25 Set 2026
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Semanalmente, os apresentadores mencionam as principais leituras que fundamentaram suas análises. Confira:
Conteúdos citados neste episódio:
"Flávio Bolsonaro viajou em jato de Vorcaro", reportagem de Breno Pires para a piauí.
"'Nosso senador': Flávio Bolsonaro mandou emenda para miliciano do caso Marielle", reportagem de Breno Pires para a piauí.
"O ministro, o banqueiro e o fundo", reportagem de Breno Pires para a piauí.
"Lula na ONU e os recados sobre soberania", episódio do podcast Café da Manhã.
"Exclusivo: ‘Há boa probabilidade que Trump não aceite a vitória de Lula’, diz Levitsky", entrevista de Steve Levitsky para o ICL.
"Ameaça de interferência de Trump assombra eleições no Brasil e em países vizinhos", reportagem de Ana Luiza Albuquerque para a Folha.
"Abin alerta governo e TSE sobre nível 'crítico' de escalada de pressão dos EUA contra o Brasil nas eleições", coluna de Mônica Bergamo para a Folha.
"Governo Trump fez 21 exigências ao Brasil para negociar tarifaço em 2025; veja cada uma", reportagem de Felipe Frazão para o Estadão.
"Instituto de Mendonça recebeu R$ 5 mi de ex-parceiro de negócios de Vorcaro", reportagem de Cézar Feitoza, Fabio Serapião e Marcela Mattos para o Uol.
"Messias e Andrei trocaram xingamentos diante de Lula: 'Está me espionando?'", coluna de Marcela Mattos para o Uol.
"Flávio Bolsonaro atuou na defesa de PM acusado de matar menina de 5 anos", reportagem de Alice Maciel para o Uol.
TRANSCRIÇÃO DE ÁUDIO
Sonora: Rádio piauí.
Fernando de Barros e Silva: Olá, sejam muito bem-vindos ao Foro de Teresina, o podcast de política da Revista piauí.
Sonora: Percorremos um longo caminho para restaurar a vontade popular. A democracia está novamente em xeque. Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais.
Fernando de Barros e Silva: Eu, Fernando de Barros e Silva, da minha casa em São Paulo, tenho a alegria de conversar com os meus amigos Ana Clara Costa e Celso Rocha de Barros, no Estúdio Rastro, no Rio de Janeiro. Olá Ana, bem-vinda!
Ana Clara Costa: Oi, Fernando! Oi, pessoal!
Sonora: André Mendonça pedindo que Moraes seja investigado agora por outros crimes como denunciação caluniosa, traduzindo: por ter levantado suspeitas de crimes contra ele, André Mendonça.
Fernando de Barros e Silva: Diga lá, Celso Casca de Bala.
Celso Rocha de Barros: Fala aí, Fernando. Estamos aí mais uma sexta feira.
Sonora: Eu quero garantir a todos vocês aqui: eu, a única relação que eu tenho com Vorcaro é sobre o filme do meu pai. Vocês não vão ver eu em festinhas de Vorcaro, em clubes de whisky de Vorcaro. Vocês não vão me ver viajando para Londres, Estados Unidos, para Paris, para tudo que é lugar. Nunca entrei em avião do Vorcaro.
Fernando de Barros e Silva: Mais uma sexta-feira e antes dos assuntos da semana eu quero fazer um convite pra vocês. A gente vai ter Foro ao vivo no domingo, 4 de outubro, pra acompanhar a apuração dos votos no primeiro turno das eleições, a partir das cinco da tarde, 17h. A gente vai estar ao vivo no YouTube da piauí, no Estúdio Rastro, no Rio de Janeiro. Eu voto pela manhã e viajo em seguida para matar a saudade do balneário mais bonito do planeta. Não é isso, Celso? Aí estaremos nós três, toda equipe com apoio de repórteres da piauí, trazendo informações ao vivo e mais alguns convidados muito especiais para comentar os resultados. Vai ter muito assunto. Fiquem com a gente! Vocês vão encontrar os links de acesso no site das redes da piauí no próprio domingo, dia da eleição. Convite feito.
Fernando de Barros e Silva: Agora sim, sem mais delongas, vamos aos assuntos da semana. Abrimos o programa com o discurso de Lula na abertura da octogésima primeira Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, a 12 dias do primeiro turno das eleições. Sem mencionar nominalmente Donald Trump, o líder brasileiro criticou a interferência dos Estados Unidos na América Latina e o recrudescimento das tentações hegemônicas por parte do governo americano. "O Brasil não cabe no quintal de ninguém", disse Lula, resumindo sua reação às investidas sobre o processo político eleitoral brasileiro. No discurso, que foi sob vários aspectos, histórico, o petista voltou a dizer que os pilares do multilateralismo estão sendo corroídos, atacou a era da desinformação, que dá força e visibilidade a obscurantistas que resistem às evidências da ciência e fazem campanha contra as vacinas. Lula disse ainda que até pouco tempo, a resposta às mudanças do clima estavam consolidadas no centro da agenda internacional, mas sumiram. Entre outras coisas, o discurso foi um antídoto ao eventual não reconhecimento dos Estados Unidos diante de uma vitória do petista. Na sua vez de falar, Trump replicou que os Estados Unidos poderão usar seu "poderio militar incomparável", palavras dele, para proteger seus interesses no hemisfério ocidental. Na mesma terça-feira em que Lula discursou, o presidente dos Estados Unidos esteve com líderes de países do continente, todos de direita e extrema direita, na primeira reunião do Escudo das Américas, uma coalizão que foi criada em março deste ano para unificar o combate ao crime organizado sob a tutela da doutrina e do poderio militar americano. O Brasil não faz parte do grupo, mas entrará para o clube se Flávio Bolsonaro vencer em outubro. Ana Clara vai nos explicar tudo a respeito. No segundo bloco, voltamos ao Supremo Tribunal Federal. A bola da vez é a turma do KN. É assim que Daniel Vorcaro e seus asseclas tratavam pessoas sob a influência do ministro Kássio Nunes Marques, incluindo aí o desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da Primeira Região, e a advogada Camilla Ramos, que é casada com o desembargador. A PF descobriu um contrato de honorários de até 427 milhões de reais com o escritório da advogada. Contrato relacionado a decisões judiciais que liberariam 8,5 bilhões em precatórios de interesse do banco. A PF também encontrou mensagens em que o desembargador solicita favores a Vorcaro. As conversas incluem pedidos atribuídos a Kássio para hospedagem no Fasano, em São Paulo, e para o aluguel de uma mansão de 1.400.000 reais durante o carnaval no Rio, no ano passado. Isso para não falar dos honorários recebidos por Kevin Marques por serviços de consultoria contratados por uma empresa ligada a Vorcaro. Kevin, o advogado prodígio, filho de Kássio. Tudo com K. No terceiro bloco o assunto é Flávio Bolsonaro. O repórter Breno Pires, da piauí, revelou que o senador e sua família viajaram da Flórida para Brasília, no jato de Daniel Vorcaro, em janeiro de 2025. Entre os passageiros estava ainda o amigo de Flávio, Willer Tomaz, advogado e empresário. Já foi preso no escândalo da JBS. Depois ele acabou absolvido e é investigado no esquema de desvios do INSS. Tomaz era dono de uma das três cotas do avião, o mesmo avião no qual Alexandre de Moraes e sua mulher, advogada, Viviane Barci, voaram sete meses depois. Além disso, a gente soube também pela piauí que o miliciano Robson Calixto Fonseca, vulgo Peixe, pediu em 2023, uma emenda ao gabinete de Flávio Bolsonaro para financiar um projeto em uma área dominada por milícias no Rio. Peixe é acusado por Roni Lessa, o assassino confesso de Marielle Franco de tê-lo apresentado aos irmãos Brazão, os mandantes do crime, além de ter providenciado a arma usada no atentado. Mensagens recuperadas pela PF mostram que Peixe chamava Flávio de "nosso senador". Depois de cinco meses de conversas com uma assessora do nosso senador, ele obteve a emenda de quase 200 mil reais para uma ONG. Os recursos, segundo as investigações, foram desviados. A gente vai falar disso e das últimas pesquisas em que Lula e Flávio estão empatados. É isso. Vem com a gente.
Fernando de Barros e Silva: Muito bem. Celso, vamos conversar com você. Como eu disse na abertura, tivemos o discurso do Lula. Foi uma das coisas importantes dessa semana e tema central dessa eleição. Passo a bola para você.
Celso Rocha de Barros: Então, Fernando, eu achei o discurso do Lula o melhor que ele fez como presidente até hoje, em grande parte porque a situação piorou muito. Tem esse cruzamento de política interna com política externa, então não deu para fazer só aquele discurso que o presidente sempre faz, que é assim: "Olha, as coisas boas são boas, as coisas ruins são ruins". Aquela coisa dese puder ter paz, é bom. Se todo mundo pudesse ficar rico também era bom, né? E esse discurso não foi assim. Esse discurso foi claramente mais objetivo, mais incisivo, né? E tinha um alvo claro que é blindar o Brasil caso o Trump não reconheça uma vitória do Lula na próxima eleição presidencial. O João Paulo Charleaux disse no podcast Café da Manhã uma coisa que é interessante, que isso não é só uma preocupação que existe no Brasil e, aliás, existe em vários países da América Latina. Inclusive, eu até acrescento tem governos de direita na América Latina que não são 100% confortáveis com essa coisa do Trump, não. Eles ganharam a eleição sem a ajuda do Trump. Por exemplo, o Kast no Chile, ele não ganhou por causa do Trump, então ele não quer também ficar parecendo que está devendo alguma coisa. É o que o Charleaux chamou a atenção é que essa preocupação com interferência eleitoral existe na Europa como medo de interferência russa. Também há várias denúncias de que eles usam ataques cibernéticos e manipulação de algoritmos etc para promover os candidatos pró-Rússia nas eleições europeias. Então, essa preocupação do Lula foi bem enquadrada assim, de uma maneira que tem apelo para outros países que também estão preocupados com isso. Então, tudo que ele fez ali foi para dizer assim: "olha só, nós somos uma democracia". Aí ele falou várias coisas boas que o Brasil já fez, etc. "E nós estamos chocados com a dissolução da ordem multilateral". E isso a gente já falou várias vezes aqui. A diplomacia brasileira defende o multilateralismo, pelo menos desde o começo do período democrático. Então, isso aí certamente é uma reclamação do Itamaraty, inclusive. Foi basicamente um discurso de defesa de uma volta a um sistema multilateral que, inclusive, não abre espaço para interferências autoritárias na eleição de outros países.
Fernando de Barros e Silva: A fala dele diz respeito não só ao possível não reconhecimento, mas antes da eleição também.
Celso Rocha de Barros: É, ele tá já avisando isso. Tá falando: "olha só, a gente lá no Brasil tá com medo de ter interferência do Trump aqui". Ele não citou o Trump nominalmente, mas era óbvio.
Fernando de Barros e Silva: Era óbvio. Claro.
Celso Rocha de Barros: "A gente está sob ameaça do Trump na nossa eleição e então o mundo fica de olho aí, porque pode haver uma sacanagem americana qualquer no Brasil". Deve-se dizer, ele foi aplaudidíssimo
Celso Rocha de Barros: quando ele vinha com esse discurso dele. Não é só porque as pessoas gostam dele, é porque tem muita gente ao redor do mundo preocupada com isso. Então tem muitos outros países no Sul global que gostariam de uma volta ao multilateralismo, porque eles sabem que se não for o multilateralismo, vai ser o que o Trump disse no discurso dele, que é "ao vencedor o espólio". Foi a coisa mais bizarra que eu já vi no discurso da ONU. O Trump se orgulhou de ter roubado o petróleo da Venezuela e depois de dizer "conseguimos um acordo de petróleo com a Venezuela maravilhoso, que é excelente para os Estados Unidos". Ele completa: "aos vencedores os espólios", deixando claro que ele ganhou uma guerra da Venezuela e roubou o petróleo venezuelano. Todos os países do sul global têm medo disso. Então os aplausos ao Lula foi, em grande parte, uma sinalização de que tem muita gente mundo afora preocupado com essas mesmas coisas.
Fernando de Barros e Silva: Na sucessão de absurdos, de barbaridades, a gente acaba não esquecendo, mas talvez relativizando o fato de que eles entraram na Venezuela, sequestraram o presidente, que não era um democrata. Tudo bem.
Celso Rocha de Barros: Não, era um ditador.
Fernando de Barros e Silva: A gente sabe, mas sequestraram o cara, prenderam o cara para roubar o petróleo.
Celso Rocha de Barros: E aí roubaram o petróleo e mantiveram a ditadura do cara.
Fernando de Barros e Silva: Mantiveram. Exato.
Celso Rocha de Barros: Se você for pegar agora aquele pessoal todo que ganhou a eleição lá com a María Corina, eles estão putos da vida. A direita venezuelana tá xingando o Trump de tudo, porque os caras falam "pô, vocês disseram que vinham aqui derrubar a ditadura e fazer um acordo justo com a gente sobre petróleo. Vocês mantiveram a ditadura e roubaram o petróleo", cara.
Ana Clara Costa: São menos de dois anos de governo Trump e ele já tirou um presidente do cargo e já matou outro que foi o Ali Khamenei, o líder do Irã. Em menos de dois anos de governo.
Celso Rocha de Barros: E o que esses dois países têm em comum, é petróleo, certo? O Steve Levitsky, que escreveu o livro, que até essa altura já virou até meio clássico, "Como as democracias morrem", junto com Daniel Daniel Ziblatt.
Fernando de Barros e Silva: Grande clássico!
Celso Rocha de Barros: É, ele deu uma entrevista ao ICL, em que ele diz que há uma boa probabilidade do Trump não reconhecer uma vitória do Lula, até porque a gente sabe, bom, é só você olhar as pesquisas, a gente vai falar isso depois, quem ganhar essa eleição vai ganhar de pouco, né? Então, se a diferença for pequena, ele pode perfeitamente inventar um argumento Cerimedo qualquer, já vamos falar dele, para dizer: "não, tem uma irregularidade aqui qualquer, não sei o que lá" e vai inventar e não vai reconhecer. Então já é bom o Lula ter feito essa blindagem junto com os países da União Europeia, junto com o Canadá, junto com os outros países do Sul global. Para deixar claro, ó, se ele vier de sacanagem, vocês sabem que é sacanagem. Saiu uma excelente matéria da Ana Luiza Albuquerque na Ilustríssima desse último domingo, sobre o risco de intervenção americana na eleição brasileira. muito boa que sumariza todos esses ataques recentes desde o Eduardo, agora está prometendo novas sanções depois da sessão do Supremo. E aí eu queria ver como é que eles vão formular isso. Vão fazer o quê? Sanções contra envolvidos no caso Master? Flávio Bolsonaro vai mesmo propor um negócio desse? Isso ia ser divertido. Gente, a gente vai falar isso aqui. O Flávio pegou o mesmo avião que o Xandão, né cara? O meu amigo Igor Tanque foi quem fez aquele meu PowerPoint para o Instagram tava falando: "podia ter uma charge do Flávio entrando no avião, encontrando o Xandão e falando 'mundo pequeno, né cara?'". Então, enfim, sanções por causa disso vão ser um negócio meio bizarro. A Mônica Bergamo revelou que tem um relatório da Abin que disse que elevou a possibilidade de intervenção americana a um nível de criticidade. E a gente agora cada vez mais está conhecendo a rede de desinformação dos Estados Unidos na América Latina. O Fernando Cerimedo, aquele argentino picareta que tentou matar a mulher recentemente e que na época da tentativa de golpe no Brasil, ele tinha uns vídeos dele que só serviam para impressionar gente de humanas que não tem ideia de número. Então vê que o cara abriu o Excel, então já acha que ele merece um prêmio Nobel, mas que todo mundo de exatas que olhava aquilo, já via que aquilo era uma farsa. Quando ele foi preso, descobriram que ele tem uma fazenda de bots, aquelas redes de aparelhos celular conectados, que ficam disparando continuamente milhares e milhares e milhares de mensagens para manipular os algoritmos. E a gente sabe que ele já atuou, pelo menos nas eleições da Bolívia, nas eleições de Honduras. A eleição de Honduras foi uma eleição em que os EUA mais interferiu até agora. Quer dizer, tirando o fato que eles sequestraram o Maduro, mas em termos de eleição foi a que mais interferiram. E agora, semana passada, eu estive nos Estados Unidos para um evento sobre isso, sobre essa interferência americana nas eleições brasileiras. E eu ouvi de um americano que em Washington tem uns caras que basicamente estão passeando pelo governo Trump e dizendo: "gente, vocês sabem que o Brasil é maior que Honduras, né? Vocês já olharam o mapa e viram que o Brasil é maior que Honduras? Não é tão fácil você manipular uma eleição lá como foi em Honduras".
Fernando de Barros e Silva: De qualquer forma, estamos felizes e aliviados que você tenha voltado, né Ana Clara?
Celso Rocha de Barros: Exato.
Celso Rocha de Barros: Exatamente. Achei que os caras do ICE iam me mandar lá para a prisão de El Salvador. Já tinha avisado aqui o pessoal do Foro, inclusive, mesmo se eu fosse para a prisão, eu ia descolar um celular pirata daqueles para gravar o foro, entendeu?
Ana Clara Costa: Ao vivo nosso correspondente.
Celso Rocha de Barros: Exatamente. E para concluir, o Estadão descobriu o documento que os Estados Unidos apresentou ano passado, como parte das discussões lá sobre o tarifaço de exigências para o governo brasileiro. E é nível roubar petróleo venezuelano, entendeu? Se você for para resumir o documento, é o Brasil tem que vender para os Estados Unidos mesmo se a China paga mais e o Brasil tem que comprar dos Estados Unidos mesmo se a China cobrar menos. As exigências dos Estados Unidos para o Brasil são vocês não podem fazer um cálculo econômico pensando no interesse de vocês nas contas de vocês, na riqueza de vocês. Vocês têm que conduzir o seu governo pensando nas minhas contas.
Ana Clara Costa: É, não, e comprar avião da Boeing em vez da Embraer.
Celso Rocha de Barros: Exato. Pois é um negócio completamente grotesco.
Ana Clara Costa: Pix.
Celso Rocha de Barros: Exato.
Ana Clara Costa: O fim do pix.
Fernando de Barros e Silva: Sim.
Celso Rocha de Barros: Para a gente vender terras raras, para a gente fazer um acordo qualquer de mineração, a gente teria que pedir autorização para os Estados Unidos, teria que primeiro informar os Estados Unidos perguntando: tem uma empresa americana aí que queira fazer isso com a gente não, em vez dessa outra empresa?
Ana Clara Costa: É chocante essa lista, né? São 21 concessões.
Celso Rocha de Barros: Exato. E a concessão de, cara, livro de ensino médio explicando o que era a relação do Brasil com Portugal.
Fernando de Barros e Silva: Esse é o verdadeiro programa de governo do Flávio Bolsonaro.
Ana Clara Costa: Exato. Exato. O Brasil no governo Flávio não teria porque não ceder a tudo isso.
Celso Rocha de Barros: Exatamente, entendeu?
Ana Clara Costa: Algo que o setor produtivo que vai votar no Flávio imagino que esteja contemplando.
Celso Rocha de Barros: Deu para ver que dali não sai nada, né gente? Dali não... Esses caras aí da elite que apoia Flávio Bolsonaro não tem nenhum projeto de país. Enfim, eles basicamente encaram o Brasil como um acampamento onde eles por acaso caíram. E o objetivo deles é tirar dinheiro desses coitados acampados aqui e um dia fugir para fora.
Fernando de Barros e Silva: Exato.
Celso Rocha de Barros: Então, se o Trump oferecer para eles um green card, ele deixa o cara vir aqui roubar tudo no Brasil, beleza, ele já tava roubando antes mesmo. Eles até fazem uma sociedade. Agora o que a gente vai vendo claramente é que meio ironicamente, nessa eleição, se o Flávio ganhar, o Brasil vai virar a Venezuela. Basicamente, a quem vai colocar a gente na mesma situação que a Venezuela está com autoritarismo e submissão aos Estados Unidos é a direita.
Fernando de Barros e Silva: Perfeito. E é isso mesmo. Que coisa.
Celso Rocha de Barros: Que merda, hein? Mas fora isso, tudo bem.
Fernando de Barros e Silva: Acho que a gente vai ter que fazer o Foro do Alentejo ou Foro de Montevidéu.
Celso Rocha de Barros: Pô, de Montevidéu é legal, hein?
Fernando de Barros e Silva: Ana Clara, deixa eu te ouvir sobre o evento da ONU, sobre as repercussões. Você andou apurando...
Ana Clara Costa: Bom, essa participação do Lula na ONU foi um pouco diferente das anteriores por algumas razões. Primeiro, pelo contexto eleitoral. Não tinha tempo hábil de fazer muita coisa ali. Tinha que voltar rápido para o Brasil para compromissos. Então ele não pôde participar de muitas bilaterais. Teve um evento que a Comunidade Europeia organizou em defesa dos mecanismos multilaterais que estão sendo dizimados pelo Trump e que o Lula poderia até participar em outro momento, mas não pôde participar. Ano passado houve um encontro que o Brasil ajudou a organizar de países em defesa da democracia. Esse ano nem aconteceu esse encontro. Enfim, eles nem cogitaram. Então foi, digamos, uma assembleia geral mais tímida por parte do Brasil e com uma intenção clara do governo, que era usar a plataforma da ONU como plataforma para as eleições para falar com o Brasil. Sempre é assim, em certa medida. Mas, em geral, há um equilíbrio entre você falar com o Brasil e falar com os atores internacionais. Nesse caso específico, foi sobretudo falar com o Brasil. Havia uma expectativa sobre a possibilidade de um encontro do Lula com Trump nos bastidores, como ocorreu no ano passado, e que teve, depois a gente descobriu, uma grande articulação por trás e tal. Esse ano esse encontro não aconteceu, em parte porque não houve uma articulação por trás. Em parte porque a situação está tão tensionada que não havia espaço para uma tentativa. Se vocês se lembrarem bem, no ano passado houve Joesley, houve empresários brasileiros, houve escritórios de lobby. Tinha toda a sorte de gente tentando viabilizar esse encontro deles nos bastidores. A chefe de gabinete do Trump, Susie Wiles, enfim, tinha campo para isso. Hoje isso não aconteceu. O que acontecia, na verdade, nos bastidores, era uma expectativa sem estratégia planejada, sobretudo do Itamaraty, que eles talvez se encontrassem para um aperto de mãos, assim, pudessem se cruzar e dessem um aperto de mãos e uma foto pudesse ser feita desse momento. Mas não aconteceu. O Lula saiu em um momento, o Trump chegou em outro, foi direto para a salinha em que ele ficaria. Não ficou em nenhum momento disponível. Então esse encontro acabou não acontecendo. O que em certa medida, também não sei se foi tão ruim, entendeu? Porque ficaria uma coisa estranha o Lula apertando a mão do Trump e o Trump interferindo na eleição do Brasil. Que imagem que você passa, né? Agora, um outro ponto bem grave dessa Assembleia Geral da ONU foi esse encontro do Escudo das Américas, que é um grupo de 15 países que o Trump reuniu em março desse ano na Flórida, 15 países de governos de direita extrema direita. O Brasil não foi convidado, o México não foi convidado para esse encontro. A Colômbia não foi convidada porque ainda era governo Petro e naquela ocasião formou-se ali uma, uma certa aliança em relação ao tema da segurança pública, que é o tema que o Trump está usando como cortina de fumaça para justificar a interferência que ele está fazendo nos países da América Latina. Vocês vão se lembrar. Isso já aconteceu com o México, que aconteceu com a Colômbia, que aconteceu com a Venezuela. Antes da invasão da Venezuela para a retirada do Maduro, o Trump atacou várias embarcações venezuelanas, dizendo se tratar de embarcações do tráfico.
Fernando de Barros e Silva: Ele explodia os barcos, explodia as pessoas e não se sabia quem morreu, etc. Era uma coisa...
Celso Rocha de Barros: Não sabia nem se os caras eram traficantes mesmo.
Ana Clara Costa: Exato. Não, não se sabia nada. E em outro aspecto, ele enquadrou o Gustavo Petro e a família dele numa lista do tesouro americano de pessoas que colaboravam com organizações criminosas. Não era a lista da Magnitsky, mas era um equivalente que fazia com que a pessoa que estivesse nela pudesse sofrer sanções. Então, esse tema tem sido o tema que ele tem usado para justificar todo tipo de ingerência que está acontecendo. O Brasil não tinha sido convidado para essa reunião e o Marco Rubio é o grande articulador, claro, desse grupo. Embora todos esses países ou são irrelevantes no sentido da política externa, da geopolítica, ou são totalmente alinhados aos EUA. Para eles, a ONU tanto faz como tanto fez. Não é importante. Mas eles acharam que seria importante fazer uma reunião do Escudo das Américas durante a ONU, que é um paradoxo, porque, já que eles não consideram a ONU, mas porque teria mais visibilidade. E aí o curioso é que nesse encontro do Escudo das Américas, esses outros países decidem assinar um tratado em que eles reconhecem também o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. E de novo, para essa reunião de agora que aconteceu na ONU, o Brasil também não foi convidado. O Brasil jamais foi convidado a fazer parte desse grupo. Nessa reunião do Escudo das Américas, não só o PCC, o Comando Vermelho, entraram na lista de organizações. Na verdade, o que aconteceu foi que todos os países que fazem parte desse grupo, que são 14 e mais os Estados Unidos, aderiram à concepção que os Estados Unidos têm de narcoterrorismo, que é um conceito que o Brasil não aceita. O Brasil, diplomaticamente, não aceita essa denominação. Então, ainda que o Brasil fosse convidado para isso, dificilmente ele ele assinaria esse tratado por não concordar nem mesmo com a concepção do que seria narcoterrorismo. Então é uma estratégia do Trump de isolamento do Brasil, do México, de Cuba. Cuba também, claro, não foi convidada para nenhum desses eventos e de pressão indireta ali sobre o país. Claramente, essa estratégia tem um viés mais militar do que diplomático.
Fernando de Barros e Silva: Sim.
Ana Clara Costa: É uma coisa anterior à estratégia da dissuasão. Por exemplo, você vai pressionando psicologicamente o país antes de fazer qualquer tentativa de fato de deslocar um porta aviões como ele fez na Venezuela. Então, assim você vai criando um clima de tensão para aquele governo que não faz parte do seu grupo. E nos Estados Unidos, os cientistas políticos que estavam observando essa formação do Escudo das Américas, que eu confesso, para mim, tinha passado totalmente batido. Eu nem me lembrava que essa reunião tinha acontecido em março, assim nem demos importância a isso no Brasil.
Fernando de Barros e Silva: Passou fora do radar mesmo.
Ana Clara Costa: Totalmente. Creio que o próprio governo brasileiro também não deu muita importância para isso. Mas nos Estados Unidos os cientistas políticos observaram esse movimento lá atrás, de você querer trazer para junto de você aquele grupo de países que foi o que aconteceu ali nos anos 60, numa estratégia da Guerra Fria contra a União Soviética. Então, que isso seria uma espécie de espelho daquela estratégia dos anos 60, mas dessa vez contra a China. E, curiosamente, o XI Jinping está nos Estados Unidos enquanto gravamos. Por que? Porque ele foi fazer uma visita de Estado. A primeira visita de estado dele para o Trump e a primeira visita de Estado do XI Jinping aos Estados Unidos em mais de dez anos.
Celso Rocha de Barros: Olha!
Ana Clara Costa: E o Trump fugiu do protocolo e foi receber o XI Jinping na descida do avião na base aérea com tapete vermelho. Isso não acontece. É totalmente fora do protocolo. O presidente americano não faz isso. E ele teve essa demonstração de deferência ao XI Jinping, que vai um pouco na linha de algo que a gente já falou aqui outras vezes, que é essa admiração que ele tem pelos autocratas, né? Ele diz que a China é o grande rival dos Estados Unidos na geopolítica e tal, mas presta à China uma deferência que ele não presta a nenhum outro país. Quase que se sentindo importante por estar no mesmo patamar que o XI, por achar que está, não sei.
Fernando de Barros e Silva: XI Jinping governa mais ou menos um bilhão de pessoas a mais do que o Trump, não é isso? A China são os sete Brasis mais ou menos. É isso.
Celso Rocha de Barros: Caralho.
Ana Clara Costa: E o resultado dessa investida , a gente já vê algumas consequências para a gente agora que foi uma ação que o PT protocolou no Supremo, pedindo que o Flávio Dino que relatasse, inclusive, denunciando a chapa do Flávio Bolsonaro por estimular a interferência americana no pleito no Brasil e pede inclusive a cassação da chapa e a inelegibilidade do Flávio. Há questionamento sobre esse assunto ser um assunto do Supremo ou do TSE, né? Talvez vocês se lembrem, quando teve a Magnitsky, o Dino usou uma ação que estava correndo sobre mineração no Supremo para falar do princípio de extraterritorialidade, ou seja, que decisões do governo americano sobre brasileiros no território brasileiro não valiam. O que quer que o governo americano determinasse sobre um cidadão brasileiro fora do território que compete ao governo americano não teria valor legal no Brasil, que foi um entendimento que ele teve na época da Magnitsky que sobre o Alexandre de Moraes. E aí, por esse histórico do Dino, o PT pediu que ele relatasse essa ação. Até acho que a gente vai falar mais disso no terceiro bloco, mas já antecipando um pouco aqui, é claro que a intenção do PT não é a cassação da chapa ou a inelegibilidade do Flávio, a não ser que eles façam uma loucura total, né? Mas é trazer a discussão ali para o campo do Supremo, onde hoje há uma maioria anti, digamos, intervenção americana. A gente pode dizer que talvez o Fux, o André Mendonça...
Celso Rocha de Barros: Pelo menos isso. Pelo menos o Supremo não tem ainda uma maioria a favor.
Ana Clara Costa: Exato. Exato. Porque é duro o jogo ali, né? Então dá pra gente dizer que o Fux, o André Mendonça, talvez o Kássio, a depender da situação, talvez entrassem ali numa votação pró Estados Unidos, né? Mas, a princípio, a maioria do Supremo é contra. Então, trazer essa discussão numa plataforma majoritariamente crítica ao que está acontecendo e os bolsonaristas estão olhando para isso e falando que é golpe. Mas aí depois a gente discute esse assunto no terceiro bloco disso.
Fernando de Barros e Silva: Disso eles entendem.
Ana Clara Costa: Disso eles entendem.
Celso Rocha de Barros: Disso eles entendem.
Fernando de Barros e Silva: A gente encerra, então, o primeiro bloco do programa. Fazemos um rápido intervalo. Na volta, nós vamos falar justamente de Supremo. Já voltamos.
Fernando de Barros e Silva: Muito bem, estamos de volta. Ana Clara, vamos começar com você. Podemos começar pelo noticiário envolvendo a turma do KN.
Ana Clara Costa: A turma do Kássio com K.
Fernando de Barros e Silva: Turma do Kássio com K. Esse contrato aí de 427 milhões, se não me engano, inflacionou o mercado da corrupção.
Ana Clara Costa: A gente achava que 139 era...
Celso Rocha de Barros: Pois é, você já imagina os outros falando assim: "Como assim para ele você pagou isso tudo?".
Ana Clara Costa: Qual é a questão central aqui? Quando o Master começa a tratar com precatórios é quando ele já estava sem nada, entendeu? Ele já não conseguia capital formal. Ele já não estava conseguindo mais emitir os CDBs no ritmo que ele emitia antes. O Banco Central estava enchendo a paciência do vORcaro. Ele não estava conseguindo dinheiro de nenhuma outra forma.
Fernando de Barros e Silva: Quando ele recorre aos precatórios, então, ele já está em rota de fuga.
Ana Clara Costa: Ele não precisava do dinheiro do precatório. Ele queria, na verdade, dar o precatório como garantia de capital do banco. Para ele poder emitir CDB, ele precisava de capital. Ele não podia emitir o CDB sem lastro. E ele passou a usar os precatórios como lastro para continuar emitindo CDB e o Banco Central rapidamente, ainda na época do Roberto Campos Neto, viu isso e mudou a regra interna para que eles não conseguissem mais colocar os precatórios como garantia. Só que o mercado de precatório é um mercado muito consolidado, que já era muito dominado pelo BTG Pactual. Então, o que o Vorcaro começa a fazer? Ele começa a trabalhar com pré-precatório. O que é precatório? Começa por aí. É uma dívida que governos estaduais, municipais ou governo federal tem com pessoas, empresas, etc. E que chegam ao ponto de transitar em julgado. E aí o precatório é o pagamento que a União, no caso, ou o Estado ou município, tem que fazer para esse indivíduo.
Fernando de Barros e Silva: São dívidas das quais não se pode mais recorrer.
Ana Clara Costa: Exato. Dívidas transitada em julgado e dívidas, assim, tributárias de lá atrás, né? Enfim, são dívidas mil. Assim, pode ser por qualquer razão. Quando você tem uma dívida da União, o precatório da União é um precatório que é bem valioso porque a União tem dinheiro para pagar. No caso de Estados e municípios, São Paulo, por exemplo, é um precatório valioso. Talvez o precatório do Rio de Janeiro, de Minas, precatório de Guarulhos, enfim, Macaé, talvez não seja tão valioso assim. Então, depende muito do lugar. Mas o precatório da União é um precatório que vale bastante. Só que é um mercado consolidado. E aí muita gente picareta começa a tentar negociar, vender no mercado, pré-precatório, que são títulos que ainda não tiveram decisão de trânsito em julgado, ou então que tiveram decisão de trânsito em julgado mas ainda existe um debate sobre qual é o percentual de juro, de multa e tal. Então ainda tem espaço para contestação e para briga judicial. Exato Mesmo transitado em julgado. E aí é nessa minúcia que o Daniel Vorcaro trabalhava, nesses pré-precatórios ou precatórios ainda com debate sobre alíquota. Era ali que ele estava jogando. Então, para ele, era muito importante no caso de um precatório que estava correndo no Supremo, que um ministro do Supremo votasse de forma favorável a empresa para que a União pagasse de fato o que ele queria para os precatórios. E onde que ele sacaneava com isso? Ele colocava no balanço do banco que um precatório X valia 3 bilhões e na verdade valia 300 milhões, entendeu? Então, quando o ministro Kássio é procurado para conversar sobre um determinado voto relacionado a um precatório, ainda mais quando os honorários são tão vultosos assim, é porque você quer que um precatório tenha uma solução jurídica favorável a você. E nesse momento era tudo o que ele precisava. Então, o Kássio teve toda essa história da turma do KN. E teve também o Toffoli na reportagem que o Breno Pires publicou na piauí, que também tinha uma questão em relação ao voto dele de um precatório de uma destilaria e que o Vorcaro estava com medo que ele mudasse o voto dele e prejudicasse a votação. E isso ele discute por mensagem com o Fábio Faria, com o diretor jurídico. Então, esse era um assunto muito importante para ele e há precatórios que tramitam no Supremo. Então o Kássio Nunes Marques, ministro do Supremo, foram reveladas mensagens que aludem a pagamentos feitos ao filho dele, Kevin. Nesse caso, lembrando que é um recém-formado, um advogado recém formado e muito bem sucedido. Outras ramificações dessa influência no Judiciário acabaram aparecendo desembargadores envolvidos. né? A filha de um desembargador que trabalhou nesse caso fez uma festa de aniversário de 15 anos com um show do Wesley Safadão. Esse cantor muito popular que tem um cachê de milhões. Então era um nível de rentabilidade para quem trabalhava nesse campo, que era impressionante. É curioso e eu quero retomar um assunto da semana passada para falar disso, que essas coisas estejam aparecendo agora, né? Porque essas mensagens estão no celular dele desde que ele foi apreendido no ano passado. São vários celulares que foram apreendidos e só agora, a partir do momento que o André Mendonça expôs o Alexandre de Moraes.
Fernando de Barros e Silva: Isso desencadeou uma contra ofensiva.
Ana Clara Costa: Exato. Se antes a situação era "vamos nos proteger, todos nós", agora é cada um por si e caos total, né? Tanto que há especulações sobre o Rodrigo Fux, filho do Fux e o próprio André Mendonça com o seu instituto, que nasceu graças a investimentos de empresas com interesses, inclusive, em precatórios. E aí, falando do André Mendonça, um dos empresários que viabilizou a fundação do Instituto dele do Iter foi o Lucas Kallas. Segundo uma reportagem do UOL feita pelo Cézar Feitoza, Fabio Serapião e Marcela Mattos. Lucas Kallas hoje é rompido com Daniel Vorcaro, mas em abril de 2024, quando ele fechou um contrato com o Instituto do André Mendonça, ele era talvez o principal aliado do Daniel Vorcaro. Então você tem uma gama de empresários que orbitavam em torno do Daniel Vorcaro como laranjas dele. Você tem gestoras de investimento. Esse empresário mineiro, por exemplo, fazia muito esse papel de laranja do Daniel Vorcaro para mandar dinheiro para fora. E o Lucas Kallas era um desses empresários. É um empresário de fato de Minas Gerais, que tem empresas que atua sobretudo na mineração, mas que também era visto no mercado como alguém que operava em nome do Daniel Vorcaro. E justamente foi o Lucas Kallas que fez esse aporte que o UOL revelou de 5,2 milhões no Instituto do André Mendonça. E depois também se soube que o André Mendonça voou em jatinho do Lucas Kallas e tal. Então é muito difícil a gente imaginar que um ministro do Supremo possa ter um negócio em que ele precise de investimento milionário de pessoas com interesses em ações no Supremo, que foi o que aconteceu aqui. Ele pode ter se inspirado para criar esse instituto em outros ministros do Supremo que fazem a mesma coisa, né? É possível? Exato. Mas o fato é que você está se colocando numa situação de conflito máximo de interesses com um dos principais aliados naquela época do Daniel Vorcaro, que é o centro das investigações hoje. Falando em André Mendonça, também como efeito do que aconteceu na semana passada, o caso Master e o caso do INSS estão sem relator. Então, qualquer advogado que quer peticionar qualquer coisa sobre seus clientes nesses casos não sabe para quem peticionar, porque não tem relator. O Fachin também não definiu que ele é o próprio relator. A situação assim é meio de caos total, né? Continuamos sem saber se o Alexandre de Moraes vai ser investigado porque o Dino pediu vista na semana passada sobre a questão de ordem que trataria do rito, se eles seriam investigados todos juntos ou cada caso separado. E como a questão de ordem ensejou esse pedido de vista, o mérito não foi julgado e não sabemos quando será. Setores da esquerda estão divergindo quanto a isso, porque, particularmente, o núcleo próximo do Lula, o governo Lula, gostaria que a questão tivesse sido resolvida na semana passada para ser uma questão ultrapassada já. Para morrer. E morrer a questão, não estou falando para ser engavetada, não é isso. Mas que eles tivessem.
Celso Rocha de Barros: Eleitoralmente.
Fernando de Barros e Silva: Dar um encaminhamento.
Ana Clara Costa: Exato, porque eles tivessem definido o rito, definido se haveria sindicância definido quando seria a sessão para avaliar o mérito, para não ficar essa coisa com um sentimento na população de que isso vai ser esquecido e que é esse sentimento na população que eles julgam que pode ser prejudicial para eles.
Fernando de Barros e Silva: É, de que eles estão enrolando para proteger o Alexandre de Moraes. É isso. Para acobertar a bandidagem. É essa a sensação.
Ana Clara Costa: Exato. E para se defender disso, o governo destacou o Marco Aurélio de Carvalho do Prerrogativas, que falou publicamente em entrevistas nesses últimos dias, que o Alexandre de Moraes nunca foi de esquerda, sempre, inclusive foi anti-petista. Foi indicado pelo Temer quando votou em relação às ações do Lula, sempre votou contra o Lula e que ele não entende porque a esquerda, do nada, resolveu defender o Alexandre de Moraes e conectá-lo a um viés ideológico que ele nunca teve. Isso palavras do Marco Aurélio, que é aliado de primeira ordem do Lula. E aí ele fala uma frase, ele fala assim: "O Alexandre Moraes fez o que ele tinha que fazer no inquérito do golpe. Ele teve coragem. Ele teve uma postura que era condizente com o papel dele de ministro. Mas isso não dá a esquerda a liberdade de achar que ele pode fazer qualquer coisa". Então você tem uma divergência acontecendo ali, no próprio campo progressista, em relação ao papel do Alexandre de Moraes. E essa divergência foi explícita nesses últimos dias, segundo o UOL, uma reportagem da Marcela Mattos por uma briga entre o Messias e o Andrei Rodrigues. Andrei Rodrigues representando essa ala Alexandre de Moraes e o Jorge Messias reclamando que estava sendo monitorado pela PF só porque em dado momento ele teve uma conexão com o André Mendonça. Então, essa divergência do campo progressista se projetou nessas duas figuras que acabaram brigando na frente do Lula nos últimos dias, segundo a reportagem do UOL.
Fernando de Barros e Silva: Muito bem. Celso, eu quero te ouvir sobre a turma do KN também.
Celso Rocha de Barros: Então, Fernanda, agora o Kássio Nunes está no centro do caso Master. Ele antes estava naquela fronteira ali do PowerPoint, sabe? Assim, filho dele recebeu dinheiro, mas ninguém sabe bem se é ou não é...
Fernando de Barros e Silva: Se o menino era talentoso mesmo, um gênio da advocacia.
Celso Rocha de Barros: Exato. Vai que ele era bom, né? Trabalha enquanto a gente dorme, né? Exatamente. O que é possível, porque eu tenho insônia, entendeu? Então... Agora não. Agora ele tá mais ou menos na mesma situação do Toffoli, que tinha uma suspeita de dinheiro que era o negócio do Tayayá. Aquelas coisas novas que a matéria da Ana, do Breno, do João, mostraram. E o Toffoli tinha também atuação concreta a favor do Master, que foi aquela tentativa de melar o trabalho do Banco Central, que ele é o Jhonatan de Jesus, do TCU, fizeram no começo do ano. Agora o Kássio Nunes está na mesma, porque a gente tem esse contrato aí que, pelo amor de Deus, a gente 400 e tantos milhões, é bastante milhão.
Ana Clara Costa: Nem sei quantas cifras.
Celso Rocha de Barros: Pois é, sei lá.
Ana Clara Costa: Quantos dígitos.
Celso Rocha de Barros: Parece muito, npe? Olhando daqui a gente só consegue falar: "Parece muito, né?".
Fernando de Barros e Silva: Isso é prêmio de loteria. Uma coisa bizarra.
Celso Rocha de Barros: Daquelas loteria de final de ano.
Fernando de Barros e Silva: De final de ano.
Celso Rocha de Barros: Mega sena do réveillon.
Ana Clara Costa: Da virada.
Celso Rocha de Barros: Da virada.
Fernando de Barros e Silva: Kassião da virada. Vamos lá.
Celso Rocha de Barros: É, essa mega sena da virada o Kássio Nunes ia ganhar por decidir a favor do Vorcaro nesse caso dos precatórios. E ele decidiu. Então ele tá na mesma escala que o Toffoli no momento. Tem uma grana suspeita e uma decisão suspeita. Obviamente, tudo isso tem que ser investigado, provado, assim, todo mundo é inocente até que se prove o contrário, etc. Mas enfim, ficou bem ruim para o Kassio Nunes. Kassio Nunes pulou vários degraus no organograma do caso Master. E o que são os precatórios? Isso aí é uma sacanagem típica de mercado financeiro. Você tem umas moedas podres circulando pelo mercado que são vendidas por, sei lá, 2% do valor de face, que é um negócio assim, por exemplo, dívida de banco que faliu. Cara, a chance de você ganhar isso um dia é remota. Então você tem lá um título dizendo esse banco que faliu te deve 1 bilhão. Se você for vender isso aí você vai vender por 50 centavos, entendeu? Assim, ninguém vai pagar esse negócio. Então, uma operação possível é você comprar um negócio desses que não vale nada e depois comprar um juiz que diga que vale. Por exemplo, o juiz chega e fala: "Não, esse banco realmente faliu, mas o FGC deveria pagar você, sei lá. Ou a União deveria pagar você ou sei lá, o patrimônio da família do dono do banco devia pagar a você".
Ana Clara Costa: É essencialmente público. Não é patrimônio de ninguém.
Fernando de Barros e Silva: A estratégia Chico Raiz tem um Corcel 75 para você o fazer por 75.000, não é isso?
Celso Rocha de Barros: Exato. Então se você pega um troço que não vale nada e paga um juiz para dizer que vale, e aí vale a pena você pagar caro para o juiz, porque esses 400 milhões para o Kassio Nunes, caso tenha sido dinheiro para ele tomar essa decisão, a decisão gerou incomparavelmente mais dinheiro pro Vorcaro, porque aí ele tem uns papéis que ele comprou por zero e que agora passaram a valer uma fortuna. Então o procedimento é esse você pega um negócio qualquer daquele processo que foi esse processo dos anos 80, entendeu? É da época que tinha controle de preços sobre álcool. Aquelas coisas todas. Brasil tentando a investir em autonomia energética, aquela coisa de pró-álcool. E aí você pega um negócio desses que a essa altura do campeonato você chegar no mercado para vender, ninguém vai comprar, mas você paga um juiz para dizer: "Olha, cheguei a conclusão que esse negócio aqui vale o que está escrito nele" e pronto. Você joga isso no seu balanço. Você estava no vermelho, passou para o azul.
Ana Clara Costa: Ou então você coloca dentro de um fundo e vende esse fundo.
Celso Rocha de Barros: Inclui ele no meio de um negócio lá. E para saber o que é aquilo e o que que é dinheiro de verdade, vai ficando cada vez mais difícil. E aí, enfim, você infla o seu balanço. Por isso que a Ana disse que eles começaram a correr para isso quando já estavam mal das pernas. Mas isso é uma operação típica do cara mal das pernas. O cara vai e tenta inflar o balanço ou compra, sei lá, um terreno, uma coisa assim. E aí você diz que aquele troço ali, não, porque você tem informações, que vai ter uma estrada aqui, vai ter um negócio, então ele na verdade não vale esses 50 mil que eu paguei aqui, ele vale 50 milhões. E aí você bota no seu balanço 50 milhões. Pronto. Foi para o azul. Você mostra suas contas lá para os acionistas.
Fernando de Barros e Silva: Pântano dos precatórios.
Celso Rocha de Barros: Exato. Então assim, a mutreta é clássica. Para quem acompanha mutreta de mercado financeiro, isso aqui acende todos os alertas e é muito ruim o Kássio Nunes estar metido nesse negócio. Então, assim, mais uma vez a gente vai vendo que essa briga aí no Supremo não é entre bonzinhos e mauzinhos, né cara? Em tese, o Kássio Nunes todo mundo esperava que votasse a favor do Mendonça, se ele votasse. E o Kássio Nunes está nessa. Então assim vai vendo que é um negócio bem mais complicado e bem mais feio do que a gente estava esperando.
Fernando de Barros e Silva: Com o agravante de que o Kássio Nunes é o presidente do TSE.
Celso Rocha de Barros: É o presidente do TSE. É o cara que tá cuidando da eleição esse ano. Agora queria chamar a atenção pra uma coisa. Tem gente dizendo o seguinte, olha só, obviamente esse negócio do Kássio Nunes é horrível, mas os caras do Xandão estão usando isso para desviar a atenção do desvio do Xandão. É perfeitamente possível, como aliás a pessoal do Flávio usa o escândalo do Xandão para desviar a atenção do escândalo do Flávio. O jogo é esse. A questão relevante aqui é se a acusação é verdadeira, tanto no caso do Xandão quanto no caso do Kássio. Então, assim, se os dois tiverem se metido mutreta mesmo, os dois tem que ser afastados e presos. O fato dessa acusação ter sido gerada para desviar a atenção do Xandão não quer dizer absolutamente que ela é falsa. Ela tem que ser tratada com a mesma atenção, o mesmo espaço de mídia, a mesma indignação que o caso do Xandão.
Fernando de Barros e Silva: Teria.
Celso Rocha de Barros: E deveria. Não vai. Mas enfim.
Ana Clara Costa: É que o problema para o bolsonarismo não é o Alexandre de Moraes ter fechado o contrato com o Vorcaro é ter...
Celso Rocha de Barros: É.
Ana Clara Costa: Ter prendido.
Celso Rocha de Barros: Prendido Bolsonaro. Exatamente.
Ana Clara Costa: Assim, aparentemente, para eles, a questão da corrupção no Judiciário não importa tanto, entendeu? Ainda mais quando o ministro é o deles, né?
Fernando de Barros e Silva: A essa altura eu fico pensando que efeito isso tem sobre o comportamento do eleitor, talvez tenha uma sensação de saturação, de que está tudo dominado por corrupção. As histórias se confundem porque até para a gente é difícil acompanhar.
Celso Rocha de Barros: Exatamente.
Fernando de Barros e Silva: A gente fica o dia inteiro tentando entender todas as coisas e descobrir coisas, etc. É um emaranhado de denúncias.
Ana Clara Costa: Como na Lava Jato. Um pouco.
Fernando de Barros e Silva: O que resulta disso é um ruído para o eleitor.
Celso Rocha de Barros: Exato.
Fernando de Barros e Silva: Nada disso presta e tal. E daí ele tende a confirmar.
Celso Rocha de Barros: O viés que ele jatinha .
Fernando de Barros e Silva: A intenção que ele já tinha de voto. E esse voto está, digamos assim, influenciado ou motivado por um sentimento de repulsa pelos do poder. E vai acontecer, se acontecer a tragédia que a gente espera que não aconteça, é o que o Celso falou os bandidos seriam beneficiados, premiados pela bandidagem.
Celso Rocha de Barros: Eles vão ganhar a eleição por terem quebrado um banco.
Fernando de Barros e Silva: Por terem quebrado um banco e enchido.
Ana Clara Costa: Os cofrinhos.
Celso Rocha de Barros: Enchido os cofrinhos com dinheiro de aposentado com dinheiro dos contribuintes de Brasília.
Fernando de Barros e Silva: As burras de dinheiro.
Celso Rocha de Barros: De um monte de gente.
Fernando de Barros e Silva: É isso. Bom, a gente encerra então o segundo bloco do programa. Na volta, a gente fala sobre as pesquisas eleitorais e sobre as denúncias mais recentes envolvendo Flávio Bolsonaro.
Fernando de Barros e Silva: Muito bem. Estamos de volta. Celso, vou começar com você. Ficamos sabendo recentemente pela matéria da piauí que o Robson Calixto Fonseca, o Peixe, que chama Flávio Bolsonaro de o nosso senador, negociou com a assessora dele uma emenda no valor de 200 mil reais para uma ONG. Flávio Bolsonaro, fotografado ao lado do finado Sicário, condecorou o finado Adriano da Nóbrega, que morreu em circunstâncias até hoje não esclarecidas. O amigão do Vorcaro.
Ana Clara Costa: Amigo de Fabrício Queiroz.
Celso Rocha de Barros: Empregava a mãe e a irmã do Adriano da Nóbrega no gabinete dele.
Fernando de Barros e Silva: Vamos falar sobre esse personagem que o Peixe chama de o nosso senador.
Celso Rocha de Barros: Se ainda é surpresa para você que Flávio Bolsonaro tem ligação com milícia do Rio de Janeiro, você precisa ouvir os episódios anteriores aqui do Foro de Teresina. Ou aliás, ler qualquer jornal, né cara? Enfim, esse é o segredo mais mal guardado da política brasileira. Quando você vê essas coisas assim, o Flávio dizendo: "não. Agora, pedi para o Trump classificar como terrorista os caras..." só que as milícias não entraram como terrorista. A Casa Branca é capaz de reconhecer como força de paz da ONU as milícias do Rio de Janeiro. Mas, enfim, nessa última rodada de provas de amor do Flávio para as milícias cariocas, ele mandou uma emenda parlamentar de 200 mil reais para um projeto em áreas de milícia, a pedido de um dos homens presos por envolvimento no assassinato da Marielle. Então o glorioso Robson Carlos Fonseca, o Peixe, era um cara ligado ao Brazão, que é o cara condenado pelo assassinato da Marielle.
Fernando de Barros e Silva: O mandante.
Celso Rocha de Barros: É o mandante do assassinato da Marielle. E ele pediu para o senador dele, "nosso senador", esse dinheiro para ser gasto em uma obra social. E aí o Flávio mandou o dinheiro E agora, quando pegaram, "olha só, Flávio, você mandou dinheiro aqui para o miliciano?". Ele falou: "não, cara, mandei para uma ONG lá, entendeu, que era negócio de futebol infantil, então mandei lá. Queria ver as crianças jogar bola, entendeu? Sou um cara legal, gosto de criança jogando bola e tal. E se os caras fizeram alguma picaretagem, aí é questão deles lá. Vocês tem que perguntar para eles". Pois é, não. Em primeiro lugar, porque assim, se eu sei que o Peixe era do brasão e o brasão era ligado às milícias, não é possível que o Flávio não soubesse. Até porque ele não só tem muito mais informação sobre política, como tem muito mais informação sobre milícia do que eu. Em segundo lugar, o Tribunal de Contas, o TCU, já foi atrás dessa ONG, de como esses recursos foram gastos e viu que era tudo picaretagem. Entendeu? Então, por exemplo, o contrato de coordenação do projeto esportivo lá, que era para as crianças jogar futebol, era firmado com o escritório de advocacia do José Rômulo Oliveira Alves, que era o presidente da ONG. Então, assim, a ONG contratou o seu presidente para cuidar do negócio. O cara operava dos dois lados, como presidente da ONG e como advogado que foi contratado pela ONG. Ou seja, esse dinheiro basicamente foi desviado para esse cara, ao que tudo indica aqui pela conclusão do TCU, a outra coisa é que assim não teve concorrência, os preços são suspeitos e é bastante claro que isso aqui é dinheiro desviado. Nenhuma criança que ganhou uma bola que seja para jogar ali na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Isso foi um dinheiro que saiu do Orçamento da União, que poderia ter sido gasto, por exemplo, um equipamento para o SUS. Sabe você que tá na fila do SUS esperando um exame e o exame demora para ser marcado porque não tem uma máquina lá para fazer o exame? Então, talvez ela pudesse ser comprada com esses 200 mil que o Flávio Bolsonaro deu para os milicianos embolsarem. Então, basicamente é uma transferência de renda da União para os milicianos por intermédio de Flávio Bolsonaro. Então vai ficando cada vez mais claro que assim, se você ainda não percebeu que Flávio Bolsonaro é um picareta, eu não vejo um Nobel no seu futuro, filho, entendeu? Então a sua situação tá difícil e a gente vai percebendo que o Flávio Bolsonaro, no fundo, não é exatamente candidato a presidente. Ele é laranja de uma chapa cujo candidato a presidente é o Marco Rubio e que a vice presidência está em disputa entre o Daniel Vorcaro, do Banco Master e as milícias do Rio de Janeiro. E se ele ganhar, são essas pessoas que vão administrar o Brasil. E essa aliança entre Marco Rubio, milícia do Rio de Janeiro e a bancada Master.
Fernando de Barros e Silva: Exatamente.
Celso Rocha de Barros: Enquanto isso, o Datafolha mostrou que a maioria das pessoas acha que a esquerda tem mais gente envolvida com massa do que a direita. E olha só, você pode ser de esquerda, pode ser de direita. Assim, todo direito são as duas metades de uma democracia moderna. Entendeu? Nada contra. Agora, objetivamente falando, se você fizer a contabilidade dos envolvidos, é muito mais gente de direita, como eu já enchi o saco de todo mundo falando ao longo desse ano inteiro. Então, se você é dono de um jornal ou um canal de televisão, alguma coisa, você vê que as pessoas estão com opinião sobre um grande escândalo de corrupção, que é o exato inverso dos fatos. Qual deve ser nosso julgamento sobre seu trabalho de informar? O quanto você foi competente em entregar o produto que você diz que vende? Eu acho que é um troço que exige uma reflexão aqui, entendeu? E é claro que, enquanto isso, a gente tem todos os profissionais de desinformação levando água para esse moinho de jogar a culpa na esquerda, de associar o Alexandre de Moraes à esquerda, de fazer esse troço. Por exemplo, entre os profissionais de desinformação que se destacam nesse trabalho está o ex-jornalista Glenn Greenwald, que já foi um jornalista de muito prestígio, que fez reportagens muito boas, ganhou o Prêmio Pulitzer e tudo. Mas hoje ele é só a vingança americana pelo George Santos. Você sabe, aquele picareta aqui de Niterói que a gente mandou para os Estados Unidos? Ele virou deputado lá, enganando todo mundo. Glenn Greenwald é a vingança dos americanos. Eles mandaram um picareta desses para cá para enganar todo mundo.
Ana Clara Costa: Felizmente, ele ainda não tem cargo.
Celso Rocha de Barros: Exatamente. Mas dá um tempo. Quem sabe ele não ganha um porta-voz aí se o Flávio ganhar a presidência. Mas o Glenn Greenwald é um cara que está dizendo não só aqui como lá fora, que esse escândalo é basicamente sobre o principal aliado de Lula, Alexandre de Moraes. Glenn, você mora no Brasil. Você sabe que está mentindo. Você está sendo sem-vergonha. Você precisa criar vergonha na cara, porque você lê jornal aqui, entendeu? Você sabe português. Você sabe que isso é tudo mentira. Por outro lado, essas últimas pesquisas não variaram nada fora da margem de erro, praticamente. O Lula teve uma pequena melhora. Mas se você olhar os quesitos mais desagregados, eu acho que tem algumas boas notícias para o Lula. Assim, você já tem em alguns lugares uma queda do quanto as pessoas dizem que a situação do STF vai ser decisiva para o seu voto. Já tem gente dizendo que quando a pergunta não é esquerda ou direita, quando a pergunta é Flávio ou Lula, já tem mais gente dizendo Flávio é mais enrolado que o Lula e alguns grupos demográficos em que o Lula tinha perdido espaço, ele já começou a avançar de novo. De modo que assim parece ter começado um movimento de recuperação do Lula. Mas a eleição é tão apertada que os movimentos todos acontecem dentro da margem. Assim, é arriscadíssimo comentar eles, inclusive, porque você não tem base estatística para dizer isso. Como você disse no final do último bloco, conforme a população vai ficando com a impressão de que bom, o Supremo é um bando de sem vergonha dos dois lados lá brigando entre eles. Uma coisa que pode acontecer o que você disse. Elas podem interpretar esse seu viés prévio e votar como já iam votar de qualquer jeito. Mas uma outra coisa as pessoas podem usar outro critério para decidir seu voto. Então, esses esforços todos que o Lula está fazendo para apresentar medidas de governo agora, como o aumento do Bolsa Família, a provável proibição de bets que deve vir aí, a gente não sabe em que extensão vai ser proibido, mas parece que está vindo aí esse pacote e várias outras medidas nesse sentido parece ser um pouco focada nisso também. Assim, para pegar esse eleitor que estava acompanhando isso, chegou a conclusão que cara, isso aí é uma zona. Eu posso estar indignado com isso, mas não tenho um veículo óbvio para minha indignação entre os candidatos.
Ana Clara Costa: O Lula está usando as armas de emergência, que bets são ruins ele sabe faz muito tempo. O Haddad na época queria muito a tributação das bets porque queria esse dinheiro para o superávit. Não é que o Lula descobriu as bets hoje.
Celso Rocha de Barros: Não faz a menor... Não tenho a menor dúvida.
Ana Clara Costa: Mas assim eles claramente estão apertando o botão da emergência.
Fernando de Barros e Silva: Da emergência. É Isso mesmo.
Celso Rocha de Barros: Estão jogando com tudo que eles têm ali. Mas eu acho que também é uma estratégia a de tentar assim, olha só, esse debate sobre o STF que ocupou a gente durante tanto tempo não tá com cara que vai ter uma conclusão até a eleição. A população não está percebendo claramente um veículo óbvio para combater isso, entendeu? Porque eles associam o Alexandre de Moraes ao Lula e o Flávio é enrolado no mesmo escândalo. Então, talvez eles decidam o voto por outro motivo.
Fernando de Barros e Silva: Para abrir um parêntese aqui a respeito das bets, me parece uma medida muito positiva, porque esse negócio é uma tragédia social e dá emprego para quem? Para o Galvão Bueno, para o Ronaldo Fenômeno dar emprego para meia dúzia de gente que fica... Para Virginia...
Ana Clara Costa: Exato.
Fernando de Barros e Silva: As pessoas que ganham dinheiro com isso vão passar.
Celso Rocha de Barros: Com certeza.
Fernando de Barros e Silva: Não dá emprego para ninguém.
Ana Clara Costa: Concentra tanta renda que o assessor do Whindersson se transformou do dia para a noite nos maiores empresários do Brasil a bordo de um Gulfstream pelo mundo. E em cinco anos, o cara... Então assim, é altamente concentrador de renda.
Fernando de Barros e Silva: As emissoras que se virem e o Galvão Bueno que vá fazer propaganda de uma coisa menos indecente. Acho socialmente muito importante.
Celso Rocha de Barros: Concordo com você.
Fernando de Barros e Silva: Ele está recorrendo a isso por desespero mesmo, mas ainda bem. E é claro que se o Flávio ganhar a eleição, as bets não vão acabar, é óbvio. Ana, deixa eu te ouvir sobre isso.
Ana Clara Costa: Olha, pegando um pouco do que o Celso falou agora pouco, a relação do Flávio com a milícia é aquela coisa dura, a gente ter que voltar a falar desse assunto depois de quatro anos, né? Puxa! Falar de milícia ainda, né, a essa altura do campeonato. Mas só lembrando o ouvinte do que já era um fato consumado no passado. Eles não acham um demérito, uma ofensa, dizer que eles são ligados com a milícia. Eles não acham que são um problema porque a milícia não se acha errada. Eles se acham corretos, entendeu? Então o Flávio você chamar ele de miliciano, de ligado à Polícia Militar de Rio das Pedras, ele considera isso quase como um ativo, não como um problema. Por isso ele nunca fez nenhuma questão de omitir qualquer relação com a milícia, com a milícia e nem com policiais que cometem crimes. Tanto que, como revelou o ICL em março desse ano, uma reportagem da Alice Maciel, o Flávio foi advogado de defesa do policial militar Bruno Delaroli, que matou uma menina de cinco anos, minha xará Ana Clara, em Niterói, em 2021, durante um patrulhamento de rotina. O crime aconteceu em 2021. Em 2024, ele entrou na defesa do policial militar, apresentando um recurso no STJ para tentar reverter uma decisão do Tribunal de Justiça do Rio, que queria submeter o caso a júri popular. O recurso foi negado, ou seja, ele entrou nesse caso à toa. Agora, nesse momento, não cabe mais recurso. Então, tudo indica que o policial Delaroli vai a júri popular. Então é esse nível de envolvimento. É um nível de envolvimento que não tem qualquer vergonha, pelo contrário. E ele também, precisamos lembrar, que ele foi um dos defensores do policial que matou a juíza Patrícia Acioli. Defensores não na corte, mas defensores públicos, né? Praticamente colocando a culpa nela pelo próprio assassinato. Então, quando você fala que ele a ele direcionou emenda para miliciano, para ONG ligada... Para ele, isso é quase um elogio. Para a turma que está no entorno dele, isso não é um problema, né? Veja o tipo de tratativa que eles estão tendo com Trump em relação à segurança pública. O cara, ele pediu um navio do Trump, um porta aviões na Baía de Guanabara.
Fernando de Barros e Silva: Eu falei Essa cena surreal distópica corre o risco de se materializar. Mas é importante você falar essas coisas, porque por mais que o sujeito se gabe disso, a gente tem que lembrar o pântano que a gente está. O grau de barbárie em que a gente já está e está ameaçado de entrar de maneira em vários aspectos, irreversível, acredito eu. Eu achei que eu nunca fosse pensar isso, que existisse alguém pior do que o Bolsonaro. Mas eu acho que o filho é pior que o pai. Pelas circunstâncias e talvez pelas disposições subjetivas, pelas ligações que ele tem. Não só pelas circunstâncias, porque historicamente você tem um governo Trump avançando sobre a América inteira. É muito regressivo mesmo.
Ana Clara Costa: E o quadro de deterioração institucional no mundo é tamanho que a possibilidade de o Flávio se eleger no Brasil não desperta muito a atenção internacional porque o Trump deslocou a discussão para um extremo tão grave que o fato de a família Bolsonaro voltar para o poder no Brasil, que era uma questão internacional em 2022, deixou de ser. Agora você tem um problema tão maior que isso importa muito pouco. O que nos prejudica também, porque a discussão internacional naquele momento era importante. Tanto que a gente não pode se esquecer que o Bolsonaro foi declarado inelegível porque ele tentou passar para a comunidade internacional, para os embaixadores, o discurso...
Fernando de Barros e Silva: De que a eleição era fraudada.
Ana Clara Costa: De que as urnas não funcionavam, de que as urnas eram fraudadas. Então, mais um tijolinho.
Fernando de Barros e Silva: Existe de fato essa indiferença ou anestesia, mas existe ao mesmo tempo, já que a gente estava falando de jornalistas, dos vendidos, a gente pode falar do lado dos jornalistas sérios e preocupados e atentos e que fazem o que têm que fazer. Estou pensando no Carlos Dada do Faro, no site de El Salvador Carlos Dadá, que vive no exílio.
Celso Rocha de Barros: Esse é herói.
Fernando de Barros e Silva: Que no Festival da Piauí ele falou isso na mesa dele. Mas conversando na véspera, ele falou: "Essa eleição de vocês vocês sabem que não é uma eleição sobre o Brasil, uma eleição sobre o continente".
Celso Rocha de Barros: Exatamente.
Fernando de Barros e Silva: "Se o Brasil perder a democracia, a gente está frito". Ele tem uma consciência muito clara do significado histórico dessa eleição e a gente precisaria ter um pouco mais isso que o Celso falou, né? Se as pessoas acham que o escândalo do caso Master é o escândalo, mais gente acha que a esquerda está mais envolvida do que a direita. Há um problema sério aí. E daí, os jornalistas não podem simplesmente dizer não tenho nada a ver com isso. Há um problema sério para a gente lidar.
Celso Rocha de Barros: Se as pessoas entendessem que é mais o pessoal de direita e mesmo assim quiserem votar na direita, aí é a autonomia delas. Aí não é questão da mídia, não é nada disso. Por exemplo, muita gente votou no PT na eleição logo depois do petrolão. Muito menos gente do que antes. Mas tem um pessoal que falou: "Não, eu sei que é isso, mas ainda, ainda assim eu acho melhor alternativa". Se o cara de direita viesse agora e falasse isso todo direito dele, entendeu? As opiniões são de cada um, mas os fatos não.
Fernando de Barros e Silva: E eu sugiro, não sei se as mesas do Festival da piauí estão abertas. Várias mesas muito boas, mas eu sugiro especialmente essa do Carlos Dada.
Celso Rocha de Barros: Foi a melhor.
Fernando de Barros e Silva: Porque ele documenta o arbítrio das forças policiais em relação à população, o terror, a arbitrariedade. Você pode prender sem dar justificativa. Você praticamente implode o sistema de justiça e de garantias constitucionais e ilegais e cria um estado de terror em nome de uma segurança, etc.
Ana Clara Costa: Bom, uma coisa curiosa que tem acontecido entre apoiadores do Flávio e dentro do núcleo da campanha dele. Tem dois movimentos acontecendo um deles e eles acham que o Lula está convicto da derrota e que todos os movimentos que o Lula está fazendo agora, inclusive o discurso na ONU, é para culpar os Estados Unidos pela própria derrota. Então, o que ele está na verdade construindo a narrativa de que caso ele perca, não será culpa dele, e sim dos Estados Unidos. E uma outra linha dessa turma é que essa ação que eu mencionei no primeiro bloco que o PT protocolou no Supremo, pedindo a cassação da chapa e a inelegibilidade do Flávio, nos bastidores, conversando com algumas fontes, o que eles falaram.... É óbvio que isso não vai ser julgado dessa forma e não vai resultar na cassação de ninguém. Mas eles precisam protocolar para pautar a discussão na Suprema Corte. E fora que não é o STF o foro para se discutir a inelegibilidade de ninguém. Mas eles, eles queriam pautar e queriam pautar para um ministro que tivesse familiaridade com esse assunto, que no caso é o Dino. Mas os bolsonaristas, o núcleo da campanha do Flávio ali, eles estão achando que, como o espelho, na verdade espelha no outro que a gente é de certa forma. Então eles estão achando que isso é a tese do golpe. Eles acham que o Supremo vai declarar o Flávio inelegível se ele ganhar e que eles vão anular a eleição. Então você tem um núcleo da campanha do Flávio que tá tão ouriçado, enfim, que eles já estão achando que isso é o primeiro fiapo de um golpe que o PT estaria prestes a dar. Então ninguém lá tá falando de plano de governo. É uma dinâmica meio policialesca ali que eles vivem.
Fernando de Barros e Silva: O plano de governo é o que você falou.
Ana Clara Costa: É o plano Trump.
Fernando de Barros e Silva: De fato, é o plano Trump, o plano Bukele, né?
Ana Clara Costa: Aí, voltando agora para a campanha do Lula, tem um movimento acontecendo também, que é um movimento diferente dos anteriores. Eles estão organizando um jantar com empresários que vai acontecer na noite de sexta-feira em São Paulo, para tentar estreitar laços e, sobretudo, falar dessa questão do tarifaço dos Estados Unidos e de tudo que os Estados Unidos estão pedindo. Tanto que quem vai ser um dos anfitriões do jantar é o Marcio Elias, que é o ministro do Desenvolvimento, que está tratando da questão do tarifaço com os Estados Unidos. O que o governo está notando já tem um tempo e está querendo usar esse jantar como uma forma de tentar mitigar isso? Eles estão notando que, embora o empresariado seja um grupo muito pequeno, que não faça diferença nenhuma no voto, eles acabam influenciando uma população de classe média e classe média baixa, que acaba evocando o discurso deles de não pode tributar rico não pode tributar milionário. Inclusive, viralizou um vídeo esses dias na internet que a campanha do Lula acabou pegando esse vídeo de uma mãe do Piauí explicando para o filho dela, de 16 anos, que defendia o fim da tributação dos ricos, que ele não era rico e que ela só conseguiu deixar de comer farinha com açúcar por causa do Bolsa Família. Esse vídeo viralizou e é um pouco isso que eles estão percebendo que muita gente mais humilde está evocando o discurso da elite como justificativa para votar na direita, imaginando que a vida dessas pessoas vai melhorar porque a elite diz que a vida dela vai melhorar com um governo que não queira tributar os mais ricos e tal. Então, a intenção, na verdade, da campanha do Lula, com esse aceno ao empresariado, nesse momento tem mais uma intenção de buscar um efeito multiplicador para a classe média, a classe média baixa nesse aspecto do discurso, do que de fato convencer esses caras a apertarem 13. Não é isso. Mas é uma novidade, porque até então eles não estavam percebendo que esse discurso da elite estava atingindo quem não é elite. Por incrível que pareça, a gente tem no Brasil o fenômeno do pobre defendendo o rico pagar menos imposto hoje.
Fernando de Barros e Silva: A propósito disso, da questão da segurança, eu lembro que daqui a um mês, se eu não me engano, dia 28 de outubro, vai fazer um ano do massacre do Morro do Alemão, onde morreram 122 pessoas. Até hoje isso não está esclarecido, não vai ser esclarecido. E está claro que foi um movimento do Cláudio Castro para esconder a bandidagem dele, Cláudio Castro, e fazer um gesto populista, facinoroso, para esconder que ele era um ladrão para tentar recuperar a popularidade. Duvido que a situação do crime tenha melhorado um milímetro. Não era esse o objetivo. O comportamento da imprensa em relação a esse episódio também é muito insuficiente. No governo Flávio esse tipo de ação vai virar um modelo. Não tenho dúvida nenhuma de que esse tipo de ação vai ser incentivado. Não sei quantas tragédias a gente vai ter. Que dimensão elas terão. Mas esse é o horizonte que a gente tem em relação a uma questão muito concreta que diz respeito à vida das pessoas. Bom, assim a gente encerra o terceiro bloco do programa, vamos respirar, fazer um rápido intervalo e na volta Kinder Ovo. Já voltamos.
Fernando de Barros e Silva: Muito bem, estamos de volta. Solta aí, Danny Dee. Kinder Ovo!
Sonora: Os maiores jornalistas do país Augusto Nunes, Alexandre Garcia, minha aposta...
Ana Clara Costa: Cristina Graeml.
Sonora: Vários amigos de direita já demonstraram apoio a mim. Não caiam em mentiras. Aqui é direita a raiz.
Celso Rocha de Barros: Caraca!
Sonora: Ah! Eu merecia.
Celso Rocha de Barros: Eu lembro que ela que descobriu a Cristina Graeml na outra eleição, lembra?
Ana Clara Costa: É, eu merecia. Essa eu merecia.
Celso Rocha de Barros: Mereceu. Que é na minha seara, né?
Fernando de Barros e Silva: É na sua seara.
Ana Clara Costa: Você não ouviu a Jovem Pan o suficiente, Celso, na época em que era raiz.
Celso Rocha de Barros: Não ouvi.
Fernando de Barros e Silva: Bom para os anais, candidata ao Senado Cristina Graeml, PSD do Paraná, em trecho de um vídeo de campanha. Bom, encerramos assim o Kinder Ovo. Vamos para o momento das cartinhas. O momento de vocês. Correio elegante. Melhor momento do programa. Vamos desanuviar um pouco aqui. Eu começo com uma mensagem do André Balaio, diz ele: "Estava eu na última sexta-feira, na fila de autógrafos de um lançamento na livraria Janela do Jardim Botânico, quando percebi uma pessoa com rosto familiar atrás de mim. Qual minha surpresa ao ser marcado no Instagram da autora do livro ao lado da tal moça e descobrir que era ninguém menos do que a grande Ana Clara Costa".
Celso Rocha de Barros: Aê!
Fernando de Barros e Silva: "Se tivesse certeza, na hora, teria ao menos dito: 'estava ouvindo sua voz agora há pouco'. Não falei, mas pelo menos saí numa foto com a diva". Ah, diva!
Celso Rocha de Barros: Olha só.
Ana Clara Costa: Caramba! O livro é Espaço Aéreo, da Claudia Cavalcanti, minha amiga. A Akysa Santana, escreveu uma mensagem fofa: "Eu sempre fui a favor de ver algo repetidas vezes e há um ano encontrei a pessoa com quem eu quero passar o resto da vida ouvindo pela segunda vez um episódio do Foro. Vida longa ao foro. Vida longa ao nosso amor, João". Akysa! Uau!
Celso Rocha de Barros: Lindão, hein?
Fernando de Barros e Silva: João se deu bem, o João.
Celso Rocha de Barros: Se deu bem, hein João? Boa sorte pra vocês! É, João se deu bem. A Paloma apareceu preocupada com a gente nos comentários: "Caro trio do Foro, não sei se foi meu humor em pleno domingo, às 22h, lavando roupa que influenciou, mas senti uma vibe muito para baixo em vocês. Sintam se abraçados". Precisamos do abraço, Paloma. Valeu mesmo.
Ana Clara Costa: É, não tem muitas razões para não estar para baixo.
Celso Rocha de Barros: Situação já foi melhor.
Fernando de Barros e Silva: Domingo à noite sempre é um horário péssimo da semana. Não é? Um horário melancólico, mas a culpa não é sua, não. Nem do horário. É nossa mesmo.
Celso Rocha de Barros: Exato. E o @yuakairis: "Por favor, faça um compilado com todas as vezes que o Fernando ri das piadas do Celso". Pô, legal! Valeu, Yuka!
Ana Clara Costa: Fazer uma playlist, Fernando, das suas risadas.
Fernando de Barros e Silva: Cada um entra com seu talento no programa. O meu é a risada. Bom, o que é bom acaba logo que não é tão bom, também acaba. E assim a gente vai encerrando o programa de hoje por aqui. Se você gostou, não deixe de seguir e dar five stars pra gente no Spotify. Você ouve o Foro toda semana no Spotify e nas demais plataformas. E é só no Spotify que o assinante piauí e o assinante do Clube do Novelo podem ouvir as reportagens da piauí narradas por seus autores. O Foro de Teresina é uma produção do estúdio Novello para a revista piauí. A coordenação geral é do Paulo Victor Ribeiro. A direção é da Mari Faria. Com produção e distribuição da Maria Júlia Vieira. A checagem é da Ethel Rudnistzky. A edição é da Mariana Leão e do Paulo Victor Ribeiro. A identidade visual é da Amanda Lopes. A finalização e mixagem são do João Jabace e do Luís Rodrigues, da Pipoca Sound. Jabace e Rodrigues também são os intérpretes da nossa melodia tema. A coordenação digital é da Bia Ribeiro, da Emily Almeida e do Fábio Brisolla. O programa de hoje foi gravado aqui na minha Choupana, em São Paulo, e no Estúdio Rastro do Danny Dee. Eu me despeço então dos meus amigos. Tchau, Ana.
Ana Clara Costa: Tchau, Fernando. Tchau, pessoal.
Fernando de Barros e Silva: Tchau, Celso.
Celso Rocha de Barros: Tchau, Fernando. Até semana que vem.
Fernando de Barros e Silva: É isso, gente! Uma ótima semana a todos e até semana que vem.