questões cinematográficas
Mar 2011 09h23
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Quando Thomaz Farkas completou 70 anos, em 1994, o Museu da Imagem e do Som, de São Paulo, dirigido na época por Amir Labaki, organizou uma mostra dos documentários que ele produziu entre 1964 e 1981, além de uma pequena exposição de suas fotografias. Um livreto também foi editado na ocasião, para o qual, a pedido de Sergio Muniz, escrevi o texto abaixo, ao qual dei o título de “Caravana Farkas”:
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Antes da “Caravana Holiday”, que Carlos Diegues consagrou em “Bye Bye Brasil”, houve outra que partiu de São Paulo para esquadrinhar o Nordeste. Foi a “Caravana Farkas”, fruto da generosidade de Thomaz Farkas.
Estávamos em plena ditadura militar, fortalecida desde o Ato Institucional nº 5, em dezembro de 1968. Era um tempo de opções radicais, a imprensa sob censura, presos políticos sendo torturados, a esquerda buscando na luta armada uma saída para se contrapor ao regime.
Em alguns países da América Latina, surgia um cinema militante identificado com a guerrilha urbana. No Brasil, o projeto inicial do Cinema Novo sofria sua primeira crise de crescimento, voltando-se para o mercado com os primeiros filmes coloridos.
Ao desespero que levou alguns para o cinema marginal, um grupo de documentaristas, apoiados por Thomaz Farkas, respondeu com o projeto de fazer conhecer o país. Uma pequena equipe de entusiastas percorreu, então, o Nordeste, registrando sons e imagens de uma região até então pouco documentada pela nova geração de cineastas que surgira nos anos 60.
A esse rico garimpo cultural faltou, a meu ver, uma identidade mais definida. Sem vínculo com qualquer meio de difusão, o esforço e os recursos despendidos se perderam, em parte, pela restrita difusão alcançada pelos filmes. Ignorados pela televisão e distribuidos de forma amadora, não chegaram a ser vistos além de um círculo limitado – fraqueza que não invalida a iniciativa. Farkas, mentor [ a partir da iniciativa, concepção e trabalho de Geraldo Sarno, devo precisar ] e financiador do projeto, merece nosso reconhecimento por sua realização.
Quanto a mim, serei sempre devedor a ele e a Geraldo Sarno pela oportunidade de dirigir meu primeiro documentário solo – o filme “Visão de Juazeiro”, em 1969.
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Thomaz faleceu sexta-feira, dia 25. Fica aqui a expressão do meu afeto.