questões hídricas
Set 2023 06h30
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Entre maio e agosto, o Uruguai enfrentou sua pior seca em 74 anos. Como Paso Severino, a principal represa que serve Montevidéu e arredores, não conseguiu arcar com o fornecimento hídrico de rotina, as cidades prejudicadas tiveram de se virar e recorrer também a uma pequena represa, a de Aguas Corrientes, cujas reservas possuem maior salinidade.
A seca decorreu do La Niña, fenômeno que resfria o Oceano Pacífico, alterando os padrões de chuva e circulação de ventos. Por se tratar de um fenômeno esperado, seria possível evitar que Paso Severino se aproximasse do colapso. Bastava um mínimo de planejamento.
Na piauí deste mês, Denise Mota relata num diário como Montevidéu enfrentou a escassez de água. “A crise hídrica golpeou com força o imaginário dos uruguaios”, escreve a jornalista paulistana, que mora na capital do Uruguai desde 2005. “Viver sob as imposições da seca parece absurdo para Montevidéu, cidade que nasceu às margens do Rio da Prata e num país que ocupa 5% do Aquífero Guarani, a segunda maior reserva de água doce do mundo.”
Enquanto faltava água, sobrava preconceito. “Minha amiga, a artista negra Chabela Ramírez, me disse que o racismo seguiu a todo vapor durante a crise hídrica. Ela chegou a escutar frases do gênero: por que vocês se preocupam tanto com a água, se os negros só tomam vinho?”, conta Mota.
Os assinantes da revista podem ler a íntegra do diário neste link.