depois da chuva

UMA QUITINETE NO CAOS DA PRAIA DE CAMBURI

Jornalista conta seu drama pessoal e o drama coletivo nas enchentes no litoral paulista
Imagem Uma quitinete no caos da Praia de Camburi

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Em 2020, o jornalista Gustavo Fioratti estava no fundo do poço, enfrentando graves problemas com o consumo de cocaína, enquanto a pandemia se alastrava no país. Então, ele encontrou refúgio na Praia de Camburi, no litoral Norte paulista. Ali, alugou uma quitinete, estabeleceu vínculos com os moradores e se entregou à prática do surfe. “Nessa etapa da ressurreição, fui aprendendo a lidar com a forma intempestiva com que o mar age sobre seres frágeis, como nós.”

 No mês de fevereiro passado, Camburi foi uma das praias atingidas pela terrível tempestade que se abateu sobre o litoral. Fioratti não estava no vilarejo no dia, mas retornou para lá assim que conseguiu. “Desembarcamos na Praia de Camburi, deserta e cheia de árvores mortas”, ele conta na piauí de abril. “Para chegar à minha quitinete, atravessamos ruas cheias de barro. Senti o odor de carniça em diversos pontos.” A quitinete tinha sido inundada pela lama. Os móveis estavam amontoados, fora do lugar. As roupas se encontravam enrijecidas pelo barro já seco, parecendo esculturas. 

Fioratti atravessou o caos, não tem nenhuma intenção de deixar São Sebastião e, desde outubro, não faz mais tratamento psiquiátrico. “Sigo feliz”, diz ele. 

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