A DELAÇÃO REJEITADA, A PESQUISA SUSPENSA E A VOTAÇÃO CONTRA O ABORTO LEGAL

Imagem A delação rejeitada, a pesquisa suspensa e a votação contra o aborto legal

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Semanalmente, os apresentadores mencionam as principais leituras que fundamentaram suas análises. Confira:


Conteúdos citados neste episódio:

"O amigo do crime", repotagem de Breno Pires para a piauí.

"Melhor que CDB do Banco Master", reportagem de Arthur Guimarães e Allan de Abreu para a piauí.

"Os anexos negativos da delação de Vorcaro", coluna de Bela Megale para O Globo.

TRANSCRIÇÃO DE ÁUDIO


Sonora: Rádio piauí.

Ana Clara Costa: Olá, sejam muito bem-vindos ao Foro de Teresina, o podcast de política da Revista piauí.

Sonora: Por que é que o Banco Central colaborou tanto com a criação, com o crescimento do Master até a liquidação?

Ana Clara Costa: Eu, Ana Clara Costa, substituo temporariamente o microfone de Fernando Barros e Silva para conversar com os meus amigos Celso Rocha de Barros, aqui no Estúdio Rastro, no Rio de Janeiro. Oi, Celso!

Celso Rocha de Barros: Oi, Ana! Oi, João! Oi, todo mundo!

Sonora: Eu deixaria as pesquisas livres e o povo, com a sua soberania, decide quais são os institutos que são sérios e os que não são sérios.

Ana Clara Costa: E com João Batista Júnior que segue em Lisboa. João Batista, que impactou os nossos ouvintes na semana passada com a sua apuração sobre o Gilmarpalooza. Oi João, bem-vindo de novo!

João Batista Jr: Oi, Ana! Oi, Celso, Oi ouvintes.

Sonora: Descobrir que a sua filha de 14 anos está lá no hospital sozinha, fazendo um aborto, grávida de cinco meses... Nós tínhamos que consertar para garantir o poder familiar.

Ana Clara Costa: Vamos aos assuntos da semana. Daniel Vorcaro segue determinado a provar que ainda tenta comandar a própria ruína e por isso vamos abrir o programa falando dele e do Banco Master. O ex-banqueiro e agora inquilino da Polícia Federal fala em ressarcir os lesados pelos seus crimes em algo na casa de 60 bilhões de reais, mas ninguém sabe se esse valor existe ou se é mais uma das fábulas que ele criou. Parte viria de ativos do banco, como participações em fundos e precatórios, que estão longe de ser dinheiro líquido. O problema é que esse patrimônio já está bloqueado para ressarcir o estrago que o banco fez no FGC e em fundos de pensão de estados e municípios. Ou seja, Vorcaro quer negociar sua delação usando recursos que já não lhe pertencem mais. Enquanto isso, as investigações caminham sem depender dele. A Justiça das Bahamas reconheceu a liquidação do Master, o BRB busca uma saída para as perdas bilionárias. E, no fim, a dúvida é simples: Vorcaro, ainda tem algo concreto a oferecer ou apenas versões suavizada dos fatos em razão de sua intensa amizade com chefes do centrão? A segunda proposta de delação do ex-banqueiro está por um fio, porque ele segue uma cartilha reincidente entre delatores. Fala mais do que confessa e entrega menos do que promete. No segundo bloco, a eleição já está em curso, ao menos dentro do TSE. Para quem pensava que o ministro Kássio Nunes Marques chegaria de mansinho e levaria algum tempo até se sentir confortável o suficiente para tomar partido dentro da corte, a realidade se impôs rápido. Nunes Marques fez um malabarismo normativo para tomar para si um caso que não lhe dizia respeito. E qual é o caso? A divulgação de uma pesquisa eleitoral que mostraria Flávio Bolsonaro em declínio. Nunes Marques decidiu que o questionário feito pela empresa AtlasIntel, em parceria com a Bloomberg, estaria viciado. A decisão de Nunes Marques, que nós explicaremos no decorrer do bloco, estremece logo de cara a relação do tribunal com o STF. O ministro, contudo, não vetou a pesquisa Quaest, que também foi a campo apurar o impacto do filme Dark Horse na candidatura bolsonarista, além dos efeitos das novas tarifas de Donald Trump sobre o Brasil. Os números não deixam dúvidas: Flávio aparece em queda tanto no primeiro quanto no segundo turnos. A proximidade de Flávio com Vorcaro e a nova artilharia de Trump contra o Brasil pesaram na percepção do eleitor, em especial daqueles que têm a intenção de voto mais volátil. E a gente fecha esse episódio do Foro com mais um capítulo da ofensiva conservadora contra o aborto legal. Na semana passada, o Senado aprovou em poucos minutos um projeto que derruba uma resolução do Conanda, o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, sobre atendimento a vítimas de violência sexual. A deputada federal Chris Tonietto e a senadora Damares Alves, com aval de Davi Alcolumbre, removeu um protocolo que ajudava a garantir o acesso ao que é um direito de mulheres e meninas vítimas de estupro. O método das parlamentares não foi revogar a lei que garante o aborto legal, mas dificultar sua aplicação na prática. Isso já vem acontecendo de forma progressiva nos hospitais de referência desde o governo Bolsonaro e continua neste governo, em especial graças ao apoio de governadores e prefeitos ligados ao bolsonarismo e à pauta conservadora, como é o caso de São Paulo, em que o Estado e a Prefeitura desativaram o serviço oferecido a mulheres e meninas nos principais hospitais. Esse desfecho no Senado mostra que, apesar de haver amparo legal, mulheres e meninas têm sofrido não apenas a violação sexual, mas também a violação de seus direitos dentro do Congresso Nacional. Tudo isso com o patrocínio da bancada da Bíblia, que une não só as agremiações evangélicas, mas também a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil, a CNBB, um lobby poderoso da Igreja Católica, que tem sido usado cada vez mais para referendar a atuação de grupos ultraconservadores no Legislativo e no STF. É isso. Vem com a gente.

Ana Clara Costa: A segunda proposta de delação de Daniel Vorcaro está por um fio. A Polícia Federal e a Procuradoria Geral da República avaliam que o ex-banqueiro fala muito, mas ainda entrega muito pouco. Faltam fatos novos, provas, confissão e caminho do dinheiro. Enquanto isso, o caso Master segue avançando por outras frentes. Os ativos no exterior estão sendo avaliados, os prejuízos bilionários ainda estão sendo contabilizados, o BRB tenta se reerguer, a Rio Previdência está agonizando e os outros fundos de previdência de estados e municípios ainda esperam a promessa de ressarcimento dos bilhões que o Daniel Vorcaro diz possuir. João, você está em Lisboa, mas sei que está falando com todo mundo aí de Lisboa e do Brasil sobre esse assunto. E também sei que você tem um pouco o caminho que é a defesa do VorCaro está traçando para tentar reunir esses bilhões que ele quer negociar na delação. Queria que você começasse contando pra gente como que tá isso.

João Batista Jr: Olha, antes de falar dos bilhões do Vorcaro que estão à mesa para tentar homologar, a gente tem que voltar algumas casas. Eu vou fazer aqui uma timeline dos últimos tempos dele na prisão. A homologação tem um problema de natureza principiológica. Todos os advogados do Brasil são unânimes em falar que ele não reconhece ter cometido o crime.

Ana Clara Costa: Pausa para o riso do Celso.

João Batista Jr: Tem um momento humor involuntário, é inegável. Para o Daniel Vorcaro, a situação em que ele se encontra é resultado de uma perseguição dos grandes bancos e também por suas ligações políticas. Ele não se vê como um criminoso e ponto final. Para ele, o maior culpado de sua derrocada é o banqueiro André Esteves, que, segundo ele, nos últimos meses, conseguiu convencer o mercado e a imprensa de que ele queria prejudicar o sistema de proteção conhecido por FGC. Aí ele ignora completamente o prejuízo que ele causou naqueles que investiram mais de 250 mil reais e da maneira como ele fez para conquistar fundos de governos, de estado, de municípios, dentre outras coisas. Mas vamos lá, dentro desse problema principiológico, a homologação é como se fosse um casamento. As duas partes, no caso o ministro André Mendonça e o Daniel Vorcaro, têm de estar no mesmo tom. Eles querem fazer algo, mas nenhum confia no outro. Então, assim, se ele diz não ter feito nada de errado, não ter cometido nenhum crime, de repente ele se sente injustiçado e, por isso, a primeira homologação não rolou. Ele não entregou o nome de pessoas que fizeram a atuação que a Polícia Federal considera criminosa com ele.

Ana Clara Costa: Ele considerava tudo aquilo amizade, então, é isso?

João Batista Jr: Exatamente.

Ana Clara Costa: Ele pagar apartamento para o Ciro Nogueira, pagar tudo para tanta gente... É um amigo assim que, realmente...

Celso Rocha de Barros: Rapaz, ainda não arrumei um desse, não.

João Batista Jr: Não. É um amigo do peito que o Breno Pires revelou na matéria dele, que gastou 1,8 milhão de reais apenas em uma viagem para Courchevel. Então, assim é uma amizade realmente extraordinária. E daí, por outro lado, a gente tem o ministro André Mendonça, que tem uma visão completamente diferente do Vorcaro, que, sim, ele cometeu crimes, de forma inequívoca. E aí, tem uma outra questão que um advogado me falou: não só ele cometeu crimes, como ele usou de artifícios pouco comuns, digamos assim, na feitura desse crime, em questão aos costumes. A visão religiosa e conservadora do ministro Mendonça pode pesar nessa homologação. Enfim, a delação é um acordo e não existe esse acordo. O Daniel não vê crime e o André Mendonça vê crime. Então, existe a pressão por parte do Daniel Vorcaro. Ele tem que reconhecer os crimes, pagar pelo ressarcimento e correr contra o tempo. Aí, em razão da Polícia Federal, que tem feito um trabalho para além do necessário ou que estaria dentro dessa homologação. A pressão também existe no colo do André Mendonça. A sociedade querendo uma resposta, a sociedade inclinada para que essa resposta seja dura e à altura dos crimes cometidos. Não pode parecer que o ministro escolheu A e poupou B. E isso vale, eventualmente, para os seus pares de STF. Ou seja, a credibilidade do ministro também está em jogo. Quem homologa, não pode ficar vulnerável. Então, lá em maio, que parece um mundo distante, mas foi no mês passado, a primeira homologação foi negada. O Vorcaro trocou de advogados. Então, o que está em jogo nesse momento? Ele precisa reconhecer crime, precisa ressarcir o déficit que ele causou no mercado, e aí a gente fala de FGC, BRB, fundos de pensão públicos e outros fundos que também foram prejudicados. Esses ativos precisam fazer frente ao potencial débito estimado em 60 bilhões de reais.

Ana Clara Costa: 50 só do FGC, né?

Celso Rocha de Barros: Mais de 50.

João Batista Jr: Esses números nenhum advogado fala com precisão. Não existe um inventário de tudo que o Daniel Vorcaro pode dispor para poder ressarcir. Tem a estimativa do FGC e tem a estimativa de outras questões. Qual que é o medo do Vorcaro e dos advogados dele? Eles veem esse momento de vulnerabilidade dele, ou seja, um cara que está preso e tentando conquistar essa homologação, com receio de que os fundos e as participações que ele tem empresas possam valer pouco. Então, o que os advogados tentam convencer na hora de uma homologação? Olha, esses ativos são muito valiosos e valiosos a ponto de chegar em 60 bilhões. Mas não existe um inventário ainda de imóveis, de obras de arte, de participação em fundos... E quanto que valeriam esses fundos? E mais, onde está todo o patrimônio dele? Você comentou na abertura a respeito de Bahamas, mas devem ter outras coisas fora do Brasil. A Bela Megale, no Globo, contou que o Vorcaro está com alguns anexos nessa segunda tentativa de homologação. Ou seja, ele reconhece crime e quem são seus parceiros em alguns desses crimes: Ibaneis Rocha, sobretudo em relação à venda do Master ao BRB, Cláudio Castro, os repasses de fundos de aposentados do Rio de Janeiro, e Antônio Rueda. O Rueda, que é presidente do União Brasil, em que pese não ter nenhum cargo público, ele era ultra ligado ao Vorcaro e ao seu parceiro também o Ciro Nogueira. O Vorcaro e o Master tinha um contrato com o escritório de advocacia do Rueda. Aparentemente, é um escritório irrisório, mas ao mesmo tempo era um escritório que tinha contratos muito vultuosos com o Master. Então, existe a expectativa de entender que talvez esses contratos tivessem alguma outra finalidade. Falando com outro advogado do Vorcaro, ele volta nessa questão dos 60 bilhões. Ele fala que esse é o tema mais controverso. Vou pegar uma aspa dele: "Penso que esse valor de 60 bilhões é irreal. Se fosse metade disso, seria mais plausível". E, ainda, ele diz: "se ele tivesse 60 milhões, talvez ele não tivesse na cadeia hoje". Então esse valor, gente, é o que está sendo negociado de forma que ele possa propor para tentar homologar. São duas coisas concomitantes. Ele assumiu os crimes que cometeu e entregar às pessoas com as quais ele cometeu esses crimes e ele dizer que ele pode dispor de um valor enorme, no caso, essa estimativa de 60 bilhões, para poder ressarcir todos aqueles que foram lesados. É uma soma bastante complexa. Ele não reconhece o crime. Ele está entregando essas pessoas em razão de não ter outra saída. Um advogado falou uma coisa do Ciro Nogueira que eu gostei: o Ciro Nogueira tem um anexo nessa segunda tentativa de homologação. Antes ele falava do Ciro como se fosse um santo. Daí agora ele deu uma apimentada nessa segunda etapa.

Celso Rocha de Barros: Sensacional.

João Batista Jr: Um outro advogado que tem tido contato com o Daniel Vorcaro contou o seguinte: "ali, na tentativa de primeira homologação, eu agi dentro das regras, ainda que de forma atrevida e arrojada. Não cometi crime".

Celso Rocha de Barros: Olha só!

Ana Clara Costa: É uma coisa muito curiosa, porque quem faz o preço é o mercado, não é o Daniel Vorcaro. Não é ele dizer que ele tem 60 bi ou que aquele precatório vale. Não é ele quem vai dizer. E, sobretudo, quando você está preso, já existe um deságio que a própria situação impõe aos seus ativos, né? Tanto que, mesmo antes de ele ser preso, quando o Master estava quebrando, eles tentaram se desfazer de alguns ativos para aumentar a liquidez do banco, e já esses ativos foram vendidos a um valor supostamente abaixo do mercado. Porque é óbvio, se você está na pior, o mercado vai precificar isso no valor dos seus ativos. Então, ele falar em 60 bilhões chega a ser ingênuo da parte dele. Chega, de certa forma, a demonstrar que ele não sabe como o mercado funciona, concorda?

João Batista Jr: Ô Ana, tem uma coisa interessante que um advogado falou que é o seguinte: o Daniel Vorcaro é centralizador, ele tem um séquito de advogados cuidando de coisas diferentes, criminal, empresarial, etc. Mas ele é quem capitania a tua defesa, ele que dá as coordenadas. As pessoas falam que ele é muito inteligente, que ele tem ideias boas em caminho de defesa, mas ao mesmo tempo, como você está falando essa questão dos 60 bilhões e também da ingenuidade de pensar que alguém acreditaria que não se trata de crime, né? Eu perguntei, especificamente, para um advogado: "Ele é burro? Porque não dá para entender um cara que criou um esquema de pirâmide financeira tão grande acreditar nessas coisas". Daí o advogado, falou assim: "Você acredita que eu já me perguntei isso também?". Porque tem uma suposta genialidade de ter criado uma pirâmide e que fez muita gente cair. E tem uma outra, digamos assim, burrice, em achar que agora as pessoas iam cair no conto do vigário. É intrigante isso.

Ana Clara Costa: Celso, agora, em Tremembé, tem um monte de gente que acha que não cometeu crime nenhum, né? Suzane von Richthofen, Roger Abdelmassih...

Celso Rocha de Barros: Exatamente, esse pessoal. Só tem inocente lá. Não sei os jovens ainda assistem aquela série, Seinfeld, que é uma das minhas favoritas na vida, tinha o personagem George Costanza que dizia: "Não é mentira se você acredita". Então, assim, se você tiver que mentir, primeiro você se convence.

Ana Clara Costa: Fake until you make it.

Celso Rocha de Barros: Exatamente. Você se convence que aquela cascata era verdade, e aí você vai mentir com muito mais chance de dar certo, né? O Vorcaro é um estelionatário profissional, né? Enfim... Mas realmente é fascinante que ele parece ter se convencido bem demais, né? Da cascata dele. O que está claro até agora? Que o Vorcaro não está entregando nada nas propostas de delação, essas propostas da delação dele são picaretagem, são coisas para ele ganhar uma cela melhor... Ou já são uma tentativa de entregar uma delação que não vale nada que os aliados políticos dele consigam emplacar, consigam convencer as autoridades a aceitar, o que mataria o caso Master. Se isso for aprovado, o Vorcaro sai da cadeia, aqueles aliados políticos, todos dele, estão livres e pronto, porque tudo que ele entregou até agora, pelo menos que vazou para a imprensa até agora, que ele tem entregue, é coisa que se vocês ouvem o Foro de Teresina, devia estar no primeiro episódio que a gente falou do assunto aqui. Só agora ele tá falando que Ciro Nogueira, Antonio Rueda, Ibaneis Rocha e Cláudio Castro recebiam suborno. Assim, joga na inteligência artificial: o que foi o caso Master? Isso deve ser o primeiro parágrafo.

João Batista Jr: O Ciro talvez esteja no item 0.01.

Celso Rocha de Barros: Exato. Então, assim, ele só parece ter começado a entregar os caras contra os quais as evidências são avassaladoras e, inclusive, contra os quais ninguém precisa da delação dele. Quem tá entregando coisa pra caramba é o celular dele, entendeu? Que desde o começo aqui a gente falou que era muito melhor como caminho de investigação do que a delação dele, que já era o caso, por exemplo, da delação do Mauro Cid na investigação do golpe. O celular do Mauro Cid foi uma preciosidade de conjunto de provas que tinha ali, mas a delação do Mauro Cid não rendeu muita coisa, né? Então, tudo indica que o cara tá entregando esse nada, que ele está entregando de delação, porque ele tá esperando que alguém salve ele. Tá esperando um acordão, alguma coisa desse tipo. Agora, essa história de devolver o dinheiro tem uma suspeita que existe entre o pessoal que está acompanhando o caso, que é o seguinte: que ele tá querendo, na verdade, devolver dinheiro de mentira, que é, basicamente, o produto que ele vendia. Porque tem gente que acha que o que ele vai querer fazer é pegar os precatórios que tava na mão do Master e tentar convencer a justiça que aquilo vale o valor de face daquilo, vale o valor que o Master dizia que valia e tentar quitar a dívida com isso. Mas isso é dinheiro de mentirinha, isso é dinheiro de Banco Imobiliário. É você ganhar um papelzinho escrito assim: "Isso aqui é dinheiro. Assinado: Daniel Vorcaro". Por que? Precatórios são grana que a Justiça decidiu que o governo está te devendo. Por exemplo, o governo pode ter cobrado imposto demais de você. Você entrou na Justiça e ganhou. Aí o governo: "tá, tudo bem, vou ter que te pagar". Aí você entra numa fila lá. Você agora é dono de um precatório, que é um direito de cobrar do governo. Agora, quando isso vai ser pago, é complicadíssimo, é sujeito a altos níveis de incerteza. Tem uma fila, tem um monte de problema judicial que pode acontecer no meio. Então, é óbvio que quando um sujeito compra um precatório de uma outra pessoa, ele paga menos que o valor de face. Assim, se você, por exemplo, tem um precatório, que diz assim: um dia o governo vai pagar 100 reais. Eu não vou te pagar 100 reais agora por isso. 100 reais agora, certamente, vale mais do que 100 reais sabe Deus quando. Então, se eu for comprar o seu precatório agora, eu vou te pagar 35, vou te pagar 40, dependendo da probabilidade daquilo andar.

Ana Clara Costa: Porque você tá assumindo o risco futuro daquele precatório, então esse valor de face não existe.

Celso Rocha de Barros: Não existe. E pra você que tá vendendo, pode ser jogo. Você pode dizer assim: "Cara, eu tô precisando de dinheiro. Eu prefiro ganhar 35 reais agora do que os 100 reais daqui a alguns anos". Então, é um mercado legítimo. Esse tipo de negociação não é picaretagem, são pessoas com horizontes temporais diferentes, adequando ali que cada um tem para oferecer. Agora, um negócio tão arriscado assim é óbvio que não é coberto pelo FGC, Fundo Garantidor de Crédito, que está ali para proteger a poupança da sua tia, sua aposentadoria, o dinheiro que você deixa no banco guardado lá para um dia difícil. Então, ninguém guarda o dinheiro da sua aposentadoria especulando com precatório. Qual foi a mutreta do Vorcaro? Foi conseguir transformar esses investimentos muito arriscados em lastro para emitir CDBs, certificados de depósito bancário, que são cobertos pelo FGC. Essa foi uma das principais picaretagens que o Vorcaro fez nessa história toda. Então ele ofereceu aquele CDB pagando 140% do CDI, aquelas remunerações altíssimas e o lastro para aquele negócio eram essas dívidas que ele tinha para cobrar do governo, que ele comprava das pessoas no mercado especializado na circulação de precatórios. E aí, o que você está fazendo, basicamente, é usar o dinheiro do FGC para especular nesse mercado de precatório. Você tá usando o dinheiro dos outros para ganhar dinheiro num negócio altamente especulativo e, inclusive, muitas vezes pouco transparente. Já tem toda uma investigação sobre como é que o Master comprava esses precatórios. Por exemplo, tem suspeita de que tenha Master comprando precatório de empresa do Master. Cara, não tem nada que ligue todos os alertas nas autoridades sobre fraude financeira, mais do que o cara fazendo negócio com ele mesmo. Se o cara tá comprando e o cara tá vendendo, é mutreta.

João Batista Jr: Não cheira bem, né?

Celso Rocha de Barros: É, nunca ocorreu na sua vida você chegar na sua cozinha e falar: "vou vender essa panela para mim mesmo". Não faz o menor sentido, certo? Então, se tem operação desse tipo, você já sabe que é mutreta. O quanto é mutreta, é algo que está sendo investigado. Agora, além disso, depois ele usava isso como lastro para fazer o CDB e aí jogava o dinheiro de outras pessoas para cobrir esse negócio. Uma hora o mercado viu que isso ia dar merda e, inclusive, teve reportagem dizendo que o Master estava chamando "pré-precatório" de precatório. Pré-precatório não existe, gente, que seria você comprar um direito que a justiça ainda não deu. Então, assim, eu estou processando o governo, ainda não tem decisão favorável a mim, mas eu já vou te vender seja lá o que for que eu ganhe nesse negócio, se eu ganhar. Isso é dez vezes mais arriscado ainda do que um precatório. Então, tinha denúncias que, obviamente não tive acesso ao balanço do Master, não posso comprovar, mas saiu na imprensa que haveria pré-precatórios nessa conta. Haveria coisas que sequer a Justiça já deu decisão favorável. Então, basicamente, os precatórios não valiam nada, gente. Valiam pouquíssimo, valiam muito menos do que o Master dizia que valia. E a suspeita é que o Vorcaro agora tá querendo pagar esses 60 bilhões com 60 bilhões de mentirinha que ele inventa com esse negócio aí, entendeu?

Ana Clara Costa: É, e não são só precatórios... Como eles inflavam tudo, então, terrenos que eles colocavam em Fundos como Garantia. A própria piauí tem uma reportagem do Arthur Guimarães e do Allan de Abreu, que fala de um terreno que eles usaram como garantia, o pessoal do Master, e valorizou 11.000% em 36 dias. Ou seja, que é uma mentira, entendeu?

Celso Rocha de Barros: É um dinheiro que não vale nada.

Ana Clara Costa: É uma valorização de escritório.

Celso Rocha de Barros: Exatamente. Então, assim, a suspeita que o pessoal que está acompanhando o caso tem, é que esses 60 bilhões que votaram quer dar é mentira, é dinheiro falso. É essas coisas... "Não, se você me devolver aquele terreno que valorizou não sei quantos mil por cento em um dia, eu dou ele pelo valor que eu minto que ele vale e pronto, eu bati minha dívida". Isso seria, inclusive, legitimar a fraude financeira que o Master fez esse tempo todo. Então, assim, se o cara chegar agora e falar: "confesso meus crimes, eu tenho 60 bilhões escondidos nas Bahamas e vou trazer para cá e vou devolver para os aposentados". Isso é uma coisa, isso a Justiça deveria aceitar. Agora, se ele disser "não, não, eu vou dar. É só vocês me devolverem o dinheiro que tá bloqueado, que eu vou pegar aquilo ali, mentir que aquilo vale dinheiro e entregar na mão de vocês". Isso, obviamente seria um segundo escândalo Master. Seria ele aplicar o mesmo golpe duas vezes, né cara? Que seria realmente uma vergonha se alguém aceitasse isso.

Ana Clara Costa: No final, a gente fica se questionando se é só um caso de código Penal ou se é um caso de psiquiatria também.

Celso Rocha de Barros: Eu pensei nisso também. Será que ele acredita que alguém vai cair nisso?

Ana Clara Costa: Pode ser um caso disso.

Celso Rocha de Barros: Pode ser.

Ana Clara Costa: Não que isso anule o crime.

Celso Rocha de Barros: Não torna inimputável, mas...

Ana Clara Costa: Mas tem uma variável nova que começa a aparecer diante dessas declarações que ele tem dado aos advogados.

Celso Rocha de Barros: Exatamente.

João Batista Jr: É o Vorcaro entre a PF e o CAPS, né?

Celso Rocha de Barros: Exatamente.

Ana Clara Costa: Então, a gente encerra por aqui o primeiro bloco do programa e no próximo bloco a gente vai falar sobre a decisão do Kassio Nunes Marques de suspender a pesquisa da AtlasIntel e do estado das coisas na campanha do Flávio Bolsonaro. A gente já volta.

Ana Clara Costa: O ministro Kássio Nunes Marques mandou suspender a pesquisa AtlasIntel, que mostrava o Flávio Bolsonaro em queda após o caso Vorcaro. A decisão abre uma discussão sobre censura, pesquisas e o papel da Justiça Eleitoral em 2026, que, tudo indica, vai ser um pouco diferente do que foi na eleição de 2022. Apesar dessa decisão do Kássio, a Quaest não teve a sua pesquisa suspensa e os números foram divulgados nessa quarta-feira, mostrando que o problema de Flávio não cabe numa liminar no TSE. Ele caiu no primeiro turno e perde para o Lula no segundo turno. E essa pesquisa da Quaest já leva em conta todo o desgaste da relação dele com o Daniel Vorcaro e das estripulias que ele andou fazendo em Washington. Celso, você que analisou bem esses números da Quaest e, enfim, à luz do que a gente vem discutindo aqui ao longo das semanas, quando as pesquisas saem, como é que você vê essa queda do Flávio?

Celso Rocha de Barros: Bom, antes eu queria pedir uma salva de palmas. Queria, inclusive, que os ouvintes batessem palma em casa, para todo aquele pessoal que passou a campanha de 2022 dizendo que o Xandão estava violando a liberdade de expressão quando derrubava a conta do Twitter que pedia golpe, aquelas coisas todas, e agora tem que encarar o Kassio Nunes Marques, de fato, censurando conteúdo indiscutivelmente legítimo como a pesquisa da AtlasIntel. Então, se você for otário de cair naquele papo lá do Glenn Greenwald, aquelas coisas todas assim, um beijão para você. Bom, acabou de vez a expectativa de que esse ano a Justiça Eleitoral seja mais discreta do que em 2022, que sempre foi um papo furado, miserável e vagabundo. Porque em 2022 o problema não foi a Justiça Eleitoral ser indiscreta. Em 2022, o problema foi os bolsonaristas tentarem um golpe de estado. Mas esse ano, mesmo sem golpe de Estado, pelo menos até agora, a Justiça Eleitoral já decidiu ser bastante indiscreta. E o Kássio Nunes Marques saiu em defesa do candidato dele, tentando impedir a divulgação da pesquisa em que o Flávio vinha muito mal. O argumento do Kássio Nunes Marques é muito ruim porque, como bem notou a AtlasIntel, as pessoas eram expostas ao áudio do Flávio na aplicação de pesquisa, depois de terem dito em que candidatos elas iam votar. Então, as pessoas ouvirem o áudio não influenciava a decisão delas sobre voto. As pessoas ouviam o áudio depois para dar a opinião sobre o áudio, o que obviamente é legítimo. E, de fato, se vocês pegarem o que mais teve ao longo da nossa história eleitoral e, por exemplo, teve pesquisa logo depois do Mensalão. Na Lava Jato, teve um monte de pesquisa querendo saber se a descoberta da Lava Jato ia influenciar o voto das pessoas. Enfim, isso é tudo parte de pesquisa de opinião, que às vezes pode ser mais bem feito ou menos bem feita, mas isso aqui que o Kássio Nunes está argumentando contra AtlasIntel, é mentira. E a prova de que isso é como eu estou dizendo, é que saiu a nova pesquisa da Quaest e o resultado é basicamente o mesmo da pesquisa da Atlas. Com metodologia diferente, em dias diferentes, sem o negócio do áudio e o Flávio cai do mesmo jeito. A operação toda para barrar a pesquisa da Atlas é só uma sacanagem da campanha do Flávio para poder mentir para os seus apoiadores dentro da bolha informacional bolsonarista que aquela pesquisa era falsa. É um esforço meio desesperado do Flávio Bolsonaro tentar não ser substituído como candidato da direita. Aquilo ali ele fez para dizer para os caras dele: "Olha, eu não caí não, é porque essa pesquisa era fraudada". Ele tentou ganhar tempo com isso, mas agora chegou a pesquisa da Quaest e o resultado é o mesmo dado. Qual o resultado da Quaest? Bom, no geral, se for para resumir alguma coisa é o Lula se deu bem e o Flávio se deu mal. Em algumas faixas em que o Lula estava apanhando, ficou muito mais equilibrado. Por exemplo, entre os 35 e 59 anos. Agora, na pergunta 'aprova ou desaprova o governo?' empatou, que é bem melhor do que o governo tinha tirado. Entre os jovens entre 16 e 34, que era um setor que o Lula vinha apanhando muito, ele continua com déficit de aprovação. Tem mais gente que desaprova do que aprova. Mas esse déficit era de 14, caiu para sete. Caiu pela metade. A aprovação do Lula entre o pessoal que só tem ensino fundamental, lá na Lulândia, como eu digo, naquele território eleitoral em que o Lula normalmente se elege, ele tinha 12% de superávit, de aprovação, e agora tem 20. Então, enfim, todos os lugares que você olha, a pesquisa foi boa para o Lula e foi ruim para o Flávio. Na intenção de voto, o Lula abriu dez pontos de vantagem sobre o Flávio no primeiro turno e seis pontos no segundo turno. Sempre bom dizer, seis pontos no segundo turno não quer dizer absolutamente que essa eleição está ganha. Não é vantagem confortável.

Ana Clara Costa: E a gente está muito longe ainda.

Celso Rocha de Barros: Estamos muito longe da eleição. Inclusive aquele pessoal que antes estava dizendo que o Flávio já estava eleito, estava sendo idiota também. Não é para fazer diagnóstico definitivo sobre pesquisa tão longe da eleição. Aliás, não sei nem se é para fazer diagnóstico definitivo perto da eleição. Agora, o fato é que aquela vantagem que o Flávio vinha ganhando quando estourou o escândalo do Master e a coisa parecia pegar sobretudo o STF, morreu. O Lula está fora da margem de erro, ganhando. Já fazia tempo que ninguém ganhava do outro fora da margem de erro nessa pesquisa. Mas as notícias ruins para o Flávio não estão só no resultado da pesquisa presidencial em si. A pesquisa teve bastante perguntas sobre o caso Master e todos os resultados são ruins para o Flávio. Aqui é bom notar um negócio, não é que essas pessoas pararam de achar que o STF está enrolado, não. Eles só estão dizendo que o Flávio está mais enrolado. Agora, uma coisa que eu achei uma divergência interessante com relação a Atlas, o número de pessoas aqui que diz que não conhece as conversas do Flávio com Vorcaro é, consideravelmente, maior do que na Atlas. E isso é uma boa notícia para o Lula, no fundo. Porque ainda tem bastante gente a ser apresentada ao fato que o Flávio Bolsonaro chamava o autor da maior fraude financeira da história brasileira de "irmão" e que o Flávio Bolsonaro pediu 130 milhões para o cara. Ganhou 60, teria ganho 130 se o cara não tivesse sido preso. 65% das pessoas agora na Quaest dizem que o Flávio errou de pedir dinheiro para o Vorcaro, 60% dizem que as conversa levanta suspeitas. Esse 60% é mais ou menos o número contrário ao Flávio em todas as perguntas do Master. Isso para ele é desastroso. A gente vai ter uma eleição apertada e para ter 60% das pessoas aqui achando que ele está errado, é porque tem gente aqui que não estava declarando voto no Lula até agora e que sabe que o Flávio cometeu um crime, basicamente. Então, claramente esse setor aqui é onde a eleição vai ser decidida. 12% das pessoas dizem que a conversa com Vorcaro diminuiu a vontade de votar em Flávio Bolsonaro e sendo que 50% dizem não mudou porque eu já não ia votar nele mesmo. Uma coisa que a gente discutiu muito aqui, que poderia ter ajudado o Flávio a se recuperar e talvez tenha ajudado porque a pesquisa aconteceu de um mês para outro, então não de uma semana para outra, é a classificação de PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas. Mas aqui tem um dado interessante. Quando você pergunta "o, espaço em branco, deve classificar organizações criminosas como terroristas?". O resultado varia bastante. Se você preencher essa lacuna com o governo brasileiro, "o governo brasileiro deve classificar organizações criminosas como terroristas?", 60% diz que sim. Então, 60% das pessoas acham que as organizações criminosas deveriam ser tratadas como terroristas. Mas quando você preenche a lacuna com o governo americano, só 45% diz que sim. São 15 pontos de diferença, bastante gente. Então assim você vai vendo que tem muita gente que obviamente contra o crime organizado, né? Espero que ninguém seja a favor. Que gostaria, inclusive, que fosse chamado de terrorista e tal, que a repressão fosse mais violenta, mas que não gostou dessa história do governo americano vir aqui resolver isso. Assim, a carta nacionalista teve um peso aqui. Eu tenho uma certa curiosidade de saber se essa pesquisa tivesse sido feita semanalmente, se ela tivesse acontecido antes do novo tarifaço do Trump, se a única notícia fosse "o Trump classificou como terrorista", será que o pessoal teria ficado também mal impressionado com a intervenção americana? Talvez tivesse colocado mais para o lado do Flávio, mas não foi isso que aconteceu. Na semana seguinte, veio o tarifaço. Ficou claro que era uma intervenção do governo americano. E o que eu acho que é muito ruim para o Flávio mesmo na pesquisa, é a pergunta: "com quem você concorda mais? Opção 1 - Lula, que afirma que as novas tarifas são uma retaliação ao pix", tem 46% e só 36% concorda com o "Flávio, que afirma que as novas tarifas são uma retaliação às declarações do Lula contra os Estados Unidos". Então, aqui, você teve não só os Estados Unidos mencionando explicitamente o pix no seu tarifaço, mas você teve o depoimento inacreditável do Eduardo Bolsonaro dizendo que nos Estados Unidos eles têm um sistema de pagamento eletrônico, o Zelle, que o Brasil podia negociar com os americanos com base nisso. O Eduardo tentou dizer "não, eu nunca disse para substituir o Pix pelo Zelle". Cara, mas se não for isso, não tem nenhuma negociação na mesa, por que que negociação é essa? É os Estados Unidos continuam fazendo o que ele fazia e a gente continua fazendo o que a gente faz? Isso não é uma negociação. Para ser uma negociação, o que o Eduardo precisa estar oferecendo para os americanos é que o Zelle vai ganhar alguma vantagem aqui no Brasil para competir com o Pix e vocês podem procurar todas as reportagens, o Zelle é um sistema pior do que o Pix no tempo que leva para a transação funcionar... Então, se você pretende pagar o táxi no Zelle, não vai ser bom, entendeu? Demora para funcionar. Você tem que ter a conta em um dos bancos que participa voluntariamente do sistema. E aí, você vai dizer "o serviço é gratuito". Gratuito se você já paga as tarifas daquele banco, né? Cara, e todos os economistas que estudam isso dizem que o Pix é realmente um sistema revolucionário para padrão internacional que os outros países deveriam adotá-lo. E a declaração do Eduardo... É difícil imaginar se o Lula quisesse pagar alguém para falar alguma coisa a favor dele naquela semana, eu acho difícil que ele encontrasse alguém melhor do que o Eduardo Bolsonaro defendendo o Zelle contra o Pix. De modo que, se você for pegar todos os outros resultados da pesquisa, a Carta Patriótica está inteiramente no colo do Lula no momento, graças à intervenção do Trump com a ajuda da família Bolsonaro. E aqui tem uma pergunta que o Fernando reclamou na última pesquisa, que é a história do Flávio é mais moderado que a família Bolsonaro, que o Fernando lembrou, bom, ele é da família Bolsonaro. Então, uma pergunta meio esquisita. Mas o que eu achei interessante é que dessa vez o "não", disparou. Então você tinha 47, "não" e 39, sim. Ou seja, a diferença era de oito e agora a diferença passou a 17. O "sim" caiu de 39 para 33 e o "não" foi de 47 a 50. É quase certo que essas pessoas estão equiparando moderado com bom. Eles estão respondendo que o Flávio é melhor do que a família Bolsonaro, e elas agora estão dizendo maciçamente que não. Então, a pesquisa é muito ruim para o Flávio. E eu acho que, inclusive, mesmo se o Kássio Nunes censurar essa daqui também, não tem muito o que eles fazerem nessa área, não.

Ana Clara Costa: Ô Celso, aproveitando que você pegou o gancho do Kássio, eu queria só falar um pouco sobre essa decisão dele. Eu acho que a gente precisa ficar atento a esses movimentos, porque o que aconteceu no TSE foi grave. Essa liminar ela tinha relatoria da ministra Estela Aranha, o ministro Kássio, que hoje preside o TSE, simplesmente criou uma regra imediata para tirar da relatoria da Estela Aranha e ele colocar na pauta para votar. Ou seja, tirou a atribuição de uma ministra. Não havia previsão legal para ele fazer isso. E ele fez. Aí ele jogou para o plenário, né? E quando ele decide isso na segunda-feira, a suspensão dessa pesquisa, a temperatura no TSE era de 6 a 1, de que ele teria o apoio de outros cinco ministros. Como a repercussão foi muito ruim, com razão, né? A atitude que ele tomou foi totalmente no atropelo, atropelo das regras, atropelo de tudo. Alguns ministros recuaram, então a temperatura meio que mudou no decorrer da semana. Lembrando que quando ele votou na segunda-feira, a Estela Aranha pediu vista, então os outros não votaram, mas a temperatura era que eles iam referendar. Depois, como foi evoluindo a coisa ao longo da semana, isso mudou um pouco. Hoje, falando assim um pouco nos bastidores do TSE, está 4 a 3 ainda favorável a essa liminar. Então, assim, achei grave o que ele fez ao tirar a relatoria de uma ministra e meio que atropelar todo o processo legal ali logo de cara. Segundo ponto que eu acho importante, essa liminar foi um pedido do PL logo que a pesquisa Atlas saiu, e foi um pedido da equipe jurídica do Flávio, que é pilotada pela ex-ministra do TSE, Maria Claudia Bucchianeri. Nem todo mundo ouviu isso porque eu falei desse assunto no Foro Ao Vivo, na Feira do Livro. Mas a equipe jurídica do Flávio, que foi montada para a campanha e que é pilotada pela Maria Cláudia, é uma equipe muito mais estruturada do que a equipe do PT hoje, né? E a Maria Claudia é considerada uma advogada de direito Eleitoral extremamente competente, além de ter sido ministra do TSE. Ela já defendeu Lula, ela já defendeu Arthur Lira, ela já defendeu Bolsonaro e, inclusive, no período em que ela estava no TSE, ela deu várias decisões favoráveis ao Bolsonaro. Então, foi a primeira demonstração dela do que ela pretende fazer durante esse período eleitoral e foi uma demonstração do Kássio do que ele pretende fazer também. Então, eu acho que as coisas estão começando a ficar bem claras no TSE, assim como que vai ser essa frente de batalha lá. Coisa que você, Celso, já tinha falado aqui pra gente em outros momentos, né? E eu queria lembrar também que várias pessoas da equipe jurídica do Flávio são próximas do ministro Kássio, e existe também um advogado que não está oficialmente na equipe jurídica do Flávio, mas ele está nos bastidores, que é o Gustavo Severo, que é um advogado muito próximo do Kássio. Inclusive, o Kassio voou em várias viagens noticiadas pela imprensa no jatinho do Gustavo Severo. Foi para lá e para cá em vários eventos nesse jatinho e esse Gustavo Severo está ajudando nos bastidores a equipe do Flávio. Então existe uma dobradinha se formando aí que não pode passar batido. Assim, não foi banal isso que aconteceu essa semana. Gente, eu ultrapassei minhas atribuições aqui dando meus pitacos, mas vou deixar vocês com João Batista aqui, que esse sim tenho que dizer, entendeu?

João Batista Jr: Na verdade, é sair um pouco das planilhas, das pesquisas e da censura de Brasília para ir para a campanha chão de fábrica. Mais ou menos chão de fábrica. Para um hotel de luxo. O Flávio Bolsonaro, nessa semana, ele foi uma estrela de um encontro promovido pelo Grupo Voto. Esse encontro foi chamado "O Brasil de Ideias Mulher - Especial Eleição". Era um encontro promovido pela dona do Grupo Voto, uma mulher chamada Karim Miskulin. A Karin, ela tinha uma agência de comunicação corporativa que no governo do pai do Flávio, o Jair Bolsonaro, teve um contrato com a Apex. Esse Grupo Voto tem uma intenção de discutir política com mulheres, com o mundo empresarial. A bem da verdade, que esse encontro com 180 convidadas ali no Tangará, não teve um quórum muito estrelado. Eram pessoas que não eram estrelas do PIB, não eram mulheres pensantes da sociedade. Quem estava ali? Por exemplo, Rosana Valle, deputada federal pelo PL de São Paulo, Valéria Bolsonaro, deputada estadual pelo PL de São Paulo. Ou seja, duas mulheres que têm uma agenda. Elas querem ser reeleitas, né? Eu pedi à organização do evento a lista dessas 180 convidadas. Não teve. E, em geral, a métrica é a seguinte: quando você não divulga que você vai no lugar, é porque pode estar com uma certa vergonha. E quando o lugar também não divulga que você foi, é porque você não acrescenta tanto. Então, talvez fosse um encontro de pessoas nem tanto aplaudidas, digamos assim. Também pedi para fazer entrevista com a Karim, a organizadora, e a Karim não quis dar entrevista. O que a comunicação dela falou, é que ela, uma mulher pensante da sociedade, quer também reunir, dentre as suas convidadas célebres, outros pré candidatos, a exemplo do Lula. Mas é isso, o Flávio conseguiu censurar algo em Brasília e no dia a dia, no corpo a corpo, ele foi num evento de hotel de luxo com pessoas que não são tão importantes.

Ana Clara Costa: O evento, ele é um emblema do prestígio dele nesse momento, né? Mas eu acho que também a gente não pode se enganar, porque eu acho que tem um monte de gente de suposto prestígio que votaria nele, mas não quer dizer publicamente que vota e não quer aparecer em público ao lado dele. Mas quando chegar lá no dia, vai apertar.

Sonora: É, não vai na festa dele... Mas é, exatamente.

Ana Clara Costa: Mas vai apertar, né? A gente sabe. Bom, a gente encerra agora o segundo bloco e no próximo bloco a gente vai falar sobre a decisão do Senado, que sustou uma resolução do Conanda sobre o aborto legal de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual. A gente já volta.

Ana Clara Costa: O Senado aprovou em menos de dois minutos e sem votação nominal, um projeto que susta a resolução do Conanda sobre atendimento a crianças e adolescentes vítimas de violência sexual. A medida não muda o Código Penal, mas dificulta o acesso a um direito já existente, o aborto legal em caso de estupro. A votação relatada pela senadora Damares Alves e celebrada por agremiações evangélicas e católicas, é mais um capítulo da ofensiva contra o aborto legal no Brasil. A direita tem derrubado protocolos e criado insegurança nos serviços, além de empurrar meninas violentadas para um labirinto institucional onde falta atendimento, falta apoio e sobra incerteza. Desde 2024, quando os casos de hospitais de referência que pararam de fazer o aborto legal por pressão do Conselho Federal de Medicina, começaram a acontecer, a gente vem tocando nessa tecla aqui no Foro e, recentemente, a gente também falou desse assunto, porque o caso do CFM, que é o Conselho Federal de Medicina, e que não quer mais que a classe médica realize a assistolia fetal para interrupção da gestação com 22 semanas. Esse debate está acontecendo dentro do Supremo hoje e há algumas semanas a gente voltou a falar desse assunto porque, coincidentemente, a PGR deu um parecer favorável ao CFM, ou seja, chancelando a visão do CFM sobre isso. O que tem acontecido no Brasil nos últimos anos? Os hospitais de referência que deveriam realizar o aborto legal nas crianças vítimas de estupro, ficam jogando uma criança de hospital para o hospital. O tempo vai passando, as gestações ultrapassam as 20 semanas. Aí o CFM diz que não realiza mais porque já passou tempo demais. Então, assim, é isso que está acontecendo com as meninas no Brasil hoje. Meninas, grande parte em situação vulnerável, porque quando a renda é alta, eles resolvem, seja como for, o problema. E o Senado, na última semana, deu esse presente que foi sustar essa norma do Conanda, que tentava, de certa forma, oferecer um pouco de respaldo regulatório para essas crianças que estão sofrendo esse tipo de situação nos hospitais de referência. E aí, o Senado vai lá e susta numa votação, tal como essa, em que a gente nem sabe como votou cada senador.

Celso Rocha de Barros: Pois é, são notícias ruins que não param de acontecer e a gente tem que tratar delas. Isso é um assunto que não dá nem para a gente fazer piada, como a gente faz com o assunto sobre política partidária ou coisa que vale. Porque, basicamente, a discussão é: que maldade você vai fazer com uma criança que foi estuprada? O Senado decidiu que qualquer uma que você queira, inclusive obrigar ela a ter o filho do estuprador. Eu suspeito que se você perguntasse na cadeia para os estupradores se eles acham que é correto que as suas vítimas sejam obrigadas a ter os filhos deles, eu acho que pelo menos alguns teriam algum momento de consciência e dizer que não. Não é o caso da senadora Damares Alves. Não é o caso do senador Davi Alcolumbre, que botou isso para votar. Não é o caso da deputada Chris Tonietto, que patrocinou esse negócio. Essas pessoas, obviamente, querem ganhar voto. Querem sinalizar virtude com o problema dos outros. Em vez de elas sinalizarem virtude denunciando a corrupção do candidato delas a presidente, em vez de elas sinalizarem virtude defendendo as pessoas que ficaram sem vacina durante a pandemia, elas estão sinalizando virtude obrigando crianças que foram estupradas a ter o filho dos seus estupradores, porque eles acham que isso é uma reafirmação de comportamento moral, quando na verdade é exatamente o contrário que se trata. Bom, a resolução do Conanda, que é a resolução que foi derrubada pelo Senado, era uma resolução que tentava facilitar o acesso de crianças estupradas ao aborto legal. Então, só para deixar claro, o Conanda nem propôs nem poderia propor, porque não tem autoridade para isso, a expansão do número de casos em que o aborto é legal. Ela está dizendo para essas pessoas para quem a lei garante o direito de interrupção de gravidez: "Nós vamos estabelecer procedimentos que facilitem o acesso a esse direito que a legislação brasileira garante, bom lembrar, desde 1940". E aí, entre as propostas do Conanda está, por exemplo, você dispensar ou flexibilizar a exigência de que os responsáveis pelas crianças participem do processo de interrupção de gravidez, o que é importante porque muitas vezes são os pais dessas crianças, os padrastos dessas crianças, os responsáveis legais dessas crianças que cometeram o estupro. Estupro de criança é uma coisa que acontece sobretudo em casa. Então, o que o Senado aprovou agora é que antes da menina que foi estuprada poder interromper sua gravidez, ela vai ter que pedir a autorização do estuprador. Damares Alves, Chris Tonietto, Davi Alcolumbre, todo o pessoal que aprovou isso, aprovou que a criança que foi estuprada pelo pai tenha que pedir autorização do pai para interromper sua gravidez. Foi isso que eles fizeram, Em votação, inclusive, como disse a Ana, ninguém foi identificado. Teve um debate que eu consegui pegar aqui, que é o seguinte: mesmo se você concordar com tudo que o Conanda fez, o Conanda tem autoridade legal para fazer isso? E eu queria primeiro sinalizar a hipocrisia dos caras que dizem que não, porque o que a Damares, esse pessoal todo, inclusive do Conselho Federal de Medicina, são basicamente monstros, que são pessoas sem qualquer senso de moral, estão fazendo em todos esses casos de limitar o acesso ao aborto legal é, basicamente, tentar legislar por vias tortas. O que eles estão querendo fazer, é revogar o direito ao aborto legal, simplesmente tornando fisicamente praticamente impossível realizar, impedindo que exista a possibilidade do exercício desse direito. Isso equivale a você revogar a lei para todos os propósitos práticos. Então, o que a Damares e o pessoal tá acusando a resolução do Conanda, é o que eles vêm tentando fazer, sistematicamente, faz vários anos. Agora, se existe alguma razão jurídica nisso, se de fato você acha que o Conanda se excedeu na sua autoridade, o que você tem que fazer não é você só revogar a resolução. Você teria que imediatamente discutir o que tem de positivo nessa resolução do Conanda e transformar isso em lei e passar isso pelo Congresso. Se o Congresso acha que o problema é que não passou por ele, trabalha Congresso. Eu sei que vai ser uma experiência nova para vocês, mas assim a gente precisa, às vezes, se abrir a outras possibilidades que a vida nos oferece, entendeu? Se vocês acham que o problema aqui é que o Conanda legislou sem ter o direito de legislar, vocês têm o direito de legislar e são um bando de vagabundos que não fazem nada. Não era o caso de fazer essa palhaçada, de revogar completamente a resolução sem botar nada no lugar. O que vocês estão fazendo é só, novamente, aumentar o sofrimento de crianças, pessoas que a sociedade deveria proteger, que foram vítimas de um crime horroroso. Vocês estão pegando crianças que passaram por uma das piores experiências que uma pessoa pode passar, vocês estão fazendo a vida delas ser pior. Você fazer isso e você achar que você está sendo cristão, você achar que está agindo segundo a moral, só prova que você é um degenerado cara, que você é um pervertido, que você é um tarado. Mas é isso que aconteceu no Senado e as pessoas que fizeram isso vão fazer campanha esse ano como se fossem cidadãos excelentes, assim como se fossem pessoas que respeitaram o que diz a Bíblia sobre o aborto. Spoiler: a Bíblia não diz nada sobre aborto. Vocês podem conferir, quem quiser. E se dissesse: nem todo mundo é obrigado a seguir a Bíblia, certo? Isso seria uma orientação para você, enquanto cristão, não realizar aborto, mas não para você obrigar outras pessoas a não realizar aborto. E isso vai dar voto, gente. Isso vai funcionar. Triste é o seguinte: essa manobra vai funcionar para os caras que fizeram isso. As pessoas que fizeram isso com essas crianças vão conseguir voto em cima do sofrimento adicional que elas vão obrigar essas crianças a sofrer.

Ana Clara Costa: Não só voto como o voto no Senado para o Supremo, que é o mesmo que no caso o Jorge Messias, que o Lula possivelmente vai voltar a indicar, um dos principais argumentos dele para convencer os senadores conservadores a votar nele, é a concordância da AGU e dele, pessoalmente, com a pauta do CFM sobre assistolia fetal.

Celso Rocha de Barros: Vocês estão vendo a guerra feroz que o Brasil faz contra as suas crianças que são vítimas de violência sexual.

Ana Clara Costa: João, você ouviu bastante gente sobre esse assunto também e a gente queria te ouvir.

João Batista Jr: Toda essa discussão que vocês aqui do Foro tem feito uma cobertura tão boa, na prática, já tem surtido efeito bastante ruim em cima dessas crianças e mulheres vulneráveis. Ou seja, pessoas que têm autorização legal para interromperem a gestação por questões mais variadas e tristes possíveis. Então, eu conversei com o médico de uma linha de frente de um hospital de Campinas que ele falou que todas as discussões quando elas entram na pauta do dia, ou seja, saem em Jornal Nacional, em portais, em redes sociais, as mulheres que tem o direito, ou seja, que contemplam o que é entendido no aborto legal no Brasil, ficam com medo de irem buscar ajuda nos hospitais e fazer valer a lei. Elas pensam que elas podem ser presas. Então, o médico falou que durante umas quatro semanas em que ficou sendo discutida essa questão na imprensa, nenhuma mulher apareceu no hospital de Campinas para tentar fazer o aborto legal, para requerer o direito dela. E são dois casos por semana, todas as semanas. Então, quatro semanas sem nenhuma aparecer, é algo bastante sintomático. Na prática, essas discussões entre Brasília e CNBB já tem surtido efeito. E quem são as pessoas que buscam quando é retomado? Mais mulheres brancas, mais mulheres com alguma escolaridade. E daí, esse mesmo médico contou o seguinte: no Estado de São Paulo e aqui, São Paulo, merece um pequeno preâmbulo, né? Tanto o Estado quanto o município, o Ricardo Nunes é o prefeito que entregou o prontuário das mulheres que fizeram aborto legal ao Cremesp. Aí teve uma discussão no STF em que o ministro Alexandre de Moraes falou que isso é ilegal, viola a privacidade, viola a civilidade, né?

Ana Clara Costa: É crime violar prontuário.

João Batista Jr: Exatamente. No estado de São Paulo, tem grandes hospitais que fazem o aborto legal Campinas, Ribeirão Preto e São Paulo. O que acontece? Esses hospitais têm visto chegarem mulheres de cidades muito distantes, até mesmo de outros estados, porque elas não estão se sentindo assistidas dentro da cidade delas. Porque se você vai até uma Defensoria, se uma menina é violentada e ela chega numa Defensoria, a Defensoria orienta ela a seguir o protocolo legal, a procurar o hospital mais próximo que possa realizar a questão. Como existe esse medo consolidado dentre as pessoas e a classe médica, elas estão indo para essas grandes centros Ribeirão Preto, Campinas e São Paulo.

Ana Clara Costa: E os próprios grandes centros, João, não estão atendendo a contento. Os próprios hospitais de referência de São Paulo não estão atendendo no patamar que eles deveriam atender. A gente sabe.

João Batista Jr: Ou seja, tem um método e esse método é dificultar a vida do médico que está fazendo o trabalho que lhe cabe e que a lei assegura. E dificultar a vida da mulher ou da criança cujas vidas estão sob risco. Eu conversei com uma pessoa também ligada à Igreja Católica, que ela falou de uma pessoa que tem atuado bastante forte dentro dessas discussões para proibir ou para dificultar o aborto legal que é o bispo Ricardo Hoepers. Ele tem dois cargos, ele é secretário geral da CNBB e ele é bispo auxiliar do Arquidiocese de Brasília. Comparando com o mundo político, o secretário geral da CNBB, ele funciona como ministro da Casa Civil. Ele é uma pessoa que tem articulação com todos. Ali em Brasília, ele realiza uma missa para os parlamentares, ou seja, os deputados que querem ir à missa, ele faz um evento especial para eles, em que tem cafezinho, que todos eles conversam. Essa mesma pessoa falou que esse bispo sempre se mostrou pró-vida. Até aí, não é novidade que a Igreja Católica se coloca contrária ao aborto. Nem toda ela, mas é um dogma da Igreja. No entanto, o que ele quer é dificultar ou impedir métodos legais, e ele tem sido bastante eficaz. Essa mesma pessoa lembrou o seguinte a Igreja Católica, ela deveria atender e acolher as pessoas mais desassistidas da sociedade. E a Igreja Católica muitas vezes já fez isso. Na Cracolândia, em São Paulo, quando crianças engravidam vítimas de estupro e de violência sexual de toda sorte, muitas vezes a pastoral acolhe levando até o hospital, até Defensoria Pública para tentar dar o mínimo de dignidade para essas crianças. Voltando algumas casinhas, o Hospital Emílio Ribas, que cuida de infectologia em São Paulo, tem um capelão de décadas chamado João Mildner. Esse homem realizou velórios atrás de velórios quando pessoas soropositivas morriam e nenhum parente ia no velório, no enterro. Então, a Igreja Católica, quando ela quer, ela estende a mão. O que a gente está vendo agora é uma barbárie, que é a união entre alguns religiosos conservadores, porém muito poderosos, com políticos que estão pensando em voto e não pensando na saúde pública dos brasileiros.

Ana Clara Costa: Bom, com essa apuração do João, esse soco, a gente encerra esse terceiro bloco e a gente vai para um rápido intervalo e, na volta, a gente faz o Kinder Ovo. É isso aí.

Ana Clara Costa: A gente está de volta e vamos para o momento Kinder Ovo, momento que tem sido de derrota total para mim nesse ano de 2026.

Celso Rocha de Barros: Pô, cara, tá difícil. A vitória é totalmente da Mari e da Maria Júlia, quando tava substituindo.

Ana Clara Costa: Eu espero que a sorte esteja em outro lugar, porque no Kinder Ovo não tá. Pode soltar!

Sonora: Eu, na minha vida, fui eu tive um patrão e no dia 23 de setembro de 93, ele morreu.

Ana Clara Costa: Caiado?

Ana Clara Costa: Parece o Álvaro Dias, mas não é porque...

João Batista Jr: Voz de marrento, né?

Sonora: De lá para cá, eu nunca mais tive um patrão na minha vida.

Ana Clara Costa: Quem fala é Alexandre Kalil, pré-candidato do PDT ao governo de Minas Gerais.

João Batista Jr: Ai, gente é ex-prefeito de BH. Eu, como mineiro, vou tirar meu crachá.

Ana Clara Costa: Realmente, João Batista, você não vai poder entrar em Extrema nos próximos dias.

João Batista Jr: Tudo menos isso!

Ana Clara Costa: Agora a gente vai para o correio elegante. Foram muitíssimos comentários elogiando o João Batista Júnior e o sabor que ele traz para as informações que ele mesmo conta aqui pra gente, né? E para representar esses elogios ao João, a Mari selecionou o post da @liliaseu: "João, volte sempre! Te amamos e precisamos que você nos edifique". E o @melkisedge escreveu: "Não tem como não morrer de rir diante das tiradas e ironias do Celso e ver a seriedade do programa diante das intervenções, condução e comentários da Ana. Mas o tom de fofoca dos bastidores dos bastidores na voz de João, falando mansinho e baixinho, para quem gosta de fofoca como eu, não tem como não ficar preso. Que episódio fofocástico! Parabéns a todos!". É isso aí. É isso aí, João Batista.

João Batista Jr: Muito obrigado! Ana, o Tadeu França mandou um recado para você e para Mari: Serei direto e reto, Ana Clara mandou tão bem no papel de host principal que merece o direito de conduzir o Foro diretamente de sua choupana no Rio de Janeiro, tal qual Fernando faz em São Paulo. Vamos subir a #MariliberaohomeofficeparaAnaClara. Finalizo pedindo para vocês mandarem um beijo para os meus filhos, Augusto, de sete anos, e Hugo, de cinco anos, que fizeram aniversário dessa semana. Grande abraço". Um beijo, Augusto e Hugo. Nomes lindos. Tudo de bom para vocês.

Ana Clara Costa: Beijo, Augusto e Hugo. Parabéns! Eu só quero dizer que se fosse na minha casa não teria pão de queijo, então não tem a menor graça.

Celso Rocha de Barros: Ah, muito bem.

Ana Clara Costa: Tá?

Sonora: Você tem um ponto. Você tem um ponto..

Celso Rocha de Barros: Só aproveitando pra mandar meu beijo aqui para o Hugo e para o Augusto. Feliz aniversário pra você, garotos! A Suzane sem sobrenome deu uma ideia: "Petição pelo Furo de Teresina. Quadro permanente do Foro por João Batista e Ana Clara contarem as fofocas do mundo político pra gente". Genial! Suzane tem todo o meu apoio.

Ana Clara Costa: É o nosso zap, né João? O meu e seu.

João Batista Jr: E conversa de bar! As pessoas gostam do tom de fofoca, se for num bar comigo e com a Ana Clara, o bicho pega fogo.

Ana Clara Costa: E assim vamos encerrando o programa. Se você gostou, não deixe de seguir e dar five stars para a gente no Spotify. Segue no Apple Podcasts, na Amazon Music. Favorita Deezer e se inscreve no YouTube. No site da piauí, você encontra a transcrição do episódio. O Foro de Teresina é uma produção do Estúdio Novelo para a revista piauí. A coordenação geral é da Bárbara Rubira. A direção é da Mari Faria, com produção e distribuição da Maria Júlia Vieira. A checagem é da Ethel Rudnitsky. A edição é da Barbara Rubira e da Paula Scarpin. A identidade visual é da Amanda Lopes. A finalização e a mixagem são do João Jabace e do Luís Rodrigues, da Pipoca Sound. Jabace e Rodrigues, que também são os intérpretes da nossa melodia tema. A coordenação digital é da Bia Ribeiro, da Emily Almeida e do Fabio Brisolla. O programa de hoje foi gravado no estúdio Rastro do Danny Dee, no Rio de Janeiro, e em Lisboa, na casa do João e da Laura. João, que não é o João Batista, é o amigo dele. Eu me despeço do João Batista. Tchau, João.

João Batista Jr: Tchau, Ana. Tchau, Celso. Até semana que vem aí. Direto do estúdio, no Rio de Janeiro.

Ana Clara Costa: E do Celso.

Celso Rocha de Barros: Tchau, Ana. Tchau, João. Tchau, pessoal. Até semana que vem.

Ana Clara Costa: É isso, pessoal! Uma ótima semana a todos e até a semana que vem.


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