COM STF, COM DARK HORSE, COM TUDO

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Semanalmente, os apresentadores mencionam as principais leituras que fundamentaram suas análises. Confira:

Conteúdos citados neste episódio:

"Em cartaz, a caixa-preta", reportagem de Breno Pires para a piauí.

“Flávio usou imóvel que pertenceu a cunhado de Vorcaro”, reportagem de Ana Clara Costa e João Batista e Breno Pires para a piauí.

"Nunes Marques foi alvo de pedido sigiloso de investigação da PF em 2024", coluna de Lauro Jardim para O Globo.

"PF: Eduardo e Flávio pediram reunião com Vorcaro em dia de mudança aos EUA", reportagem de Letícia Casado para o Uol

"Cunhado de Vorcaro vendeu imóvel com deságio de R$ 2 milhões a advogado alvo da PF em fraude no INSS", reportagem de Lucas Marchesini para a Folha.

"A viúva de Gal Costa", reportagem de Thallys Braga para a piauí.

"Tragédia no parque", esquina de Thallys Braga para a piauí.

"Nosso mundo", relato de Thallys Braga para a piauí.

Momento Cabeção: 

No “Momento Cabeção”, quadro em que os apresentadores indicam livros, filmes, podcasts e documentários aos ouvintes, eles sugeriram os seguintes conteúdos:

Celso: Brizola: Vol. 1: Lobisomem contra o império, livro de Karla Monteiro. 

Ana: Filho, livro de Thallys Braga.

Fernando: Impasse: O Brasil diante da onda reacionária, livro de André Singer.

TRANSCRIÇÃO DE ÁUDIO


Sonora: Rádio piauí.

Fernando de Barros e Silva: Olá, sejam muito bem-vindos ao Foro de Teresina, o podcast de política da revista piauí.

Sonora: É impressionante a desfaçatez desse sujeito! A desfaçatez de Vossa Excelência! Ministro André. Me respeite! Ministro André. Não estou chorando, não. Ministro Fachin. Aqui não tem choro não.

Fernando de Barros e Silva: Eu, Fernando de Barros e Silva, da minha casa em São Paulo, tenho alegria de conversar com os meus amigos Ana Clara Costa e Celso Rocha de Barros, no Estúdio Rastro, no Rio de Janeiro. Olá Ana, bem-vinda!

Ana Clara Costa: Oi, Fernando! Oi, pessoal!

Sonora: Vossa Excelência está assistindo a isto há horas que está transformando o Supremo nas próximas semanas, quiçá meses, neste debate.

Fernando de Barros e Silva: Diga lá, Celso Casca de Bala.

Celso Rocha de Barros: Fala aí, Fernando! Estamos aí mais uma sexta-feira.

Sonora: O que ele tem que explicar é cadê os 130 milhões que ele pegou do Vorcaro para o filme do seu pai, aquele filme mequetrefe.

Fernando de Barros e Silva: Mais uma sexta-feira e antes dos assuntos da semana, um recadinho para os assinantes da piauí: na próxima terça-feira, dia 22, a partir das sete da noite, 19h, vai ter mais uma edição do Clube de Leitura da piauí. A reportagem dessa vez, trata da relação entre Lula e Zé Dirceu e se chama "Duas Faces". É assinada pela nossa incansável Ana Clara e está na edição deste mês de setembro da revista. Quem vai conversar com a Ana é ninguém menos que o Casca de Bala.

Celso Rocha de Barros: É eu!

Fernando de Barros e Silva: Autor, entre muitas outras coisas, do livro "PT, uma história". Os ingressos presenciais estão esgotados, mas você, querido assinante, pode acompanhar acessando um link que chegará por e-mail e pode ter mais informações no site da piauí. Agora sim, convite feito, sem mais delongas aos assuntos da semana. O assuntão da semana é a fratura exposta do Supremo Tribunal Federal, que se escancarou na última terça-feira ao longo do dia, na sessão que foi, sob todos os aspectos, lamentável, preocupante, desoladora e reveladora. Eu fiquei pensando qual seria a síntese do que assistimos e o que me ocorreu foi uma frase do saudoso professor Ruy Fausto, segundo a qual o que cada um diz do outro é verdade, mas não o que cada um diz de si mesmo. Excetuando-se a ministra Cármen Lúcia, a frase é um ótimo resumo do estado das coisas no Supremo. Os marmanjos de toga falaram muitas verdades sobre seus pares e adversários, mas não sobre si mesmos. A sessão entra para a história como um dos dias mais infames do Supremo e deixa como saldo, além da exposição da crise sem precedentes do Tribunal, uma interrogação sobre o que se fará com as relações flagrantemente impróprias e provavelmente criminosas entre alguns dos senhores ministros e o pilantra número um da República, Daniel Vorcaro. Como se sabe, a reunião foi marcada por Edson Fachin para que o plenário votasse se Alexandre de Moraes deveria ou não ser investigado. São conhecidas as mensagens que ele recebeu do ex-banqueiro, o contrato de 130 milhões que o escritório de sua mulher, etc, etc. Mas isso nem sequer chegou a ser tratado. A reunião se arrastou entre chicanas, trocas de acusações e intervenções patéticas nas questões de ordem, como eles dizem. Por seis horas, os ministros discutiram se o caso de Moraes deveria ser analisado junto com o de André Mendonça, cuja atuação como relator do caso Master está sob grave suspeição. A anomalia da situação começava pela participação do próprio Moraes numa votação que tinha a investigação de sua conduta como objeto. A essa anomalia se somaram outras tantas. Toffoli balbuciou algumas palavras e se declarou suspeito por razões de foro íntimo, para participar da decisão. Por enquanto, ele e seu Tayayá de foro íntimo estão se safando. Nunes Marques também inventou uma desculpa esfarrapada, o fato de presidir o TSE, e pulou fora. O motivo real era outro. Mensagens vazadas no celular de Vorcaro indicavam que o filho do ministro, Kevin Marques estava na folha de pagamentos extravagantes do ex-banqueiro. Flávio Dino e Gilmar Mendes dividiram a ofensiva do grupo, que estava disposto a tudo para proteger Moraes. Conseguiram. Depois de se dirigir a Fachin para chamar a condução da sessão de desastrosa, Dino pediu vistas e adiou a decisão, provavelmente para depois das eleições. Nos dias seguintes ao teatro ruim encenado no plenário do Supremo, prevaleceu a leitura de que a candidatura de Flávio Bolsonaro saiu beneficiada. Justamente ele, o amigo de Vorcaro, o candidato para quem o vigarista do Master destinou milhões, quase 70 milhões de reais, para financiar as movimentações da família, para sabotar o processo político e, digamos logo, a democracia no país. Este é o filme real que Vorcaro ajuda ou ajudou a viabilizar. Dark Horse é uma fachada como aquela loja da Kopenhagen em que Flávio tinha. O candidato do PL está tão convicto de que será eleito, que já anunciou que terá cinco novos ministros do Supremo para indicar em seu mandato. A conta inclui o impeachment de Moraes como fato consumado. Lula, por sua vez, defendeu a apuração das denúncias e disse que ninguém está acima da lei. Cobrou ainda de Fachin responsabilidade de não permitir que isso atrapalhe o processo eleitoral. Tarde demais provavelmente. A captura do Supremo como assunto e escândalo central do debate político a duas semanas da eleição e uma vitória da extrema direita. De tudo isso a gente vai falar nos dois primeiros blocos. No terceiro, a gente volta para o escândalo que cerca Dark Horse. Pressionado por Fachin, André Mendonça levantou na sexta-feira passada o sigilo do inquérito sobre o financiamento do filme sobre a vida de Bolsonaro. Confirmou-se então, o que a piauí já havia revelado em julho. Flávio Bolsonaro está sendo formalmente investigado por lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção ativa e passiva. Em seu parecer sobre o caso, o procurador geral da República, Paulo Gonet escreveu: "Há indícios consistentes da prática de condutas ilícitas narradas pela PF, sendo necessário o aprofundamento da investigação para melhor valoração das hipóteses cogitadas". Em outra frente, Flávio Dino puxou para si - avocou, como se diz em jargão-, as investigações conduzidas pela polícia de São Paulo sobre os contratos públicos suspeitos de desvios envolvendo a produtora Karina Gama, apura-se se recursos de um contrato do programa WiFi Livre, em São Paulo, com a prefeitura do bolsonarista Ricardo Nunes, e dinheiro das emendas parlamentares foram parar na caixa-preta de Dark Horse. A gente vai esmiuçar tudo isso. É isso. Vem com a gente.

Fernando de Barros e Silva: Muito bem. Ana Clara, tem muito assunto. Tivemos a nossa super-terça, como tem nos Estados Unidos essa super-terça eleitoral, tivemos a nossa super-terça infeliz.

Ana Clara Costa: Foi nossa terça de Halloween.

Fernando de Barros e Silva: Vamos começar por ela. Você acompanhou e apurou muitas coisas.

Ana Clara Costa: Fernando, é difícil resumir aquela terça-feira porque ela significa, de certa forma, a morte do Supremo como conhecemos. O que se deu ali naquele dia só aprofunda esse caminho de falta de legitimidade que o Supremo está percorrendo já tem algum tempo. Mas eu queria tentar aqui, sem nenhuma arrogância, falar um pouco do que está um pouco abaixo da superfície daquela terça-feira, que eu acho que talvez falando do que está um pouco abaixo da superfície, a gente consiga entender melhor a superfície. O que que foi tudo aquilo, né? É uma disputa dentro da correlação de forças no STF. Acabou tendo impacto eleitoral, sim, mas esse não é o objetivo principal daqueles senhores naquele momento. Eles estão pensando um pouco mais a curto prazo. Bom, a gente tem esse grupo que a gente falou aqui muitas vezes já, que é o do Gilmar, do Alexandre de Moraes, do Cristiano Zanin e do Flávio Dino. E você tem o grupo do André Mendonça, do Cássio Nunes Marques e do Fux. E você tem o Fachin e a Cármen Lúcia, que não tem uma posição clara, que são mais independentes, digamos, e podem se movimentar ali de uma forma não muito previsível. E tem o Toffoli, que se declarou impedido no caso principal, de que se trata essa terça-feira, que foi o caso Master. Existe uma deterioração das relações dentro do Supremo, que a gente pode ver desde que houve a decisão do Supremo de apoiar o Toffoli naquela questão da relatoria. Mas um apoio, na verdade, falso. Foi só um apoio público para que ele não saísse da relatoria tão derrotado. Então eles negociaram ali uma nota em que todos eles chancelavam o Toffoli, mas em troca ele sairia da relatoria. E naquela ocasião, todos os ministros sabiam o que estava acontecendo no Supremo. Eles tiveram informação do que havia sobre o Toffoli. Já havia indícios do que havia sobre o Alexandre de Moraes, a suspeita já estavam ali e todos eles ali bancaram o Toffoli. Toparam encerrar o assunto quando o caso muda de relatoria e vai para o André Mendonça e ele fica com o Master e com o INSS, ele passa a ter a dimensão do tamanho da bomba e ele começa a operar com isso. Sobretudo nas últimas semanas, isso ficou muito claro, né? Então ele rompe aquela unidade que o Supremo tinha formado em torno de abafar o que houvesse sobre qualquer ministro do Supremo em relação ao Master, porque foi isso que aconteceu no Toffoli e ele rompe essa unidade. E aí as razões são múltiplas. Tem a questão eleitoral, tem a questão ideológica. Nos bastidores, ele é cobrado pelo bolsonarismo a ajudar. Ele não rompeu laços com o bolsonarismo de forma alguma.

Fernando de Barros e Silva: Eu nunca me esqueço da comemoração da Michelle Bolsonaro quando ele foi aprovado pelo Senado. Falando em em línguas, lá em Glossolalia. E, depois, agora, recentemente, quando ele já estava nesse bate com o Alexandre de Moraes, eles participando de cultos e sessões online evangélicas, agradecendo o apoio, etc.

Ana Clara Costa: Sim, participou de eventos públicos, agradecendo o apoio.

Fernando de Barros e Silva: O vínculo dele com o bolsonarismo e com a Michelle é enorme.

Ana Clara Costa: Pois é, ele enxerga nessa situação um caminho para ele, né? E aí ele acaba mudando a correlação de forças ali dentro. E você tem uma reorganização política dentro do Supremo naquele momento, que é o apoio ao André Mendonça na condução do Master e do INSS, acaba, de certa forma, mimetizando um apoio ao Flávio. Ou seja, você tem o Fux e o Kássio que estão junto com ele e o grupo opositor - não necessariamente é porque apoia o Lula-, mas certamente não apoia o Bolsonaro e não apoia que se investigue nada a respeito do Master. Não que o Kássio Nunes Marques deseje que se investigue, mas aparentemente havia o acordo com André Mendonça, tanto que nada do Kássio Nunes Marques foi divulgado. Isso só foi vazado de forma totalmente orquestrada na terça-feira. Isso foi vazado justamente para constranger o Kássio. Então se formou um outro grupo ali dentro, com interesses também políticos, né? E o André Mendonça fez o que ele fez. Expôs o Alexandre de Moraes. Poupou os outros, justamente os que são do grupo dele. E esse órgão que a gente achava até então, de certa forma, inatingível, ele rapidamente sucumbe, né? Isso despertou no grupo do Gilmar, sobretudo, um senso de preservação, de sobrevivência muito grande, muito maior do que a consternação pelo que ficou público sobre o Alexandre de Moraes. Então, para eles é muito mais importante sobreviver do que o Alexandre ser punido ou enfim, dar o exemplo, ou isso é o de menos para eles. E aí você tem outros ingredientes nessa equação que não são necessariamente tangíveis: as inimizades entre eles. Você tem ressentimentos que acabam turbinando esses ânimos. O André Mendonça, ele sempre foi, de certa forma, menosprezado pelo Alexandre de Moraes, pelo Gilmar e tal, pelo comportamento dele. Ele sempre foi um cara mais isolado, né? De fato, é o único ministro evangélico. Enfim, ele tinha uma conduta ali meio diferente dos outros. E embora o Supremo seja um grupo de distintos senhores, é tudo meio quinta série. Então o cara que é um pouco diferente ali acaba sendo meio alvo de bullying, né? O Kássio também nunca foi um grande participante da turma por N razões assim. Milhares de razões, né? Ele nunca fez parte de uma certa elite jurídica ali, ele tinha uma péssima fama Quando ele foi indicado pelo Bolsonaro e juntando a má fama com a falta de lastro intelectual e jurídico, ele não estudou na Alemanha como Gilmar. Ele não veio da USP.

Fernando de Barros e Silva: Ele dá impressão de entender tanto do mundo do direito quanto eu entendo de física quântica.

Celso Rocha de Barros: Deu para ver na reunião. Ele apanhava muito também. Os caras tinham mais retórica e mais instrumento jurídico para bater nele.

Ana Clara Costa: Exato. Exato. Enfim, ele não era.

Celso Rocha de Barros: Ele é meio ruim, né?

Ana Clara Costa: Ele não era um membro da turma, né? Ele não veio do mesmo lugar. Então eu tô falando essas nuances porque elas importam dentro do que aconteceu na terça-feira. Tem várias cores aquilo que aconteceu. Não é só preto no branco, essa disputa Master, André Mendonça, Flávio Bolsonaro, Lula. E com o Kássio especificamente, eu acho que teve uma situação ali que ele foi espezinhado. Não foi só que ele foi exposto. Supostos repasses que o Vorcaro tenha feito para ele, que estão nos vazamentos daquele dia. Para além disso, o Gilmar divulgou conversas com Kássio. Só pode ter sido Gilmar, porque a conversa era de duas pessoas. Uma dessas pessoas seria altamente prejudicada por esse vazamento e a outra não. Quem vazou, né? Então, assim, tudo leva a crer que foi o Gilmar que vazou aqueles prints. E não é todo mundo que tem acesso ao WhatsApp de um ministro do Supremo para pegar.

Celso Rocha de Barros: Espero que não.

Ana Clara Costa: Né? E fazer isso por ele, então, assim, supõe-se que tenha sido ele que tenha vazado de uma forma assim até meio cruel, para espezinhar, para pisar em cima do Kássio mesmo, para dizer "eu avisei para você não fazer isso". Teve uma dose ali de Maquiavel naquelas prints que foram vazadas, né? Eles tem também uma divergência no campo das bets. O Kássio se tornou muito próximo em determinado momento daquele Fernandin OIG que a gente já falou aqui milhares, mais do que a gente gostaria de falar. Exato. Ele já pegou carona no jatinho do Fernandin. E o Gilmar ali, a CBF, para qual Gilmar tem um olho muito cauteloso e diligente, ela prefere outras bets, tem outras bets muito maiores, muito mais importantes que a CBF tem contrato muito melhor. Então tem uma divergência no campo das bets. O Lauro Jardim revelou essa semana que o Kássio foi alvo de um pedido de investigação da PF em 2024 e esse pedido foi feito em sigilo e o Zanin pediu o arquivamento do caso por recomendação da PGR. Só se soube essa semana. Essa semana tudo sobre o Kássio veio a tona, né? Curioso isso.

Fernando de Barros e Silva: E Ana, lembrando que originalmente a defesa do Vorcaro, quando pediu que o caso fosse para o Supremo, indicou o Kássio porque supostamente ele já estava tratando de assuntos conexos, etc. O Fachin é que rejeitou e colocou para sorteio e daí caiu com o Toffoli. Sempre bom lembrar.

Ana Clara Costa: Muito bem lembrado. Então, parte da performance do Gilmar naquela terça também tem a ver com essas desavenças internas, né? E aí, diante desse cenário, a gente chega na sessão em que os ministros desse grupo, do Gilmar, do Dino e tal, eles tinham só um objetivo que era pedir vista. Só isso que eles queriam. Mas para pedir, vista assim, na lata, seja chegar e pedir vista numa sessão de tanta repercussão e tal, fica meio feio, né? Precisa de um contexto. E aí a jogada do Gilmar com o Dino fica muito clara, porque o Gilmar foi lá e se exaltou, interrompeu o Mendonça, gratuitamente ofendeu o Mendonça. O Mendonça caiu como um pato e se exaltou de volta. Armou-se uma confusão e o Dino tinha o argumento dele para pedir vista, né? E ainda o Fachin ficou naquela situação lamentável, totalmente refém dos ministros que estavam lá. Ele não teve o pulso de definir a ordem das coisas. E aí eles conseguem, finalmente, com esse argumento- que não sei, para mim não colou. Não colou esse argumento de que "estão muito exaltados, eu vou pedir vista". Para mim ficou claro que era uma estratégia. Ela foi muito orquestrada. Inclusive eu tenho uma apuração disso que o Pedro Tavares, repórter da piauí, estava na sessão do Supremo. E aí vocês se lembram que a ministra Cármen Lúcia tomou a palavra logo depois dessa situação e falou que aquilo era uma vergonha e tal... E enquanto a ministra Cármen Lúcia falava no início da fala dela, o Pedro notou, o Gilmar e o Dino saíram do plenário e foram para uma salinha de apoio aos ministros. Então, enquanto ela estava falando aquilo da vergonha e de como aquilo tudo era lamentável, eles não estavam nem ouvindo. E ouviu-se daquela salinha risos e risos de homens numa salinha onde só estavam os dois e os ajudantes. Não se sabe se os risos foram deles, mas vale notar aqui a percepção do Pedro.

Celso Rocha de Barros: Não é bonito.

Ana Clara Costa: Dessa situação deles terem saído justamente quando a ministra Cármen Lúcia tomou a palavra. Aí, falando da ministra Cármen Lúcia também, a fala dela foi muito bem colocada sobre todo o absurdo daquela sessão e tal. Mas assim, eu acho que vale dizer que ela teve vários momentos que ela poderia ter interrompido aquela situação toda. Ela poderia ter tomado a palavra para dizer que eles estavam se exaltando ou ter manifestado qualquer coisa ao longo da sessão. E ela também não falou nada. Deixou o negócio rolar solto ali para dizer que no final tudo foi lamentável. Enfim, não é uma crítica a ela, mas ela, por ser mulher, a única mulher. Por ser muito respeitada, ela é respeitada, exceto quando eles interrompem muito ela, porque isso acontece bastante. Mas, exceto nesses momentos, ela é respeitada pelos ministros. Então ela poderia ter levantado a voz ali em algum momento para colocar ordem na casa, já que o Fachin aparentemente não tem essa característica. Mas ela não fez. Então, só notando aqui um comportamento da ministra e o Fachin claramente não teve condições de conduzir a sessão. Ele não colocou ordem quando foi preciso. Ele não se defendeu quando foi atacado ou se defendeu de uma forma talvez incompreensível.

Celso Rocha de Barros: Ainda bem que você falou incompreensível, porque eu não compreendi e achei que eu era que estava...

Ana Clara Costa: Teve uma que ele falou me sinto destinatário de uma aleivosia, vinculando minha defesa de avocatória.

Celso Rocha de Barros: Pois é, sei lá o que isso quer dizer, gente.

Ana Clara Costa: Isso foi a defesa dele que ele disse para o Dino.

Celso Rocha de Barros: Então tá bom.

Ana Clara Costa: O Jota que destacou essa frase. Assim, né? Não dá. E assim ele parece não ter o perfil para colocar um freio de arrumação naqueles homens, né? A impressão que a gente tem. E, por último, lembrando que nessa sessão, como o Fernando falou, na escalada, nenhum momento se discutiu o mérito de eles estarem ali, né? Toda vez que o André Mendonça tentou trazer o tema do mérito para discussão, ele foi achincalhado pelo Gilmar. O Alexandre de Moraes estava lá, na posição absurda de votar a própria sorte. Ele não deveria poder votar naquela sessão. Ele poderia estar ali para falar, para se defender, explicar pelo menos, né? Em nenhum momento ele se explicou. Dois momentos que eu achei surreais, que era um momento eles estavam culpando a PF por tudo e no outro momento eles estavam culpando o Fachin por tudo. Então, transformaram a discussão numa discussão processual em que a grande questão não foi tocada. Então as pessoas saíram daquela sessão com o sentimento de frustração muito grande e de desconforto, para dizer o mínimo, e indignação para dizer em outras palavras, né? Infelizmente, para eles, a sessão é transmitida. É como se quem estivesse assistindo tivesse ali sendo feito de trouxa, né? Foi mais ou menos isso. E aí, em determinados momentos eles usam o argumento da "não, porque os Estados Unidos", na verdade estão torcendo para os Estados Unidos fazerem alguma coisa contra o Brasil, porque isso os beneficia. "Já que o Brasil está sendo atacado, a nossa soberania, a gente precisa estar unido. O Supremo precisa estar forte". Então eles, no fim, eles estão torcendo muito para que os Estados Unidos de fato faça alguma coisa, porque é a chance deles de recuperarem um certo controle da situação. E por isso eles estão usando esse argumento dos Estados Unidos com alguma frequência. Então, assim, se viesse uma Magnitsky agora ia ser um presente para o Supremo, nesse momento.

Fernando de Barros e Silva: A Magnitsky daria um verniz de seriedade ou de gravidade para o espetáculo patético que eles protagonizaram essas manobras protelatória ali e tal. Celso, eu quero te ouvir sobre a sessão.

Celso Rocha de Barros: Bom, Fernando, o quadro geral é esse mesmo que a Ana falou, com bastante nuances e sutilezas. Foi um espetáculo bastante deprimente. Foi uma tarde para ser esquecida. Muita gente na expectativa de que acontecesse alguma coisa que sinalizasse um movimento de autoaperfeiçoamento da instituição. Que o Fachin pudesse falar: "Não, vamos pelo menos começar uma investigação com o Alexandre de Moraes. Se a investigação não descobrir nada, não descobriu. Mas precisamos, pelo menos, dar uma satisfação para o público". "Vamos investigar se o André Mendonça estava mesmo tentando ganhar a eleição para o Flávio aqui com esses vazamentos seletivos". "Vamos botar uma certa ordem na casa". Não aconteceu absolutamente nada disso. Inclusive, uma coisa que eu acho meio chocante é que nem o mérito dessas coisas foi discutido. Assim, quer dizer, ficou naquele negócio lá, várias intervenções completamente sem nada a ver com nada, né cara? Vários assuntos trazidos ali que não era o momento para trazer. Tipo, você está fazendo uma discussão sobre a questão de ordem, sobre julgar os dois assuntos ao mesmo tempo. E aí você sai numa digressão sobre, sei lá, sobre a PF ou sobre os Estados Unidos. Claramente manobras protelatórias, manobras para atrasar o negócio. De modo que, enfim, quem foi assistir essa sessão do STF para ver se melhorava a imagem da instituição saiu bastante decepcionado. Obviamente, foi um dia de glória para quem quer fechar o STF, para os caras que, enfim, tem esse discurso golpista. Agora eu acho que a gente tem que tomar bastante cuidado aí na hora de analisar esses blocos e a atuação de cada um dos ministros. Primeiro, a mesma galera que estava propondo a operação Abafa Master, afeta todos os lados do espectro político igualmente, agora está propondo uma nova operação que é André Mendonça é um santo que quer investigar o negócio todo e os outros caras são os picaretas que querem promover a impunidade. Quase todo mundo é um picareta que quer promover a impunidade, entendeu? Não é essa a divisão do negócio. As possíveis exceções aqui são Fachin, que bem ou mal tentou fazer a sessão, tentou fazer ali alguma coisa, tem tentado promover a implantação de um código de ética. E não é só nessa crise não. Já vinha desde que ele entrou no Supremo, ele vem tentando fazer medidas para moralizar, etc. E a Cármen Lúcia, que justamente foi a única pessoa que no final foi lá e manifestou sua vergonha com relação àquele quadro todo. Do resto, se você quiser achar um herói aí, meu amigo, se você achar, você realmente merece um aumento de salário aí dos caras que querem promover o Mendonça. Porque basta você olhar para a divisão dos 4 a 4, os quatro votos e você vai ver que no lado do Mendonça, dentre os caras que se abstiveram, você vai ter o Kássio Nunes que tá enroladíssimo no Master. O Mendonça não tá com essa barra limpa toda, tem muito contato ali dele com o Vorcaro que precisa ser explicado.

Ana Clara Costa: É, o instituto dele.

Celso Rocha de Barros: O instituto dele, assim, para quem costuma acompanhar essas coisas de STF de escritório que contrata o filho do ministro para advogar no Supremo, essas coisas. Esse instituto do Mendonça é uma manobra clássica para fazer esse tipo de coisa. E o Fux, que também tem o filho lá citado como prestando serviço para o Master, também está do lado do Mendonça. Então, só isso já serve para você ver que isso não é uma briga entre os caras que defendem a apuração e os caras que defendem a impunidade. O pessoal que defende a apuração de fato, que é a Carmem, o Fachin votou junto com os caras que querem uma pizza que não salve o Xandão, porque isso favorece o candidato deles, que é o Mendonça e o Fux, que são os candidatos bolsonaristas. O Fux, desde a aplicação da Magnitsky contra o Alexandre Moraes, faz qualquer coisa que os Estados Unidos queiram, que a extrema direita queira. Ele vai lá assistir o programa do Paulo Figueiredo, vê o que é para fazer e vota no Supremo. Foi assim que ele votou no julgamento do Bolsonaro.

Fernando de Barros e Silva: Exato. O Fux, inclusive, está involuntariamente aderindo a essa glossolalia, essa língua incompreensível, cada vez menos compreensível o que ele fala também esquisito.

Celso Rocha de Barros: Realmente esquisito, realmente a dicção do Fux está meio estranha.

Fernando de Barros e Silva: Seja na forma e no conteúdo.

Celso Rocha de Barros: Exato. Exatamente. Então assim, vê bem o histórico de quem tá te tentando vender a história de que o Mendonça é o justiceiro dessa história. Vê o que que os caras estavam dizendo sobre que lado era mais afetado pelo Master, vê qual era a posição dos caras sobre moderação de Tarcísio, vê o que que os caras andaram fazendo nesses últimos anos, entendeu? E aí você vai ver de onde tá saindo essa história do Mendonça justiceiro. São os mesmos caras que já chegaram no 7 de setembro com um boneco do Mendonça. Então, isso é mutreta, isso é picaretagem. Todas as pessoas que estão defendendo a tese do justiceiro, estão fazendo isso por picaretagem. Não é aqui uma briga dos bonzinhos contra os mauzinho. É os caras que querem proteger o Xandão e os caras que querem proteger todo mundo, menos o Xandão.

Ana Clara Costa: É, proteger o Alexandre significa proteger a eles próprios.

Celso Rocha de Barros: É proteger o STF. Se você for ver até agora - Deus me livre botar a mão no fogo por quem quer que seja - . Mas até agora, pelo menos o Gilmar, o Zanin e o Dino que votaram junto com Xandão não estão diretamente envolvidos com o caso Master, mas eles estão querendo defender basicamente o corporativismo do STF. Se você pegar a gente diretamente envolvido com Master, tem mais gente do outro lado que o pessoal está apontando como o lado que quer investigação. Então, olha só, cuidado com essa mutreta de dividir essa briga entre justiceiros e defensores da impunidade. Isso é sacanagem.

Fernando de Barros e Silva: Como disse a Ana a respeito da motivação no curto prazo dos ministros, eu penso que tem uma diferença entre eles que de fato, o Gilmar e o Moraes estão sim mais preocupados em salvar o grupo. E a motivação principal é corporativa e no caso do Moraes, é defesa de si próprio. No caso do Zanin e do Dino, eu penso que tem um mix de motivações. Evidentemente, eles estão preocupados com a eleição do Lula e fazem um cálculo errado, a meu ver, entre salvar o Moraes e salvar o Lula. Eles querem salvar os dois. Possivelmente vão perder os dois. E a democracia.

Celso Rocha de Barros: É possível.

Fernando de Barros e Silva: Entre salvar o Moraes e salvar o Lula, a conta é muito grande. Você tem que escolher aí.

Celso Rocha de Barros: Não. Concordo com você. Assim, o saldo todo aqui é muito ruim para a democracia e é muito bom para quem é adversário da democracia. E é meio constrangedor que uns setores aí que costumavam dizer que estavam a favor da democracia, estão fazendo o jogo do pessoal que é contra a democracia nesse caso, para proteger outros acusados do Master. Então, enfim, um dia péssimo para a institucionalidade brasileira, para a Constituição brasileira, para o legado da Constituição de 88, que a gente mal calcula ainda quais vão ser desdobramentos. Vamos falar disso agora, no próximo bloco.

Fernando de Barros e Silva: Exato. Reforçando o que você falou sobre o Mendonça, lembrar que ele elege o Moraes como alvo para dar visibilidade. Como disse a Ana Clara no começo, desde a da suspeição do Toffoli, ele se sentou em cima porque ele virou relator. Ele poderia ter reaberto o caso diante das muitas evidências de que o Toffoli está enrolado. Ele não faz nada sobre o Nunes Marques, nada sobre ninguém. Então, além do envolvimento dele no Instituto, etc. O comportamento dele na condição de ministro relator é muito suspeito. E Gilmar Mendes tem razão no caso quando fala da coincidência de datas da véspera, 7 de setembro. A Ana já tinha falado disso no programa passado. O Gilmar Mendes erra na forma. O conteúdo está certo. Ele erra na forma porque ele é truculento.

Celso Rocha de Barros: É, a sua citação ao Ruy Fausto foi perfeita. Todo mundo falou a verdade sobre o outro na reunião e ninguém falou a verdade sobre si mesmo. E mais uma coisa para dizer sobre o Mendonça é o seguinte: se o Mendonça ganha essa eleição para o Flávio, o Flávio vai ter 200 vagas para encher no STF, contando as vagas que já tem por direito e as vagas decorrentes de impeachment que eles vão fazer. E o Mendonça certamente vai ser uma peça chave para indicar esses nomes. Ele vai chegar no governo Flávio dizendo: "Olha só, eu te elegi, cara, eu te elegi com um escândalo em que você estava envolvido, então você vai ter que me ajudar aqui". Então o Mendonça também tá de olho na possibilidade de ganhar um poder gigantesco dentro do Supremo se o Flávio ganhar a eleição.

Ana Clara Costa: Mas é totalmente isso.

Celso Rocha de Barros: Pois é.

Fernando de Barros e Silva: A gente está diante de um cenário que a gente vai ter saudade dessa terça-feira horrorosa, terrível, tenebrosa.

Celso Rocha de Barros: Porra! Pior que é possível mesmo.

Fernando de Barros e Silva: Corremos o risco disso. Me entendam, hein, ouvintes? É com grão de sal essa frase. Com ela, eu encerro o primeiro bloco do programa. A gente faz um rápido intervalo. Vamos continuar falando das implicações políticas de como reagiram as candidaturas e o meio político a sessão de terça. Já voltamos.

Fernando de Barros e Silva: Muito bem. Estamos de volta. Olha, nós estamos de volta e acho que a gente vai continuar de onde vocês pararam. De onde o Celso parou, de onde você tocou a respeito do poder do André Mendonça num eventual - eu tenho dificuldade até de falar governo Flávio, porque acho que essas coisas não combinam. Falar desgoverno também é insuficiente. No atual ***, governo Dark Horse. Vamos lá.

Ana Clara Costa: Eu acho que o tema continua sendo a correlação de forças. E aí eu volto num assunto que a gente já tratou aqui milhares de vezes, que é a indicação do Messias para a vaga. Isso ainda não foi digerido. Essa derrota do governo. E o Messias, em razão da aproximação dele com o André Mendonça na época da indicação. Essa turma do Supremo hoje o vê como um inimigo.

Fernando de Barros e Silva: A turma do Moraes vê no Messias um adversário.

Ana Clara Costa: Exato. Mas o Messias é um assessor de confiança do Lula. Então, assim, você imaginar que o Messias estaria fazendo o jogo do André Mendonça. Pode ser que esteja, não sei. Mas, é, as coisas não casam, né? Você acha que o Messias seria uma indicação do Flávio Bolsonaro para o Supremo só porque o André Mendonça gosta dele? Porque ele é evangélico?

Fernando de Barros e Silva: Não dá para saber. Mas as motivações têm camadas, como você mesma disse.

Ana Clara Costa: Exato.

Fernando de Barros e Silva: Existe o principal, que é o que todo mundo está vendo, que é a eleição presidencial. Nem todo mundo está vendo, mas que é o ponto de fuga disso tudo. Mas existem essas motivações que também não podem ser desconsideradas.

Ana Clara Costa: Pois é. E diante dessa divisão que acabou acontecendo no Supremo, o Messias era visto por essa turma como alguém que iria automaticamente entrar na cota do André Mendonça, que ele não seria alguém com quem o Alexandre de Moraes ou o Dino, etc poderiam contar. Então, voltando a isso, eles atuaram junto com o Davi Alcolumbre para impor aquela derrota ao governo para que o governo não conseguisse indicar o Messias. Indiretamente, essa atitude deles, que tinha como objetivo algo de curto prazo, que era "não podemos aumentar o poder do Mendonça aqui no Supremo porque ele tá querendo implodir tudo, tá querendo atacar o Alexandre", etc. Eles acabaram entregando uma vaga para o Supremo, para o próximo presidente, que pode não ser o Lula, e não sendo o Lula, o próximo presidente da República, esse presidente vai ter essa vaga, ele vai ter pelo menos duas vagas de ministros que vão se aposentar, que são Fux e a Cármen Lúcia e o Gilmar Mendes que se aposentaria em dezembro de 2030, poderia negociar a antecipação da aposentadoria dele para entregar essa vaga para o Flávio, caso fosse conveniente para o Gilmar até lá.

Fernando de Barros e Silva: A aposentadoria do Fux, salvo engano em 2028, e da Cármen Lúcia no ano seguinte.

Ana Clara Costa: Exato.

Fernando de Barros e Silva: Seriam essas vagas, mais a vaga que está aberta e mais a vaga do Xandão.

Ana Clara Costa: E mais a possibilidade de haver o impeachment do Alexandre de Moraes ou de algum outro ministro Toffoli. Não sei.

Celso Rocha de Barros: Se eles conseguirem maioria no Senado, eles vão pichar qualquer um que seja contra os projetos deles.

Fernando de Barros e Silva: Se esse infeliz virar presidente da República e impichar o Toffoli, vai ser uma ingratidão enorme porque o Toffoli...

Celso Rocha de Barros: Não. Toffoli tá tranquilo.

Fernando de Barros e Silva: Arquivou justamente o caso das rachadinhas.

Ana Clara Costa: E o Gilmar também arquivou a investigação sobre o Flávio específica. Foi o Gilmar Mendes que arquivou. Então estou dizendo isso para falar que eles se movimentaram nessa terça-feira pensando nesse projeto de curto prazo, que é "precisamos impedir o André Mendonça, precisamos acabar com o Mendonça". Só que os efeitos disso são múltiplos, estão no campo do imponderável. Então o Dino, quando ele faz aquela movimentação com Gilmar, ele está fazendo uma movimentação, pensando no dia seguinte, mas podendo causar algo muito mais grave no futuro. A mesma coisa o Zanin nesse ponto, que são dois ministros escolhidos pelo Lula e que na hipótese de um governo Flávio seriam minoria. A não ser que eles decidam mudar de perfil. Sempre pode. O Toffoli está aí para isso. A atitude deles ao proteger o Alexandre de Moraes nesses termos, sobretudo o Dino, mais que o Zanin, porque o Dino foi muito mais vocal. É uma atitude que pode solucionar o problema da semana deles, que era "precisamos pedir vista para isso. A gente precisa sobreviver a semana". Mas está contratando uma outra coisa para o futuro que a gente não sabe o que é.

Fernando de Barros e Silva: O Zanin com aquela physique du rôle dele, aquele e aquela ênfase toda. O contrário disso. Ele parece um ministro da Suprema Corte da Noruega. Ele está completamente fora do... O Zanin é inexpressivo.

Ana Clara Costa: Então o governo enxergou dessa forma, que o que eles estão fazendo agora ao salvar o Alexandre nesses termos é algo que eles entregaram para o Flávio. A avaliação do governo é essa. Inclusive os próprios ministros que o Lula indicou e sobretudo o Dino, que teve uma participação mais ativa nessa estratégia. E aí não importa o Dino ter autorizado a operação contra o Cezinha de Madureira, que é um grande aliado do Mendonça, ele abriu parte da investigação do Dark Horse, fez a operação da Karina Gama e tal. Ele deu algumas demonstrações ali de querer que haja uma investigação mais aprofundada em relação ao Flávio, mas é muito difícil você esconder para debaixo do tapete o que está sendo feito com Alexandre de Moraes. Porque a figura se sobrepõe a todo o restante do cenário, né? Então, é mais ou menos por aí que as coisas estão indo. E como o Gilmar Mendes está no mundo político há bastante tempo e os movimentos dele costumam ser previsíveis, né? Tem muita gente dizendo que ele já tá se movimentando, mirando um governo Flávio, no sentido de que ele não está agindo politicamente, pensando no Lula ou em qualquer coisa do gênero. Então, assim, se o Flávio tivesse configurando como a solução inevitável, caso eles tenham isso em mente em algum momento, já há uma uma movimentação do Gilmar e que todo mundo vê como naturalidade, porque é o Gilmar, né? Mas para o Gilmar é muito mais fácil fazer essa movimentação, porque ele é essa figura mais anfíbia. Para o Dino e para o Zanin fica mais difícil. Eu acho que vale dizer que nos bastidores o Gilmar nega e fala que é intriga da oposição que ele esteja fazendo qualquer aceno para o Flávio.

Celso Rocha de Barros: Opa, negou. Então tá negado.

Ana Clara Costa: Que isso não é verdade. Como o histórico e o histórico e as pessoas em Brasília vivem de antecipar movimentações, então é isso que acham dele. Então, tô só aqui registrando. E uma das coisas que ele teria para entregar para o Flávio é justamente a aposentadoria dele em 2030. Se ele antecipar a aposentadoria dele, ele pode entregar essa vaga para o Flávio. Mas a depender do que aconteça, do nível de deterioração institucional que a gente esteja até lá, Flávio às vezes nem precise dessa vaga, porque ele já vai ter quantos? A grande maioria.

Fernando de Barros e Silva: Bom, Celso não tinha solução boa para a reunião da última terça.

Celso Rocha de Barros: Não tinha, né?

Fernando de Barros e Silva: Talvez tivesse solução menos ruim.

Celso Rocha de Barros: Exato.

Fernando de Barros e Silva: Do jeito que as coisas caminharam, eu não diria que selou a eleição do Flávio Bolsonaro, porque a gente tem algumas semanas ainda e o ambiente é muito instável e muitas bombas, usando efeito retórico, ainda podem explodir ali na Praça dos Três Poderes até o dia da eleição. Mas o viés é ruim.

Celso Rocha de Barros: O viés é ruim. Eu devo dizer, se a direita tivesse um candidato que não estivesse tão no centro do caso Master, ele já teria ganho no primeiro turno.

Fernando de Barros e Silva: Sim.

Celso Rocha de Barros: Se Tarcísio tivesse tido culhão para brigar com o Bolsonaro e se lançado como um candidato não fascista, o que ele não teve culhão e é fascista, ele teria ficado ali no seu 10% por um tempo, no que explodisse o Dark Horse, ele assumia a liderança e pronto, ia ganhar no primeiro turno. Perdeu, foi otário. Bem feito. Agora, o que torna difícil a gente prever qual vai ser o resultado eleitoral disso é que justamente o cara que ganha com a desmoralização do Alexandre de Moraes é um cara bastante desmoralizado. O cara que tá no mesmo escândalo do Alexandre de Moraes. E aqui fica o teste para você que é dono de um meio de comunicação. Se o seu público ainda não entendeu que o Alexandre de Moraes e o Flávio Bolsonaro eram cúmplices no mesmo escândalo, caso todas as acusações sejam verdadeiras, obviamente, você não está fazendo seu trabalho, certo? Uma das coisas que as pessoas consomem jornalismo de política é para se informar sobre esse tipo de coisa, para saber em quem votar. E daí em diante, eles votam de acordo com seus valores, preferências e tal. Mas isso é uma informação que certamente o eleitor gostaria de ter. Então, eu acho que o saldo eleitoral disso aqui ainda não está tão claro assim. Por exemplo, eu achava que a essa altura o Flávio já estaria ganhando tranquilamente do Lula com essa crise do Supremo. E não está. As pesquisas não estão dando isso. Então, aparentemente, o público não está comprando, tanto quanto o Flávio gostaria, o discurso que ele está vendendo. O que é óbvio é que se o bolsonarismo tivesse um candidato não enrolado com Master, o que seria difícil porque o bolsonarismo está profundamente enrolado no Master, ele agora certamente já estava ganhando no primeiro turno. Agora a gente não pode pensar só na eleição. A gente tem que pensar no que vai acontecer depois, né? Porque o Supremo não vai deixar de estar desmoralizado quando a eleição passar. Então, se o Lula ganhar, a desmoralização do Supremo vai ser um fator importante nos próximos anos, de qualquer maneira. Então, por exemplo, o Congresso deve sair ainda mais reacionário. Então o Lula, se ganhar, vai ter um Congresso com muita dificuldade. Em alguns momentos desse terceiro mandato do Lula, ele tentou driblar essa dificuldade apelando para o Supremo. Isso não vai mais ser possível. O Supremo não vai mais ter como comprar essas brigas todas pelo presidente quando o Congresso quiser fazer sacanagem de emenda etc. Que, aliás, é uma das coisas que está passando meio fora do radar. Desmoralização do Supremo, quer dizer, aumento da farra das emendas. Flávio Dino tem entrado nessa briga do lado do Moraes, quer dizer, aumento das farras das emendas porque o Flávio Dino que estava botando algum limite nesse negócio. Então, o Congresso está em festa com essa desmoralização do Supremo, porque "bom, agora a gente vai poder roubar o que a gente quiser, porque não tem ninguém que possa nos fiscalizar. E o presidente vai depender do nosso apoio. Também não vai fazer nada contra a gente".

Ana Clara Costa: Porque o que está acontecendo, na verdade, é que o Supremo, ao bancar o Alexandre, ele está se equiparando a esse congresso.

Celso Rocha de Barros: Exatamente.

Ana Clara Costa: Que ele tenta se...

Celso Rocha de Barros: Não é facil se equiparar ao Congresso, mas ele tá fazendo.

Ana Clara Costa: Mas é exatamente isso acontecendo aos olhos da população.

Celso Rocha de Barros: Exatamente. E se o Flávio ganhar a presidência, a fronteira entre o golpe e o desmoronamento institucional espontâneo vai se dissolver. Teve um cara que escreveu uma vez sobre a Revolução Russa que "se um cara consegue derrubar uma porta com um chute, boa parte do crédito é da porta". Assim, que já devia estar muito ferrada mesmo para alguém conseguir derrubar ela com um chute. Então assim, se o Flávio ganhar a eleição, ele vai ter esse Supremo completamente desmoralizado, que não vai ter capacidade de impor limites a ele, como impôs ao pai dele. Então o Flávio vai ter uma possibilidade de consolidação autoritária maior do que a do Jair Bolsonaro.

Ana Clara Costa: E esses ministros tendem a estar mais vulneráveis.

Celso Rocha de Barros: Exatamente.

Ana Clara Costa: Inclusive a compor com o Flávio.

Celso Rocha de Barros: Claro. E aí eu já vou dizer, assim como você está dizendo, que ministros o Flávio impicharia, o meu palpite: primeiro Fachin e Cármen Lúcia, depois do Xandão, porque são caras que não topariam sacanagem com ele no governo dele. Tem outros caras aí que topariam. Então, assim, eu tenho uma forte suspeita de que o Flávio iria atrás dos caras que não estão metido em sacanagem nesse momento, entendeu? E ainda teria o discurso "não, estou fazendo isso para moralizar, porque o Supremo é corrupto e tal" e muita gente ia comprar. Então, assim, se o Flávio ganhar, a gente está encomendando quatro e talvez oito anos de desorganização institucional como nunca foi vista no Brasil.

Fernando de Barros e Silva: Além do óbvio que é anular o efeito da condenação histórica do Jair Bolsonaro por golpe de Estado.

Celso Rocha de Barros: Isso no primeiro dia. Exatamente.

Fernando de Barros e Silva: Ou seja, é um retrocesso institucional histórico.

Celso Rocha de Barros: Gigantesco, gigantesco.

Fernando de Barros e Silva: Civilizacional mesmo. É uma coisa gigantesca.

Celso Rocha de Barros: Exato. Você pensar que essa semana saiu o livro do Batista Júnior, o cara da Aeronáutica, contando a história do golpe e isso está totalmente escanteado pela crise do Supremo.

Fernando de Barros e Silva: Sim, e se o Lula ganhar a eleição, a gente vai ter um cenário bastante ruim também. Complicado, porque, como você disse, o Congresso vai ser provavelmente mais de direita. Você provavelmente vai ter alguma reação dos setores bolsonaristas da sociedade. Não sei como, mas eu duvido que essa eleição não tenha desdobramentos depois do resultado. Principalmente no caso da vitória do Lula. E o Supremo desse jeito. A gente tem um embaraço institucional aí contratado, né? Nós temos uma situação bastante difícil.

Ana Clara Costa: Sobretudo porque a tendência é que não dê em nada, né? A tendência é que a investigação morra, porque, assumindo o Flávio, duvido que o André Mendonça vai ter qualquer intenção de.

Celso Rocha de Barros: Assumindo Flávio, Vorcaro vai para casa, gente.

Ana Clara Costa: Né? E esse grupo do Alexandre e do Gilmar se sobrepondo, também a situação é essa de engavetamento do caso, né? Então vai ficar aquela coisa que todo mundo sabe, todo mundo viu os prints, todo mundo sabe que tem alguma coisa estranha ali. Talvez não seja bem isso, mas não sei o quê. Mas não vai haver investigação. Então isso é pior para a imagem do Supremo do que qualquer outra coisa, porque fica aquele sentimento de coisa não resolvida, de coisa não julgada, de coisa não investigada. E aí fica sendo tudo verdade. Mesmo que tenha coisas que não sejam, entendeu? Fica aquela névoa de desconfiança de que todo mundo é culpado, de que as mensagens isso e aquilo. Isso é uma coisa que o Congresso está acostumado a viver, né? Congresso que tem essa imagem. O Supremo não tinha até então e vai passar a ter justamente essa imagem do Congresso que é "é tudo ladrão". Essa visão antissistema, antipolítica é porque a população imagina que essa frase seja verdade. "É tudo ladrão". E isso, para o Supremo, pode acabar acontecendo a depender dos desdobramentos do master, sobretudo se não houver nenhum desdobramento ali, porque quando há essas informações que não são investigadas, fica parecendo muitas vezes verdade. Por exemplo, saiu uma notícia no Estadão que revela que o Banco Master fez pagamentos para uma advogada chamada Dalide Corrêa, que é muito próxima do Gilmar. Foi diretora do IDP, do instituto dele. Ela trabalha próxima do Gilmar desde os anos 90, de quando ele era AGU e ela era do departamento jurídico da Caixa. E, segundo o Estadão, a descrição para os pagamentos Dalide era porque ela era canal direto com o STF. Para o Estadão, ela nega. Ela disse que atuou pelo Master em processos em favor de empresas que venderam créditos para o Master. Então ela se defende. Conforme as notícias vão saindo, esses vazamentos de todos fica aquela sensação perene de que todos estão envolvidos ali dentro. E como a tendência que se coloca hoje pode ser que mude, mas que se coloca hoje é de que não vai haver investigação nenhuma, porque eles não conseguem fazer nenhuma sessão para analisar o mérito de uma possível abertura de investigação, que dirá sobre todos eles juntos. Eles jamais vão autorizar isso.

Fernando de Barros e Silva: Muito bem. É isso, Celso?

Celso Rocha de Barros: É isso. Queria que fosse outra coisa, mas é isso.

Fernando de Barros e Silva: Todos queríamos. Bom, agora, enquanto gravamos, foi confirmada a notícia de que Fachin cancelou a sessão que deveria julgar se o comportamento do ministro André Mendonça deve ser ou não investigado, então isso está adiado para não se sabe que dia. Assim, então, vamos encerrando o segundo bloco do programa. A gente vai para um rápido intervalo. Na volta, nós vamos falar das novas investigações sobre Dark Horse. Vamos falar também das últimas cartadas de Donald Trump em relação ao Brasil. Já voltamos.

Fernando de Barros e Silva: Muito bem, estamos de volta. Celso, enquanto tudo isso acontece ali no Supremo, Dark Horse continua sendo considerado um filme.

Celso Rocha de Barros: Pois é, o que é um absurdo.

Fernando de Barros e Silva: Você já disse que não é exatamente isso.

Celso Rocha de Barros: Nunca foi filme, gente. O filme é tudo mentira. Vocês viram quanto é o orçamento para pagar a peruca do ator que faz o Bolsonaro? Pô, pede a do Fux emprestada. Precisa de nada disso. Mas enfim, eu falei no último programa que tá ficando cada vez mais claro que o Dark Horse não era um filme, era um caixa dois. Era um lugar onde os bolsonaristas jogam dinheiro sujo, dinheiro roubado para motivos que até então estavam ainda em discussão. Agora já dá para cravar. Dark Horse é o caixa dois do tarifaço. É grana que eles pegaram de emenda parlamentar da Prefeitura de São Paulo e do Vorcaro, que é dinheiro de aposentado para sustentar o Eduardo no exterior. Para o Eduardo conspirar contra o Brasil, para o Eduardo conseguir tarifas contra o Brasil, conseguir Magnitsky contra juízes da Suprema Corte, que é bom lembrar, essas Magnitskys que os bolsonaristas querem contra o Xandão, por exemplo, não tem nada a ver com o caso Master, porque eles estão doidos para abafar a caso Master, entendeu? Então, por exemplo, digamos que o Eduardo Bolsonaro cumpra a sua promessa essa semana de conseguir novas sanções contra o Brasil por causa da crise do Supremo. Nesse caso, dinheiro do Vorcaro vai estar pagando o lobby por sanções que se justificariam como represálias ao caso master. Então você tem que ser muito otário para acreditar num negócio desse. E se você duvida que o Dark Horse é o caixa dois do tarifaço e da conspiração do Eduardo e do Paulo Figueiredo lá fora, aqui dois dados para você. Primeiro, a matéria da Letícia Casado no UOL de 13 de setembro. "Uma mensagem apreendida no celular de Daniel Vorcaro cita um pedido de reunião dos dois Flávio e Eduardo". - Não é de um só. É do Flávio Eduardo -. "Para tratar do filme Dark Horse no mesmo dia em que Eduardo anunciou que ia morar nos Estados Unidos". Então ele resolveu dizer para todo mundo: "Vou morar nos Estados Unidos". Nesse mesmo dia, ele falou: "Calma aí, deixa eu conversar com Vorcaro antes aqui".

Ana Clara Costa: "Preciso do papai".

Celso Rocha de Barros: Porque ele sabia do dinheiro. Precisava do Sugar Daddy deles ali. Segundo, uma coisa que o nosso amigo Breno, grande herói de todos nós.

Fernando de Barros e Silva: Breno Pires, da piauí.

Celso Rocha de Barros: Breno Pires, já tinha anunciado aqui no programa, escrito na piauí desse mês, que a Polícia Federal investiga se parte do dinheiro do filme ficou no fundo, acabou no bolso do Eduardo Bolsonaro. Por coincidência, no mesmo mês e ano que Vorcaro mandou mandar as parcelas do filme para o Havengate, o Eduardo Bolsonaro se oficializou nos Estados Unidos, que ele já estava lá há um tempo, meio como deputado, uma coisa dessas. Talvez até o filme tenha começado como projeto de fazer filme. Isso eu não sei. Isso teria que ser investigado. Talvez algum idiota tenha mesmo falado: "sabe que a gente pode fazer um filme do Bolsonaro com o cara da paixão de Cristo com aquela peruca de Zacarias?".

Ana Clara Costa: Ele tava vendendo até vinho. Claro que o filme poderia ajudar eles a ganhar dinheiro inclusive, né? Pegar Pix.

Celso Rocha de Barros: Sem dúvida nenhuma.

Fernando de Barros e Silva: É porque até a loja do Flávio da Kopenhagen tinha chocolate também.

Celso Rocha de Barros: Exato. Exatamente.

Fernando de Barros e Silva: Peruca do Zacarias.

Celso Rocha de Barros: Então, assim, pode até ser que em algum momento os caras tenham pensado em fazer filme do Bolsonaro mesmo, entendeu? Mas quando eles resolvem mandar o Eduardo para o exterior, para conspirar contra o Brasil e tentar ganhar a eleição no tapetão, o que eles ainda vão tentar e vocês podem ter certeza, quando eles resolvem fazer isso aí eles precisam de dinheiro. E quem é o cara que eles conhecem que está devendo dinheiro para ele? Daniel Vorcaro que os bolsonaristas já tinham enchido o Master de dinheiro de aposentado através especialmente do governo bolsonarista do Rio de Janeiro, e os bolsonaristas já tinham tentado salvar o Daniel Vorcaro no Congresso através do projeto de ampliação do limite do FGC feito pelo chefe da Casa Civil do Bolsonaro. E os bolsonaristas estavam tentando salvar o Master quando o dinheiro foi pedido com o BRB de Brasília.

Ana Clara Costa: Celso, eu vou discordar de você nesse ponto, porque todos esses dinheiros que foram para o Master eram de grupos políticos específicos. Então assim, Rio Previdência foi o Cláudio Castro e a turma do União Brasil.

Celso Rocha de Barros: Sem dúvida.

Ana Clara Costa: Que se deram bem. Ciro Nogueira se deu muito bem. Então assim, a contrapartida do Flávio que existe. Óbvio que existe. A gente ainda precisa descobrir.

Celso Rocha de Barros: Eu acho que ele é o líder e herdeiro do movimento que deu esse dinheiro todo para o Master.

Ana Clara Costa: Porque eles são individualistas, eles atuam por si. Então, assim, eu acho que o Flávio de fato fez algo para merecer esse aporte.

Celso Rocha de Barros: Não, e ele promete, durante a reunião, ele promete que eles estão discutindo o salvamento do BRB e o Flávio diz que vai ajudar o Vorcaro. "Pode contar comigo para qualquer coisa". O Vorcaro está devendo o dinheiro para cacete para o bolsonarismo quando ele vai dar esse dinheiro para Dark Horse. E aí esse dinheiro vai para quê? Vai para esse filme que o superfaturamento parece ter sido absolutamente descontrolado, né, cara? O cachê do Caviezel, o Jim Caviezel, que faz o Bolsonaro é igual ao que deram para o Joaquin Phoenix fazer o filme do Coringa. O cara ganhou um Oscar por essa atuação. Eles tinham previsão de bilheteria que era um negócio completamente alucinado. O plano de negócio do filme é um delírio completo. Então, assim, toda a estrutura do filme é picaretagem, é feito para desviar dinheiro e hoje já dá para saber. Esse dinheiro ia para o Eduardo para ele conspirar contra o Brasil. O Dark Horse, no fundo, é interessante, porque ele é o ponto de contato dos dois grandes assuntos dessa eleição: Banco Master e Intervenção americana. É por meio do Dark Horse que a grana do Banco Master vai chegar na família Bolsonaro e vai financiar essas conspirações todas contra o Brasil.

Fernando de Barros e Silva: Muito bem. E eu tô lembrando aqui nas mensagens que o Flávio trocou com o Vorcaro. Entre as frases que ele disse está: "estou e sempre estarei contigo', não é?

Celso Rocha de Barros: Isso enquanto está a discussão para salvar...

Fernando de Barros e Silva: Irmão, irmãozão, amigão.

Celso Rocha de Barros: Exatamente.

Ana Clara Costa: Irmãozão.

Celso Rocha de Barros: Irmãozão, brother.

Fernando de Barros e Silva: "Estou e sempre estarei contigo". Isso devia ter um neon piscando. Ana Clara, deixa eu te ouvir então sobre isso.

Ana Clara Costa: Fernando, conforme a investigação teve o sigilo levantado, pelo menos parte dela, algumas outras coisas começam a ficar mais claras, né? Primeiro, a parcialidade do André Mendonça, que eu acho que se consolida a cada momento. Ao acessar o processo, a imprensa descobriu que a defesa do Flávio pediu quatro vezes para o Mendonça ser o relator do caso Dark Horse. Ou seja, da mesma forma que a defesa do Daniel Vorcaro achou que o Kassio poderia ser um relator mais adequado para o caso lá atrás, talvez não mais adequado que o Toffoli. Difícil. O Flávio achou que o André Mendonça fosse ser um relator mais adequado para o caso dele. Então, eu acho que por aí a gente já vê a relação e a a disposição do ministro. Como ele era visto, pelo menos. Por que o que acontece? Como Dark Horse está conectado ao Master e o Mendonça já tem duas petições sob relatoria dele, anexadas ao Master, que tratam do Dark Horse. A defesa do Flávio queria que todo o processo saísse do Dino, porque você tem uma parte que foi distribuída para o Dino, que foi justamente essa que teve a operação da Polícia Federal há alguns dias. Eles estavam felizes quando estava tudo quando era Mendonça. Aí foi uma parte para o Dino, eles querem que volte para o André Mendonça. E, no caso do André Mendonça, quando teve a solicitação do Fachin para que o Mendonça levantasse o sigilo de tudo, o Mendonça não tirou sigilo sobre Dark Horse inicialmente. Só depois. Mas o fato é que a relação do Flávio com o Vorcaro e com todo esse núcleo Master, com a retirada do sigilo estão começando a aparecer mais coisas. E teve uma matéria que a gente publicou na piauí essa semana, que não decorre dessa investigação, mas de de outra investigação que é o Flávio estava usando na pré-campanha e campanha em São Paulo, um imóvel que até pouco tempo atrás pertencia ao Fabiano Zettel que é o cunhado do Vorcaro que também está preso e operador do Vorcaro.

Fernando de Barros e Silva: Usou agora em agosto, né?

Ana Clara Costa: Usou em agosto.

Fernando de Barros e Silva: Eu li a matéria, é ótima.

Celso Rocha de Barros: É, já com o escândalo todo estourado, todo mundo sabendo que ele ganhou dinheiro do Master, ele foi lá e continuou usando a estrutura do Master para fazer campanha.

Ana Clara Costa: É, esse imóvel tinha sido vendido pelo Zettel para o Willer Tomaz, que é um advogado muito próximo do Flávio. E o que chamou a atenção nessa história, foi inclusive uma reportagem da Folha de São Paulo, é que esse imóvel tinha sido vendido para o Willer Tomaz por um valor 2 milhões abaixo do que o que o Zettel eu tinha pagado por ele um ano antes.

Fernando de Barros e Silva: Menos de um ano antes.

Celso Rocha de Barros: Opa.

Ana Clara Costa: E aí, pouco tempo depois da compra, o Flávio passou a usar esse imóvel em São Paulo.

Celso Rocha de Barros: Coisa muito comum. O pessoal de banco que é vender mais barato do que comprou.

Ana Clara Costa: Perder dinheiro.

Celso Rocha de Barros: Perder dinheiro é coisa que banqueiro faz.

Ana Clara Costa: Exato. E é uma reportagem que eu publiquei junto com o João Batista Junior e com Breno Pires, meus super colegas e amigos, na piauí essa semana. Mas, assim, estou falando isso para dizer que as conexões elas não vão se arrefecendo, elas só vão aumentando.

Celso Rocha de Barros: Sim. A rede vai se adensando.

Ana Clara Costa: Exato.

Fernando de Barros e Silva: Sim.

Ana Clara Costa: E agora eu acho que vale a gente trazer os Estados Unidos um pouco para esse contexto, porque em meio a tudo isso, para a gente ver também, por mais que haja Dark Horse e as investigações estejam acontecendo e as coisas estejam aparecendo, é para a gente ver como que pelo menos eles são eficazes em operacionalizar a narrativa em favor deles nos Estados Unidos com o Eduardo lá. Então vocês podem ter certeza que nas conversas que o Eduardo está tendo com o Departamento de Estado para dizer tudo que está acontecendo no Brasil contra a família Bolsonaro e o Supremo, você pode ter certeza que em nenhum momento ele está mencionando Dark Horse. E o governo americano, provavelmente seletivamente, também não está procurando outras fontes de informação sobre o caso, a ponto de ter saído um relatório essa semana bem temerário do governo americano, afirmando que o Brasil não está fazendo a sua parte no combate ao crime organizado. E tirou a Venezuela, que está enchendo os EUA de petróleo dessa mesma lista de países que não estão colaborando para combater o crime organizado. Então a gente vê tijolinhos sendo construídos pelos Estados Unidos com a ajuda da família Bolsonaro, para construir a tese de que seria necessária uma intervenção americana para combater o crime organizado. Então a gente tem lá atrás o Trump falando publicamente, depois reuniões, depois notas, depois coloca o Comando Vermelho e o PCC como organizações terroristas. Então assim são passos que estão sendo dados com método e é muito plausível a gente concluir que tudo isso está sendo orquestrado pela família Bolsonaro, pelo Eduardo ali em Washington e por esses assessores do Trump que estão totalmente conectados com a família. Acho que a gente pode deduzir que é a participação deles na construção dessa tese de que o Brasil precisa de uma intervenção dos Estados Unidos por essa razão do combate ao crime organizado. É algo que está sendo forjado, inclusive a olhos nus. Ninguém está escondendo nada. Eles não estão escondendo isso.

Celso Rocha de Barros: Estão escondendo nada. E falando em Venezuela, eu queria chamar a atenção de todos para o que os Estados Unidos fez com o petróleo da Venezuela recentemente. Os EUA basicamente roubou oficialmente o petróleo da Venezuela. E se você não quiser acreditar em mim, veja a opinião da direita venezuelana, dos caras que ganharam aquela eleição que o Maduro perdeu. Eles estão indignados com o Trump porque o Trump basicamente roubou o petróleo da Venezuela. E o motivo pelo qual o Trump não quer fazer eleições na Venezuela, porque ele prefere fazer um acordo com aqueles maduristas que ficaram lá, é porque nenhum governo democrático da Venezuela jamais deixaria o Trump roubar o petróleo do jeito que roubou. Então, assim você vê qual é exatamente o significado de intervenção americana no seu país.

Ana Clara Costa: Realmente dá para a gente dizer que o governo da Delcy está combatendo o crime organizado para ter saído dessa lista?

Celso Rocha de Barros: Ah, deve estar combatendo com entusiasmo.

Celso Rocha de Barros: Com certeza.

Fernando de Barros e Silva: Que quadro, que quadro! Bom, a gente vai encerrando o terceiro bloco do programa. Fazemos um rápido intervalo. Na volta, Kinder Ovo. Já voltamos.

Fernando de Barros e Silva: Muito bem. Estamos de volta. Mari Faria, vamos ver o que você preparou pra gente. Solta aí, Danny Dee!

Sonora: É como se o PSG da França fosse jogar com o Ibis todo ia ver todo mundo.

Fernando de Barros e Silva: É o Caiado.

Sonora: As pessoas esperavam que, que nós tivéssemos um resultado pífio. Mas nós trabalhamos com entusiasmo. Dissemos que nós desejávamos e deu certo.

Ana Clara Costa: É José Guimarães?

Celso Rocha de Barros: Cara, eu acho que a gente vai ficar com raiva quando... Eu não sei.

Ana Clara Costa: É o Kalil?

Celso Rocha de Barros: Não é desconhecido não, cara.

Ana Clara Costa: Que triste.

Celso Rocha de Barros: Não sei.

Fernando de Barros e Silva: Ah, esse a gente vai ficar com raiva. Quem fala é o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro. Ah.

Ana Clara Costa: Poxa!

Celso Rocha de Barros: Pois é.

Fernando de Barros e Silva: Em entrevista ao canal Blog do Magno, é isso? Olha o que você anda vendo, Mari Faria. Olha por onde você está navegando, Mari Faria! Vamos encerrando o momento Kinder Ovo. Fazemos aqui um rápido Momento Cabeção.

Sonora: Cabeção.

Fernando de Barros e Silva: Com as dicas de livros, filmes, etc para vocês. Começo então com o Celso. Diga lá, Celso.

Celso Rocha de Barros: A minha indicação é Brizola: Lobisomem contra o Império - esse título é muito bom-, da Karla Monteiro. É o primeiro volume da biografia do Brizola que a Companhia das Letras está lançando, certamente um dos livros do ano. E é meio impressionante que ninguém tivesse feito uma biografia desse fôlego sobre o Brizola. Eu acho que é um resgate importantíssimo. Vale muito a pena ler.

Fernando de Barros e Silva: Muito bem, Ana Clara.

Ana Clara Costa: Eu queria indicar o livro recém lançado do Thallys Braga, repórter da piauí, que ele escreveu para a Companhia das Letras, chamado Filho, que é um trabalho de autoficção da vida dele se descobrindo gay numa família muito humilde de um bairro da periferia aqui do Rio de Janeiro e de como esse tema aconteceu na relação dele com os avós, com a mãe. O Thallys, ele é um prodígio. né? Ele fez muito jovem uma reportagem sobre a relação da Gal Costa com a Vilma, companheira dela durante boa parte da vida, que foi uma reportagem muito reveladora sobre parte relevante da música popular naquele momento e como as coisas aconteciam e como foi a vida da Gal. O Thallyaas escreveu a esquina da piauí, que são aqueles textos mais curtos, mais linda que a piauí já publicou, que é um texto sobre a morte de um casal de cisnes no Parque Guinle. Recomendo para vocês lerem "Tragédia no Parque". Chama. Depois ele escreveu um outro texto para piauí, contando um pouco dessa descoberta dele e a partir desse texto ele fez o livro e eu estou na metade para o final. Ainda não terminei, mas o que eu li eu gostei muito. Thallys é muito honesto e não é um livro sobre ele. É um livro sobre Brasil, como existir nesse Brasil com tanta falta, com as igrejas evangélicas dominando a cultura, a vida das famílias, a vida em comunidade e qual o impacto que isso tem para quando você se descobre gay. Apesar de ser a história de alguém, é um livro sobre nós. Eu recomendo muito.

Fernando de Barros e Silva: Muito bem. Bom, eu vou indicar rapidamente o livro Impasse, do cientista político André Singer. O subtítulo é autoexplicativo: O Brasil diante da onda reacionária. O André vem desde o começo dos anos 2000 estudando o lulismo e a crise do lulismo, que é o título do livro anterior dele, e ajuda a entender, entre outras coisas, quais são as dificuldades do que ele chama de Concertación, emprestando um conceito que foi forjado no Chile na junção dos socialistas com a democracia cristã, na saída da ditadura, quando Pinochet cai. E ele usa esse conceito para definir o mandato do Lula com a vice presidência do Alckmin. E quais são as dificuldades para que essa Concertación faça frente à Confederação, como ele está dizendo, confederação seriam os confederados do sul escravista dos Estados Unidos, metáfora que ele usa para caracterizar o movimento de extrema direita no Brasil e o bolsonarismo. Então, é um livro muito atual, muito interessante, que adensa muito a nossa compreensão desse momento dramático que vivemos. Muito bem. Encerramos então o Momento Cabeção. Vamos agora para o melhor momento. Momento das cartinhas. Momento de vocês. O Correio Elegante. Eu vou começar aqui lendo uma mensagem do Daniel Adjafre, que é do time dos corredores, como o Celso, ele escreve o seguinte, Celso: "Estamos eu e minha esposa, às vésperas de disputar o Mundial do Ironman 70.3, em Nice, e resolvemos ouvir o choro para distrair a cabeça. Agora estamos ansiosos com a prova e com o futuro do país. Obrigado, Foro. Tô rindo, mas é de desespero". É, estamos com você, Daniel.

Celso Rocha de Barros: Nossa, e parabéns aí, gente!

Ana Clara Costa: Cara, fera demais! 70,3.

Celso Rocha de Barros: Fera pra caramba! Só gente muito fera consegue fazer.

Ana Clara Costa: Triathlon, né?

Fernando de Barros e Silva: Tem uma outra mensagem da Thalita Moraes comentou o seguinte: "A parte mais otimista do programa é o que não é tão bom também acaba". É, a minha frase. É isso.

Celso Rocha de Barros: Boa.

Fernando de Barros e Silva: O que é péssimo. E o que é péssimo também acaba.

Ana Clara Costa: O Felipe Garcia, quer uma ajuda nossa, ele escreveu: "Amigos da bancada, minha esposa e eu comemoramos tradicionalmente o Halloween em casa, numa festa fantasia com os amigos. E a festa deste ano não poderia ter outro tema senão Vorcaroween. Aproveito para convidá los e para saber qual seria a fantasia de cada um da bancada? Abraços. E o convite é verdadeiro". E aí, você vai de Drácula, Celso?

Celso Rocha de Barros: Bom! Bora, né? Bora! Tem que entrar no espírito.

Ana Clara Costa: Eu vou de quê? Não sei.

Fernando de Barros e Silva: Nossa!

Ana Clara Costa: De bruxa.

Fernando de Barros e Silva: Acho que vou pular essa festinha.

Celso Rocha de Barros: Tá bom. Tem a desculpa que mora em São Paulo, né?

Fernando de Barros e Silva: Exato.

Celso Rocha de Barros: Dois ouvintes conversaram no Spotify. O @ClaudioBruno comentou: "Ana Clara não dormiu" e a Ana respondeu: "Nunca dorme, coitada".

Ana Clara Costa: Gente, tá puxado, viu?

Celso Rocha de Barros: Vocês não tem ideia.

Ana Clara Costa: As olheiras delatam.

Fernando de Barros e Silva: Não tem nada de olheiras.

Ana Clara Costa: Nossa.

Fernando de Barros e Silva: Muito bem! Como diz a nossa ouvinte, o que é bom acaba. O que não é tão bom também acaba. Não é isso? A gente vai encerrando o programa de hoje. Se você gostou, não deixe de seguir e dar five stars pra gente no Spotify. Segue no Apple Podcast, na Amazon Music. Favorita na Deezer e se inscreva no YouTube. Você também encontra a transcrição do episódio no site da piauí. O Foro de Teresina é uma produção do estúdio Novelo para a revista piauí. A coordenação geral é do Paulo Victor Ribeiro. A direção é da Mari Faria, com produção e distribuição da Maria Júlia Vieira. A checagem é da Ethel Rudnitzky. A edição é da Mariana Leão e do Paulo Victor Ribeiro. A identidade visual é da Amanda Lopes. A finalização e mixagem são do João Jabace e do Luís Rodrigues, da Pipoca Sound. Jabace e Rodrigues também são os intérpretes da nossa melodia tema. A coordenação digital é da Bia Ribeiro, da Emily Almeida e do Fábio Brisola. O programa de hoje foi gravado aqui na minha Choupana, em São Paulo, e no Estúdio Rastro, do Danny Dee. Eu me despeço então dos meus amigos. Tchau, Ana.

Ana Clara Costa: Tchau, Fernando. Tchau, pessoal.

Fernando de Barros e Silva: Tchau, Celso.

Celso Rocha de Barros: Tchau, Fernando. Tchau, amigos. Até semana que vem.

Fernando de Barros e Silva: É isso, gente! Uma ótima semana a todos e até semana que vem.


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