vultos da extrema direita
08 Out 2026
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Na piauí deste mês, Consuelo Dieguez conversou com antigos e atuais aliados da família Bolsonaro, foi até o local onde Michelle viveu em Ceilândia Norte, na periferia de Brasília, e ouviu pastores, inclusive Silas Malafaia, para escrever o seu perfil da ex-primeira-dama que agora se elegeu senadora do Distrito Federal pelo PL.
Foi na campanha presidencial de 2022 que, segundo esses aliados, ela começou a se descolar do marido e dos enteados, e passou a investir no seu projeto pessoal de poder. Michelle percebeu a influência que exercia nas mulheres ao viajar de jatinho pelo Brasil na companhia de três nomes importantes da ala feminina da direita: Celina Leão, que concorre ao governo do Distrito Federal pelo PP, Damares Alves (Republicanos-DF) e Tereza Cristina (hoje no PP-MS).
O marqueteiro Duda Lima, que em 2024 foi estrategista da campanha vitoriosa de Ricardo Nunes para a Prefeitura de São Paulo e atualmente coordena a de Flávio Bolsonaro, disse a interlocutores que ficou impressionado com a liderança exercida por Michelle, que ele acha difícil explicar. “Não é algo racional. É emocional”, afirmou. “Ela tem luz própria.”
O sucesso político de Michelle incomodou a família Bolsonaro. Principalmente, quando começaram a vir à tona os diversos problemas de Flávio Bolsonaro com esquemas de corrupção e se falou do seu despreparo para a governança.
Políticos ligados a Bolsonaro passaram a defender, como alternativa a Flávio, a candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, tendo Michelle como vice-presidente. Ela chegou a fazer em sua casa, em Brasília, uma reunião com o governador, na qual, segundo alguns, disse que aceitava compor a chapa.
Bolsonaro se encrespou e proibiu qualquer movimento dela nesse sentido. Para pessoas próximas, contudo, a ex-primeira-dama já afirmou que não tem pressa de chegar à Presidência. “Lula levou anos para chegar lá”, comentou Michelle, segundo um interlocutor dela.
Julian Lemos, que na campanha de Bolsonaro em 2018 atuou como fiel escudeiro do candidato, contou à piauí como eram conturbadas as relações na família do ex-presidente. Carlos Bolsonaro mal falava com o pai, por causa do casamento com Michelle. “Ela nunca foi aceita pela família. É o arquétipo da madrasta odiada pelos filhos do marido, entende?”, disse Lemos. “Ela nunca se integrou àquela família, sempre foi a indesejada. E também detestava todos eles.”
Para alguns aliados, o rosto delicado dela é apenas a fachada que encobre o seu temperamento irascível e “pouco solidário” ao marido e aos enteados. “Só o Bolsonaro, que é um velho babão, não entende isso. Michelle nunca foi parceira dele”, disse um amigo do ex-presidente. “Quantas vezes ela apareceu ao lado dele durante a campanha e mesmo durante o governo? Ele só ficava cercado daqueles milicos. Toda hora ela inventava uma desculpa para não comparecer aos eventos. A não ser naqueles em que seria a estrela.”
Perguntado sobre as críticas ao temperamento de Michelle, o pastor Silas Malafaia foi sucinto. “É normal que a ataquem. Ninguém atira pedra em árvore que não dá fruto”, afirmou. “Bolsonaro deu visibilidade a Michelle, e ela agarrou a oportunidade. Ela tem talento, é evangélica raiz, sabe falar, tem uma boa aparência, tem posicionamentos políticos. Ela ganhou espaço e um voo próprio.”
Assinantes da revista podem ler a íntegra da reportagem neste link