Rocha de Barros: Então você tem o Flávio Bolsonaro como candidato a presidente, que é golpista, comprovadamente golpista. Sobre isso, não resta dúvida. E está no meio dos escândalos do Banco Master. O candidato ao Senado é o meu amigo, tantas vezes citado nesse programa, o Felipe Barros, que pediu o golpe no Congresso Nacional no dia 30 de novembro de 2022 e apresentou projeto para aumentar o limite do FGC para salvar o Banco Master. Aqui cabe um parêntese, o blog da Malu Gaspar, há algum tempo atrás fez uma apuração dizendo que quando o Felipe Barros entrou de presidente da Comissão de Assuntos Externos da Câmara, substituindo o Eduardo Bolsonaro, o Eduardo Bolsonaro na época, chegou a postar: "Vocês acham que minha influência acabou sobre a comissão? Vocês estão muito enganados". Ou seja, ele disse para todo mundo que o Felipe Barros ia fazer o que ele, Eduardo Bolsonaro, mandasse. E o blog da Malu também apurou que o Felipe Barros usou a comissão para fazer intimidação contra todas as autoridades que investigava o Banco Master. O Filipe Barros jura que não recebeu um centavo, diz que abre o sigilo bancário dele. "Não ganhei nada do Master". O que abre para gente a possibilidade de, na verdade, ter sido o Eduardo Bolsonaro que tentou salvar o Banco Master usando o Filipe Barros, o que também estaria relacionado ao fato que esse dinheiro todo de Dark Horse passou pelos Estados Unidos por motivos insondáveis. Fecha parênteses.
Fernando de Barros e Silva: Você acha que foi dos primeiros a cantar esse caminho aí.
Celso Rocha de Barros: Desde o começo, começou a ter notícia que a Polícia Federal estava de olho nisso.
Fernando de Barros e Silva: Você estava ali com a Polícia Federal.
Celso Rocha de Barros: Viu? Exatamente. Então, se por um lado acho deprimente o Moro que de fato inspirou um monte de esperança sincera nos brasileiros, né, cara? Em 2018, se ele fosse candidato a presidente, todo voto que não fosse do PT seria do Moro. Ele era, de longe, o brasileiro mais popular durante uns dois ou três anos. Durante um ano e meio, mais ou menos, até o impeachment, o Brasil foi meio governado de Curitiba, né, cara? Ficava todo mundo esperando para ver o que a Vara de Curitiba iafazer. Quem que ia aprender? Quem que ia denunciar? Quem denunciava, caía na hora. Não tinha nenhuma benefício da dúvida nem nada. Aliás, muitos casos não era para ter mesmo. Enfim, e agora o cara terminar assim, né? Cara, passando o pano para esses caras aqui, ele, o Dallagnol, que é candidato ao Senado também lá.
Ana Clara Costa: E a Cristina Graeml também eu vi que é pré-candidata ao Senado.
Celso Rocha de Barros: Também é pré-candidata.
Ana Clara Costa: Ao Senado ali forte.
Celso Rocha de Barros: Tá animado.
Fernando de Barros e Silva: Não é nem terminar fazendo isso, né, Celso? Ele não parou de fazer isso desde...
Celso Rocha de Barros: Pois é, mas aí tem um rápido intervalo. Assim, quando ele tentou ser candidato a presidente, é fácil achar ele e o Dallagnol, criticando o Bolsonaro por fazer aliança com o Centrão, entendeu?
Fernando de Barros e Silva: Sim.
Celso Rocha de Barros: Isso se você procurar, você acha. Aí, quando ele viu que não ia ser candidato a presidente, a minha impressão que os dois partiram no princípio. Assim, a gente avacalhou na sua carreira jurídica. A gente agora é político e a gente é ruim. A gente não sabe fazer isso. Então a gente vai grudar no Bolsonaro, que é um cara que tem muito voto com o pessoal que gosta da gente, que é o pessoal que é contra o PT. A gente vai grudar no Bolsonaro e fazer o que ele mandar. Então o Dallagnol também tá nessa. Quando o Zema criticou o Flávio pelo escândalo Dark Horse. Mérito do Zema, inclusive, o Dallagnol foi lá reclamar dizendo que o partido Novo ao qual pertence tanto Dallagnol quanto o Zema, não devia se precipitar sobre isso. Que o Flávio está dando explicações, não sei o que lá. Olha quem vira garantista numa hora dessas, né? Veja só. Eu acho muito melancólico isso, cara. Onde é que terminaram Sérgio Moro e Dallagnol... E não terminaram, né? Porque o Moro tem chance razoáveis de ser eleito, embora eu acho que aqui a gente tem que ter certa cautela, porque governador popular com máquina não pode ser descartado. Então o candidato do Ratinho Júnior ainda não pode ser descartado. A gente já viu em Pernambuco, por exemplo, a Raquel Lyra, na pesquisa recente ultrapassando João Campos, que também mostra que, assim, o governador tá podendo distribuir bondades para os prefeitos do interior, entendeu? A oposição...
Ana Clara Costa: Ele está contando com isso.
Celso Rocha de Barros: Exatamente. Então o Ratinho Júnior certamente vai fazer isso maciçamente agora em diante. Não dá para cravar que o Moro vai ganhar, mas tem chance bastante grande. O Dallagnol está mais enrolado porque a pesquisa para o Senado está o Álvaro Dias, aquele ex-governador do Paraná que, aliás, foi governador há muito tempo atrás, se não me engano 87. Foi alguma coisa assim. Em primeiro lugar, com certa vantagem. Aí depois tem todo um pelotão ali no onze, dez, nove, oito. Até a Gleisi Hoffmann tá nesse pelotão. Inclusive a Cristina Graeml, que é ex comentarista da Jovem Pan, está um pouco atrás ali com 5% mais ou menos, dependendo do cenário. Mas assim a gente sempre bom lembrar da eleição do Senado desse ano, hein gente? São duas vagas. A dinâmica da eleição de duas vagas é bem diferente.
Fernando de Barros e Silva: Bem diferente e as pesquisas para Senado geralmente são muito distantes do resultado final.
Celso Rocha de Barros: Não tem como fazer essa conta. Exato. É muito complicado. Teria que fazer algum cientista político fazer um modelo, sei lá. Eu conheço muitos analistas que dizem que isso aconteceu com a Dilma quando ela foi candidato ao Senado. Ela teve bastante voto, mas o segundo voto da Dilma era para algum dos rivais dela.
Fernando de Barros e Silva: Sim.
Celso Rocha de Barros: Então, aí você perde. Então, assim, você pode estar liderando a pesquisa. Mas se o segundo voto do seu eleitor for para o cara que está concorrendo contra você e o segundo voto do seu rival não for para você, você vai perder. Então, assim, é muito arriscado. Mesmo com as melhores pesquisas na mão, você cravar quem vai ganhar o Senado. Essa aqui do Paraná eu acho completamente impossível cravar quem vai ganhar isso aqui.
Ana Clara Costa: Agora o Moro, se ele perder, ele volta a ser senador, né?
Celso Rocha de Barros: Ele volta a ser senador. É verdade.
Fernando de Barros e Silva: Eu estava pensando aqui a respeito do Moro. Idiossincrasia minha, não é esse o problema dele, é claro. Mas o Moro, ele é completamente desprovido de humor. Para mim, a pessoa desprovida de humor já tem uma, já sai lá.
Celso Rocha de Barros: Isso dá a impressão mesmo.
Fernando de Barros e Silva: Você nunca viu ele rindo. Ele é incapaz de entender uma piada, fazer uma piada, enfim, ele não tem essa dimensão humana na personalidade dele.
Celso Rocha de Barros: Que o Bolsonaro tem. Por exemplo, Bolsonaro é o cara palhaço. Um cara...
Fernando de Barros e Silva: É.
Celso Rocha de Barros: Não só involuntariamente engraçado, mas também.
Fernando de Barros e Silva: Não que ele seja melhor que o Moro, ele é horrível em outro sentido.
Celso Rocha de Barros: Não, ele é pior que o Moro. Mas ele tem esse lado.
Fernando de Barros e Silva: Eu também não iria tão longe dizer que ele é pior que o Moro. O Moro não teve chance de...
Celso Rocha de Barros: Ah, ele é pior que todo mundo, gente. Bolsonaro deve ser comparado não com outros presidentes, mas assim com a peste negra, com a epidemia de Covid, com o aquecimento global, com coisas assim.
Fernando de Barros e Silva: Tá certo. Aí você tá certo, tá certo. Bom, a gente encerra o terceiro bloco do programa. Fazemos um rápido intervalo. Na volta, vingança da Mari Faria. Kinder Ovo. Já voltamos.
Fernando de Barros e Silva: Muito bem. Estamos de volta. Mari Faria, pode soltar aí o Kinder Ovo.
Sonora: O meu maior propósito é incomodar os maus, os bandidos e aqueles que, como Gleisi Hoffmann, ficam com o cabelo.
Celso Rocha de Barros: Deltan Dallagnol.
Sonora: No Senado Federal.
Ana Clara Costa: Ah, tá tudo na pauta do dia.
Fernando de Barros e Silva: A idade já tá me prejudicand minha audição, a distância também, o sinal da internet, então, realmente é uma competição desleal, essa muito desleal.
Ana Clara Costa: Olha, o VAR!
Fernando de Barros e Silva: Chamar um VAR. Casca de Bala empilhando vitórias. Essa é da sua, da sua...
Celso Rocha de Barros: Essa era direto, né cara?
Fernando de Barros e Silva: Especialidade do Casca aqui. Pré-candidato ao Senado pelo Paraná, pelo Partido Novo, Deltan Dallagnol, em entrevista à Gazeta do Povo. Muito bem. Encerramos assim o Kinder Ovo. Vamos direto para as cartinhas para o correio Elegante. Momento de vocês o melhor momento do programa. E eu começo aqui com a mensagem do Marcelo Borba Borges: Celso e Fernando chocados com o fato de Dudu Bananinha e Flávio serem formados em Direito. Mas lembrem que Brás Cubas já cantou essa pedra no século XIX: "Cheguei à conclusão de que o Direito não devia ser coisa muito séria, uma vez que eu podia ser um doutor nesse assunto".
Celso Rocha de Barros: Oi pessoal! Dessa vez um adendo da diretora do programa que seleciona essas cartas. Na verdade, uma correção ao ouvinte. Ficamos sabendo que não se trata de um trecho de Memórias Póstumas, mas de um trecho de uma adaptação cinematográfica de Memórias Póstumas. Estava bom demais para ser verdade, né? De todo modo, valeu a piada. Um beijo.
Ana Clara Costa: O Leandro Rios escreveu: "O guia de observação de aves tem a habilidade de ouvir e identificar a vocalização das aves. Já o Celso é craque em identificar os piores nomes da política no Kinder Ovo. Bora passarinhar, Celso, e canalizar seu talento para algo mais prazeroso". Ah, isso é maravilhoso, Celso
Celso Rocha de Barros: Eu achei sensacional, mas infelizmente cada um tem seu talento na vida e o meu é essa coisa.
Ana Clara Costa: Eu adoraria esse negócio de observar.
Celso Rocha de Barros: Bom, é você, Leandro, que sabe identificar os pássaros.
Fernando de Barros e Silva: Leandro, você tá vendo que ele gosta desse negócio de ganhar Kinder Ovo, né Leandro? Você tá vendo.
Celso Rocha de Barros: Sobre a ouvinte que semana passada contou que conheceu um ouvinte do Foro em um aplicativo... Isso vai ser bom, gente! A Nádia Barbosa comentou: "Imagina a pressão do ouvinte que conheceu a moça por aplicativo e se reconheceu no comentário que ela enviou. O pobre homem deve estar tenso com a bancada querendo uma avaliação pública. Moço, se você ler meu comentário, sou psicóloga. Bora marcar uma sessão para você pegar leve nesse date?". Excelente senso de marketing, hein? Parabéns, Nádia!
Ana Clara Costa: O cara vai sair do programa com uma namorada e com uma psicóloga.
Celso Rocha de Barros: Só vantagem.
Ana Clara Costa: Os homens realmente tem sorte, né?
Fernando de Barros e Silva: Tá muito bom esse Correio Elegante, utilidade pública. Assuntos variados. Resolvemos qualquer problema aqui.
Fernando de Barros e Silva: Exato.
Fernando de Barros e Silva: É isso. Então, o que é bom, acaba logo. O que não é tão bom, também acaba. A gente vai encerrando assim o programa de hoje. Se você gostou, não deixe de seguir e dar five stars pra gente. O Spotify segue no Apple Podcast, na Amazon Music. Favorita na Deezer e se inscreva no YouTube. Você também encontra a transcrição do episódio no site da piauí. Foro de Teresina é uma produção do Estúdio Novelo para a revista piauí. A coordenação geral é da Paula Scarpin. A direção é da Mari Faria, com produção e distribuição da Maria Júlia Vieira. A checagem é da Ethel Rudnitzki, a edição é da Mariana Leão e do Paulo Victor Ribeiro. A identidade visual é da Amanda Lopes. A finalização e mixagem são do João Jabace e do Luís Rodrigues, da Pipoca Sound. Jabace e Rodrigues também são os intérpretes da nossa melodia tema. A coordenação digital é da Bia Ribeiro, da Emily Almeida e do Fábio Brisolla. O programa de hoje foi gravado aqui na minha Choupana, em São Paulo, e no Estúdio Rastro, do grande Danny Dee, no Rio de Janeiro. Eu me despeço dos meus amigos. Tchau, Ana.
Ana Clara Costa: Tchau, Fernando! Tchau, pessoal.
Fernando de Barros e Silva: Tchau, Celso.
Celso Rocha de Barros: Tchau, Fernando. Tchau, amigos. Até semana que vem.
Fernando de Barros e Silva: É isso, gente! Uma ótima semana a todos e até semana que vem.