vozes d’além mar
Mar 2023 06h00
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No dia dos 200 anos da Independência do Brasil, o escritor português Afonso Reis Cabral estava em Poços de Caldas e observou a festa patriótica na cidade, inclusive dos bolsonaristas. A edição de abril da piauí publica seu texto, preservando o português de Portugal, no qual Reis Cabral conta o que viu naquele dia e em outros, enquanto participava de uma residência literária na estância turística mineira.
“Nas cercanias dos festejos, lá perto de onde as bandas juvenis batem o tambor e a gente compra carne em espeto pequeno e dança a felicidade simples dos 200 anos, pessoas conduzem carros desmesurados, SUVs, lentamente. Querem medir territórios com a restante população, e parecem agarrados ao volante e à classe média”, escreve Cabral. “Primeiro estacionou um SUV, depois outro. De tarde, já em Poços de Caldas habitam à mostra as grandes viaturas particulares dos bolsonaristas. De novo envoltos na bandeira da ordem e do progresso, que serve de manta para acalmar os cavalos de ferro, para lhes empapar o suor. Um carro conduzido com tamanho propósito tem de suar.”
O programa de residência literária de que Cabral participou foi promovido pelo Festival Literário Internacional de Poços de Caldas (Flipoços) e pelo Centro Cultural Português (CCP) do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua Portuguesa. Ele é trineto de Eça de Queiroz e autor de O Meu Irmão (2014), que ganhou o Prêmio LeYa, e de Pão de Açúcar (2018), vencedor do Prêmio Literário José Saramago, romance baseado na história real do assassinato de uma transexual brasileira na cidade do Porto.
Os assinantes da revista podem ler a íntegra do texto neste link.