04 Set 2026
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Semanalmente, os apresentadores mencionam as principais leituras que fundamentaram suas análises. Confira:
Conteúdos citados neste episódio:
"Em cartaz, a caixa-preta", reportagem de Breno Pires para a piauí.
"A simbiose" reportagem de Ana Clara Costa para a piauí.
"A vida de Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo nos EUA", reportagem de Alice Maciel e Natalia Viana para a Agência Pública.
TRANSCRIÇÃO DE ÁUDIO
Sonora: Rádio piauí.
Fernando de Barros e Silva: Olá, sejam muito bem-vindos ao Foro de Teresina, o podcast de política da Revista piauí.
Sonora: Um ministro do Supremo Tribunal Federal não pode se prestar à condição de assessor de banqueiro. Mesmo se fosse um banqueiro honesto. Mas o ministro Alexandre tinha plena consciência que assessorava um banqueiro desonesto.
Fernando de Barros e Silva: Eu, Fernando de Barros e Silva, da minha casa em São Paulo, tenho a alegria de conversar com os meus amigos Ana Clara Costa e Celso Rocha de Barros, no Estúdio Rastro, no Rio de Janeiro. Olá Ana, bem-vinda!
Ana Clara Costa: Oi, Fernando! Oi, pessoal!
Sonora: Na avaliação do diretor geral da PF, André Mendonça estaria extrapolando as atribuições constitucionais e estaria atuando como juiz, investigador e Ministério Público. Tudo de uma única vez.
Fernando de Barros e Silva: Diga lá, Celso Casca de Bala!
Celso Rocha de Barros: Fala aí, Fernando! Estamos aí mais uma sexta-feira.
Sonora: Vão ficar insistindo nisso? Eu parei para atender vocês com maior respeito aqui. Não adianta vocês ficarem perguntando coisas que eu não tenho como responder. Não tem fato novo nenhum. A prestação de contas tá feita, gente!
Fernando de Barros e Silva: Mais uma sexta-feira e não seremos só nós três. Temos no estúdio Hertz em Brasília, a presença do Breno Pires, repórter da piauí e autor da reportagem "Em cartaz, a caixa-preta", que trata justamente do envolvimento de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro por meio deste grande empreendimento cinematográfico, o Dark Horse. Fala Breno! Bem-vindo!
Breno Pires: Salve Fernando, Ana, Celso e Teresiners. Prazer estar aqui.
Fernando de Barros e Silva: Prazer é nosso. A reportagem do Breno, um recado para vocês é um dos textos disponíveis em áudio no Rádio piauí: Escute a revista, onde os assinantes da piauí e os assinantes do Clube da Novelo podem ouvir as reportagens narradas por seus autores no Spotify ou no novo aplicativo da piauí. Este mês tem reportagem do Breno e da Ana Clara. Ouçam lá! Agora, sem mais delongas, aos assuntos da semana.
Fernando de Barros e Silva: Estamos a um mês do primeiro turno das eleições, no dia 4 de outubro, e o escândalo do caso Master ocupou de vez o centro do palco da campanha eleitoral. As revelações do relatório da Polícia Federal detalhando o relacionamento promíscuo entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes são devastadoras. Elas mostram um conjunto de mensagens de WhatsApp altamente comprometedor, mensagens indicando que o ministro do Supremo atuou como conselheiro de luxo do banqueiro corrupto enquanto este tentava escapar da polícia. Moraes não apenas tinha pleno conhecimento do contrato de mais de 130 milhões de reais firmado no início de 2024 entre o escritório de sua mulher, Viviane Barci. E Vorcaro, como fez também as alterações no documento antes que ele adquirisse sua forma final. Foi o ex-ministro das Comunicações de Jair Bolsonaro, Fábio Faria, quem intermediou o contato entre Moraes e Vorcaro. Tudo começou no final de 2023, quando o banqueiro ofereceu um almoço a família Barci de Moraes, com a presença do ministro no hotel de luxo de Vorcaro, em Campos de Jordão, na Serra da Mantiqueira. Ali, acertou-se a parceria formalizada em janeiro de 2024 e só interrompida em novembro de 25, quando Vorcaro foi preso pela primeira vez. A certa altura, nas mensagens, Vorcaro diz que o acerto com os Barci de Moraes era "o contrato mais importante que temos". Fecha aspas. Em outra ocasião, ordenou que o pagamento fosse feito. Abre aspas, "sempre, sem nota. Do jeito que for", fecha aspas. As mensagens também indicam que Vorcaro, pediu a Moraes que interferisse em seu favor junto ao procurador-geral da República, Paulo Goulart, e ao diretor geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. No dia 30 de outubro de 2025, pouco mais de duas semanas antes de ser preso. Vorcaro escreve, abre aspas: "É importante reforçar com Andrei e Paulo para não deixar ninguém de baixo fazer uma sacanagem que aí vai tudo para o saco. Fecha aspas. Em 15 de novembro, dois dias antes de sua prisão, quando tentava sair do país, o banqueiro perguntou a Moraes, abre aspas: "Acha que segunda já tenho que estar fora?". Fecha aspas. A divulgação dessas conversas abriu uma crise sem precedentes no STF. Cercado de policiais federais que lideraram as investigações da Lava Jato, o relator do caso Master, André Mendonça, tomou sua decisão sabendo das implicações políticas que ela teria. Sabia e teve a intenção de contaminar o processo eleitoral. Atingido com Moraes, Paulo Gonet pediu a anulação do material revelado e o arquivamento da investigação, alegando que Mendonça não poderia ter agido sem antes consultar o plenário da Corte. Corte que por sua vez, silenciou sobre o escândalo em sua primeira reunião depois das últimas revelações, fingindo ignorar o elefante instalado na sala do plenário. A reputação do STF nunca esteve tão abalada e isso muito provavelmente terá impacto eleitoral, além de jogar água no moinho da deterioração institucional que interessa sobretudo à direita. Uma pesquisa Quaest divulgada na última quarta-feira mostrou Lula e Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados na simulação de segundo turno, 42 a 41. A diferença era de três pontos a favor de Lula no levantamento anterior e a pesquisa de agora foi a campo antes que as novas revelações sobre Moraes pudessem ser medidas. O que a Quaest também confirmou foi o crescimento já captado em outras pesquisas do candidato Augusto Cury, do Avante, que chegou a 10% e se isolou dos demais nanicos: Renan, Zema e Caiado. É muito improvável, muito mesmo, que o guru da autoajuda se viabilize como rival de Lula no lugar de Flávio. Mas é sintomático que a terceira via, vamos chamar assim, por ora, seja ocupada por alguém que vive de vender a sua groselha motivacional com receitas de superação individual à base de ideias feitas e fumaças de espiritualidade. Sinal dos tempos. De tudo isso a gente vai falar nos dois primeiros blocos. No terceiro bloco, a gente recebe o Breno, que nessa semana revelou que Flávio recebeu mais dinheiro de Vorcaro do que havia admitido e que Flávio mentia ao sustentar que os pagamentos do banqueiro supostamente destinados ao financiamento do Dark Horse tinham se encerrado em maio de 2025. A reportagem da piauí encontrou um repasse, em 16 de setembro, de mais de 1,6 milhão de dólares, de Vorcaro ao fundo que financiava a produtora do filme sobre a vida de Jair Bolsonaro. E há indícios de uma outra parcela que teria sido paga em outubro. Até agora, sabe se que pelo 12,3 milhões de dólares, mais de 65 milhões de reais foram transferidos de Vorcaropara a família Bolsonaro. O dinheiro fazia um caminho pouco convencional. Em vez de sair diretamente das empresas de Vorcaro para a produtora do filme, passava por um intermediário e chegava ao Havengate. Um fundo no Texas, administrado por um amigo de Eduardo Bolsonaro. A Procuradoria-Geral da República acaba de fechar um acordo de colaboração premiada com este intermediário. Antônio Carlos Freixo Junior, codinome "Mineiro". Minas, como dizemos, é decisiva para o resultado da eleição. Quem sabe, no meio de tanta lama, este mineiro em maus lençóis venha iluminar as mentiradas de Flávio Bolsonaro antes que seja tarde demais. É isso. Vem com a gente!
Fernando de Barros e Silva: Muito bem. Ana, vamos começar com você. Comecemos pelas mensagens, né?
Ana Clara Costa: Bom, Fernando, eu queria começar falando do que é fato, para depois a gente escarafunchar um pouco o que está por trás dos fatos e o que é fato olhando esse material que foi vazado? Porque ele primeiro foi vazado e depois foi levantado o sigilo, né? A gente já falou aqui algumas vezes que o Daniel Vorcaro, ele tem aquela expressão, que ficou eternizada no Supremo, "traços de psicopatia", né? Mas ele parece de fato acreditar na ilusão de que ele é um perseguido. Então, o tempo todo ele repete a palavra sacanagem em muitos momentos, como se alguém quisesse sacaneá-lo, como se ele fosse uma vítima do sistema que quer tirar o banco dele, né? Isso é muito impressionante.
Celso Rocha de Barros: Rapaz tão bom, né?
Ana Clara Costa: Porque você vê que o cara acredita na própria mentira assim, com veemência, né?
Celso Rocha de Barros: Já dizia o George Constanza, do Seinfeld: "Não é mentira se você acredita".
Ana Clara Costa: Exato. E para além desse comportamento psicopata, me perdoem os psiquiatras.
Celso Rocha de Barros: E os psicopatas. Os ouvintes psicopatas.
Ana Clara Costa: Exato. Vão dizer que eu tô aqui fazendo diagnóstico sem ter formação para isso. Mas tudo isso é licença poética, gente.
Fernando de Barros e Silva: Eu leio "sacanagem" assim: eu tô pagando tão bem para vocês. Não vão deixar as pessoas que estão subordinadas a vocês foder a gente.
Ana Clara Costa: Pois é.
Celso Rocha de Barros: Faz todo sentido.
Ana Clara Costa: Também.
Fernando de Barros e Silva: Essa é a legenda.
Ana Clara Costa: Também.
Fernando de Barros e Silva: Sacanagem.
Ana Clara Costa: Bom, o segundo ponto que eu achei esclarecedor é a posição do Galípolo nesse jogo, né? Até então eu que acompanhei especialmente no detalhe esse caso, porque até fiz uma reportagem falando disso para a piauí há alguns meses. A posição do Galípolo, ela ficou em muitos momentos ambígua sobre essa questão do salvamento do Master. Até que ponto eles deixaram a corda esticar para salvar o Master e tal... Era visto com ambiguidade a atuação, que ele poderia ter sido mais incisivo antes. E eu acho que essas mensagens deixam claro que ele não era visto pelo Daniel Vorcaro como um aliado. No aspecto de imagem do Galípolo ali, ficou muito bem para ele, porque em todo momento ele é colocado como alguém que estava marcando em cima do Master. Entre mortos e feridos, o Galípolo se saiu bem. Essas mensagens também não comprometem, apesar de parecer ser a intenção, elas não comprometem o Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, porque elas mostram que há uma coisa que já sabia que existia, que é uma espécie de uma relação hierárquica do Andrei em relação ao Alexandre de Moraes. O Vorcaro pede para o Alexandre de Moraes falar com o Andrei para pedir para o Andrei barrar, para pedir para Andrei segurar. Mas em nenhum momento a gente tem qualquer indício de que isso tenha sido barrado ou segurado, ou qualquer coisa, porque o cara no fim foi preso, teve a operação e ele foi preso. A gente falou em algumas ocasiões aqui no Foro que o próprio inquérito do golpe acabou estabelecendo uma relação muito próxima do Andrei com Alexandre de Moraes, em muitos momentos de subordinação do Andrei ao Alexandre de Moraes. Isso fica claro nessas trocas de mensagem agora. Mas em nenhum momento há um indício de que o Andrey aceitava esses pedidos que eram feitos pelo Vorcaro. Isso até agora a gente tem ali o histórico da viagem do Andrei para o evento de Londres e tal, a degustação de whisky. Mas até agora o que há de documento que foi exposto, nenhum mostra que o Andrei de fato atuou pelo Master, né?
Fernando de Barros e Silva: Eu não ponho a minha mão no fogo por ninguém. Em princípio, nenhum de nós põe, mas eu desconfio de que o Andrei possa estar em situação pior do que apenas participar dos convescotes em Londres, participar desse negócio de juiz. Primeiro que diretor-geral da Polícia Federal não é para tomar whisky com banqueiro, pago por banqueiro em Londres.
Ana Clara Costa: Não é de jeito nenhum.
Celso Rocha de Barros: Não é de jeito nenhum.
Fernando de Barros e Silva: Nenhuma dessas autoridades. Enfim.
Celso Rocha de Barros: É, mas é que a gente tá discutindo um negócio muito além, né? Um negócio de autoridades que tentaram barrar o processo.
Fernando de Barros e Silva: Mas enfim, é uma desconfiança minha de que a gente deve com cautela em relação ao Andrei.
Ana Clara Costa: Bom, eu acho que por último, fica também muito claro porque isso não tava tão claro nas outras mensagens que tinham sido vazadas há alguns meses. É quando o celular do Vorcaro, conteúdo de alguns aparelhos a gente não sabe ao certo quantos foram vazados e havia essas mensagens para o Alexandre de Moraes. Mas assim a gente não sabia ao certo qual era a dinâmica. Primeiro que não eram todas que estavam ali. Então a gente ficava com uma certa dúvida em relação a essas mensagens. Até que ponto o Alexandre de Moraes era responsivo a isso? Até que ponto ele estava disponível? Isso não estava claro naquele momento. E agora tá muito claro, porque pela troca de mensagens, você vê o Vorcaro marcando, o Alexandre de Moraes está confirmando porque depois Vorcaro fala "então tá, beleza. 14h". Ou então ele faz uma pergunta e ele tem uma resposta e fala "então tá, beleza. Obrigada". Ele faz consulta jurídicas ao Alexandre de Moraes. Em vários momentos ele cita o então advogado dele, que é o Pierpaolo Bottini , que estava com ele até determinado momento, propondo soluções jurídicas em que ele checava com o Alexandre de Moraes para saber se ele concordava. Então, assim, a intimidade que essas mensagens mostram, por mais que a gente não tenha a resposta, a própria réplica do Vorcaro já expõe o nível do relacionamento ali. Sem contar, obviamente, dos absurdos. O segundo contrato feito com a doutora Viviane Barci.
Fernando de Barros e Silva: Eu nem mencionei esse segundo contrato. Talvez você possa falar um pouquinho.
Celso Rocha de Barros: É um contrato que foi encontrado lá nos celulares que ofereceria um pagamento adicional ao escritório Barci de Moraes, que seria de 50 milhões, dos quais, se não me falha a memória, 40 milhões como participação na propriedade de um avião e um helicóptero e 10 milhões também relacionados a gastos com o avião e o helicóptero. Uma coisa assim. Ao contrário do outro contrato, aquele que a Malu Gaspar descobriu, esse contrato não estava assinado. Então ele era uma minuta. Então a gente não sabe ainda se isso, se isso aconteceu.
Fernando de Barros e Silva: É curioso e triste. Veja os elementos que estão por trás da relação do ministro do Supremo com o banqueiro: helicópteros, aviões.
Celso Rocha de Barros: Exatamente.
Ana Clara Costa: E há mensagens que mostram o quanto a Viviane elogiou a estrutura de uma das aeronaves do voo de jatinho. E há ainda esse fornecimento de cartões de limites exorbitantes para os filhos do Alexandre de Moraes, que, embora eles tenham dito que não usaram esses limites, isso já mostra também uma uma promiscuidade completamente imprópria nesse ponto. Em qualquer ponto, na verdade.
Fernando de Barros e Silva: Exorbitantes, mas 10% do que o escritório recebia por mês do Vorcaro. Sim, 300 mil é o limite do cartão. Ele recebia mais de 3 milhões, 3 milhões e 600 por mês. Então é módicos 3 mil.
Celso Rocha de Barros: Olha só!
Ana Clara Costa: Uma outra coisa que me chamou a atenção nesse vazamento e depois no levantamento desse sigilo é o foco no Alexandre de Moraes. A gente sabe que outros ministros, eles próprios ou seus parentes, negociaram com o Daniel Vorcaro, ministro Dias Toffoli, Ministro Kássio Nunes Marques.
Fernando de Barros e Silva: Uhum.
Ana Clara Costa: E esses ministros não estão contemplados nesse relatório, né? Então, se esse relatório tinha como objetivo expor a participação de membros da Corte nesse esquema, houve uma seleção de qual membro da corte expor.
Celso Rocha de Barros: Sem dúvida.
Ana Clara Costa: Ou então esse negócio do Toffoli com o Vorcaro foi super probo, né? Foi um negócio limpíssimo, né?
Celso Rocha de Barros: Tecnicamente, né? É uma possibilidade que nem sei lá, né? Você sabe se o monstro do Lago Ness não existe mesmo?
Ana Clara Costa: Pois é. Então eu acho que é essa ausência, né? Se essa parte do inquérito é uma parte que é delicada porque trata do envolvimento da Corte com esse esquema, por que escolher um ministro da corte e não tratar das mensagens envolvendo todos os ministros da corte? Tem um outro ponto que daí é a resposta da PGR, que, diga-se de passagem, também está contemplada nessas trocas de mensagem em que o Paulo Gonet pede para o filho dele ser levado para degustação de whisky e charuto em Londres e a resposta da PGR a esse caos que está acontecendo é o pedido de nulidade ali, porque eles alegam que o André Mendonça não poderia estar investigando, ao mesmo tempo que relatando, ao mesmo tempo que julgando que foi exatamente o modelo estabelecido pelo Alexandre de Moraes no inquérito do golpe. Então, na hipótese desse pedido da PGR ser acatado pelo Supremo, pelo Fachin, não sei, né? Se o Fachin achar que essa argumentação é válida, você abre um flanco para que a defesa do Jair Bolsonaro use essa mesma argumentação para tentar anular o processo no qual ele foi condenado. Então, há um contra-ataque vindo por parte da PGR que pode ter consequências incalculáveis nesse caso. Não se sabe o que vai vir desse pedido de anulação, mas é um pedido de anulação que abre um flanco para algo que é um pouco maior que isso.
Fernando de Barros e Silva: Além disso, o Gonet está citado numa situação comprometedora. O que eu quero dizer? Ele precisa ser investigado. O fato dele ter se manifestado também é um problema.
Ana Clara Costa: É ter saudade do Vorcaro é...
Celso Rocha de Barros: É ruim. Não é bom não. Do Dani, como diria o Nikolas Ferreira.
Fernando de Barros e Silva: É pedir para pagar a estadia do filho. Esse veraneio em Londres com uma macallan e charuto... É de uma cafajestada isso.
Celso Rocha de Barros: É aquele assédio inicial que o corrupto faz às autoridades e daí em diante ele vai vendo até onde dá para ir, né?
Ana Clara Costa: Ele vai tentando.
Celso Rocha de Barros: Te chama para um negócio, aí vai te enrolando, vai te envolvendo.
Fernando de Barros e Silva: O Gonet está reivindicando a nulidade de um processo no qual ele é um dos suspeitos. Essa é a verdade.
Ana Clara Costa: Exato. E por último, veio à luz esse personagem novo que é o Ciro Soares, um advogado lobista de Brasília, que fazia, na verdade, a conexão com todos esses personagens. Ele fazia a relação do Vorcaro com o Gonet. Ele foi o cara que foi falado do Vorcaro para o André Mendonça, era recebido pelo André Mendonça, foi testar terno com o André Mendonça. Ele tem uma capilaridade impressionante esse advogado. E eu não o conhecia, então fui procurar saber e o que soube? Ele é um advogado muito próximo do senador Otto Alencar, do PSD. Tem relação com o Kassab, tem relação com o Jaques Wagner também bastante. Enfim, é um cara ecumênico, né? E ele entrou no caso do Vorcaro, porque ele é sócio do Podval. Ele tem uma sociedade específica com o Roberto Podval, criminalista, que defendeu o Vorcaro no início do processo, entrou na defesa do Vorcaro. Foi aí que o Ciro acabou se enfiando ali no meio do Vorcaro e acabou fazendo essas conexões, né? Pelo que eu ouvi das fontes com quem eu conversei, ele é um cara que circula muito bem no Senado. Então, quando tem, por exemplo, sabatina de ministro do Supremo, ele acerta a ida do candidato na casa do senador x, senador Y. Então assim, é, enfim, uma espécie de lobista ali do Senado e do Judiciário. E é um personagem que eu acho que a gente tem que ficar de olho. É desses personagens pouco vistos e pouco falados em Brasília, mas que fazem muito.
Fernando de Barros e Silva: Celso, deixa eu te ouvir sobre isso tudo.
Celso Rocha de Barros: Bom, então, Fernando, as revelações dessa semana, se você já tinha a suspeita de que o contrato que a Malu Gaspar descobriu do Vorcaro com a mulher do Xandão era uma tentativa de suborno, era uma tentativa de comprar apoio do Alexandre de Moraes. Se você já tinha essa suspeita, suas suspeitas foram altamente reforçadas. Eu não quero me meter em complicações jurídicas, mas eu diria que essas suspeitas são razoavelmente apoiadas nas evidências disponíveis. Meu advogado tinha que me aplaudir agora com esse começo, vocês não acham? Enfim, se você já achava que o negócio do Xandão com Vorcaro era sacanagem, você saiu dessa semana com essa sua impressão muito reforçada. Se você achava que não era sacanagem, eu sugiro que você reveja seus pressupostos porque a Ana disse tudo. O nível de proximidade que está aparecendo aqui do Xandão com o Vorcaro não é normal, certo? É uma coisa completamente bizarra. A frequência dos contatos de um ministro da Suprema Corte com o cara que fez a maior fraude financeira da história brasileira é absolutamente aberrante. É um negócio grotesco isso aqui. Como eu disse no caso do Lulinha, eu sugiro que você gaste sua energia defendendo coisas que podem ser defendidas mais facilmente, entendeu? O Alexandre Moraes, obviamente, tem o direito de se defender e assim eu não sei dizer, por exemplo, se isso aqui fosse um processo criminal contra ele, se isso já é suficiente para prender o cara, se você teria que ter evidências mais robustas que ele fez alguma coisa num julgamento a favor do Vorcaro. Isso eu sinceramente não sei. Deixo para os advogados, mas é óbvio que isso aqui é errado, né gente? Não tem nenhuma discussão. É uma coisa que vai além daquela promiscuidade de Gilmarpalooza, sabe? Aquela coisa de você chamar o cara para um evento, você chamar o cara para uma festa... Já é errado isso. Mas isso aqui vai além. Esse contrato com a Viviane Barci não é um contrato de advocacia normal. Como disse um amigo meu, se um departamento jurídico de um banco aprovasse um contrato nesse valor, com o maior advogado que seja, o chefe do departamento jurídico seria demitido.
Ana Clara Costa: E um contrato verificado pelo Alexandre de Moraes.
Celso Rocha de Barros: Exatamente. Então não há a menor possibilidade disso aqui estar tudo ok. Não tem nenhuma chance disso aqui estar tudo dentro da legalidade. Evidentemente, é um golpe duríssimo, não só na reputação do Alexandre de Moraes, como na reputação do STF, que a gente sabe que continua sendo o alvo da extrema direita, que tentou dar um golpe e não conseguiu por causa do STF. Nesse ano, a gente tem uma eleição que há forte possibilidade de ter uma maioria golpista no Senado que pode indiciar os ministros do STF pelo motivo errado. Porque assim, cara, se os caras apoiam Flávio Bolsonaro, eles não podem querer impichar alguém por motivo de envolvimento com o caso Master, mas eles podem usar o caso Master agora como desculpa para impichar o ministro que eles querem impichar pela sua atuação contra o golpe. Então isso é gravíssimo. Vamos escolher as palavras com cuidado. Mas assim, a situação do Alexandre de Moraes está dificílima. Eu não queria ser o advogado do Alexandre de Moraes e um dia descobrir que vazou isso tudo aqui sobre meu cliente. Eu estaria aterrorizado se eu visse um negócio desse. Eu acho meio cedo para prever o que vai acontecer com qualquer uma dessas pessoas, mas assim, não tenho a menor dúvida que a semana é um absoluto desastre para o Alexandre de Moraes. Para os defensores do Alexandre de Moraes.
Ana Clara Costa: E para o Supremo, como instituição.
Celso Rocha de Barros: Para o Supremo como instituição, exatamente. E aí, no caso do Supremo, como instituição, não só pelo que saiu do Alexandre de Moraes, mas por todas essas suspeitas de que, por exemplo, o Mendonça, que é outro ministro do Supremo, pode estar fazendo isso para influenciar na eleição, que o Mendonça pode estar poupando outros ministros, como o Toffoli e o Kássio. Então, a impressão para quem está olhando de fora é que o Supremo é um bando de sem vergonha, que tem um cara que é ladrão, que fica tentando jogar a culpa para cima do outro. O custo institucional dessa semana vai ser alto, o que isso vai custar para o Brasil em termos de legitimidade institucional, vai ser considerável. Além do Xandão, outros personagens apareceram nos vazamentos, em geral com um nível de gravidade incomparavelmente menor. Então, por exemplo, como vocês disseram, o Gonet aparece ali querendo uísque caro e charuto. É um desempenho patético do Paulo Gonet do PGR. É absolutamente ridículo que um sujeito com uma posição de autoridade se comporte dessa maneira absolutamente palhaça. Mas a gente não tem uma decisão dele a favor do Vorcaro, por exemplo. A gente não tem indício que ele tenha feito coisa a favor do Vorcaro. Então a situação dele é bem ruim, mas pelo menos por enquanto, ainda nem se compara com a situação do Alexandre Moraes. Ele está alguns passos atrás em termos de envolvimento até esse momento. Eu concordo com a Ana no que se refere ao Andrei, o chefe da Polícia Federal, o que sai não me impressionou. Pelo que saiu até agora, dos vazamentos até agora, não tem nada contra ele. E o Andrei a gente sabe que prendeu o Vorcaro, então todas essas coisas a gente tem que ver o que o cara fez depois, né? E no dia seguinte dos vazamentos, o jornalista Paulo Motoryn, que tem um substack chamado Noites Húngaras, nos contou que houve uma reunião do próprio André Mendonça com Daniel Vorcaro. A reunião foi feita no Instituto do André Mendonça, o ITER, e o assunto da reunião teria sido uma decisão judicial sobre um conjunto de precatórios que o Master negociava. Esses precatórios são um negócio absolutamente suspeito, porque assim o precatório é um direito de cobrar uma dívida. Então, por exemplo, o governo está te devendo um dinheiro, ele emite um precatório. Se você quiser, você vende esse precatório para outra pessoa, ganha um dinheiro agora e a outra pessoa fica com o direito de cobrar o governo depois. Mas esses precatórios aparentemente estavam sendo emitidos antes da decisão final da Justiça de que o governo seria obrigado a pagá-los. A turma toda estava botando isso no balanço das empresas como se já tivesse valor de um precatório de verdade. Então, tem toda a cara de mutreta. Inclusive, uma mutreta financeira comum é o cara comprar um troço desses que só dá certo se tiver uma decisão judicial picareta e depois ir atrás da decisão judicial picareta. Eu não tenho a menor dúvida que era isso que o Vorcaro queria fazer com o Mendonça, mas aparentemente o Mendonça não fez o que ele queria. Então, obviamente muito feio para o Mendonça estar em reunião com o caro nesse instituto dele que, cá entre nós, não deveria existir, certo?
Fernando de Barros e Silva: Não deveria.
Celso Rocha de Barros: E já há acusações contra esse instituto. Ele já pediu vistas num processo do governador de Roraima que tinha contratado os serviços do instituto dele, mas aparentemente ele não fez nada pelo Vorcaro. Então, novamente, feio. Ruim. Talvez mereça outra mais investigação, mas vários passos atrás do Alexandre Moraes em termos de envolvimento, né? Cara, um amigo meu bem disse uma coisa: quando você tá falando de STF, alguém diz um instituto do ministro, você já faz... Você já sabe que lá vem bomba. Porque assim, por que que ministro do STF tem instituto?
Ana Clara Costa: Segundo informações que estão na imprensa, o instituto dele fechou mais de 50 contratos com entes públicos, sendo os principais de governos estaduais de estados governados pela direita, prefeituras e estados. Os principais são do governo Tarcisio, Prefeitura de São Paulo, Ricardo Nunes, Governo do Amazonas. E hoje, dia em que estamos gravando. O ministro André Mendonça anunciou a sua saída da sociedade do Instituto. Eu acho que vale dizer que ele abriu esse instituto depois de se tornar ministro do Supremo.
Fernando de Barros e Silva: Exato. Exato. Esse instituto já é uma nota de rodapé na nova edição que não vai existir dos Donos do Poder, do Raymundo Faoro. É mais uma nota de rodapé do velho patrimonialismo da confusão entre público e privado, ganhar dinheiro de maneira irregular, etc.
Celso Rocha de Barros: E aí, novamente. Quer ver? Por exemplo, num dia sai a história do Xandão, que é um escândalo. Enfim, 130 milhões. Um contrato desse do Alexandre Moraes, um negócio escandaloso, já cobra um preço de legitimidade do Supremo. No dia seguinte você ouve essa história do André Mendonça, que não é a mesma coisa do Moraes. A gente tem que ter senso de proporção aqui. Ele não fez o que o Vorcaro queria. Mas aí você puxa dessa história, você sabe da história do Instituto que tem essas histórias. Então isso tudo vai cobrando um preço de legitimidade, entendeu?
Ana Clara Costa: Você é ministro do Supremo, ainda tem tempo de coordenar o Instituto.
Celso Rocha de Barros: Pois é, porque tem uma fila grande de processo.
Ana Clara Costa: Como é que o Gilmar faz? Como é que ele faz?
Celso Rocha de Barros: Pois é. Por isso que eles ganham mais que a gente, que eles têm mais capacidade de trabalho, entendeu? Enfim, uma semana bastante ruim para a legitimidade das instituições brasileiras. Quer dizer, se você pensar no papel que o Supremo teve no combate ao golpe quatro anos atrás, o que os golpistas estão em empate técnico na eleição presidencial, é péssimo que essa instituição chegue nesse ponto da história brasileira tão enfraquecida.
Fernando de Barros e Silva: O que eu acho importante a gente registrar é o movimento das últimas semanas do André Mendonça. Vazaram as coisas do Lulinha. Não se sabe exatamente quem vazou e agora é produzido esse relatório sobre o Alexandre de Moraes. A gente tem que colocar as coisas em perspectiva. Existe uma relação entre elas. Sobre isso e sobre as implicações políticas desse episódio, a gente vai continuar falando no segundo bloco. Fazemos um rápido intervalo e já voltamos.
Fernando de Barros e Silva: Muito bem, estamos de volta. Ana Clara, vou começar com você. Tá instalada uma guerra dentro do STF. Sinais de uma crise institucional. Se não é sem precedentes, é das maiores da história republicana. E desde a redemocratização, com certeza. Embora nós tenhamos, como o Celso sempre repete, vivido uma tentativa de golpe de Estado e nada se compara a isso. Não faz muito tempo, né? Você andou apurando, andou conversando com as pessoas. Vamos tentar entender, inclusive esse silêncio do tribunal na primeira reunião em plenário, depois que as mensagens vieram à tona.
Ana Clara Costa: Fernando, eu acho que a primeira coisa que precisa ficar claro é que a gente está num momento de caos. Isso significa que não tem ninguém ali com uma estratégia super organizada de mover os peões e chegar num lugar específico e virar à direita e depois dar um salto. Não, não tem. Isso não está acontecendo, entendeu? Não tem um indivíduo acima de toda essa situação que está movendo as placas da República. O que a gente está vivendo é caosve reação ao caos. E aí é muito imprevisível onde isso vai dar. Quem se arvora a dizer hoje o resultado disso? Que vai todo mundo passar pano? "Ah, o Alexandre de Moraes está liquidado". Todas as hipóteses ainda acho que é muito prematuro dizer, né? Ninguém sabe. Ninguém, ninguém. Nem eles. Dito isso, eu quero voltar algumas casas, porque eu acho que aí que começa a nossa história, que é quando o Vorcaro tenta fechar a delação dele e que o advogado dele era o Juca, né? A gente já falou algumas vezes dele aqui. E aí teve uma confusão naquela época em que o André Mendonça estava achando que o Vorcaro estava querendo fazer uma delação seletiva, poupar a gente e ferrar outros e tal, né? "Ah, meu amigo Ciro Nogueira", enfim, a gente sabe o que tava acontecendo naquela época e acabou havendo uma discussão ali entre o André Mendonça e o Juca. O Juca saiu da defesa do Vorcaro e entrou um outro advogado, Sérgio Leonardo, e depois ele chamou um outro advogado, que é Daniel Bialski, o Daniel Bialski, que é um criminalista muito conhecido. Ele é muito amigo do André Mendonça. Eles são especialmente próximos. E qual é a conexão deles? É o Cesinha de Madureira, que é um deputado do PL de São Paulo. Apesar de ser de Madureira, não é Madureira, bairro do Rio de Janeiro.
Fernando de Barros e Silva: A gente já falou desse personagem. Está nos nossos arquivos.
Ana Clara Costa: E a partir daí, o que ficou decidido era que o Daniel Vorcaro não faria mais delação. Ele faria a defesa dele, etc. Houve uma nova tentativa que acabou não dando certo. O próprio André Mendonça não quis. E aí essa hipótese de delação acabou indo pelo ralo, né? E o que se discutia nos bastidores do Judiciário era que haveria um acordo entre poderes, já que o Master dinamita todos os poderes. Senado, Davi Alcolumbre. Hugo Motta na Câmara, Ciro Nogueira... E o Ciro Nogueira talvez não tenha nem cargo mais depois dessa eleição. A gente não sabe. O Supremo, governadores, senador do PT. Enfim, tinha muita gente ali que havia uma percepção de que, passada a eleição, eles iam matar isso de algum jeito, para ficar tudo em paz, né? O próprio Flávio Bolsonaro, né? Como a gente sabe. Envolvido até o pescoço. A direita, Nikolas agora, todo mundo. Então, assim, havia o interesse das forças da República para que esse caso fosse jogado para debaixo do tapete. E era com isso que o Daniel Vorcaro estava contando. Só que o que aconteceu nesse meio tempo? Surge uma nova delação, que é a delação do Mansur, que é o dono da Reag. A Reag funcionava, de certa forma, como um caixa do Master. Ela ajudava a estruturar esses fundos que o Master usava para fingir que tinha capital para poder emitir mais CDB. Então, a Reag, ela era parte importante do esquema.
Celso Rocha de Barros: A Reag era uma empresa de fraude mesmo, de fazer a mutreta financeira para qualquer um que chegasse.
Ana Clara Costa: E é super curioso que o Mansur nunca foi preso, sempre tá em casa tranquilão.
Fernando de Barros e Silva: É a Reag que fez a transação lá no Tayayá com o Toffoli.
Ana Clara Costa: Bom, a Reag fez tudo.
Celso Rocha de Barros: Tá no PCC também, tá com tudo.
Ana Clara Costa: É, família Batista...
Celso Rocha de Barros: Quem queria fazer uma mutreta financeira tinha o cartãozinho da Reage. Ligava lá.
Fernando de Barros e Silva: Família Batista é os irmãos Joesley, é isso?
Ana Clara Costa: É.
Fernando de Barros e Silva: Tá certo.
Ana Clara Costa: O Mansur começou a fazer essa delação e a delação do Mansur ela se tornou muito interessante porque o Mansur podia dar o caminho do dinheiro do Vorcaro e de todo esse esquema do Master, ou seja, permitir que esse dinheiro fosse repatriado e sanasse o BRB, sanasse a Previdência, sanasse os órgãos que foram penalizados e o Mansur não seria o cara que iria delatar a República. Então a existência da delação do Mansur começou a complicar a vida do Daniel Vorcaro e o que aconteceu nos últimos dias é que a delação do Mansur foi aceita pela PGR. E aí houve um movimento do Daniel Vorcaro que foi muito curioso, que foi esse depoimento que ele foi dar para o André Mendonça recentemente. É um depoimento muito maluco, porque ele age como se a PF não quisesse que ele desatasse. Ele acusa a PF de, enfim, torturá-lo, de não querer que ele delate, de não querer aceitar a delação dele, sendo que o Mendonça que lá atrás falou que não ia aceitar porque ele não tava delatando todo mundo, então é uma mentira.
Fernando de Barros e Silva: Torturá-lo simbolicamente, né?
Ana Clara Costa: Exato. Exato. Tortura psicológica.
Celso Rocha de Barros: Tortura pro Vorcaro é assim ele ficou sem iate, sem aqueles whisky caros.
Ana Clara Costa: E ele joga esse depoimento dele todo na conta da PF, como se a PF fosse a razão de tudo ter dado errado pra ele, sendo que a verdade não é essa. A verdade é que o próprio André Mendonça não quis essa delação lá atrás. Então assim, algo a se desconfiar e se depoimento justamente nesse timing, né? E aí eu quero abrir um parêntese para falar do Vorcaro quando ele fala que ele estava vivendo numa situação deplorável na prisão e a PF fazendo tudo com ele. Olha, é o seguinte, eu queria que o Brasil estivesse dentro da Papudinha observando como ele é tratado lá. Porque não me parece plausível que ele esteja sendo maltratado na cadeia. Se algum ouvinte aqui do Foro fizer alguma bobagem e acabar na Papudinha por alguma razão, por favor, dê seu testemunho sobre a vida do Daniel Vorcaro lá dentro, sobre o tipo de comida que ele come...
Fernando de Barros e Silva: Mas não desejamos que nenhum ouvinte...
Ana Clara Costa: Não desejamos. Mas caso aconteça...
Celso Rocha de Barros: Se já tiver alguém lá ouvindo clandestinamente num celular ilegal.
Ana Clara Costa: Conte pra gente a comida que ele come lá, como ele se comunica com o mundo exterior, como ele passa o tempo livre dele na Papudinha. Porque o cenário que nos é pintado aqui é de que a vida não é ruim para ele lá.
Fernando de Barros e Silva: Espero que esse nosso desafortunado ouvinte não vá descobrir algo semelhante ao que vivia o Sérgio Cabral quando estava preso. Fazia churrasco, tinha dezessete celulares à disposição, recebia lagosta.
Celso Rocha de Barros: Já houve casos, já houve casos.
Fernando de Barros e Silva: Espero que não seja isso, Ana. Vamos lá.
Celso Rocha de Barros: Quem sabe?
Ana Clara Costa: Bom, então, fechando o parêntese, esse depoimento dele se coloca num contexto de uma tentativa desesperada de entregar para o Mendonça algo que o Mendonça quer. Existe uma guerra do Mendonça com a PF. Já tem um tempo. Desde que o Mendonça proibiu os delegados que investigam de compartilhar informações da investigação com parte da cúpula da Polícia Federal, suspeitando que havia tráfico de informação para a Presidência da República pelo fato do Andrey ter sido chefe da segurança do Lula e não desgrudar do Lula, o que é verdade. E não desgruda mesmo. E aí armou se uma guerra que tá até agora, entendeu? Aí você tem parte da PF, que é lavajatista e se ressente do anti Lava Jatismo. Você tem delegados que foram escanteados pelo Andrei. Então você tem uma PF de fato conflagrada e essa conflagração acaba ajudando. A situação se torna ainda mais nitroglicerina por ali. Então assim, é muito curioso que esse depoimento do Vorcaro venha junto com a delação do Mansur, né? Não tem como a gente saber o que está na cabeça de cada um e cravar isso. Mas a leitura que dá para ser feita é que ele está oferecendo alguma coisa que ele acha que pode interessar ao André, porque a PGR acabou de homologar uma delação que acaba sendo uma concorrência a dele. E como o objetivo ali não era mais delatar, ele achava que ele ia conseguir se safar no pós eleição, quando o sistema todo se juntasse para matar esse caso. Quando Mansur chega e oferece o dinheiro, o Daniel Vorcaro acaba perdendo o ativo que ele tinha. Porque se os caras vão conseguir com o Mansur resolver o problema da grana e não delatar ninguém, ele que se dane lá para frente, entendeu? Então fica parecendo, pelo andar das coisas, que é uma tentativa desesperada dele. O que é estranho é o André Mendonça aceitar esse depoimento dessa forma, como se de fato fosse verdade que o Vorcaro não falou até agora por causa da PF, que o próprio André Mendonça sabe que não foi isso. E aí tem um outro ponto, que é o timing desse vazamento. Porque primeiro, foi um vazamento desses diálogos do Alexandre de Moraes para o Estadão, que deu o furo e logo em seguida o levantamento do sigilo. Não sabemos se o vazamento veio do gabinete dele. Pode ser que não. Ninguém aqui está fazendo essa ilação, mas o fato é que ele está num momento acuado. Ele está num momento em que o sistema não está mais interessado em que o caso Master prossiga e ele solta uma bomba atômica sobre o Supremo Tribunal Federal que exigirá que o Fachin se posicione, porque Fachin que vai definir no fim, se de fato Alexandre de Moraes for investigado, quem vai investigar o Alexandre de Moraes vai ser o André Mendonça. O Fachin vai avocar para si essa investigação? O Fachin vai determinar que outro ministro do Supremo faça isso? O plenário vai concordar com uma investigação sobre o Alexandre de Moraes? Se o plenário não concordar, como vai ser uma presidência do Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal no ano que vem. Diante disso, então, assim, o que está acontecendo agora são vários embates, mas o que a gente vai ver é se o espírito de corpo do Supremo vai ser maior do que todas as outras instituições, porque é isso que vai ditar se o Alexandre de Moraes de fato vai ser investigado. E por último, essa ida do Gilmar Mendes ao gabinete presidencial essa semana para conversar com Lula, ela é uma sinalização de vulnerabilidade. O Supremo está querendo o apoio do Lula. Foi isso que aconteceu. O Gilmar foi lá para isso, para, de certa forma, dizer que o governo precisa estar junto com o Supremo nessa. E é o potencial de uma ajuda, digamos, do governo em relação ao Supremo, se é que é possível, o governo também está super penalizado pelos acontecimentos. Como você vai fazer isso e como o governo não vai se prejudicar? O Lula em si não vai se prejudicar ao conceder esse apoio, digamos, ao Supremo.
Ana Clara Costa: Depois que a gente terminou de gravar o programa muitas coisas aconteceram. A principal delas foi a seguinte: utilizando o inquérito das fake news, aquele que foi aberto de ofício em 2019, que nunca foi encerrado, o ministro Alexandre de Moraes assinou um despacho cheio de acusações contra o ministro André Mendonça e pedia que o presidente da corte, o Luiz Edson Fachin, avalie se o Mendonça cometeu crimes ou extrapolou as suas funções durante as investigações, tanto do caso Master quanto do caso Lulinha. Ou seja, o Alexandre pede para o Fachin para que o Mendonça seja investigado. O que embasou esse despacho do Alexandre foi um relatório preliminar da Polícia Federal sem valor probatório, ainda na fase das hipóteses, que aponta que o Mendonça teria cometido irregularidades durante a condução do caso Master do caso Lulinha. Esse documento relata que o Mendonça não poderia ter pedido à PF as mensagens envolvendo o Moraes sem o aval do plenário da Corte. Ou seja, ele estaria extrapolando a sua função de relator, coisa que o Alexandre de Moraes conhece bem. Esse relatório também aponta a hipótese de assimetria na condução dos casos, a depender do campo político dos envolvidos. Ou seja, no caso Lulinha, esse documento cita que as provas eram frágeis ou inexistentes e as diligências pedidas pelo ministro Mendonça eram duras, enquanto no caso do senador Ciro Nogueira, em que, segundo o documento, as provas eram inequívocas, o Mendonça teria autorizado medidas mais brandas ou produção de provas por achar que o material que já havia sido coletado pela PF não era contundente o suficiente. E vale reforçar aqui que essa é uma hipótese levantada pela PF nesse relatório preliminar. Ou seja, é um documento inacabado. Todo o despacho do Alexandre é feito com base nesse documento, que não é assinado por nenhum delegado. Mas esse documento de fato expõe fragilidades do Mendonça que já haviam sido notadas por quem acompanha esses casos. Depois que esse despacho saiu, o Mendonça foi até o Fachin e pediu afastamento do Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Ou seja, uma confusão sem tamanho que ainda está acontecendo e talvez tenha outros desdobramentos nas próximas horas. O Fachin então pediu para que todas as partes envolvidas nessa confusão, o Alexandre de Moraes, o André Mendonça, a PF e a PGR se manifestem nos próximos cinco dias nos autos, meio que no intuito de ganhar tempo até que a temperatura abaixe um pouco. Na mesma noite, o presidente Lula publicou um vídeo cobrando as investigações sobre os envolvidos no Master, mas também criticando os vazamentos seletivos. É isso, pessoal.
Fernando de Barros e Silva: E você dizia para mim ao longo da semana sobre a proximidade do 7 de setembro, que é uma data sempre instrumentalizada pelos bolsonaristas. E coincidência ou não...
Ana Clara Costa: Tem essa coincidência.
Fernando de Barros e Silva: Estamos a um mês de eleição. Estamos na véspera do feriado de 7 de setembro. O Alexandre de Moraes volta a ser o personagem principal do noticiário. Não me parece que isso possa ser desconsiderado.
Ana Clara Costa: Ele sempre foi personagem do 7 de Setembro no bolsonarismo.
Celso Rocha de Barros: Agora não é mentira, né?
Fernando de Barros e Silva: Exato. Você dá combustível para que ele apareça no papel de vilão da República, o cara que prendeu injustamente Bolsonaro, etc. Isso tudo que a gente já sabe.
Fernando de Barros e Silva: Justamente no 7 de setembro. E isso se dá também no momento em que o favoritismo do Lula na eleição se desfez. Hoje a gente tem uma eleição completamente indefinida. O Felipe Nunes dizia num dos noticiários da Globo que pelos cálculos que eles estavam fazendo, as chances do Lula se reeleger é menor do que 50% hoje, segundo o Felipe Nunes. Me parece evidente, Celso, que a gente está numa situação, um revés para o governo. A eleição está em aberto, evidentemente, mas é um momento de extrema vulnerabilidade para o governo e que esse caso pode contribuir para piorar as coisas para o Lula. Embora o Lula não tenha nada a ver com o escândalo do Master nem com o escândalo do Xandão.
Celso Rocha de Barros: Eu queria começar dando parabéns ao ministro André Mendonça pelo fato que o candidato a dele a presidente acaba de empatar com o Lula nas pesquisas eleitorais. Eu não tenho bastidores o suficiente para discutir o que se passa dentro da alma do André Mendonça, mas o fato objetivo é que as medidas dele nas últimas semanas foram amplamente favoráveis a Flávio Bolsonaro. Se você é um brasileiro que só se informou pelos vazamentos do André Mendonça nas últimas semanas, você tem certeza que, número um, o caso Master é basicamente um caso de banqueiro safado subornando o STF. E você tem certeza que o caso Lulinha tem a mesma gravidade que isso. Se eu tivesse essas opiniões, eu também votaria no Flávio. Felizmente eu leio imprensa profissional, entendeu? Eu leio as matérias da Ana Clara, leio as matérias do Breno, ler matérias de outros jornalistas de alta qualidade, de maneira que eu não vou ser otário a esse ponto. Se você tem que situar isso que aconteceu durante essa semana, dentro do que a gente já sabia do caso Master, então a gente está aqui discutindo essa história de Xandão, isso é o momento em que deu merda para o Vorcaro. O banco vai quebrar. Ele já sabe que isso vai dar errado. Aí ele vai comprar ministro do Supremo Tribunal Federal para livrar a cara dele e aparentemente compra. Gostaria muito de estar errado, mas todos os indícios aqui sugerem que ele tinha um negócio altamente escuso com Alexandre de Moraes e talvez também com Toffoli e Kássio Nunes Marques. Agora ele foi comprar ministro do STF porque o negócio já estava dando errado para ele. Então, essa história de Vorcaro com o STF é o final de uma história que eu aposto aqui, com a produção que eu consigo explicar em menos de cinco minutos. Vamos lá. Daniel Vorcaro só virou banqueiro por causa do bolsonarismo. Banco Master é uma coisa que existe entre o Banco Central do Temer e o Banco Central do Lula. O Banco Central do Temer não deixou Daniel Vorcaro virar banqueiro. Ele foi lá, falou: "Quero ser banqueiro". O Ilan Goldfajn, presidente do Banco Central nomeado pelo Temer, falou: "Não dá, Você é ladrão. Sai fora". Ele voltou seis meses depois, quando já era o banco central do Bolsonaro. Deixaram ele virar banqueiro. Alguns anos depois, entrou o Banco Central do Lula. Fechou o Master.
Fernando de Barros e Silva: É bom dar o nome do presidente do Banco Central: Campos Neto.
Celso Rocha de Barros: Roberto Campos Neto, que não tem indicação de crime dele. Mas tudo isso aconteceu durante a gestão dele. Então toda história de Banco Master só existe durante o Banco Central do Bolsonaro. O Banco Central do Temer não deixou isso acontecer e o Banco Central do Lula parou esse negócio. Número dois. Quando deram autorização para virar banqueiro, ele foi fazer o que ele queria fazer desde o início, que era sacanagem. Então ele começou a comprar políticos para que eles colocassem dinheiro público no Master. 19 entes federativos entre cidades ou municípios colocaram dinheiro de aposentado no Master ou beneficiaram o Master de alguma outra maneira, como foi o caso do PT baiano, que privatizou para o Master o CredCesta e deu uma série de garantias para o Master que ele usou para fraudar os funcionários públicos da Bahia numa série de empréstimos fraudulentos. Desses 19 entes federativos, 17 eram governados pela direita. Dá 90%. Ou, se você quiser ser chato, 89,3%. O maior desvio de todos, disparado, é o do governo bolsonarista do Rio. 4 bilhões. Tudo isso era pirâmide e eventualmente deu merda. Todos os partidos de direita de alguma expressão tentaram salvar o Master no Congresso desesperadamente, através de uma série de picaretagens. 100% desses projetos foram apresentados pela direita. 100%. Não é 95%, é 100%. Dos partidos que assinaram o requerimento que permitiria ao Congresso demitir o diretor do Banco Central, que estava prestes a barrar a operação com o BRB e que é outro cara indicado pelo Campos Neto, inclusive, mas que sai bem nessa história. 83% dos partidos que assinaram esse requerimento são de direita. O outro é o PSB, que também não sei o que que está aí, porque não apareceu nenhum envolvido grande do PSB até agora. Nem o Lula, nem o Haddad, nem o Galípolo, nem a bancada de esquerda no Congresso tomaram qualquer iniciativa para salvar o Master. O principal esforço para salvar o Master veio pelo governo bolsonarista no Distrito Federal, Ibaneis Rocha, aquele mesmo cara que deixou o 8 de janeiro acontecer sem a polícia fazer nada. O Ibaneis Rocha colocou no mínimo 8 bilhões para tapar o rombo do Master. Esse dinheiro era dinheiro público, dinheiro do banco Master. Esse número só vai crescer. Ele mal começou a ser chamado. Aí, nesse ponto, o Master vê que vai quebrar e sai comprando juiz. E a gente chega nessa semana passada, quando a gente descobre como ele fez para comprar o juízes. Então, é muito importante você ter noção de que esses caras do STF que estão enrolados são tudo safado mesmo, entendeu? Você tem razão de ficar com raiva deles. Eles tinham que ser responsabilizados, mas eles chegam no final da história. O esquema do Master já está desenhado. Eu fiz um PowerPoint do Master alguns meses atrás, cara, e ele quase não muda. Essa semana ele não mudou nada. O desenho básico do esquema já está desenhado, a gente já sabe o que aconteceu.
Fernando de Barros e Silva: O Celso vai passar a história do jornalismo como o homem que moralizou o PowerPoint.
Celso Rocha de Barros: Pois é.
Fernando de Barros e Silva: Finalmente, um PowerPoint que presta.
Celso Rocha de Barros: Então, por que isso é importante? Porque enquanto a gente está com a impressão de que isso é basicamente um escândalo do banqueiro safado subornando os caras do STF, o que cá entre nós, já é um escândalo gigante sozinho. Isso já é um dos maiores da história do Brasil, mas antes disso teve escândalos com muitos zeros a mais nos valores envolvidos, com dinheiro de gente muito pobre que foi dado para gente muito rica por um bando de direitista safado. E os caras do PT da Bahia também entraram nessa. Porque enquanto a gente não assimilar essa informação, quando a gente não olhar para esse conjunto de dados com as proporções que eles têm, e aqui é bom lembrar uma quantidade é um fato, a proporção entre duas coisas é um fato, tanto a gravação de um político roubando. Então você esconder essas proporções, esconder essas quantidades é você esconder fatos do público. Então, enquanto a gente não conseguir levar isso em conta, o que vai acontecer? O que está acontecendo agora. A direita montou esse esquema todo com o Vorcaro, o negócio quebrou, eles subornaram o STF e isso vai fazer eles subirem nas pesquisas. Então os caras que fizeram essa mutreta toda do Master estão sendo recompensados por fazer isso com o que parece que vai ser uma vitória eleitoral gigante, mesmo se o Flávio perder. O que a gente não sabe se vai perder, tá empatado. Então, a perspectiva atual é que quase todos os estados do Brasil seja governados por partidos que assinaram o requerimento para demitir diretor do Banco Central, que era contra o Master. Pouquíssimos estados, acho que dois ou três, têm chance real de serem governados por gente que não participou daquilo. Então, assim, o que está acontecendo no Brasil atualmente é trágico. Cara, é um negócio bizarro, porque a gente está caminhando como sonâmbulos para uma eleição que vai ser decidida por um escândalo, o que várias eleições já foram, mas que os vitoriosos podem ser os caras que fizeram o escândalo.
Fernando de Barros e Silva: Exatamente. O que é um novo PowerPoint. Explicação irretocável. O ponto de fuga disso tudo que está falando é a figura de Flávio Bolsonaro, seu benefício direto na roubança do Vorcaro. Sobre isso, a gente vai falar do terceiro bloco depois do intervalo, com a presença do Breno Pires. Já voltamos.
Fernando de Barros e Silva: Muito bem, estamos de volta. Breno, muito bem-vindo mais uma vez. Você apurou e escreveu uma matéria importante essa semana muito importante, mostrando que o Flávio Bolsonaro mentiu ao dizer que o filme tinha recebido até maio de 2025 o dinheiro do Vorcaro. Vamos reconstituir um pouco isso, Breno. Contar o cerne da matéria e entrar um pouco nos bastidores, no que você apurou depois da publicação do texto.
Breno Pires: Legal, Fernando. Obrigado pelo convite do Foro. Bom, é uma investigação que a gente fez ao longo de um mês inteiro, assim, enfiado nesse assunto. Buscamos na piauí ouvir gente de todas as frentes. Pedimos para conversar com até com o Jim Caviezel lá, mas enfim, nunca tivemos resposta. Rodamos do Brasil até os Estados Unidos e conseguimos muitos dados interessantes. O principal, como você mencionou, é isso, essa mentira de que o financiamento tinha encerrado em maio de 2025. Nós tivemos um trecho do relatório da PF que registra um pagamento de um milhão seiscentos e sessenta e seis mil e sessenta e sete dólares. Oito dias depois daquele famoso áudio em que o Flávio Bolsonaro cobra do próprio Daniel Vorcaro a continuidade dos pagamentos. Só isso já leva para 65 milhões de rais o valor efetivamente pago, pelo que para fazer esses pagamentos, utilizou uma empresa chamada Entre Investimentos e Participações, que para resumir era dinheiro do Vorcaro, que ele utilizava essa empresa como uma espécie de operadora cambial, um doleiro, até na palavra de um investigador que a gente ouviu. A gente pode voltar a falar depois do dono dessa empresa porque ele está afirmando acordo de colaboração premiada. Esse pagamento pode não ter sido o último, porque também revelamos a mensagem de Thiago Miranda para o próprio Daniel Vorcaro, no dia 22 de outubro, cobrando a continuidade dos pagamentos. E Vorcaro responde: "Liberei mais uma hoje". A possibilidade que surge daí é que o Daniel Vorcaro tem utilizado outros meios de pagamento além daquela empresa, Entre Investimentos. E para obter esses dados vai ser necessário ter uma colaboração das autoridades americanas. Já existe um pedido da Polícia Federal para que sejam fornecidos dados. Tem duas instituições que podem ajudar, o próprio FBI, e o equivalente ao Coaf nos Estados Unidos, que se chama FinCEN. Mas, além disso, há também está sendo elaborado um pedido de cooperação formal aí com o próprio Departamento de Justiça dos Estados Unidos, a ser conduzido aqui pelo Ministério da Justiça do Brasil, no Departamento de Cooperação Internacional. Ou seja, só para resumir, essa parte já tem autorização para cooperação. Mas vai ser feito um pedido mais específico em relação ao Havengate, que é o fundo escolhido pelos Bolsonaro para receber o dinheiro. Essa questão do caminho do dinheiro é importante e é importante também essa colaboração premiada do Antonio Freixo Junior, dono da Entre Investimentos, porque as investigações da Polícia Federal até agora elas se baseiam muito nos dados que foram obtidos no celular do próprio banqueiro Daniel Vorcaro. Até para corroborar os fatos. Por exemplo, não conseguiu se extrair os dados do celular do Freixo que foi apreendido, mas eles não conseguiram extrair os dados. O mesmo com o celular do Fabiano Zettel, que como é que funcionava? Até de maneira geral, os esquemas do Vorcaro, ele acionava o Zettel e o Zettel fazia os pagamentos utilizando a rede de empresas como essa que fez o pagamento para o Havengate. O que apuração mostra essa existência de uma caixa-preta nos Estados Unidos que coexiste com a caixa-preta do Brasil. Quando o Flávio Bolsonaro fica dizendo que tem que perguntar para a produtora no Brasil, ele está apontando para uma das caixas-pretas. A gente não sabe exatamente como que a produtora Go Up gastou o dinheiro no Brasil, mas a principal caixa-preta é a americana, é a texana, do próprio Havengate, que tem como dono Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro e amigo. Até agora não se sabe quem é o dono de fato do Havengate. Não dá para descartar a hipótese de que tem algum Bolsonaro entre os cotistas desse fundo. Pela característica dele, não existe obrigação de informar quem é o verdadeiro beneficiário.
Ana Clara Costa: Ô Breno, eu acho que vale você explicar para a gente por que para fazer esse pagamento do filme, precisa de toda essa triangulação financeira. Qual que é a suspeita? Posso estar fazendo uma pergunta óbvia, mas eu acho que às vezes, para o ouvinte, não fica claro quando a gente fala muito dessas operações financeiras, entendeu? Por que precisa disso? Ele não poderia simplesmente fazer uma transferência, mesmo porque, perto do valor que ele estava acostumado a transacionar, 1 milhão E pouco por parcela e nada, né? Centavos, né?
Fernando de Barros e Silva: Perfeito. E lembrando só que um filme como "Ainda estou aqui" custou em torno de 50 milhões de reais. Só o dinheiro que o for Vorcaro deu para esse fundo que a gente já descobriu, né Breno? São 65 milhões, né?
Breno Pires: Sim, sobre esse valor, né? O contrato, o acordo que foi feito pelo Flávio Bolsonaro convocaram previa 24 milhões de dólares de pagamento, o que chega ali na faixa equivalente ao contrato da Viviane Barci com o Banco Master, né? Pois sim. Até agora estão comprovadas sete parcelas de um total de 14. Ou seja, praticamente a metade. A pergunta da Ana é pertinente. No momento, o que eu tenho de informação é que a delação do Antônio Freixo Júnior, dono da Entre Investimentos, é importante justamente por isso, porque esse fluxo de pagamento, o que se sabe com as mensagens que foram obtidas é que o Fabiano Zettel, o advogado e cunhado do Daniel, que faziam um papel de operador e advogado dele, ele teve dificuldades com o câmbio do próprio Banco Master. Ele tentou fazer essa remessa com o próprio Banco Master, mas não conseguiu. Um doleiro pode ser utilizado quando você quer manter o repasse oculto ou quando você quer, de uma maneira ou de outra, ter uma dedução de impostos ali. Fazer um esquema que você vai pagar menos impostos. Não está claro ainda qual é a motivação nesse caso, mas comumente são esses dois tipos de motivação.
Ana Clara Costa: Entendi. E o fato desse dinheiro ser enviado para o Texas, onde o Eduardo Bolsonaro vive uma vida de rei ali, vale ver a reportagem que a Agência Pública fez sobre isso.
Celso Rocha de Barros: Excelente.
Ana Clara Costa: Sobre a vida boa que ele leva lá sem trabalhar, com as contas bloqueadas, condenado pela Justiça aqui. A gente se questiona como que é essa vida e financiada, né?
Celso Rocha de Barros: Sem dúvida.
Ana Clara Costa: Não é uma suspeita infundada a gente pensar que talvez ele tenha recebido parte desse dinheiro. Acho que é plausível.
Ana Clara Costa: É inteiramente plausível. Breno, eu queria aproveitar que você tá aqui, pô. Obviamente, pela matéria a gente já sabe que você sabe tudo sobre isso. Eu tenho uns amigos que trabalham com cinema e um deles acha o seguinte, que eles não tinham tanta intenção assim de terminar esse filme não. Que eles queriam usar esse filme como veículo para arrecadar dinheiro, seja para sustentar o Eduardo, seja para eles ganharem dinheiro, uns negócios desses. E que se desse para fazer, deu. Se não der, não deu. Tudo bem. E eu vi aqui que só começaram a filmar esse negócio no segundo semestre de 2025. É isso mesmo?
Breno Pires: Sim, foi no fim de outubro de 2025, né? Naquele momento, o próprio Daniel Vorcaro ainda não estava preso, mas o Jair Bolsonaro estava muito perto da prisão. Por curiosidade, os dias da prisão do Bolsonaro e do Daniel Vorcaro foram dias diferentes, mas no mês de novembro, e o filme estava rodando em São Paulo, em que o centro da cidade virou Juiz de Fora.
Celso Rocha de Barros: Olha só!
Breno Pires: Para a encenação do episódio lamentável da facada, né? Bom, mas Celso, para dar uma atualização, o filme está em fase de pós-produção.
Celso Rocha de Barros: Não, porque aí descobriram... A tese desse meu colega que trabalha com cinema, é que descobriram e eles fizeram assim, entendeu? Mas que eles não estavam com pressa nenhuma de tocar esse negócio e iam pedindo dinheiro para os aliados deles.
Breno Pires: Sim, o dinheiro começa a entrar em fevereiro de 2025. Essa timeline é interessante, Celso. Você que gosta de coincidências. O Eduardo Bolsonaro só se muda depois que a primeira parcela entra para os Estados Unidos. Ele só tira a licença da Câmara no dia em que ele manda uma mensagem para o Thiago Miranda, que é o publicitário e lobista de Brasília discutindo o fluxo de pagamentos, "ah, pode manter o pagador que está sendo feito" e tal.
Celso Rocha de Barros: Ah, totalmente coincidência isso.
Breno Pires: A segunda e terceira foram pagas em março e ele tira a licença em março também. Questão de dois dias de diferença. Você tinha, então, só para dar esse histórico. Três parcelas caíram entre fevereiro e março, outras três parcelas caíram entre abril e maio. Daí vem um hiato entre junho, julho, agosto, setembro. É quando o Flávio Bolsonaro se desespera e manda aquele áudio histórico revelado pelo Intercept Brasil. E depois daquele áudio, a nossa matéria agora mostra, oito dias depois surtiu efeito. Vorcaro efetuou esse pagamento. Faltava aí um mês para o início das gravações. É muito provável que, de fato, eles estavam contando com esse dinheiro já para a produção do filme. Não quer dizer que o dinheiro não possa ter sido utilizado ali no início.
Celso Rocha de Barros: Ele pode ter sido usado como canal para superfaturar o filme e jogar o superfaturamento para o Eduardo.
Breno Pires: Assim, a gente sabe que a criatividade do povo brasileiro e em particular da família Bolsonaro, para poder dar destinações de recursos.
Celso Rocha de Barros: Sem dúvida, sem dúvida.
Breno Pires: Se fosse para cometer alguma irregularidade, se fosse para pensar com maldade, dava para desviar dinheiro do filme, para desviar dinheiro de nota fria de prestador de serviço que não prestava, mas sim a maneira mais fácil de você desviar em bom volume é o dinheiro lá fora. Até porque as autoridades americanas não têm esse dever de prestar contas para as brasileiras. Então, por isso que acho que é muito importante. Das duas caixas pretas, a do Brasil é menos importante. Mais importante é lá fora. E falando um pouquinho disso, se o Eduardo possa ter tido algum tipo de benefício, ele teve uma participação ativa na estruturação do projeto junto com o Mário Frias. Ele é produtor-executivo. Ele participou da captação de recursos. Tentou. Tem essa mensagem dele com o Thiago Miranda, do Brasil, falando sobre a discussão da rota financeira. E também tem um dado aqui, um bastidor que eu queria trazer aqui, revelando para o público do Foro, que é muito exigente também e tá mal acostumado com a Ana Clara Costa que toda semana tem furo. É o seguinte, esse bastidor que terminou não entrando na matéria, mas agora a minha fonte me autorizou a contar. Uma pessoa próxima que estava acompanhando o início do projeto do Dark Horse, conta que ali, entre dezembro de 22, quando o Jair Bolsonaro vendeu os direitos de vida dele para que fizesse um filme por um preço de 1 dólar, um preço simbólico. Desse período de dezembro de 22 até dezembro de 24, quando apareceu o milagre econômico do banqueiro Daniel Vorcaro, não houve nenhum financiador interessado em patrocinar o filme, e a razão que era alegada é que os financiadores procurados por Mário Frias, por Eduardo Bolsonaro e pelo próprio Flávio Bolsonaro tinham medo do Alexandre de Moraes. Então, segundo essa pessoa, isso era relato deles, né? Que os Bolsonaro e Mário Frias não encontravam financiador porque eles tinham medo de serem perseguidos pelo ministro Xandão. E aí a grande ironia que o Celso vai poder definir melhor, né? Depois de encontrar empresários com medo do Xandão, eles conseguiram exatamente um financiador que mantinha relações em um contrato de 130 milhões de reais, justamente com aquele que causava medo nos outros financiadores.
Celso Rocha de Barros: Essa é a história mais inacreditável de todo esse rolo, né cara? O cara que prendeu o Bolsonaro tá num escândalo de corrupção com os bolsonaristas, né cara? Isso para você explicar para um estrangeiro não é? Não é fácil.
Ana Clara Costa: Caso ele consiga sair dessa, ele vai ser o presidente do Supremo a partir do ano que vem. E qual é a dúvida de vocês de que ele vai ter todo o interesse em matar o caso que o investiga ou o expôs? E também é o mesmo caso que expõe o Flávio. Então a permanência do Alexandre de Moraes no Supremo e as coisas andarem, digamos, no cronograma normal, significa o Flávio possivelmente não sendo punido por absolutamente nada em relação a esse caso, seja ele eleito ou não, entendeu?
Celso Rocha de Barros: E se isso acontecer, a explicação está pronta. Foram as preces da Michelle pelo Alexandre de Moraes que fizeram ele se converter, se tornar uma pessoa boa e salvar o Flávio.
Breno Pires: Um dos pontos que precisam ser esclarecidos a respeito do Eduardo e qual é a relação exata dele com o Paulo Calixt.? Pelo que se sabe, ele é advogado do próprio Eduardo. Ele é o controlador do fundo Havengate e, além disso, ele é o ghostwriter das notas de esclarecimento da produtora Go Up no Brasil. É até interessante esse bastidor. Acho que para quem gosta dos bastidores do jornalismo, o produtor americano Michael Davis, que é associado à Karina da Gama, na produtora Go Up. Ele desafiou a piauí a mandar perguntas detalhadas sobre o filme Dark Horse. Referenciada não em ilações e não em reportagens da imprensa, mas em documentos. E aí ele chamou a gente para dançar, né Celso? A gente dança, a gente mandou 146 perguntas para ele. E às 146 perguntas, a resposta dele foi: "Não vou responder, mas toma aqui essa nota de esclarecimento". E essa nota de esclarecimento tinha nos metadados do PDF, o autor Paulo Calixto, que é a figura mais misteriosa para mim até agora, porque você liga no escritório físico dele, que fica no Texas. Eu fiz isso na semana passada, falando lá em inglês, me apresentei e falei: "Gostaria de falar com Dr. Paulo Calixto a respeito de uma investigação que está em andamento no Brasil". Ele ligou na cara e não atendeu mais. E esse é um escritório de advocacia. A gente não está ligando para um celular de um político que está precisando se esconder, né?
Fernando de Barros e Silva: Hello? Paulo Calixto na linha aqui.
Celso Rocha de Barros: Né? Pois é.
Fernando de Barros e Silva: Que loucura!
Breno Pires: É o tipo de caso que está no meio nessa apuração sobre o Dark Horse, tanto da imprensa. Eu acho que a imprensa está mais avançada até do que a própria Polícia Federal, mas tem tudo para avançar. Porque quando todas as perguntas levam a outras perguntas mais complexas ainda é porque certamente não tem uma resposta clara. É por isso que o Flávio Bolsonaro fica dizendo como se fosse aquela propaganda do Posto Ipiranga. O Flávio Bolsonaro diz: "pergunta lá na produtora".
Fernando de Barros e Silva: O toque sinistro disso tudo é que a gente vai ter que ver esse filme, ainda por cima.
Celso Rocha de Barros: Eu já li o roteiro, rapaz.
Ana Clara Costa: Vocês vão ver por mim e me poupar dessa.
Fernando de Barros e Silva: A gente te conta. Bom, a gente encerra o terceiro bloco do programa, fazemos um rápido intervalo e na volta, Kinder Ovo. Breno também participa. Já voltamos. Muito bem. Estamos de volta. Mari Fariam, hora da maldade. Solta aí, por favor.
Sonora: Então, o primeiro desafio é vencer esse primeiro turno. Vencer essa primeira fase, que é a minha luta é de Davi contra Golias. Mas o Davi ganhou no final, né? É bíblico. Então eu estou com muita disposição, muito otimismo e uma coisa de cada vez.
Celso Rocha de Barros: É aquele veterinário que é candidato?
Breno Pires: Gente!
Ana Clara Costa: Em Minas?
Fernando de Barros e Silva: Acho que a gente vai ficar bem puto quando sair.
Breno Pires: Davi contra Golias.
Fernando de Barros e Silva: Essa nós dançamos, hein? Quem fala é o ex-governador do DF que tenta contestar a impugnação da nova candidatura José Roberto Arruda.
Ana Clara Costa: Caramba!
Fernando de Barros e Silva: Que está no PSB. É isso.
Ana Clara Costa: Eu não saberia. De qualquer forma.
Celso Rocha de Barros: Eu não reconheceria a voz, não.
Fernando de Barros e Silva: Em entrevista à CNN Brasil, José Roberto Arruda, personagem, esse aí já bateu o recorde de ele foi preso umas 17 vezes, já preso, eleito.
Celso Rocha de Barros: Preso enquanto está eleito. Governou da cadeia.
Breno Pires: E o pior é que ele pode se tornar o voto útil contra a Celina, em Brasília.
Celso Rocha de Barros: Eu tenho certeza que isso vai acontecer.
Fernando de Barros e Silva: Bom, depois dessa derrota gloriosa com o Breno participando, encerramos o Kinder Ovo. Vamos para o melhor momento do programa, o momento das cartinhas, momentos de vocês. O Correio Elegante. E eu começo aqui então com o recado do @davi: "Obrigado por sempre melhorarem minhas faxinas de sábado. Meu quarto estava tão bagunçado que poderiam chamá-lo de carreira política do Flávio Bolsonaro. PS: Fiquei apavorado com o terceiro bloco. Agora, assim como o Fernando, lembrei dos Batista no banho. Obrigado Foro". É, até isso. Sabonete dos irmãos Joesley. Ainda vou chegar na farmácia e vai ter sabonetes Joesley.
Ana Clara Costa: Semana passada, um ouvinte propôs que o caso Master fosse rebatizado. Essa semana alguns ouvintes enviaram sugestões. A Cibele Kiuza, escreveu: "E se o nome da operação do caso Master fosse Operação Amigão? Afinal, o que não faltou foram amigos recebendo e cobrando o pagamento".
Celso Rocha de Barros: Boa é boa, hein? Se bem que agora tem o lindão lindão que saiu também.
Ana Clara Costa: E o Jaime Salles postou: "Como assim vocês querem o nome para o caso Voraro, terminado em ão? Flávio, de própria boca, já deu um belo nome há meses e preenchendo os requisitos. É o caso do irmãozão".
Celso Rocha de Barros: Olha só.
Ana Clara Costa: E um amigo meu me mandou uma mensagem diretamente de Londres, que é nosso ouvinte, falando que pode ser o caso surubão.
Celso Rocha de Barros: Ah, esse ganhou, né gente? Não tem nem o que fazer. E ainda falando da participação da Consuelo comentando o podcast Berro do Boi, o Daniel Lira postou: "Estou com medo de comprar um vidrinho de loló no carnaval e vir com a logo da JBS". Tá difícil mesmo, Daniel. Tá difícil.
Fernando de Barros e Silva: É, meu boi louco. Bom, o que é bom acaba logo. O que não é tão bom também termina. E assim a gente vai encerrando o programa de hoje por aqui. Se você gostou, não deixe de seguir e dar start pra gente do Spotify. Segue no Apple Podcast, na Amazon Music. Favorita na Deezer e se inscreva no YouTube. Você também encontra a transcrição do episódio no site da piauí. Foro de Teresina é uma produção do estúdio Novelo pra Revista piauí. A coordenação geral é do Paulo Victor Ribeiro. A direção é da Mari Faria, com produção e distribuição da Maria Júlia Vieira. A checagem é da Ethel Rudnitizki. A edição é da Mariana Leão e do Paulo Victor Ribeiro. A identidade visual é da Amanda Lopes. A finalização e mixagem são do João Jabace e do Luís Rodrigues, da Pipoca Sound. Jabace e Rodrigues que também são os intérpretes da nossa melodia tema. A coordenação digital é da Bia Ribeiro, da Emily Almeida e do Fábio Brisolla. O programa de hoje foi gravado aqui na minha Choupana, em São Paulo, no Estúdio Hertz, em Brasília, e no Estúdio Rastro do Danny Dee, no Rio de Janeiro. Eu me despeço então dos meus amigos. Tchau, Breno. Obrigado pela participação.
Ana Clara Costa: Obrigado, Fernando. Foi um prazer aqui. Obrigado pelo convite. Um abraço a todos.
Fernando de Barros e Silva: Alegria nossa! Tchau Ana.
Celso Rocha de Barros: Tchau Fernando. Tchau pessoal.
Fernando de Barros e Silva: Tchau Celso.
Celso Rocha de Barros: Tchau Fernando. Tchau amigos. Até semana que vem.
Fernando de Barros e Silva: Para quem vai no Festival da Piauí, a gente se vê na Cinemateca neste sábado e para quem não vai. Uma ótima semana e até a semana que vem.